Arquivos da categoria: Toda Política

Não teve jeito

2 fevereiro, 2009 às 19:04  |  por Abraão Benício

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Foto: Franklin de Freitas

Depois de conseguirem se “evitar” na posse do presidente do TRE e na sessão de abertura dos trabalhos da Assembleia, Requião e Beto Richa acabarm ficando lado a lado na posse do presidente do Tribunal de Justiça, Carlos Augusto Hoffmann.

16 horas em ponto

2 outubro, 2008 às 09:13  |  por Redação

Passadas as eleições, definidos os eleitos, a partir da próxima segunda-feira, as sessões da Câmara de Curitiba voltam a ser realizadas às 16 horas. Durante este período de campanha, os vereadores têm se reunido no período da manhã, dedicando a tarde para correr atrás de votos.

Meu caro Bronstein

17 setembro, 2008 às 09:10  |  por Marcus Vinícius

A coluna Toda Política desta quarta-feira no JE.

Querido Lev Davidovich Bronstein, más notícias. Quem diria que seus fiéis seguidores fossem dar nisso. Não bastasse o Posadas que deixou que os trotskistas se transformassem em piada da quarta internacional ao defender a tese de que só alienígenas poderiam provar o triunfo dos povos. Afinal, que sociedade poderia desenvolver uma tecnologia capaz de vencer a resistência do tempo e do espaço, não fosse ela nascida sob o sistema socialista?
Outras eras, outras glórias. Por aqui, aqueles que reclamaram a teoria da revolução permanente sequer ousam dizer seu nome, temendo cair na vala comum dos “porralocas”, como diziam em antanho. No caso mais recente, o candidato do PSOL à prefeitura de Curitiba, Bruno Meirinho, diz que o socialismo defendido pelo partido é anterior a 1910. Nega o pinto calçudo a revolução russa de 1917 e abraça a “Filosofia da Miséria” de Proudhon. Pois não quer ele levar a cabo a tese de que “toda propriedade é um roubo”? Invadam, portanto, os imóveis vazios. Invadam os sem-terra as áreas rurais e banana para a lei. É tudo em nome da causa.
O mesmo socialista que não ousa dizer o seu nome, ó Lev Davidovich Bronstein, é aquele que encara o Estado como pai e provedor das necessidades do povo – seja lá o que isso signifique – sem apresentar alternativas que fujam do modelo de socialismo que ele diz renegar.
Foi a tacanha Constituição Brasileira de 1988 que possibilitou que gente que mal saiu do tambor, do tacape e da tanga ganhasse voz nas eleições com as idéias as mais estapafúrdias. O articulista Roberto Pompeu de Toledo disse, certa vez, sobre a presidenciável Heloísa Helena que no mundo que ela imaginava ele não queria viver. De Bruno Meirinho, nem isso. O socialismo de botequim que ele prega poderia ser rebatido por um babão de gravata. Eu não sei o que andam ensinando nas faculdades, mas Meirinho, que já foi chamado de Mineirinho (quaquaquá) e Mourinho (quequequé), é de fazer Marx virar um catavento no caixão. Duvida?  Basta ler um tico do que ele andou dizendo na sabatina da “Gazeta do Povo”. Por via das dúvidas, no entanto, recomenda-se despejar goela abaixo uma dose dupla de sal de fruta. Trostky, você não merecia isso.

Filosófica
De parlamentares que preferem não se identificar ao comentar, ontem, a grande exposição da travesti Andrielly Vogue (PT) na mídia: “Hoje em dia mulher boa de voto tem que ter saco”. Quaquaquá.

Só o PCdoB une!
As declarações de Ricardo Gomyde, candidato à prefeitura de Curitiba pelo PCdoB, na sabatina promovida pela “Gazeta do Povo” na segunda-feira promoveram um efeito curioso na Câmara Municipal de Curitiba. Pela primeira vez, situacionistas e oposicionistas uniram-se em “ritual de imolação”. Gomyde afirmou durante a sabatina que o PT seria o responsável pelos índices estratosféricos de aprovação de Beto Richa. Pra quê?

Coadjuvante
A turma se arrepiou. A petista Roseli Isidoro agitou a cabeleira e acusou Gomyde e o PCdoB de fazer o papel de “linha auxiliar” de Beto Richa.

Santo, santo
O vereador Paulo Salamuni (PV) foi mais longe. Juntou lé com cré e saiu batendo duro. “A sigla PCdoB não representa os comunistas mas o Partido Católico do Brasil. É um bando de crentes. Pupilos arrependidos do senhor reitor”.

Coisa feia
O tucano Celso Torquato mirou no alvo. Lembrou que quando Gomyde ocupava uma vaga na Câmara Municipal de Curitiba, durante a administração Cássio Taniguchi, era useiro e vezeiro em votar com a bancada aliada. Afe!

Venenoso
Alguém resolveu cutucar mais fundo e recordou os colegas que o hoje candidato à prefeitura Fábio Camargo (PTB) fazia o mesmo em relação aos projetos apresentados por Beto Richa. Isso quando aparecia na sessão. Coisa rara!

ARREMATE
Os números da pesquisa Vox Populi reforçam a tendência da eleição em Curitiba ser decidida no primeiro turno. Modorra, modorrinha.

