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'Toda Política'

Não teve jeito

2 fevereiro, 2009
19:04

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Foto: Franklin de Freitas

Depois de conseguirem se “evitar” na posse do presidente do TRE e na sessão de abertura dos trabalhos da Assembleia, Requião e Beto Richa acabarm ficando lado a lado na posse do presidente do Tribunal de Justiça, Carlos Augusto Hoffmann.

16 horas em ponto

2 outubro, 2008
09:13

Passadas as eleições, definidos os eleitos, a partir da próxima segunda-feira, as sessões da Câmara de Curitiba voltam a ser realizadas às 16 horas. Durante este período de campanha, os vereadores têm se reunido no período da manhã, dedicando a tarde para correr atrás de votos.

Meu caro Bronstein

17 setembro, 2008
09:10

A coluna Toda Política desta quarta-feira no JE.

Querido Lev Davidovich Bronstein, más notícias. Quem diria que seus fiéis seguidores fossem dar nisso. Não bastasse o Posadas que deixou que os trotskistas se transformassem em piada da quarta internacional ao defender a tese de que só alienígenas poderiam provar o triunfo dos povos. Afinal, que sociedade poderia desenvolver uma tecnologia capaz de vencer a resistência do tempo e do espaço, não fosse ela nascida sob o sistema socialista?
Outras eras, outras glórias. Por aqui, aqueles que reclamaram a teoria da revolução permanente sequer ousam dizer seu nome, temendo cair na vala comum dos “porralocas”, como diziam em antanho. No caso mais recente, o candidato do PSOL à prefeitura de Curitiba, Bruno Meirinho, diz que o socialismo defendido pelo partido é anterior a 1910. Nega o pinto calçudo a revolução russa de 1917 e abraça a “Filosofia da Miséria” de Proudhon. Pois não quer ele levar a cabo a tese de que “toda propriedade é um roubo”? Invadam, portanto, os imóveis vazios. Invadam os sem-terra as áreas rurais e banana para a lei. É tudo em nome da causa.
O mesmo socialista que não ousa dizer o seu nome, ó Lev Davidovich Bronstein, é aquele que encara o Estado como pai e provedor das necessidades do povo – seja lá o que isso signifique – sem apresentar alternativas que fujam do modelo de socialismo que ele diz renegar.
Foi a tacanha Constituição Brasileira de 1988 que possibilitou que gente que mal saiu do tambor, do tacape e da tanga ganhasse voz nas eleições com as idéias as mais estapafúrdias. O articulista Roberto Pompeu de Toledo disse, certa vez, sobre a presidenciável Heloísa Helena que no mundo que ela imaginava ele não queria viver. De Bruno Meirinho, nem isso. O socialismo de botequim que ele prega poderia ser rebatido por um babão de gravata. Eu não sei o que andam ensinando nas faculdades, mas Meirinho, que já foi chamado de Mineirinho (quaquaquá) e Mourinho (quequequé), é de fazer Marx virar um catavento no caixão. Duvida?  Basta ler um tico do que ele andou dizendo na sabatina da “Gazeta do Povo”. Por via das dúvidas, no entanto, recomenda-se despejar goela abaixo uma dose dupla de sal de fruta. Trostky, você não merecia isso.

Filosófica
De parlamentares que preferem não se identificar ao comentar, ontem, a grande exposição da travesti Andrielly Vogue (PT) na mídia: “Hoje em dia mulher boa de voto tem que ter saco”. Quaquaquá.

Só o PCdoB une!
As declarações de Ricardo Gomyde, candidato à prefeitura de Curitiba pelo PCdoB, na sabatina promovida pela “Gazeta do Povo” na segunda-feira promoveram um efeito curioso na Câmara Municipal de Curitiba. Pela primeira vez, situacionistas e oposicionistas uniram-se em “ritual de imolação”. Gomyde afirmou durante a sabatina que o PT seria o responsável pelos índices estratosféricos de aprovação de Beto Richa. Pra quê?

Coadjuvante
A turma se arrepiou. A petista Roseli Isidoro agitou a cabeleira e acusou Gomyde e o PCdoB de fazer o papel de “linha auxiliar” de Beto Richa.

Santo, santo
O vereador Paulo Salamuni (PV) foi mais longe. Juntou lé com cré e saiu batendo duro. “A sigla PCdoB não representa os comunistas mas o Partido Católico do Brasil. É um bando de crentes. Pupilos arrependidos do senhor reitor”.

Coisa feia
O tucano Celso Torquato mirou no alvo. Lembrou que quando Gomyde ocupava uma vaga na Câmara Municipal de Curitiba, durante a administração Cássio Taniguchi, era useiro e vezeiro em votar com a bancada aliada. Afe!

Venenoso
Alguém resolveu cutucar mais fundo e recordou os colegas que o hoje candidato à prefeitura Fábio Camargo (PTB) fazia o mesmo em relação aos projetos apresentados por Beto Richa. Isso quando aparecia na sessão. Coisa rara!

ARREMATE
Os números da pesquisa Vox Populi reforçam a tendência da eleição em Curitiba ser decidida no primeiro turno. Modorra, modorrinha.

OBLADI-OBLADÁ
Fotógrafos de plantão, por favor, queiram preparar suas máquinas. O candidato do PV à prefeitura, Maurício Furtado, garante que só usa bicicleta para se locomover. Ei São Tomé, só acredito vendo. *** A eleição nem acabou e Gleisi Hoffmann (PT) anda dizendo por aí que irá disputar o governo do estado em 2010. Escusas ao maridão Paulo Bernardo e a Jorge Samek.

marcusvrgomes@uol.com.br

Eduardo Fajuto da Costa

16 setembro, 2008
07:46

A coluna Toda Política desta terça-feira no JE.

Em queda nas pesquisas, o candidato do PMDB à prefeitura de Paranaguá, Mário Roque, gravou e deixou vazar no You Tube vídeo em que baixa a borduna no governador Requião e no superintendente do Porto de Paranaguá, Eduardo Requião (irmão do governador), a quem define, em ordem alfabética, de “cachorrão, canalha, porco e safado”. Roque vai mal das pernas na campanha e contava com o apoio do governador para derrotar o principal adversário, o atual prefeito de Paranaguá e candidato à reeleição, José Baka Filho (PDT).
No vídeo, gravado no sábado (13), o peemedebista lembra de sua colaboração na campanha reeleitoral de Requião, em 2006, e dos supostos 20 mil votos contrários que teria conseguido “diluir” em Paranaguá no segundo turno. Em paga, segundo ele, Eduardo teria convocado uma reunião com funcionários comissionados do Porto, pouco antes do início da campanha eleitoral neste ano, e discursado contra a candidatura de Roque, que ocupou a prefeitura do município por duas vezes.
O que Roque destila, mais do que a “tristeza do Jeca”, no entanto, é a lista de denúncias que pesam contra o superintendente do Porto, ora no limbo funcional por conta de decisão da Justiça. Roque diz que Eduardo teria demitido 80 amarradores de navio e chamado, em seu lugar, um sócio de nome “Chico” para organizar uma empresa e participar de licitação para assumir o negócio. Coisa cabeluda!
O peemedebista deixa insinuar que as mercadorias que chegam ao porto em contêineres passariam no fio do bigode, sem fiscalização, e lembra que Eduardo, que tem se valido da condição de irmão do governador, é o mesmo que não teria respeitado sequer o nome da família Requião ao lançar-se, em 2000, como adversário na disputa pela prefeitura de Curitiba contra o caçula Maurício (hoje no conselho do Tribunal de Contas do Paraná). “O senhor governador que leve este Serra acima. Esse não merece nada, é um porco, é um canalha, não vale nada, não respeita ninguém, veja a índole desse safado. Não merece o nome Requião. É o Eduardo Fajuto da Costa”, afirma Roque.
O aliado critica ainda a falta de autoridade do governador ao decretar intervenção no município e ver o interventor nomeado procurar o prefeito José Baka Filho e dar conhecimento da decisão em uma lanchonete de esquina. “O senhor (governador) politicamente está mal. Não manda nada, está desmoralizado. Ruge como um leão mas depois caminha tranqüilamente pela selva”.
Roque critica ainda o chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro, e o procurador-geral do estado, Carlos Marés. “É um timinho fajuto. Uma cambada de safados que o senhor (governador) tem à sua volta”. E diz que está se juntando à “forças vivas” de Paranaguá para combatê-lo e a seu irmão. “Estou mandando um recado, eu faço de tudo, e estou gravando, para reconquistar o prestígio do porto. E aí será um final feliz para nós. Não sei se infeliz para o senhor”. Sobre a possibilidade de sair derrotado na eleição diz que está preparado para tudo. “Ganhar ou perder, faz parte do jogo. Só não admito ser humilhado”, completa.
O líder do governo na Assembléia, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), rebateu as acusações de Roque lendo, na tribuna da Casa, soneto de Augusto dos Anjos. Um verso: “A mão que afaga é a mesma que apedreja”. Outro verso: “Escarra nessa boca que te beija”. Hmmmmmmm.

