E a greve prossegue
A greve dos excluídos da saúde, parados há 60 dias, vai continuar. Na primeira mesa de negociação, realizada na quinta-feira (2), a Prefeitura não apresentou nenhuma proposta para encampar os excluídos no regime de 30 horas semanais de trabalho, benefício que a maior parte dos servidores da área conseguiram no ano passado.
Os excluídos exigiam que o caso fosse discutido ainda no final do ano passado, mas a Prefeitura insistiu em iniciar a negociação apenas no dia 2 de fevereiro de 2012. Por causa disso, os servidores deflagraram a greve.
Mas na proposta de mesa de negociação do dia 2 de fevereiro, a secretária de RH, Maria do Carmo, justificou que a prefeitura não tinha corpo técnico para fazer a avaliação dos custos. Agora, a versão é de que os custos seriam altos, mas não apresenta quanto. Essa postura faz com que a greve dos excluídos prossiga por tempo indeterminado. “A prefeitura tem que manter apenas uma versão. Diz que o custo é elevado, mas não mostra aos servidores. Esse dado deve ser público e não privativo a um grupo de pessoas”, critica Marcela Bomfim, presidente do Sismuc.
A reunião com a comissão de negociação começou com a prefeitura batendo o pé. “Nossa posição já está tomada”, disse a secretaria de recursos humanos Maria do Carmo. Mesmo depois de 60 dias de paralisação e de proposta do sindicato de calendário de negociação que gerasse a possibilidade de suspender a greve. A justificativa da prefeitura para não conceder às 30 horas é o custo financeiro (precisaria contratar apenas 250 profissionais), no entanto, a administração municipal se negou a apresentar as planilhas sobre os investimentos necessários para a implementação de jornada dos 12% restantes da saúde. “A prefeitura prefere apagar incêndio com gasolina, ao invés de negociar com os trabalhadores”, se espanta Alessandra Oliveira, secretária de comunicação do Sismuc.
Com a intransigência da secretária em estabelecer cronograma, a assembleia da categoria decidiu seguir com a greve e, daqui pra frente, ela vai propor um calendário coma possibilidade de construir a redução de jornada. “Nós vamos propor um calendário e, se aceito, podemos retornar ao local de trabalho com a suspensão da greve”, diz a farmacêutica Beatriz Patriota. Esse calendário deve ser também encaminhado também ao ministério público e desembargadora Astrid Maranhão de Carvalho, da 4ª Vara Cível , demonstrando que os servidores em greve há 60 dias sempre tentaram o diálogo com a secretária de recursos humanos.