OBLADI-OBLADÁ
Fotógrafos de plantão, por favor, queiram preparar suas máquinas. O candidato do PV à prefeitura, Maurício Furtado, garante que só usa bicicleta para se locomover. Ei São Tomé, só acredito vendo. *** A eleição nem acabou e Gleisi Hoffmann (PT) anda dizendo por aí que irá disputar o governo do estado em 2010. Escusas ao maridão Paulo Bernardo e a Jorge Samek.

marcusvrgomes@uol.com.br

Eduardo Fajuto da Costa

16 setembro, 2008 às 07:46  |  por Marcus Vinícius

A coluna Toda Política desta terça-feira no JE.

Em queda nas pesquisas, o candidato do PMDB à prefeitura de Paranaguá, Mário Roque, gravou e deixou vazar no You Tube vídeo em que baixa a borduna no governador Requião e no superintendente do Porto de Paranaguá, Eduardo Requião (irmão do governador), a quem define, em ordem alfabética, de “cachorrão, canalha, porco e safado”. Roque vai mal das pernas na campanha e contava com o apoio do governador para derrotar o principal adversário, o atual prefeito de Paranaguá e candidato à reeleição, José Baka Filho (PDT).
No vídeo, gravado no sábado (13), o peemedebista lembra de sua colaboração na campanha reeleitoral de Requião, em 2006, e dos supostos 20 mil votos contrários que teria conseguido “diluir” em Paranaguá no segundo turno. Em paga, segundo ele, Eduardo teria convocado uma reunião com funcionários comissionados do Porto, pouco antes do início da campanha eleitoral neste ano, e discursado contra a candidatura de Roque, que ocupou a prefeitura do município por duas vezes.
O que Roque destila, mais do que a “tristeza do Jeca”, no entanto, é a lista de denúncias que pesam contra o superintendente do Porto, ora no limbo funcional por conta de decisão da Justiça. Roque diz que Eduardo teria demitido 80 amarradores de navio e chamado, em seu lugar, um sócio de nome “Chico” para organizar uma empresa e participar de licitação para assumir o negócio. Coisa cabeluda!
O peemedebista deixa insinuar que as mercadorias que chegam ao porto em contêineres passariam no fio do bigode, sem fiscalização, e lembra que Eduardo, que tem se valido da condição de irmão do governador, é o mesmo que não teria respeitado sequer o nome da família Requião ao lançar-se, em 2000, como adversário na disputa pela prefeitura de Curitiba contra o caçula Maurício (hoje no conselho do Tribunal de Contas do Paraná). “O senhor governador que leve este Serra acima. Esse não merece nada, é um porco, é um canalha, não vale nada, não respeita ninguém, veja a índole desse safado. Não merece o nome Requião. É o Eduardo Fajuto da Costa”, afirma Roque.
O aliado critica ainda a falta de autoridade do governador ao decretar intervenção no município e ver o interventor nomeado procurar o prefeito José Baka Filho e dar conhecimento da decisão em uma lanchonete de esquina. “O senhor (governador) politicamente está mal. Não manda nada, está desmoralizado. Ruge como um leão mas depois caminha tranqüilamente pela selva”.
Roque critica ainda o chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro, e o procurador-geral do estado, Carlos Marés. “É um timinho fajuto. Uma cambada de safados que o senhor (governador) tem à sua volta”. E diz que está se juntando à “forças vivas” de Paranaguá para combatê-lo e a seu irmão. “Estou mandando um recado, eu faço de tudo, e estou gravando, para reconquistar o prestígio do porto. E aí será um final feliz para nós. Não sei se infeliz para o senhor”. Sobre a possibilidade de sair derrotado na eleição diz que está preparado para tudo. “Ganhar ou perder, faz parte do jogo. Só não admito ser humilhado”, completa.
O líder do governo na Assembléia, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), rebateu as acusações de Roque lendo, na tribuna da Casa, soneto de Augusto dos Anjos. Um verso: “A mão que afaga é a mesma que apedreja”. Outro verso: “Escarra nessa boca que te beija”. Hmmmmmmm.

Nem no léxico
No vídeo mais comentado do dia, postado no You Tube, o candidato do PMDB à prefeitura de Paranaguá, Mário Roque, definiu o adversário José Baka Filho (PDT): “É um sanananga”. O que isso significa? Nenhum dicionário sabe.

Agora sim
Roque disse também que Baka é definido pelo presidente da Aciap – a associação comercial do município – e pelos vereadores como “bundão”. Nesse caso não carece dicionário.

Reforço
Cronista e repórter esportivo, o candidato à Câmara Municipal, Foguetinho (PP), está apelando ao cromatismo para atrair eleitores. Mandou imprimir santinhos na cor laranja para os taxistas e na cor verde para os coxas-brancas. Neste último caso, anda a tiracolo com o ex-zagueiro Heraldo, campeão brasileiro pelo Coritiba, em 1985. É um cabo eleitoral e tanto.

Parabólica
O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) ligou fulo da vida para a assessoria de imprensa do PT para fazer desmentir nota publicada nesta coluna em que afirmei que seu casamento com dona Gleisi seria só de “fachada”. A fonte deste escriba dividiu mesa com a petista em chá de senhoras e garante que ouve muito bem.

ARREMATE
Gleisi cogitou na semana passada trocar a coordenação de sua campanha. Esbarrou em um probleminha. Problemão! Não encontra ninguém para encarar a tarefa árdua.