Nem no léxico
No vídeo mais comentado do dia, postado no You Tube, o candidato do PMDB à prefeitura de Paranaguá, Mário Roque, definiu o adversário José Baka Filho (PDT): “É um sanananga”. O que isso significa? Nenhum dicionário sabe.

Agora sim
Roque disse também que Baka é definido pelo presidente da Aciap – a associação comercial do município – e pelos vereadores como “bundão”. Nesse caso não carece dicionário.

Reforço
Cronista e repórter esportivo, o candidato à Câmara Municipal, Foguetinho (PP), está apelando ao cromatismo para atrair eleitores. Mandou imprimir santinhos na cor laranja para os taxistas e na cor verde para os coxas-brancas. Neste último caso, anda a tiracolo com o ex-zagueiro Heraldo, campeão brasileiro pelo Coritiba, em 1985. É um cabo eleitoral e tanto.

Parabólica
O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) ligou fulo da vida para a assessoria de imprensa do PT para fazer desmentir nota publicada nesta coluna em que afirmei que seu casamento com dona Gleisi seria só de “fachada”. A fonte deste escriba dividiu mesa com a petista em chá de senhoras e garante que ouve muito bem.

ARREMATE
Gleisi cogitou na semana passada trocar a coordenação de sua campanha. Esbarrou em um probleminha. Problemão! Não encontra ninguém para encarar a tarefa árdua.

OBLADI-OBLADÁ
De olho nos gazeteiros da Câmara de Vereadores que faltam às sessões para fazer campanha, o presidente da Casa, João Cláudio Derosso (PSDB) determinou que só serão toleradas, ora em diante, três ausências consecutivas ou cinco alternadas. Caso contrário, as faltas só serão abonadas com apresentação de atestado médico. Sem apelo. *** Candidato do PSDB a vereador, Emerson Prado (irmão de Nilson Prado, dono da Centronic) está circulando em caminhão com bufê a bordo. É um flagrante de crime eleitoral. O TRE já está de olho.

marcusvrgomes@uol.com.br

Adeus às armas

15 setembro, 2008
08:13

A coluna Toda Política desta segunda-feira no JE.

A levar em conta a reportagem de Abraão Benício, publicada no sábado neste JE, e o asilo político de Requião no Paraguai pode se tornar uma realidade. A informação é a de que o Ministério Público Federal pretende penhorar a coleção de armas do governador para conseguir recolher parte dos R$ 50 mil referente a uma das multas aplicadas a Requião por infringir decisão da Justiça Federal na ‘Escolinha’. Em ação anterior, o MPF conseguira o seqüestro das contas bancárias do governador. Com a falta de fundos, apela-se agora para o resgate de bens de valor. Requião guardaria na Granja Cangüiri cerca de 50 armas, entre elas ela uma metralhadora “Tommy Gun”, usada por nove entre dez gângsteres do cinema.
Até agora, o governador acumula dívida de R$ 450 mil por, ainda que proibido, usar o espaço da “Escolinha” para se autopromover e manter críticas a desafetos políticos. O Ministério Público entendeu que o acúmulo de multas poderia torná-las sem efeito e julgou melhor cobrá-las por meio de resgate de valores ou através de penhora. Requião afirmou recentemente que os seus únicos bens se resumiriam aos cavalos criados na Granja Cangüiri, um carro em nome de sua mulher, Maristela e Requião, e dez ou 12 casais de patos. “Sou um assalariado”, afirmou, referindo-se aos ganhos de R$ 24,5 mil que recebe por comandar o estado – o teto do funcionalismo público.
A informação é valiosa e deve ter ser motivo de ação de penhora posterior, caso Requião não salde as multas. Na lista, o MPF pretende incluir também o Jaguar verde que enfeita a garagem do governador na Granja Cangüiri, além do Ford T, 1948, avaliado em 18 mil dólares.
Por ironia, o desembargador encarregado de julgar o pedido de penhora das armas de Requião será o mesmo Lippmann que acabou com a “festa do palanque eletrônico” no primeiro semestre deste ano.
Para quem tem transitado com tanta desenvoltura no Judiciário e Legislativo da paróquia, as imposições a Requião, vindas da esfera federal, parecem um pesadelo de coronel. E pensar que já houve tempo em que o governador resolveu tudo com um pistoleiro chamado “Ferreirinha”.

De doer
Vida de socialista é difícil. Bruno Meirinho, do PSOL, começou a campanha sendo chamado de Bruno Mineirinho. Ó azar. Ontem, foi chamado equivocadamente pelo apresentador do debate da TV Educativa de Bruno “Mourinho”. Quaquaquá. Dureza.

Ele quer sangue
O candidato do PV, naquele estilo Bela Lugosi, disse que o projeto da Linha Verde da prefeitura é tão equivocado que, em breve, o trecho será rebatizado de Linha Vermelha. Prevê o candidato à prefeitura que a falta de opção para quem quer atravessar a pista pode fazer crescer o número de atropelamentos.

Alguém acredita?
Assim não dá pé. O governador Requião deu o “bolo” no candidato do PMDB à prefeitura de Curitiba, Carlos Moreira, na caminhada programada para o sábado na Boca Maldita. Quando a chuva já espantara boa parte dos 300 barnabés convocados, o governador mandou recado dizendo que retornava de Londrina e que não chegaria a tempo. Pediu um repeteco no próximo sábado. Desta vez garante que estará presente.

Afe!
Corre à boca pequena. Gleisi Hoffmann e Ângelo Vanhoni têm alguma coisa em comum, além do petismo arraigado. Os dois manteriam casamentos de “fachada” em suas respectivas campanhas à prefeitura.

Sem lacunas
A Justiça Eleitoral concedeu liminar proibindo a TV Paraná Educativa de colocar cadeiras vazias para indicar as ausência de Beto Richa (PSDB) e Lauro Rodrigues (PTdoB)  no debate de ontem. Caso a emissora descumprisse a ordem judicial, a multa estipulada era de R$ 100 mil. A liminar foi concedida pelo juiz Alexandre Barbosa Fabiani, da 177ª zona eleitoral, atendendo representação da Coligação Curitiba – O Trabalho Continua, de Richa.

Veneno
Autor de livro que conta a história do Brasil, através de letras de música, o professor Wellington Wella é o animador da campanha eleitoral do socialista Bruno Meirinho (PSOL). Os intrigantes questionam se o socialismo de Wella inclui dividir o seu salarião no Positivo?

ARREMATE
Gleisi Hoffmann achou um culpado para o fiasco da campanha petista: os institutos de pesquisa. E citou o caso de 2006, quando os números apontaram a vitória folgada de um “determinado candidato” ao governo. O nome dele é Requião.

OBLADI-OBLADÁ
Com 0% absoluto nas pesquisas eleitorais – já que não tem sido citado o candidato do PV à prefeitura de Curitiba, Maurício Furtado, cometeu ato falho, ontem, nas considerações finais do debate da TV Educativa: “O PV compareceu nestas eleições, ou melhor, comparece”. Ops! *** O superintendente da Polícia Civil e candidato a vereador, Valdir Bicudo (PPS), espantou-se com o ataque desferido ao nepotismo por candidatos do PT, na Igreja São Lucas, onde foi promovido debate com concorrentes à Câmara. *** “Uai, por que então a bancada do PT na Assembléia mantém silêncio obsequioso?”, questiona Bicudo.

marcusvrgomes@uol.com.br

O Bebê-Diabo e eu

13 setembro, 2008
09:02

A coluna Toda Política deste sábado no JE.
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Foi na década de 70. Pequeno, dei de cara com o “Notícias Populares” no varal da banca – era assim que lia-se jornal naquela época, ó internautas incautos. “Médico afirma: o Bebê-Diabo nasceu no ABC”. E não tinha nada a ver com greve de metalúrgico. Era o Tinhoso mesmo.

Antes, o filme “O Exorcista” lotara os cinemas. Minha mãe, acompanhada de meu pai e, se não me falha a memória, uma tia gorda que passava a temporada no quarto e sala em que nos entulhávamos, ficara horas na fila do Ipiranga para ver Linda Blair fazer xixi no tapete, vomitar verde e fazer fuc-fuc com a cruz. Em princípio disposta a enfrentar a turba, ela ficara macambúzia e sorumbática por motivo singelo. Afinal, não convencera meu pai a atravessar a rua até o Marabá, onde a jujuba era farta e a pipoca, amanteigada. Que diabo!

As filas ganharam espaço no Jornal Nacional, então apresentado por Cid Moreira, que ainda alisava o cabelo com “Trim”. Em casa, minha irmã religiosa acendera uma vela e rezara até o fim da sessão de cinema, por volta das 11 horas da noite. Já acomodado no alto do beliche, ouvi o  barulho da chave, seguido de sussurros. Foi só. Nunca houve comentários sobre o filme. Por sorte, conseguimos uma cópia do livro de William Peter Blatty e passamos noites em claro, aterrorizados, imaginando que o esfrega-esfrega no andar de cima era o desgracildo fazendo seus ruídos de praxe antes de se introduzir em nossa casa sem pedir licença (as revistinhas do Carlos Zéfiro vieram depois). Na semana seguinte, estávamos todos matriculados na primeira comunhão do Colégio Samaritano Coração de Jesus. Pura precaução.

Quando o “Bebê de Rosemary”, de Polanski, foi lançado, instalou-se o pânico. Novamente meus pais seguiram para o cinema acompanhados, se não me falha a memória, de uma tia gorda que permanecia em temporada paulista. Foi então que o “Notícias Populares” oportunamente inventou o bebê-diabo nascido na Região Metropolitana de São Paulo e tratou de assombrar a minha infância já devidamente assombrada por mendigos cegos, estandartes da TFP, urutus blindados, soldados da Força Pública, vick vaporub, dentistas de escolas públicas e pelo homem do baú da felicidade, que substituíra o homem do saco.

O bebê-diabo revigorou nossos medos e encarnou outros tantos. Como a série foi longa, sempre decorada com montagens toscas do chifrudinho, guardei os jornais por longo tempo até que minha mãe resolvesse exorcizá-los. Não reclamei. Àquela altura, o NP já substituíra o filho do capeta nascido em bairro operário (ok, capitalismo, você venceu)  por discos voadores, homens cobras, ratos gigantes  e, horror dos horrores, a loira do banheiro, responsável pela continência urinária de uma geração inteira.

Pavor semelhante só ressurgiu anos mais tarde quando Tetê Espíndola cantou “Escrito nas Estrelas” num festival de MPB. Lembro que dormi com o abajur aceso durante uma semana. Pura precaução.

Deu no JB
O PT trabalha a proposta de mandato de cinco anos, sem reeleição, para o Executivo. O projeto de lei é de autoria do líder do PT na Câmara , Maurício Rands (PE), e deve ser apresentado ao presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, neste fim de semana.

Bonificação
O Departamento de Recursos Humanos da Appa enviou à diretoria financeira, no dia 5 deste mês, ofício sobre pedidos de empenho (o que significa contas a pagar) a respeito de  “verbas rescisórias” do ex-funcionário da empresa que atende pelo nome de Eduardo Requião de Mello e Silva. Indenização à vista?

Sem-terra e sem-voto
O governo pode engrossar a caminhada Moreira Prefeito neste sábado, na Boca Maldita, com membros do MST, que ocuparam ontem a sede do Incra, em Curitiba. É a fome com a vontade de comer.

Ameaça à vista
Sobrinho do empresário Cecílio Rêgo Almeida, falecido neste ano, o candidato a vereador Caco Almeida (PSDB) está tirando o sono de tucanos velhos de guerra, preocupados com a possibilidade de perder a cadeira.

Levanta-te
Denúncias de que candidatos estariam fixando propaganda em áreas de uso comum como templos religiosos, estacionamentos, clubes, cinemas e lojas comerciais fez com que o TRE do Paraná despertasse de sono esplêndido. A lei eleitoral 22718, artigo 13, parágrafo 2º proíbe a propaganda nestes locais.

ARREMATE
O candidato do PTB à prefeitura de Curitiba, Fábio Camargo, promete publicar livro-bomba após a eleição em que contará os bastidores da campanha. O ghost-writer será o jornalista Eduardo Mira.

OBLADI-OBLADÁ
Gleisi Hoffmann do PT resolveu bater nos postos de Saúde de Curitiba. Não há dia em que ela não denuncie morte nas “filas invisíveis” de atendimento. *** “Inocêncio” deve ser o nome do fiscal da Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro que afirmou que as urnas eram invioláveis e que o traficante não teria como descobrir se fulano eleitor votou neste ou naquele candidato. *** Ora, claro que pode. Basta comparar o mapa de votação de cada seção com o número do título eleitoral dos moradores ameaçados. *** É dessa maneira que procedem aqueles que compram votos. *** O fiscal deveria saber.

marcusvrgomes@uol.com.br

Independência ou Marte!

12 setembro, 2008
06:12

A coluna Toda Política desta sexta-feira no JE.

O 7 de Setembro, Dia da Independência desta pátria lascada, serviu ao menos a um propósito nobre. Na madrugada de domingo, num ponto eqüidistante entre o Jardim Social e o Batel, um jornalista insone enxergou, em meio a um clarão de luz e ao som de trombetas, o “pobre” de Curitiba.
Foi uma epifania. Revelada ao jornalista enquanto, segundo ele, degustava um excelente vinho português comprado na Adega Boulevard.
O escriba é um cristão, ora tendo o privilégio de participar como “agente de divulgação” da campanha de uma das candidatas à prefeitura da capital – adivinhe quem? Foi ao lado da petista Gleisi Hoffmann, que o assessor de imprensa descobriu, duas décadas depois de fixar residência em Curitiba (antes tarde do que nunca), que uma cidade grande vai além das residências de luxo e das casas de vinho e queijo.
Mas deixemos que ele cante em sua freguesia: “Pela primeira vez na minha vida vi fezes humanas saindo por um cano e caindo em um córrego que abastece uma torneira comunitária para o atendimento de 300 famílias que vivem no Jardim Kosmos”.
A essa hora, qualquer um deve estar se perguntando de que planeta caiu o tipo faceiro. Peralá, ele veio de Ramos, no Rio, e nunca viu um cocozão boiando? De Marte!
Maestro, por favor, o naipe de violinos para o que vem a seguir: “Mesmo perto fisicamente, o Jardim Kosmos está distante socialmente de mim. Então meu espírito cristão se condói com aquela realidade”.
(Mas só um tiquinho. Porque “ele continua morando bem e comendo bem”).
“Sou eu dos dois lados: em Ramos, no Rio, e no Jardim Social, em Curitiba. Eu mudei de lado porque meus pais sempre investiram na nossa Educação. Eles se sacrificaram para pagar ensino médio particular para mim,
pois fui o único dos cinco filhos que não conseguiu ser aprovado em concurso para uma escola pública após o antigo ginásio”.
É a cota social do perdedor: 20%. Reparou? 80% dos que alcançaram a escola pública por mérito, em condições econômicas idênticas, pagam por aquele que fracassou. É a lógica torta do sistema de cotas.
Mas fiquemos na epifania. O jornalista atribui a uma reportagem da “Gazeta do Povo”, o milagre de sua repentina clarividência. Alguém aí ouviu a harpa do Anjo Gabriel? Pois é. “Não sou mais ignorante! Isso aumenta a minha responsabilidade, mas me motiva a mudar. E mudar é preciso!”
O caro leitor pode julgar que o desfecho é heróico: o assessor de imprensa desnudou-se franciscanamente de seus bens e seguiu condoído rumo ao Jardim Kosmos, onde pretende, juntamente com seus irmãos, dividir a água tirada do córrego em que bóia o cocozão.
Não sejamos tão literais. A mudança a que o iluminado jornalista se refere é política. O vinho português da Adega Boulevard, portanto, está garantido.