OBLADI-OBLADÁ
De olho nos gazeteiros da Câmara de Vereadores que faltam às sessões para fazer campanha, o presidente da Casa, João Cláudio Derosso (PSDB) determinou que só serão toleradas, ora em diante, três ausências consecutivas ou cinco alternadas. Caso contrário, as faltas só serão abonadas com apresentação de atestado médico. Sem apelo. *** Candidato do PSDB a vereador, Emerson Prado (irmão de Nilson Prado, dono da Centronic) está circulando em caminhão com bufê a bordo. É um flagrante de crime eleitoral. O TRE já está de olho.

marcusvrgomes@uol.com.br

Adeus às armas

15 setembro, 2008 às 08:13  |  por Marcus Vinícius

A coluna Toda Política desta segunda-feira no JE.

A levar em conta a reportagem de Abraão Benício, publicada no sábado neste JE, e o asilo político de Requião no Paraguai pode se tornar uma realidade. A informação é a de que o Ministério Público Federal pretende penhorar a coleção de armas do governador para conseguir recolher parte dos R$ 50 mil referente a uma das multas aplicadas a Requião por infringir decisão da Justiça Federal na ‘Escolinha’. Em ação anterior, o MPF conseguira o seqüestro das contas bancárias do governador. Com a falta de fundos, apela-se agora para o resgate de bens de valor. Requião guardaria na Granja Cangüiri cerca de 50 armas, entre elas ela uma metralhadora “Tommy Gun”, usada por nove entre dez gângsteres do cinema.
Até agora, o governador acumula dívida de R$ 450 mil por, ainda que proibido, usar o espaço da “Escolinha” para se autopromover e manter críticas a desafetos políticos. O Ministério Público entendeu que o acúmulo de multas poderia torná-las sem efeito e julgou melhor cobrá-las por meio de resgate de valores ou através de penhora. Requião afirmou recentemente que os seus únicos bens se resumiriam aos cavalos criados na Granja Cangüiri, um carro em nome de sua mulher, Maristela e Requião, e dez ou 12 casais de patos. “Sou um assalariado”, afirmou, referindo-se aos ganhos de R$ 24,5 mil que recebe por comandar o estado – o teto do funcionalismo público.
A informação é valiosa e deve ter ser motivo de ação de penhora posterior, caso Requião não salde as multas. Na lista, o MPF pretende incluir também o Jaguar verde que enfeita a garagem do governador na Granja Cangüiri, além do Ford T, 1948, avaliado em 18 mil dólares.
Por ironia, o desembargador encarregado de julgar o pedido de penhora das armas de Requião será o mesmo Lippmann que acabou com a “festa do palanque eletrônico” no primeiro semestre deste ano.
Para quem tem transitado com tanta desenvoltura no Judiciário e Legislativo da paróquia, as imposições a Requião, vindas da esfera federal, parecem um pesadelo de coronel. E pensar que já houve tempo em que o governador resolveu tudo com um pistoleiro chamado “Ferreirinha”.

De doer
Vida de socialista é difícil. Bruno Meirinho, do PSOL, começou a campanha sendo chamado de Bruno Mineirinho. Ó azar. Ontem, foi chamado equivocadamente pelo apresentador do debate da TV Educativa de Bruno “Mourinho”. Quaquaquá. Dureza.

Ele quer sangue
O candidato do PV, naquele estilo Bela Lugosi, disse que o projeto da Linha Verde da prefeitura é tão equivocado que, em breve, o trecho será rebatizado de Linha Vermelha. Prevê o candidato à prefeitura que a falta de opção para quem quer atravessar a pista pode fazer crescer o número de atropelamentos.

Alguém acredita?
Assim não dá pé. O governador Requião deu o “bolo” no candidato do PMDB à prefeitura de Curitiba, Carlos Moreira, na caminhada programada para o sábado na Boca Maldita. Quando a chuva já espantara boa parte dos 300 barnabés convocados, o governador mandou recado dizendo que retornava de Londrina e que não chegaria a tempo. Pediu um repeteco no próximo sábado. Desta vez garante que estará presente.

Afe!
Corre à boca pequena. Gleisi Hoffmann e Ângelo Vanhoni têm alguma coisa em comum, além do petismo arraigado. Os dois manteriam casamentos de “fachada” em suas respectivas campanhas à prefeitura.

Sem lacunas
A Justiça Eleitoral concedeu liminar proibindo a TV Paraná Educativa de colocar cadeiras vazias para indicar as ausência de Beto Richa (PSDB) e Lauro Rodrigues (PTdoB)  no debate de ontem. Caso a emissora descumprisse a ordem judicial, a multa estipulada era de R$ 100 mil. A liminar foi concedida pelo juiz Alexandre Barbosa Fabiani, da 177ª zona eleitoral, atendendo representação da Coligação Curitiba – O Trabalho Continua, de Richa.

Veneno
Autor de livro que conta a história do Brasil, através de letras de música, o professor Wellington Wella é o animador da campanha eleitoral do socialista Bruno Meirinho (PSOL). Os intrigantes questionam se o socialismo de Wella inclui dividir o seu salarião no Positivo?

ARREMATE
Gleisi Hoffmann achou um culpado para o fiasco da campanha petista: os institutos de pesquisa. E citou o caso de 2006, quando os números apontaram a vitória folgada de um “determinado candidato” ao governo. O nome dele é Requião.

OBLADI-OBLADÁ
Com 0% absoluto nas pesquisas eleitorais – já que não tem sido citado o candidato do PV à prefeitura de Curitiba, Maurício Furtado, cometeu ato falho, ontem, nas considerações finais do debate da TV Educativa: “O PV compareceu nestas eleições, ou melhor, comparece”. Ops! *** O superintendente da Polícia Civil e candidato a vereador, Valdir Bicudo (PPS), espantou-se com o ataque desferido ao nepotismo por candidatos do PT, na Igreja São Lucas, onde foi promovido debate com concorrentes à Câmara. *** “Uai, por que então a bancada do PT na Assembléia mantém silêncio obsequioso?”, questiona Bicudo.

marcusvrgomes@uol.com.br

O Bebê-Diabo e eu

13 setembro, 2008 às 09:02  |  por Marcus Vinícius

A coluna Toda Política deste sábado no JE.
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Foi na década de 70. Pequeno, dei de cara com o “Notícias Populares” no varal da banca – era assim que lia-se jornal naquela época, ó internautas incautos. “Médico afirma: o Bebê-Diabo nasceu no ABC”. E não tinha nada a ver com greve de metalúrgico. Era o Tinhoso mesmo.

Antes, o filme “O Exorcista” lotara os cinemas. Minha mãe, acompanhada de meu pai e, se não me falha a memória, uma tia gorda que passava a temporada no quarto e sala em que nos entulhávamos, ficara horas na fila do Ipiranga para ver Linda Blair fazer xixi no tapete, vomitar verde e fazer fuc-fuc com a cruz. Em princípio disposta a enfrentar a turba, ela ficara macambúzia e sorumbática por motivo singelo. Afinal, não convencera meu pai a atravessar a rua até o Marabá, onde a jujuba era farta e a pipoca, amanteigada. Que diabo!

As filas ganharam espaço no Jornal Nacional, então apresentado por Cid Moreira, que ainda alisava o cabelo com “Trim”. Em casa, minha irmã religiosa acendera uma vela e rezara até o fim da sessão de cinema, por volta das 11 horas da noite. Já acomodado no alto do beliche, ouvi o  barulho da chave, seguido de sussurros. Foi só. Nunca houve comentários sobre o filme. Por sorte, conseguimos uma cópia do livro de William Peter Blatty e passamos noites em claro, aterrorizados, imaginando que o esfrega-esfrega no andar de cima era o desgracildo fazendo seus ruídos de praxe antes de se introduzir em nossa casa sem pedir licença (as revistinhas do Carlos Zéfiro vieram depois). Na semana seguinte, estávamos todos matriculados na primeira comunhão do Colégio Samaritano Coração de Jesus. Pura precaução.

Quando o “Bebê de Rosemary”, de Polanski, foi lançado, instalou-se o pânico. Novamente meus pais seguiram para o cinema acompanhados, se não me falha a memória, de uma tia gorda que permanecia em temporada paulista. Foi então que o “Notícias Populares” oportunamente inventou o bebê-diabo nascido na Região Metropolitana de São Paulo e tratou de assombrar a minha infância já devidamente assombrada por mendigos cegos, estandartes da TFP, urutus blindados, soldados da Força Pública, vick vaporub, dentistas de escolas públicas e pelo homem do baú da felicidade, que substituíra o homem do saco.

O bebê-diabo revigorou nossos medos e encarnou outros tantos. Como a série foi longa, sempre decorada com montagens toscas do chifrudinho, guardei os jornais por longo tempo até que minha mãe resolvesse exorcizá-los. Não reclamei. Àquela altura, o NP já substituíra o filho do capeta nascido em bairro operário (ok, capitalismo, você venceu)  por discos voadores, homens cobras, ratos gigantes  e, horror dos horrores, a loira do banheiro, responsável pela continência urinária de uma geração inteira.

Pavor semelhante só ressurgiu anos mais tarde quando Tetê Espíndola cantou “Escrito nas Estrelas” num festival de MPB. Lembro que dormi com o abajur aceso durante uma semana. Pura precaução.

Deu no JB
O PT trabalha a proposta de mandato de cinco anos, sem reeleição, para o Executivo. O projeto de lei é de autoria do líder do PT na Câmara , Maurício Rands (PE), e deve ser apresentado ao presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, neste fim de semana.

Bonificação
O Departamento de Recursos Humanos da Appa enviou à diretoria financeira, no dia 5 deste mês, ofício sobre pedidos de empenho (o que significa contas a pagar) a respeito de  “verbas rescisórias” do ex-funcionário da empresa que atende pelo nome de Eduardo Requião de Mello e Silva. Indenização à vista?

Sem-terra e sem-voto
O governo pode engrossar a caminhada Moreira Prefeito neste sábado, na Boca Maldita, com membros do MST, que ocuparam ontem a sede do Incra, em Curitiba. É a fome com a vontade de comer.

Ameaça à vista
Sobrinho do empresário Cecílio Rêgo Almeida, falecido neste ano, o candidato a vereador Caco Almeida (PSDB) está tirando o sono de tucanos velhos de guerra, preocupados com a possibilidade de perder a cadeira.

Levanta-te
Denúncias de que candidatos estariam fixando propaganda em áreas de uso comum como templos religiosos, estacionamentos, clubes, cinemas e lojas comerciais fez com que o TRE do Paraná despertasse de sono esplêndido. A lei eleitoral 22718, artigo 13, parágrafo 2º proíbe a propaganda nestes locais.