Cadê os números?
O site do Ibope é pródigo em esconder os dados das pesquisas nas principais cidades do país. Ontem, quem tentou obter detalhes de sondagens recentes viu resultados de Imperatriz (MA), Juazeiro do Norte (CE), Porto Seguro (BA) e Taboão da Serra (SP).

Bomba, bomba
À última hora apareceu notícia fresca: Edson Piriquito lidera as intenções de voto em Balneário Camboriú (SC). Agora vai. Quaquaquá.

PT nos píncaros
O Datafolha divulgou novo ranking dos prefeitos do país. Dos quatro primeiros colocados, três são petistas: Fernando Pimentel, de Belo Horizonte, com nota 7,6, João Paulo, do Recife, 7,3, e Luiziane Lins, de Fortaleza, 6,4.

The best
O tucano Beto Richa confirmou liderança com a nota 8. Em levantamento anterior, divulgado em 23 de agosto pelo Datafolha, Richa obteve 7,7 em uma escala de 0 a 10.

Parlatório
A paróquia São Lucas, no Xaxim, promove hoje, a partir das 19 horas, debate com 12 candidatos a vereador. Entre eles, Pedro Paulo e Adenival Gomes, ambos do PT, e Valdir Bicudo (PPS).

ARREMATE
Ex-candidato do PT à prefeitura de Curitiba, com o apoio de Requião, o deputado federal Ângelo Vanhoni tem recorrido a rifas para saldar dívida da campanha de 2004, na casa dos R$ 5 milhões. Moreira subiu no telhado.

OBLADI-OBLADÁ
Em entrevista coletiva, o prefeito de Paranaguá e candidato à reeleição, José Baka Filho (PDT), denunciou suposta armação do governo para intervir no município. *** “É uma atitude facínora e fascista. Estamos usando todos os antídotos legais e democráticos contra isso. Ficou claro que a atitude do governador de querer vencer as eleições no tapetão”.

marcusvrgomes@uol.com.br

Frente de ataque

11 setembro, 2008
07:49

A coluna Toda Política desta quinta-feira no JE.

Um encontro na sexta-feira passada reuniu, em torno da mesma mesa, representantes e marqueteiros dos adversários de Beto Richa na disputa pelo trono da prefeitura.
Discutiram um plano de ataque à campanha do tucano onde não restaria pedra sobre pedra. O coordenador de marketing da campanha de Carlos Moreira (PMDB) e Fábio Camargo (PTB), Hiram Pessoa de Mello, sugeriu ocupar 2/3 do tempo de cada candidato para desferir petardos contra o tucano. Os golpes seriam da cintura para baixo e envolveriam a passagem de José Richa Filho, o Pepe, pelo DER do Paraná no governo Lerner, o Instituto Pró-Cidadania de Curitiba, comandado pela primeira-dama Fernanda Richa, a sogra fantasma de Ezequias Moreira, o Instituto Curitiba de Informática (ICI), os gastos em publicidade e propaganda elevados aos zilhões e, cereja no bolo, uma certa empresa de seguros que mantém contrato com a prefeitura.
Representantes do PT de Gleisi Hoffmann, no entanto, teriam melado o acordo alegando prejuízo que atingiria os limites do suicídio eleitoral. Os petistas argumentaram, por exemplo, que o ministro Paulo Bernardo (Planejamento), marido de Gleisi, sonha em disputar o governo e que a própria petista não descarta encarar novamente a disputa ao Senado em 2010.
Executar, portanto, o que seria uma blitzkrieg sobre a candidatura de Beto Richa poderia, segundo os petistas, ter efeito contrário com conseqüências devastadoras para o partido nos próximos anos.
O plano, no entanto, ainda não foi devidamente descartado. Hiram Pessoa de Mello tenta convencer Fábio Camargo e Carlos Moreira a aderirem ao projeto e trata de incluir Requião nas negociações.
O governador tem filosofado sobre o que entende por “cacete eleitoral” – com aquela fleuma que lhe é peculiar –, mas nem mesmo ele se arrisca a tanto.
Hiram, que guarda mágoas de Richa da eleição de 2004, teria apelado até para o empresário que financia as campanhas de Moreira e Camargo, em agradecimento a contratos substanciosos conseguidos junto à administração estadual.
Ainda assim, o poder de persuasão do marqueteiro “dois em um” tem se revelado de pouco alcance.
Nos corredores, a piada que corre é a de que Hiram teria incorporado a “caixa preta” do qual foi portador em debate na Band.. Afinal, foi ele quem levou o petebista Fábio Camargo e o peemedebista Carlos Moreira a um intransponível índice de 1% – confirmado ontem, aliás, na pesquisa  Ibope/RPC. Sim, é para rir.

Indesejados das gentes
O índice de rejeição dos candidatos à prefeitura de Curitiba anima a disputa. Fábio Camargo (PTB) alcançou, ontem, 23%, enquanto Gleisi Hoffmann (PT), Carlos Moreira (PMDB) e Bruno Meirinho (PSOL), seguem coladinhos, todos com 22%.

Pau a pau
Se levada em conta a margem de erro de quatro pontos e os quatros estão tecnicamente empatados. Pelas barbas do profeta, torcida brasileira!

Memorex
O vice-presidente da Câmara de Curitiba, Tito Zeglin (PDT), fez questão de lembrar os colegas que o artigo 22 do regime interno prevê que a ausência em 33% das sessões pode incorrer em cassação do mandato.

Bateu duro
Mirou direto no tucano Beto Moraes que há três semanas não dá o ar da graça na Casa.

Estado de exceção
A reputação do governador Roberto Requião vai de mal a pior. Ontem, ele inventou um “Ferreirinha judicial” e determinou a intervenção no município de Paranaguá sob a acusação de acúmulo de passivo trabalhista.

Inimigo meu
Detalhe: o prefeito de Paranaguá, José Baka Filho (PDT), é candidato à reeleição e, se não bastasse, inimigo visceral do governador.

Despropósito
Requião teria se rendido aos apelos do candidato à prefeitura do PMDB, Mário Roque, para determinar a intervenção, acatando, segundo ele, determinação do Tribunal de Justiça do Paraná.

De dar medo
É um caso de temeridade, se levada em conta a subserviência espantosa do Judiciário em questiúnculas de interesse do governador.

Sem efeito
Vale lembrar que o estado do Paraná também foi alvo de intervenção recomendado pelo Tribunal de Contas da União por deixar de honrar dívidas trabalhistas, o que nunca se consumou.

ARREMATE
O Paraná transformou-se no quintal da família Requião?

OBLADI-OBLADÁ
O vereador Jairo Marcelino (PDT) acionou a bola de cristal e estima que 12 caras novas devam assumir a Câmara em 2009. *** Entusiasmado com os índices de Beto Richa nas pesquisas, o PSDB decidiu usar o horário eleitoral gratuito para incentivar o voto de legenda. *** A bancada do PT na Câmara desistiu de ostentar o bottom de Gleisi Hoffmann na campanha. Concentra-se agora na própria eleição. Dureza.

marcusvrgomes@uol.com.br

A marcha dos barnabés

10 setembro, 2008
07:17

A coluna Toda Política desta quarta-feira no JE.