ARREMATE
O candidato do PTB à prefeitura de Curitiba, Fábio Camargo, promete publicar livro-bomba após a eleição em que contará os bastidores da campanha. O ghost-writer será o jornalista Eduardo Mira.

OBLADI-OBLADÁ
Gleisi Hoffmann do PT resolveu bater nos postos de Saúde de Curitiba. Não há dia em que ela não denuncie morte nas “filas invisíveis” de atendimento. *** “Inocêncio” deve ser o nome do fiscal da Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro que afirmou que as urnas eram invioláveis e que o traficante não teria como descobrir se fulano eleitor votou neste ou naquele candidato. *** Ora, claro que pode. Basta comparar o mapa de votação de cada seção com o número do título eleitoral dos moradores ameaçados. *** É dessa maneira que procedem aqueles que compram votos. *** O fiscal deveria saber.

marcusvrgomes@uol.com.br

Independência ou Marte!

12 setembro, 2008 às 06:12  |  por Marcus Vinícius

A coluna Toda Política desta sexta-feira no JE.

O 7 de Setembro, Dia da Independência desta pátria lascada, serviu ao menos a um propósito nobre. Na madrugada de domingo, num ponto eqüidistante entre o Jardim Social e o Batel, um jornalista insone enxergou, em meio a um clarão de luz e ao som de trombetas, o “pobre” de Curitiba.
Foi uma epifania. Revelada ao jornalista enquanto, segundo ele, degustava um excelente vinho português comprado na Adega Boulevard.
O escriba é um cristão, ora tendo o privilégio de participar como “agente de divulgação” da campanha de uma das candidatas à prefeitura da capital – adivinhe quem? Foi ao lado da petista Gleisi Hoffmann, que o assessor de imprensa descobriu, duas décadas depois de fixar residência em Curitiba (antes tarde do que nunca), que uma cidade grande vai além das residências de luxo e das casas de vinho e queijo.
Mas deixemos que ele cante em sua freguesia: “Pela primeira vez na minha vida vi fezes humanas saindo por um cano e caindo em um córrego que abastece uma torneira comunitária para o atendimento de 300 famílias que vivem no Jardim Kosmos”.
A essa hora, qualquer um deve estar se perguntando de que planeta caiu o tipo faceiro. Peralá, ele veio de Ramos, no Rio, e nunca viu um cocozão boiando? De Marte!
Maestro, por favor, o naipe de violinos para o que vem a seguir: “Mesmo perto fisicamente, o Jardim Kosmos está distante socialmente de mim. Então meu espírito cristão se condói com aquela realidade”.
(Mas só um tiquinho. Porque “ele continua morando bem e comendo bem”).
“Sou eu dos dois lados: em Ramos, no Rio, e no Jardim Social, em Curitiba. Eu mudei de lado porque meus pais sempre investiram na nossa Educação. Eles se sacrificaram para pagar ensino médio particular para mim,
pois fui o único dos cinco filhos que não conseguiu ser aprovado em concurso para uma escola pública após o antigo ginásio”.
É a cota social do perdedor: 20%. Reparou? 80% dos que alcançaram a escola pública por mérito, em condições econômicas idênticas, pagam por aquele que fracassou. É a lógica torta do sistema de cotas.
Mas fiquemos na epifania. O jornalista atribui a uma reportagem da “Gazeta do Povo”, o milagre de sua repentina clarividência. Alguém aí ouviu a harpa do Anjo Gabriel? Pois é. “Não sou mais ignorante! Isso aumenta a minha responsabilidade, mas me motiva a mudar. E mudar é preciso!”
O caro leitor pode julgar que o desfecho é heróico: o assessor de imprensa desnudou-se franciscanamente de seus bens e seguiu condoído rumo ao Jardim Kosmos, onde pretende, juntamente com seus irmãos, dividir a água tirada do córrego em que bóia o cocozão.
Não sejamos tão literais. A mudança a que o iluminado jornalista se refere é política. O vinho português da Adega Boulevard, portanto, está garantido.

Cadê os números?
O site do Ibope é pródigo em esconder os dados das pesquisas nas principais cidades do país. Ontem, quem tentou obter detalhes de sondagens recentes viu resultados de Imperatriz (MA), Juazeiro do Norte (CE), Porto Seguro (BA) e Taboão da Serra (SP).

Bomba, bomba
À última hora apareceu notícia fresca: Edson Piriquito lidera as intenções de voto em Balneário Camboriú (SC). Agora vai. Quaquaquá.

PT nos píncaros
O Datafolha divulgou novo ranking dos prefeitos do país. Dos quatro primeiros colocados, três são petistas: Fernando Pimentel, de Belo Horizonte, com nota 7,6, João Paulo, do Recife, 7,3, e Luiziane Lins, de Fortaleza, 6,4.

The best
O tucano Beto Richa confirmou liderança com a nota 8. Em levantamento anterior, divulgado em 23 de agosto pelo Datafolha, Richa obteve 7,7 em uma escala de 0 a 10.

Parlatório
A paróquia São Lucas, no Xaxim, promove hoje, a partir das 19 horas, debate com 12 candidatos a vereador. Entre eles, Pedro Paulo e Adenival Gomes, ambos do PT, e Valdir Bicudo (PPS).

ARREMATE
Ex-candidato do PT à prefeitura de Curitiba, com o apoio de Requião, o deputado federal Ângelo Vanhoni tem recorrido a rifas para saldar dívida da campanha de 2004, na casa dos R$ 5 milhões. Moreira subiu no telhado.

OBLADI-OBLADÁ
Em entrevista coletiva, o prefeito de Paranaguá e candidato à reeleição, José Baka Filho (PDT), denunciou suposta armação do governo para intervir no município. *** “É uma atitude facínora e fascista. Estamos usando todos os antídotos legais e democráticos contra isso. Ficou claro que a atitude do governador de querer vencer as eleições no tapetão”.

marcusvrgomes@uol.com.br

Frente de ataque

11 setembro, 2008 às 07:49  |  por Marcus Vinícius

A coluna Toda Política desta quinta-feira no JE.

Um encontro na sexta-feira passada reuniu, em torno da mesma mesa, representantes e marqueteiros dos adversários de Beto Richa na disputa pelo trono da prefeitura.
Discutiram um plano de ataque à campanha do tucano onde não restaria pedra sobre pedra. O coordenador de marketing da campanha de Carlos Moreira (PMDB) e Fábio Camargo (PTB), Hiram Pessoa de Mello, sugeriu ocupar 2/3 do tempo de cada candidato para desferir petardos contra o tucano. Os golpes seriam da cintura para baixo e envolveriam a passagem de José Richa Filho, o Pepe, pelo DER do Paraná no governo Lerner, o Instituto Pró-Cidadania de Curitiba, comandado pela primeira-dama Fernanda Richa, a sogra fantasma de Ezequias Moreira, o Instituto Curitiba de Informática (ICI), os gastos em publicidade e propaganda elevados aos zilhões e, cereja no bolo, uma certa empresa de seguros que mantém contrato com a prefeitura.
Representantes do PT de Gleisi Hoffmann, no entanto, teriam melado o acordo alegando prejuízo que atingiria os limites do suicídio eleitoral. Os petistas argumentaram, por exemplo, que o ministro Paulo Bernardo (Planejamento), marido de Gleisi, sonha em disputar o governo e que a própria petista não descarta encarar novamente a disputa ao Senado em 2010.
Executar, portanto, o que seria uma blitzkrieg sobre a candidatura de Beto Richa poderia, segundo os petistas, ter efeito contrário com conseqüências devastadoras para o partido nos próximos anos.
O plano, no entanto, ainda não foi devidamente descartado. Hiram Pessoa de Mello tenta convencer Fábio Camargo e Carlos Moreira a aderirem ao projeto e trata de incluir Requião nas negociações.
O governador tem filosofado sobre o que entende por “cacete eleitoral” – com aquela fleuma que lhe é peculiar –, mas nem mesmo ele se arrisca a tanto.
Hiram, que guarda mágoas de Richa da eleição de 2004, teria apelado até para o empresário que financia as campanhas de Moreira e Camargo, em agradecimento a contratos substanciosos conseguidos junto à administração estadual.
Ainda assim, o poder de persuasão do marqueteiro “dois em um” tem se revelado de pouco alcance.
Nos corredores, a piada que corre é a de que Hiram teria incorporado a “caixa preta” do qual foi portador em debate na Band.. Afinal, foi ele quem levou o petebista Fábio Camargo e o peemedebista Carlos Moreira a um intransponível índice de 1% – confirmado ontem, aliás, na pesquisa  Ibope/RPC. Sim, é para rir.

Indesejados das gentes
O índice de rejeição dos candidatos à prefeitura de Curitiba anima a disputa. Fábio Camargo (PTB) alcançou, ontem, 23%, enquanto Gleisi Hoffmann (PT), Carlos Moreira (PMDB) e Bruno Meirinho (PSOL), seguem coladinhos, todos com 22%.

Pau a pau
Se levada em conta a margem de erro de quatro pontos e os quatros estão tecnicamente empatados. Pelas barbas do profeta, torcida brasileira!

Memorex
O vice-presidente da Câmara de Curitiba, Tito Zeglin (PDT), fez questão de lembrar os colegas que o artigo 22 do regime interno prevê que a ausência em 33% das sessões pode incorrer em cassação do mandato.

Bateu duro
Mirou direto no tucano Beto Moraes que há três semanas não dá o ar da graça na Casa.

Estado de exceção
A reputação do governador Roberto Requião vai de mal a pior. Ontem, ele inventou um “Ferreirinha judicial” e determinou a intervenção no município de Paranaguá sob a acusação de acúmulo de passivo trabalhista.

Inimigo meu
Detalhe: o prefeito de Paranaguá, José Baka Filho (PDT), é candidato à reeleição e, se não bastasse, inimigo visceral do governador.

Despropósito
Requião teria se rendido aos apelos do candidato à prefeitura do PMDB, Mário Roque, para determinar a intervenção, acatando, segundo ele, determinação do Tribunal de Justiça do Paraná.

De dar medo
É um caso de temeridade, se levada em conta a subserviência espantosa do Judiciário em questiúnculas de interesse do governador.

Sem efeito
Vale lembrar que o estado do Paraná também foi alvo de intervenção recomendado pelo Tribunal de Contas da União por deixar de honrar dívidas trabalhistas, o que nunca se consumou.

ARREMATE
O Paraná transformou-se no quintal da família Requião?