Requião anuncia a Marcha dos Cinco Mil no próximo sábado para fazer esquentar a campanha de Carlos Moreira (PMDB) à prefeitura de Curitiba. O número não foi escolhido ao acaso. Cinco mil é o número estimado de funcionários comissionados no governo do estado e adjacências, sujeitos às chuvas e trovoadas da administração peemedebista – o que significa também atender convocatórias para engrossar campanha fantasma.
Moreira tem 1% nas duas últimas pesquisas eleitorais – Vox Populi e Datafolha –, o que representa pouco mais de 12,5 mil votos. Não elege sequer um vereador.
Só para efeito de comparação (e comparar é preciso), o verde nanico Melo Viana, que agora ocupa carguinho fácil e bem remunerado no governo, obteve na eleição de 2004 pouco mais de 13 mil votos.
Mas o que importa mesmo é mensurar os efeitos da campanha de Moreira sobre o prestígio do governador. E eles são visíveis. A começar pela pretensão de Requião de disputar o Senado em 2010. Com tal capacidade de “transferência de votos” – um mito que governantes do Oiapoque ao Chuí costumam vender – convém sua campanha subir no telhado.
Leve-se em consideração que, mesmo que estejam em disputa duas das três cadeiras do Paraná no Senado, há concorrentes de peso prontos para concorrer ao cargo. Se não disputar o governo do estado, Osmar Dias (PDT) é um deles, Flávio Arns (PT) outro, Gleisi Hoffmann (PT) certamente. Gustavo Fruet (PSDB) estuda a possibilidade, Valdir Rossoni (PSDB) também, e até o empresário Paulo Pimentel (sem partido) pode vir a arriscar-se novamente. São seis nomes colocados que, se não ameaçam, ao menos abalam o sonho de Requião de encerrar a carreira política com pompa e circunstância na alta câmara da República.
Quanto a Moreira, a promessa de Requião ao credenciá-lo a “laranja” ou “abacaxi” da campanha peemedebista era oferecer, em troca, a Secretaria da Educação. Em privado, no entanto, o governador já descarta essa possibilidade. Há quem diga que o vexame do PMDB, a ser confirmado nas urnas, pode afundar de vez a nau de Moreira feito um Titanic mambembe.
Se não bastasse isso, o ex-reitor da Universidade Federal do Paraná recebeu ontem mais uma notícia amarga (vai para a coleção): a UFPR ficou em 44º lugar no primeiro ranking oficial das instituições de ensino superior. Moreira, ora em diante, virou nome de frango de macumba.

Receituário
“Se cacete não resolver, dobre a dose”. (Do filósofo Roberto Requião, alertando para o que virá na reta final das eleições em Curitiba).

E a magrela?
Estranho que Gleisi Hoffmann (PT), tão entusiasmada com as bicicletas de Paris, não tenha feito da idéia um “mote de campanha”.

Perdeu o bonde
Pois, ontem, no Rio, o quase ex-prefeito César Maia (DEM) tratou de anunciar a licitação de bicicletas de aluguel que servirão de transporte para o carioca ir ao trabalho.

Cidade maravilhosa
Ruy Castro, que gosta de festejar as peripécias do Rio de Janeiro, comemorou a idéia e lembrou que a capital carioca tem 140 quilômetros de ciclovias.

Um porém
Pois é, Curitiba possui 103 km. O problema é que as tais pistas foram planejadas para quem faz da magrela um lazer e não um meio de transporte.

Extra, extra
As eleições para reitor da UFPR ocorrem nesta quarta-feira em caráter extraordinário. O cargo ficou vago depois que Carlos Moreira (PMDB) renunciou para disputar a prefeitura de Curitiba.

Regra quebrada
Moreira se elegeu em 2002 e se reelegeu em 2006, tornando-se o FHC da UFPR. Desde 1985, quando Riad Salamuni foi eleito reitor da universidade em sufrágio direto, havia um consenso informal de que não haveria o expediente da reeleição.

Pensou bem
Moreira nega esse acordo e diz que o antigo reitor Carlos Antunes, o Tratorzinho, teria cogitado um novo mandato, mas desistiu depois de reavaliar suas chances.

Das anacrônicas
O candidato à prefeitura Ricardo Gomyde (PCdoB) que se dê por contente com o 1% obtido nas últimas pesquisas. Ontem, seu partido saudou os 60 anos da República Democrática da… Coréia do Norte. Cheirou naftalina?

ARREMATE
Em campanha pró-Richa, os presidenciáveis tucanos José Serra e Aécio Neves estiveram, ontem, em Curitiba e rasgaram sedas um ao outro. Me engana que eu gosto.

OBLADI-OBLADÁ
Com a Assembléia Legislativa às moscas, correu a piada ontem à tarde de que os deputados teriam decidido esticar o “restinho da semana”. É da profissão. *** Caminha para ganhar um nome de batismo o grupo de parlamentares que resiste às inovações pequeno-burguesas para tornar o legislativo mais transparente. É a “Frente Romanelli de Trabalho”. Perfeito.

marcusvrgomes@uol.com.br

Cumprindo tabela?

9 setembro, 2008
06:11

A coluna Toda Política desta terça-feira no JE.

Diretor da Paraná Pesquisas, o especialista em marketing Murilo Hidalgo vê um quadro cada vez mais consolidado em Curitiba. O tucano Beto Richa mantém índices acima de 70% nas pesquisas, baixa rejeição (7%, segundo o Datafolha), nível de aprovação administrativa que bate em 85% de ótimo e bom, e last but not least, adversários que chafurdam em números indigentes.
Hidalgo tem insistido no fato de que os índices de intenção de voto da petista Gleisi Hoffmnan, segunda colocada nas pesquisas, não crescem sobre o seu principal adversário, o tucano Beto Richa, mas sobre os demais concorrentes, o que significa ir do nada a lugar algum.
Para o especialista, há um grande dilema shakespeariano envolvendo os marqueteiros de oposição no que toca às críticas a cidade. A campanha tucana conseguiu blindar de tal modo o prefeito que qualquer problema relacionado à capital por parte dos adversários é encarado como um ataque dos “inimigos de Curitiba”. 
Não por acaso, a rejeição de Gleisi Hoffmann ultrapassou o petebista Fábio Camargo, antes líder no quesito, e atinge, na última pesquisa Datafolha, 24%.
Murilo Hidalgo diz que a única alternativa de Gleisi para tirar votos de Richa é “inocular a dúvida” no eleitorado tucano, mas para isso é preciso deixar de lado a “imagem da boazinha” e bater em questões que coloquem em xeque a conduta moral do prefeito.
Projetos relacionados à Saúde, à Educação, à Moradia, passam em branco ou são esquecidos pelo eleitor. O caso do projeto do Metrô curitibano é emblemático. De chofre, não há candidato que não o apresente em sua plataforma eleitoral como a solução para todos os males do transporte urbano.
Gleisi tem se escudado ainda nos bons ventos da Economia brasileira para atribuir todo e qualquer benefício que aporta em Curitiba como uma “dádiva” do governo Lula. É a tentativa de associar uma coisa à outra e, assim, beneficiar-se da tese nunca provada da transferência de votos.
O candidato do PMDB, Carlos Moreira, julgava que o apoio de Requião lhe traria ao menos 11% dos votos. Em vão. O governador não conseguiu fazer migrar para o seu “predileto” sequer 1% do eleitorado curitibano. Moreira, por enquanto, só tem um nome a zerar.
Modorra, modorrência, a eleição vai chegando ao seu momento decisivo com jeito de campeonato de um só time. Os demais cumprem tabela.

Andrajoso
Com a administração em farrapos, o prefeito de Londrina Nedson Micheletti (PT) julgou melhor incluir-se fora dessa na propaganda eleitoral de André Vargas, candidato petista à prefeitura.

Vai mal, vai pior
De acordo com o levantamento do Ibope/RPC, divulgado em agosto, a administração de Micheletti tem 50% de avaliação “péssima” e “ruim”.

Chororô
O peemedebista Moreira parece mesmo ter jogado a toalha. Ontem repetiu, em seu programa de estréia, o “Esta É Sua Vida” do início do horário eleitoral gratuito. Não faltou a professorinha do primário, hoje octogenária, e um paciente que ele fez enxergar. Buá, buá.

Para bom entendedor
A campanha do petebista Fábio Camargo é um contrasenso só. Depois de declarar previsão de R$ 14 milhões em gastos de campanha e desafiar os demais candidato a gastar menos de R$ 10 milhões para se eleger, ele anuncia receita de R$ 98.300,00 e despesa de R$ 99.264,00. Já está no vermelho.  E não é de vergonha.

Isso é que é
Na segunda prestação de contas entregue ao TSE, a petista Gleisi Hoffmann lidera a lista de arrecadação de recursos: R$ 3,2 milhões ante 2,9 milhões de Richa.

Aécio na parada
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), é a estrela do jantar que reunirá hoje o tucanato em flor em jantar por adesão no Estação Convention Center. O preço do convite é de R$ 1 mil e será destinado à campanha tucana.

O Favorito
Antes, Aécio, concede entrevista à imprensa no Hotel Bourbon, a partir das 17 horas. Pergunta que não quer calar: Richa já definiu quem apoiara na disputa à presidência da República em 2010?

ARREMATE
O candidato do PV, Maurício Furtado, deu asas para a imaginação ao relacionar entre os seus filmes preferidos o seriado “Zorro e seu amigo Tonto”. Bom, ele é o Zorro. Tonto é quem mesmo?

OBLADI-OBLADÁ
Nepote, nepotesinho 1. O filho é o secretário  de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari. O pai é o corregedor e ouvidor, Luiz Carlos Delazari, que ocupa secretaria especial. Quem deixa o governo? *** Nepote, nepotesinho 2. A mãe é a secretária Maria Marta Lunardon (Administração). Os parentes são Fábio Lunardon, agente administrativo da Secretaria de Segurança  Pública e Roberta Weber Lunardon, chefe de Divisão da Secretaria de Saúde.

marcusvrgomes@uol.com.br

Bateu o desespero

6 setembro, 2008
10:42

A coluna Toda Política deste sábado no JE.

O candidato do PMDB à prefeitura de Curitiba, Carlos Moreira, incorporou ontem o espírito do governador Requião ao reagir com destempero ao resultado da pesquisa Vox Populi encomendada por este JE. “Tenho certeza absoluta que esses números são inverídicos, irreais e mentirosos e que nossa campanha tem percentuais mais altos”.
Em entrevista recente, Moreira admitiu que era um candidato desconhecido e que estava saindo do zero. Dito e feito. Saiu. Na sondagem do Vox Populi publicada em 13 de agosto ele tinha 0%. Agora tem 1%.
Os números divulgados ontem não diferem em nada de pesquisas divulgadas pelo Ibope e Datafolha, onde o peemedebista não conseguiu ultrapassar ainda a linha dos 2%.
Se considerada a margem de erro de 3,5% para mais ou para menos, Moreira pode oscilar para 4,5% das intenções de votos ou assumir a condição “limbar”, como ele mesmo definiu. Só não registra 0% cravado porque, com certeza, deve votar em si mesmo.
O fato é que o peemedebista esperava que a propaganda gratuita no rádio e na TV servisse de panacéia para os males eleitorais. Não serviu.
A exposição, ao contrário, revelou cruelmente o fiasco da candidatura, já prevista nas hostes peemedebistas, e só fez ampliar o seu índice de rejeição a patamares estratosféricos.
A insinuação de que a pesquisa Vox Populi teria sido manipulada, ainda que o resultado tenha mostrado, por exemplo, uma queda de dois pontos de Beto Richa e uma ascensão de seis pontos de Gleisi Hoffmann (PT), é mais uma característica que Moreira parece ter aprendido com Requião. Atacar tudo aquilo que lhe é desfavorável. A imprensa, a pesquisa, o Ministério Público, o Tribunal de Justiça.
Ontem, as ruas de Curitiba foram tomadas com um novo folheto de campanha do PMDB em que os nomes de Requião e Moreira se confundem. É mais uma tentativa do candidato de “colar” seu nome ao do governador. Há pesquisas internas do governo – estas “decididamente confiáveis” – que mostram que o poder de transferência de votos de Requião está na casa dos 11%.
Moreira acredita fielmente nesses números ainda que os resultados das sondagens sejam teimosamente diferentes. A fé é mesmo inabalável.

Ele virá
Ninguém sabe quando, mas Lula vem mesmo a Curitiba para participar de comícios-relâmpago ao lado de Gleisi Hoffmann. O mês é setembro. A data é uma incógnita.

Otimistas
Os marqueteiros acreditam que Gleisi pode bater nos 25% e Beto Richa chegar a 65%. Lula seria o reforço para levar a campanha para o segundo turno.

Pelo boné do guarda
Especialistas em Segurança Pública estimam que as ruas de Curitiba deveriam ser policiadas por 4.300 PMs. Há 1.568.

Big Brother
O comércio do Soho de Curitiba, no Batel, está pedindo socorro. As portas das lojas são fechadas eletronicamente e o acesso dos clientes é controlado por câmeras. O horror.

Olha o rapa
O Ministério Público do Trabalho encaminhou ofício à TV Educativa requisitando a relação de todos os trabalhadores que prestam serviços na emissora bem como as funções de cada um e a forma de contratação. O prazo para a resposta é de 15 dias.

Preparar, fogo!
Os adversários de Beto Richa prometem bater a roupa suja nos programas eleitorais da semana que vem. É a promessa de que a campanha, enfim, vai esquentar os tamborins. É o samba da polaca doida.

ARREMATE
Ontem, uma solitária formiguinha da campanha eleitoral de Gleisi Hoffman (PT) foi vista agitando a bandeira no Centro Cívico. Triste, tristíssimo.

OBLADI-OBLADÁ
Candidato à prefeitura de Londrina, o deputado federal André Vargas usa em sua campanha, sem autorização, a imagem de um ilustre morador da cidade: o piloto paraibano de stock-car, Valdeno Brito, que recentemente ganhou US$ 1 milhão em uma prova. Ele se queixou ao TRE. *** Está confirmado: o governador mineiro Aécio Neves (PSDB) desembarca em Curitiba, na próxima terça-feira (9) para participar de jantar por adesão da campanha de Beto Richa. Preço do convite: R$ 1 mil. *** Só para a turma de bico doce.

marcusvrgomes@uol.com.br

E o nepotismo, candidato?

5 setembro, 2008
06:15

A coluna Toda Política desta quinta-feira no JE.

Estranha que os candidatos a prefeito todos venham se mantendo silenciosos em relação ao principal tema desta campanha: o nepotismo. Seria um bom sinal se, em seus programas modorrentos, firmassem compromisso juramentado para não contratar parentes em cargos comissionados. Nem mesmo nos casos admitidos pelo STF.
Ontem a Casa Civil do governo confirmou, em crônica anunciada, a nomeação de Eduardo Requião para a Secretaria dos Transportes e mais a responsabilidade cumulativa sobre a administração dos Portos de Paranaguá e Antonina – ainda que esta não seja remunerada (quaquaquá). É o nepotismo em seu estado bruto.
Com isso Requião sobrecarregou o estado com mais uma secretaria especial – desta vez para Rogério Tizzot que, obrigado a dar lugar para o irmão do governador, foi recompensado com a “fantasmagórica” Secretaria Especial para Assuntos Rodoviários.
Talvez o debate da Band, na semana passada, fosse mais promissor se, em lugar de abordar o tema do aborto – cuja resposta já era conhecida – questionasse a opinião dos candidatos sobre a contratação de parentes.
Francisco Alpendre, ex-diretor jurídico da Paraná Previdência, diz que a edição da súmula vinculante número 13 permite aos advogados reclamarem diretamente ao Supremo sem a necessidade de intermediários. É uma notícia promissora.
Não há mais dúvida que, mesmo com a campanha eleitoral a todo vapor, o nepotismo de Requião em sua forma hedionda tomou o lugar de questiúnculas que fogem à realidade eleitoral.
Cabe lembrar aqui que assim como a decisão do STF deixou aberta a porta para a nomeação de parentes nos chamados “cargos políticos”, fez lembrar também que os estados e os municípios podem sim aprovar lei que tornem a prática do nepotismo mais rigorosa. Branda jamais.
As aberrações tendem a pipocar. Os dribles também. O Paraná ganhou voltou a ganhar destaque nacional desde que Requião decidiu “socorrer” a parentalha ameaçada de perder o carguinho fácil e bem remunerado. Primeiro nomeou a esposa Maristela Requião. Agora, achou um jeito de manter o irmão no governo em demonstração que afronta a inteligência dos ministros do STF.
Os candidatos à prefeitura de Curitiba poderiam trazer o tema à pauta. Quem sabe assim a campanha saísse do atoleiro em que se encontra.

Barulhinho bom
Fora da disputa reeleitoral, o vereador e pastor Gilso de Freitas (PSDB) busca, ao menos, salvar o seu carguinho na igreja. Apresentou projeto na Câmara que permite aos templos evangélicos exceder o limite tolerável de ruído de 65 para 70 decibéis.

Coisa divina
A Organização Mundial de Saúde prevê que o limite é de 65 decibéis, mas Freitas alega que não se pode calar a “voz de Deus”. Então tá

Fazendo bico
Conselheiro do Tribunal de Contas, Hermas Brandão não desistiu da política. Passou em Maringá nesta semana e tratou de pedir votos para o neto, Evandro Junior, que é candidato a vereador pelo PSDB. O velho partido do avô.