OBLADI-OBLADÁ
O vereador Jairo Marcelino (PDT) acionou a bola de cristal e estima que 12 caras novas devam assumir a Câmara em 2009. *** Entusiasmado com os índices de Beto Richa nas pesquisas, o PSDB decidiu usar o horário eleitoral gratuito para incentivar o voto de legenda. *** A bancada do PT na Câmara desistiu de ostentar o bottom de Gleisi Hoffmann na campanha. Concentra-se agora na própria eleição. Dureza.

marcusvrgomes@uol.com.br

A marcha dos barnabés

10 setembro, 2008 às 07:17  |  por Marcus Vinícius

A coluna Toda Política desta quarta-feira no JE.

Requião anuncia a Marcha dos Cinco Mil no próximo sábado para fazer esquentar a campanha de Carlos Moreira (PMDB) à prefeitura de Curitiba. O número não foi escolhido ao acaso. Cinco mil é o número estimado de funcionários comissionados no governo do estado e adjacências, sujeitos às chuvas e trovoadas da administração peemedebista – o que significa também atender convocatórias para engrossar campanha fantasma.
Moreira tem 1% nas duas últimas pesquisas eleitorais – Vox Populi e Datafolha –, o que representa pouco mais de 12,5 mil votos. Não elege sequer um vereador.
Só para efeito de comparação (e comparar é preciso), o verde nanico Melo Viana, que agora ocupa carguinho fácil e bem remunerado no governo, obteve na eleição de 2004 pouco mais de 13 mil votos.
Mas o que importa mesmo é mensurar os efeitos da campanha de Moreira sobre o prestígio do governador. E eles são visíveis. A começar pela pretensão de Requião de disputar o Senado em 2010. Com tal capacidade de “transferência de votos” – um mito que governantes do Oiapoque ao Chuí costumam vender – convém sua campanha subir no telhado.
Leve-se em consideração que, mesmo que estejam em disputa duas das três cadeiras do Paraná no Senado, há concorrentes de peso prontos para concorrer ao cargo. Se não disputar o governo do estado, Osmar Dias (PDT) é um deles, Flávio Arns (PT) outro, Gleisi Hoffmann (PT) certamente. Gustavo Fruet (PSDB) estuda a possibilidade, Valdir Rossoni (PSDB) também, e até o empresário Paulo Pimentel (sem partido) pode vir a arriscar-se novamente. São seis nomes colocados que, se não ameaçam, ao menos abalam o sonho de Requião de encerrar a carreira política com pompa e circunstância na alta câmara da República.
Quanto a Moreira, a promessa de Requião ao credenciá-lo a “laranja” ou “abacaxi” da campanha peemedebista era oferecer, em troca, a Secretaria da Educação. Em privado, no entanto, o governador já descarta essa possibilidade. Há quem diga que o vexame do PMDB, a ser confirmado nas urnas, pode afundar de vez a nau de Moreira feito um Titanic mambembe.
Se não bastasse isso, o ex-reitor da Universidade Federal do Paraná recebeu ontem mais uma notícia amarga (vai para a coleção): a UFPR ficou em 44º lugar no primeiro ranking oficial das instituições de ensino superior. Moreira, ora em diante, virou nome de frango de macumba.

Receituário
“Se cacete não resolver, dobre a dose”. (Do filósofo Roberto Requião, alertando para o que virá na reta final das eleições em Curitiba).

E a magrela?
Estranho que Gleisi Hoffmann (PT), tão entusiasmada com as bicicletas de Paris, não tenha feito da idéia um “mote de campanha”.

Perdeu o bonde
Pois, ontem, no Rio, o quase ex-prefeito César Maia (DEM) tratou de anunciar a licitação de bicicletas de aluguel que servirão de transporte para o carioca ir ao trabalho.

Cidade maravilhosa
Ruy Castro, que gosta de festejar as peripécias do Rio de Janeiro, comemorou a idéia e lembrou que a capital carioca tem 140 quilômetros de ciclovias.

Um porém
Pois é, Curitiba possui 103 km. O problema é que as tais pistas foram planejadas para quem faz da magrela um lazer e não um meio de transporte.

Extra, extra
As eleições para reitor da UFPR ocorrem nesta quarta-feira em caráter extraordinário. O cargo ficou vago depois que Carlos Moreira (PMDB) renunciou para disputar a prefeitura de Curitiba.

Regra quebrada
Moreira se elegeu em 2002 e se reelegeu em 2006, tornando-se o FHC da UFPR. Desde 1985, quando Riad Salamuni foi eleito reitor da universidade em sufrágio direto, havia um consenso informal de que não haveria o expediente da reeleição.

Pensou bem
Moreira nega esse acordo e diz que o antigo reitor Carlos Antunes, o Tratorzinho, teria cogitado um novo mandato, mas desistiu depois de reavaliar suas chances.

Das anacrônicas
O candidato à prefeitura Ricardo Gomyde (PCdoB) que se dê por contente com o 1% obtido nas últimas pesquisas. Ontem, seu partido saudou os 60 anos da República Democrática da… Coréia do Norte. Cheirou naftalina?

ARREMATE
Em campanha pró-Richa, os presidenciáveis tucanos José Serra e Aécio Neves estiveram, ontem, em Curitiba e rasgaram sedas um ao outro. Me engana que eu gosto.