Famosa
A candidata traveca Andrielly Vogue (PT) não tem do que reclamar. Não passa dia sem que ela seja citada por José Simão na Bandnews. Vogue faz parte do bancada “I Will Survive”. Quaquaquá.

Só queria entender
O vereador André Passos (PT) explica o motivo pelo qual foi convidado para ser o coordenador de campanha de Gleisi Hoffmann: ele conhece Curitiba. Quer dizer que Gleisi lhufas?

Pérolas eleitorais
De candidato do PPS a vereador: “Não corra nem ande ao trote, vote Rigotti”. Upa, upa, cavalinho.

Logo agora?
Fora da lista dos políticos mais influentes do Congresso, de acordo com o Diap, o senador Álvaro Dias (PSDB) deu as caras na propaganda eleitoral para pedir voto aos tucanos. Ô hora.

Modorra, modorrinha
Números da pesquisa Vox Populi: Richa 72%, Gleisi 16%. O resto (com todo o respeito) oscilou de 0% a 1%.

ARREMATE
Piadinha que correu entre os comunistas após a divulgação da pesquisa Vox Populi: “Puxa, pensei que o Gomyde tinha um nome a zerar”. Quaquaquá.

OBLADI-OBLADÁ
Filho do ex-deputado petista Natálio Stica, o candidato a vereador Jonny Stica vem fazendo campanha opulenta nas ruas de Curitiba. *** Já Bruno Vanhoni, sobrinho do deputado federal Ângelo Vanhoni (PT), recebeu a promessa do ministro Tarso Genro (Justiça) de que visitará o seu comitê de campanha tão logo desembarque em Curitiba. *** Geninho está conversando com os dirigentes do Atlético e deve ser anunciado como novo treinador do Rubro-Negro. *** Façam suas apostas. Quanto tempo ele dura? *** A respeito de nota publicada ontem nesta coluna, a assessoria de imprensa de Jorge Bernardi (PDT): o “Gibi da Democracia” do parlamentar não é uma novidade de campanha. Na verdade é publicado há 26 anos.

marcusvrgomes@uol.com.br

Elogio ao dedo-duro

4 setembro, 2008
07:33

A coluna Toda Política desta quinta-feira no JE.

Você já denunciou o seu nepotista hoje? Ainda dá tempo. É caso de saúde pública, se levada em conta a sanidade do Erário. O nepotismo é uma praga que assola o país. Atinge repartições públicas, privilegia parentes e contra-parentes, engorda o patrimônio familiar de governantes e de ocupantes de cargos de chefia, torna desigual a oportunidade de emprego no serviço público, incentiva a indolência apadrinhada e transforma em cidadão  de segunda classe todo aquele que não pertence à “Nomenklatura”.
O nepotismo incentiva o compadrio, o filhotismo, o pária, o sanguessuga. Apaga rastros de improbidade, varre para debaixo do tapete a craca parasitária, rompe a hierarquia do serviço público e submete o mérito ao fracasso.
O caso do desembargador Adalberto Jorge Xisto Pereira que concedeu liminar garantindo a posse de Maurício Requião no Tribunal de Contas do Paraná, e a coincidência da nomeação da esposa cinco dias depois em cargo no TC, é só a ponta do iceberg. Há muito mais de onde este veio.
Sim, Xisto Pereira passou mesmo dos limites. Mesmo que alegue que a súmula vinculante do STF ainda não havia sido publicada, deveria considerar a decisão do Conselho Nacional de Justiça, que há dois anos editou resolução proibindo o nepotismo no Judiciário, incluindo a categoria subreptícia do nepotismo cruzado. Não é um caso isolado. Você já denunciou o seu nepotista hoje?

À míngua
Candidato a vereador, o policial civil Délcio Rasera (PRTB), confirma o que foi publicado ontem nesta coluna. O prefeiturável Fábio Camargo (PTB) que encabeça a coligação, tem deixado os correligionários na pindaíba.

Pouco, muito pouco
Rasera reclama por ter recebido do comitê até agora apenas 2 mil santinhos. “É muito pouco. Eu preciso distribuir 50 mil por dia”.

Complicou
Preso em 2006 acusado de grampo telefônico ilegal, Rasera foi multado recentemente pela Justiça Eleitoral em R$ 20 mil por propaganda extemporânea.

Só por garantia
Diz que recorreu ao TSE mas, por precaução, investiu o valor da multa em ações da Vale. Gente fina é outra coisa.

Estaca zero
A Assembléia Legislativa terá que refazer e votar novamente o projeto de aposentadoria complementar dos deputados por determinação do Ministério da Previdência.

O trabalho continua
O presidente da Casa, Nelson Justus, quer votar o projeto antes das eleições. “A campanha não altera em nada o andamento dos trabalhos aqui na Assembléia Legislativa”.

A canalha
O líder do governo na Assembléia não concorda. Ontem, no velho estilo fura-pedágio, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), disparou críticas à mídia pela falta de quórum na Casa.

Culpada
Segundo ele, foi a pressão da imprensa que fez com que os deputados que disputam as eleições à prefeitura no estado pedissem licença do cargo.

Arre burguesia!
“Fiz um apelo público para que a mídia não fizesse pressão. Essa Casa não pode ser pautada pela mídia. Pautada por aqueles que têm sentimentos pequenos burgueses”, afirmou Romanelli.

Noves foras
Detalhe 1: seis parlamentares pediram licença, 25 estavam presentes na sessão, há 54 deputados na Assembléia. Onde foram parar os outros 23¿ Ninguém sabe, ninguém viu.

Só para variar
Detalhe 2: a licença é uma questão de economia aos cofres públicos. Os que pedem licença não recebem dois meses de salário. Romanelli queria garantir o pagamento dos deputados mesmo sem trabalhar. É uma tradição da Casa.

ARREMATE
“Espero que a Assembléia aproveite a ocasião para enterrar de vez esse projeto”. (Do deputado Tadeu Veneri, do PT, defendendo o arquivamento da aposentadoria complementar dos parlamentares – também conhecida como “Bico Doce”).

OBLADI-OBLADÁ
Inaugurado com toda pompa em frente ao Clube Concórdia, no centro de Curitiba, o comitê étnico-racial  de Beto Richa (PSDB) raramente está aberto. Pior. Há uma placa de “vende-se” enfeitando a porta. Cala-te boca. *** Na onda das HQs eleitorais, o vereador e candidato à reeleição, Jorge Bernardi (PDT), lançou o “Gibi da Democracia”. O personagem principal, adivinhe, é ele mesmo. *** Surge uma nova personagem na campanha eleitoral do prefeiturável Lauro Rodrigues (PTdoB): “Estefânia, a polaquinha do Barreirinha”. Tem gente dizendo que a loira é o candidato de peruca. Quaquaquá.

marcusvrgomes@uol.com.br

Nem com reza brava

3 setembro, 2008
06:45

A coluna Toda Política desta quarta-feira no JE.

O governador Requião tem se esmerado no quesito boçalidade. Ontem, na ‘Escolinha’, reuniu a corte de Paranaguá para desfilar discursos favoráveis ao irmão Eduardo Requião, fadado a perder o cargo na Superintendência da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) por conta da súmula vinculante número 13 do STF que proíbe o nepotismo em todo o país.
Durante mais de três horas, empresários, fornecedores, diretores, sindicalistas, aspones e puxa-sacos fartos desfilaram diante das câmeras da TV Educativa.
O surrealismo chegou a tal ponto que, às 11h46min, o mestre de cerimônias Walter Chagas, mais conhecido pelo apelido “Botto Junior”, anunciou a interrupção do programa, que é transmitido ao vivo diretamente do Museu Oscar Niemeyer, para a veiculação dos comerciais eleitorais, que até então aguardavam na fila, afrontando a legislação eleitoral.
A reunião da “Escolinha”, contudo, ainda não havia terminado. Eduardo Requião, o principal palestrante do dia, não subira à tribuna para, enfim, confirmar o que a pauta da Agência de Notícias anunciava desde a sexta-feira passada: a posse de Eduardo na mandraqueana Secretaria Especial para Assuntos Portuários – um artifício criado pelo governador para garantir o nepotismo militante do qual ele tanto se orgulha.
Nos últimos dias, no entanto, o decreto 3308 que nomeava o irmão na secretaria especial, tomou doril e sumiu. Em seu lugar surgiu, como num passe de mágica (olha o Mandrake aí!) e sob o mesmo número, a nulidade da demissão de uma certa funcionária em 2004.
Quem quis conferir na Agência de Notícias o desfecho da novela, cortada em razão do tempo excedido – ainda que Requião não tenha limites – leu uma longa matéria, cujo cuidado em registrar todos os depoimentos foi respeitado solenemente. No arremate, estava lá enfim o superintendente da Appa, Eduardo Requião, vendendo o seu peixe – e o peixe, no caso, tem tudo a ver. Quanto à posse na secretaria especial, até a boçalidade de Requião parece ter sido freada. Confrontar uma decisão do STF parece mesmo uma temeridade. Mas há capítulos por vir.

Olho gordo
Ex-revolucionário da pracinha do Batel e agora candidato a vereador, Rafael Xavier (PMDB) está fazendo campanha de encher de inveja os colegas de partido.

Opulência
O comitê do “noviço” eleitoral é um luxo só. Há cabos eleitorais espalhados pelas ruas de Curitiba e um caminhão-baú encarregado de abastecer os pontos de campanha. Ao que parece há dinheiro da “Família X” no negócio.

Mudou de nome
A Paróquia São Lucas, no Xaxim, promove no próximo dia 12 de setembro uma “noite cultural” com a participação de 12 candidatos a vereador.

Apóstolos
Os nomes foram escolhidos por exclusão. Como só doze candidatos responderam ao convite da igreja, só doze participarão. Entre eles estão os petistas Adenival Gomes e Pedro Paulo, o peemedebista Algaci Túlio e o pepessista Valdir Bicudo.

Uma turba
O frei Marcelo e o pároco Joacir, promotores do evento, estimam que duas mil pessoas da comunidades estejam presentes. Torcidas de candidatos foram expressamente proibidas.

Alegria, alegria
A liderança folgada de Beto Richa nas pesquisas eleitorais está fazendo com que os tucanos façam previsões otimistas. A estimativa agora é de eleger 17 dos 38 vereadores na Câmara.

Ué, esquisito
As formiguinhas de campanha – cabos eleitorais que distribuem santinhos, colam adesivos nos carros e agitam bandeiras  – sumiram dos cruzamentos. Tem gente dizendo que passou tamanduá.

Merreca
Bateu a preocupação no vereador José Roberto Sandoval  (PTB). Os 2% no Ibope obtidos pelo candidato do partido à prefeitura, Fábio Camargo, garantem uma cadeira e olhe lá.

Bóia de cavalinho
Sandoval decidiu agir. Tirou dinheiro do próprio bolso para financiar santinhos e jornais de campanha para os demais candidatos da coligação “Uma Só Curitiba”, que reúne PTB e PRTB. É o jeito para garantir sua sobrevivência eleitoral.

Pijamão
Em tempo: Sandoval, que também é pastor, tem feito apelos nas igrejas evangélicas. Diz que precisa de mais quatro anos para garantir sua aposentadoria. Isso é que é projeto eleitoral.

ARREMATE
Vai para a coleção. Mais dois personagens da campanha eleitoral: Zé Nortão (PMN) e Nelson Celular (PSL).

OBLADI-OBLADÁ
A travesti Andrielly Vogue (PT), que disputa uma vaga na Câmara, ficou fula da vida porque informei nesta coluna que ela estava vendendo rifas para engordar o caixa de campanha. *** Que nada, ela diz que é para engordar mesmo o bolso que garante o seu sustento. *** Das contas eleitorais quem se encarrega, cumé mesmo, é o “coletivo” do partido. *** Ta registrado, santa!

marcusvrgomes@uol.com.br

O sobrinho se vai

2 setembro, 2008
06:25

A coluna Toda Política desta terça-feira no JE.

João Arruda, o sobrinho prestimoso de Requião, divulgou, ontem, nota à imprensa anunciando sua demissão do cargo de diretor da Cohapar (R$ 15 mil mensais) por conta de uma tal “hipocrisia”, que também atende por súmula vinculante número 13 do STF – aquela que proibiu o nepotismo em todo o país.
O tom do texto é hilário porque se trata de uma imitação barata da carta-testamento de Getúlio Vargas. A começar pelo título: “Saio do governo, mas a luta por justiça social continua”. Quaquaquá.
O governo Requião é mesmo de Marte. Diz Arruda logo de saída que o “governo do Paraná vem fazendo uma administração de esquerda e revolucionária, que inclui socialmente milhares de irmão paranaenses”.
Sim, irmão, sobrinhos, esposas, cunhados, primos, tios, filhos, teúdas e manteúdas…
Mais adiante sustenta que não é “alienígena e muito menos estranho à base aliada”, no que deixa insinuar que “forças ocultas” – ó céus – seriam as responsáveis pela decisão que fez com que abandonasse a sinecura que ocupava desde janeiro de 2007.
Mas Arruda não fica só nisso. Emenda ainda, misterioso, que a medida radical que tomou cumpre “script hipócrita e antidemocrático, que atenta contra o Estado de Direito Democrático”. Tradução: o “choro é livre”.
No desfecho do texto anuncia sua decisão que, diz, pode até soar estranha e contraditória: “saio do governo”.
Estranha? Sim, porque afinal, havia brechas que poderiam mantê-lo no cargo. Contraditória? É verdade, ele esperneou pouco.
O advogado Rogério Distéfano leu incrédulo a “carta-testamento” do sobrinho de Requião e deitou comentário impiedoso no Maxblog, hospedado no portal deste JE, que casa bem com o estilo getulista do autor: “Arruda sai do governo para entrar no rodapé da história”.
E se é por falta de adeus, PMDB saudações.

Rendeu
As piadinhas em torno do “milagreiro” Cartão Verde proposto por Lauro Rodrigues (PTdoB) extrapolaram os bastidores do debate da Band, na semana passada.

Abre-te Sésamo
Diante da dificuldade do peemedebista Carlos Moreira de abrir as caixas pretas da prefeitura, um galhofeiro disparou: “Pede o cartão verde do Lauro Rodrigues”.

Outra
Moreira deixou sem resposta a questão crucial de Rodrigues para resolver o problema dos cães vira-latas. “Ora, é só castrar os cachorros utilizando o cartão verde”.

Lé com cré
O projeto supimpa do candidato do PTdoB ganhou até um slogan híbrido que juntou o bordão de Bruno Meirinho, do PSOL. “Por uma cidade sem catracas só o cartão verde”. Quaquaquá.

Até tu, Veneri?
Quando, no mesmo debate, Beto Richa evocou sua honra e o nome do seu pai, o deputado petista Tadeu Veneri deixou escapar: “Pronto, vai baixar o Inri Cristo”.

Que coisa
Com índices de rejeição estratosféricos, o candidato do PTB à prefeitura de Curitiba, Fábio Camargo, ganhou apelido que cai como uma luva. É “o rejeitado das gentes”.

Amigos, amigos…
Deputado fast-food, Alisson Wandscheer subiu à tribuna da Assembléia, ontem, para se solidarizar com o colega Geraldo Cartário (PDT), cuja filha Tuca Cartário foi baleada no domingo em suposto atentado político.

…guerras à parte
Detalhe: Cartário é inimigo figadal do pai do parlamentar, o prefeito de Fazenda Rio Grande, Toninho Wandscheer. Informação. Só informação.

Ah, a fama
O sumiço do vereador tucano Beto Moraes das sessões da Câmara Municipal de Curitiba provocou piadas dos colegas na Casa. A pergunta que ficou: “Onde está Wally Moraes?”

ARREMATE
O Ibope não confirma, mas a audiência do debate entre os candidatos à prefeitura de Curitiba, na Band, não passou de dois pontos. Menos, muito menos que o encontro de prefeituráveis de Pinhais promovido pela TV Educativa. Pode?

OBLADI-OBLADÁ
A propaganda eleitoral do petebista Fábio Camargo colocou no ar atriz denunciando o descaso da prefeitura de Curitiba com os bairros da periferia. E faz uma constatação: “A ficha do curitibano ainda não caiu”. Pois é. *** Pegou mal, muito mal a declaração do pintor e artista plástico, Juarez Machado, na agência de notícias do governo dizendo que a inteligência de Maristela Requião estava acima do “normal das curitibanas”. Afe!

marcusvrgomes@uol.com.br

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