OBLADI-OBLADÁ
Com a Assembléia Legislativa às moscas, correu a piada ontem à tarde de que os deputados teriam decidido esticar o “restinho da semana”. É da profissão. *** Caminha para ganhar um nome de batismo o grupo de parlamentares que resiste às inovações pequeno-burguesas para tornar o legislativo mais transparente. É a “Frente Romanelli de Trabalho”. Perfeito.

marcusvrgomes@uol.com.br

Cumprindo tabela?

9 setembro, 2008 às 06:11  |  por Marcus Vinícius

A coluna Toda Política desta terça-feira no JE.

Diretor da Paraná Pesquisas, o especialista em marketing Murilo Hidalgo vê um quadro cada vez mais consolidado em Curitiba. O tucano Beto Richa mantém índices acima de 70% nas pesquisas, baixa rejeição (7%, segundo o Datafolha), nível de aprovação administrativa que bate em 85% de ótimo e bom, e last but not least, adversários que chafurdam em números indigentes.
Hidalgo tem insistido no fato de que os índices de intenção de voto da petista Gleisi Hoffmnan, segunda colocada nas pesquisas, não crescem sobre o seu principal adversário, o tucano Beto Richa, mas sobre os demais concorrentes, o que significa ir do nada a lugar algum.
Para o especialista, há um grande dilema shakespeariano envolvendo os marqueteiros de oposição no que toca às críticas a cidade. A campanha tucana conseguiu blindar de tal modo o prefeito que qualquer problema relacionado à capital por parte dos adversários é encarado como um ataque dos “inimigos de Curitiba”. 
Não por acaso, a rejeição de Gleisi Hoffmann ultrapassou o petebista Fábio Camargo, antes líder no quesito, e atinge, na última pesquisa Datafolha, 24%.
Murilo Hidalgo diz que a única alternativa de Gleisi para tirar votos de Richa é “inocular a dúvida” no eleitorado tucano, mas para isso é preciso deixar de lado a “imagem da boazinha” e bater em questões que coloquem em xeque a conduta moral do prefeito.
Projetos relacionados à Saúde, à Educação, à Moradia, passam em branco ou são esquecidos pelo eleitor. O caso do projeto do Metrô curitibano é emblemático. De chofre, não há candidato que não o apresente em sua plataforma eleitoral como a solução para todos os males do transporte urbano.
Gleisi tem se escudado ainda nos bons ventos da Economia brasileira para atribuir todo e qualquer benefício que aporta em Curitiba como uma “dádiva” do governo Lula. É a tentativa de associar uma coisa à outra e, assim, beneficiar-se da tese nunca provada da transferência de votos.
O candidato do PMDB, Carlos Moreira, julgava que o apoio de Requião lhe traria ao menos 11% dos votos. Em vão. O governador não conseguiu fazer migrar para o seu “predileto” sequer 1% do eleitorado curitibano. Moreira, por enquanto, só tem um nome a zerar.
Modorra, modorrência, a eleição vai chegando ao seu momento decisivo com jeito de campeonato de um só time. Os demais cumprem tabela.

Andrajoso
Com a administração em farrapos, o prefeito de Londrina Nedson Micheletti (PT) julgou melhor incluir-se fora dessa na propaganda eleitoral de André Vargas, candidato petista à prefeitura.

Vai mal, vai pior
De acordo com o levantamento do Ibope/RPC, divulgado em agosto, a administração de Micheletti tem 50% de avaliação “péssima” e “ruim”.

Chororô
O peemedebista Moreira parece mesmo ter jogado a toalha. Ontem repetiu, em seu programa de estréia, o “Esta É Sua Vida” do início do horário eleitoral gratuito. Não faltou a professorinha do primário, hoje octogenária, e um paciente que ele fez enxergar. Buá, buá.

Para bom entendedor
A campanha do petebista Fábio Camargo é um contrasenso só. Depois de declarar previsão de R$ 14 milhões em gastos de campanha e desafiar os demais candidato a gastar menos de R$ 10 milhões para se eleger, ele anuncia receita de R$ 98.300,00 e despesa de R$ 99.264,00. Já está no vermelho.  E não é de vergonha.

Isso é que é
Na segunda prestação de contas entregue ao TSE, a petista Gleisi Hoffmann lidera a lista de arrecadação de recursos: R$ 3,2 milhões ante 2,9 milhões de Richa.

Aécio na parada
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), é a estrela do jantar que reunirá hoje o tucanato em flor em jantar por adesão no Estação Convention Center. O preço do convite é de R$ 1 mil e será destinado à campanha tucana.

O Favorito
Antes, Aécio, concede entrevista à imprensa no Hotel Bourbon, a partir das 17 horas. Pergunta que não quer calar: Richa já definiu quem apoiara na disputa à presidência da República em 2010?

ARREMATE
O candidato do PV, Maurício Furtado, deu asas para a imaginação ao relacionar entre os seus filmes preferidos o seriado “Zorro e seu amigo Tonto”. Bom, ele é o Zorro. Tonto é quem mesmo?

OBLADI-OBLADÁ
Nepote, nepotesinho 1. O filho é o secretário  de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari. O pai é o corregedor e ouvidor, Luiz Carlos Delazari, que ocupa secretaria especial. Quem deixa o governo? *** Nepote, nepotesinho 2. A mãe é a secretária Maria Marta Lunardon (Administração). Os parentes são Fábio Lunardon, agente administrativo da Secretaria de Segurança  Pública e Roberta Weber Lunardon, chefe de Divisão da Secretaria de Saúde.

marcusvrgomes@uol.com.br