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Bateu o desespero

6 setembro, 2008 às 10:42  |  por Marcus Vinícius

A coluna Toda Política deste sábado no JE.

O candidato do PMDB à prefeitura de Curitiba, Carlos Moreira, incorporou ontem o espírito do governador Requião ao reagir com destempero ao resultado da pesquisa Vox Populi encomendada por este JE. “Tenho certeza absoluta que esses números são inverídicos, irreais e mentirosos e que nossa campanha tem percentuais mais altos”.
Em entrevista recente, Moreira admitiu que era um candidato desconhecido e que estava saindo do zero. Dito e feito. Saiu. Na sondagem do Vox Populi publicada em 13 de agosto ele tinha 0%. Agora tem 1%.
Os números divulgados ontem não diferem em nada de pesquisas divulgadas pelo Ibope e Datafolha, onde o peemedebista não conseguiu ultrapassar ainda a linha dos 2%.
Se considerada a margem de erro de 3,5% para mais ou para menos, Moreira pode oscilar para 4,5% das intenções de votos ou assumir a condição “limbar”, como ele mesmo definiu. Só não registra 0% cravado porque, com certeza, deve votar em si mesmo.
O fato é que o peemedebista esperava que a propaganda gratuita no rádio e na TV servisse de panacéia para os males eleitorais. Não serviu.
A exposição, ao contrário, revelou cruelmente o fiasco da candidatura, já prevista nas hostes peemedebistas, e só fez ampliar o seu índice de rejeição a patamares estratosféricos.
A insinuação de que a pesquisa Vox Populi teria sido manipulada, ainda que o resultado tenha mostrado, por exemplo, uma queda de dois pontos de Beto Richa e uma ascensão de seis pontos de Gleisi Hoffmann (PT), é mais uma característica que Moreira parece ter aprendido com Requião. Atacar tudo aquilo que lhe é desfavorável. A imprensa, a pesquisa, o Ministério Público, o Tribunal de Justiça.
Ontem, as ruas de Curitiba foram tomadas com um novo folheto de campanha do PMDB em que os nomes de Requião e Moreira se confundem. É mais uma tentativa do candidato de “colar” seu nome ao do governador. Há pesquisas internas do governo – estas “decididamente confiáveis” – que mostram que o poder de transferência de votos de Requião está na casa dos 11%.
Moreira acredita fielmente nesses números ainda que os resultados das sondagens sejam teimosamente diferentes. A fé é mesmo inabalável.

Ele virá
Ninguém sabe quando, mas Lula vem mesmo a Curitiba para participar de comícios-relâmpago ao lado de Gleisi Hoffmann. O mês é setembro. A data é uma incógnita.

Otimistas
Os marqueteiros acreditam que Gleisi pode bater nos 25% e Beto Richa chegar a 65%. Lula seria o reforço para levar a campanha para o segundo turno.

Pelo boné do guarda
Especialistas em Segurança Pública estimam que as ruas de Curitiba deveriam ser policiadas por 4.300 PMs. Há 1.568.

Big Brother
O comércio do Soho de Curitiba, no Batel, está pedindo socorro. As portas das lojas são fechadas eletronicamente e o acesso dos clientes é controlado por câmeras. O horror.

Olha o rapa
O Ministério Público do Trabalho encaminhou ofício à TV Educativa requisitando a relação de todos os trabalhadores que prestam serviços na emissora bem como as funções de cada um e a forma de contratação. O prazo para a resposta é de 15 dias.

Preparar, fogo!
Os adversários de Beto Richa prometem bater a roupa suja nos programas eleitorais da semana que vem. É a promessa de que a campanha, enfim, vai esquentar os tamborins. É o samba da polaca doida.

ARREMATE
Ontem, uma solitária formiguinha da campanha eleitoral de Gleisi Hoffman (PT) foi vista agitando a bandeira no Centro Cívico. Triste, tristíssimo.

OBLADI-OBLADÁ
Candidato à prefeitura de Londrina, o deputado federal André Vargas usa em sua campanha, sem autorização, a imagem de um ilustre morador da cidade: o piloto paraibano de stock-car, Valdeno Brito, que recentemente ganhou US$ 1 milhão em uma prova. Ele se queixou ao TRE. *** Está confirmado: o governador mineiro Aécio Neves (PSDB) desembarca em Curitiba, na próxima terça-feira (9) para participar de jantar por adesão da campanha de Beto Richa. Preço do convite: R$ 1 mil. *** Só para a turma de bico doce.

marcusvrgomes@uol.com.br

E o nepotismo, candidato?

5 setembro, 2008 às 06:15  |  por Marcus Vinícius

A coluna Toda Política desta quinta-feira no JE.

Estranha que os candidatos a prefeito todos venham se mantendo silenciosos em relação ao principal tema desta campanha: o nepotismo. Seria um bom sinal se, em seus programas modorrentos, firmassem compromisso juramentado para não contratar parentes em cargos comissionados. Nem mesmo nos casos admitidos pelo STF.
Ontem a Casa Civil do governo confirmou, em crônica anunciada, a nomeação de Eduardo Requião para a Secretaria dos Transportes e mais a responsabilidade cumulativa sobre a administração dos Portos de Paranaguá e Antonina – ainda que esta não seja remunerada (quaquaquá). É o nepotismo em seu estado bruto.
Com isso Requião sobrecarregou o estado com mais uma secretaria especial – desta vez para Rogério Tizzot que, obrigado a dar lugar para o irmão do governador, foi recompensado com a “fantasmagórica” Secretaria Especial para Assuntos Rodoviários.
Talvez o debate da Band, na semana passada, fosse mais promissor se, em lugar de abordar o tema do aborto – cuja resposta já era conhecida – questionasse a opinião dos candidatos sobre a contratação de parentes.
Francisco Alpendre, ex-diretor jurídico da Paraná Previdência, diz que a edição da súmula vinculante número 13 permite aos advogados reclamarem diretamente ao Supremo sem a necessidade de intermediários. É uma notícia promissora.
Não há mais dúvida que, mesmo com a campanha eleitoral a todo vapor, o nepotismo de Requião em sua forma hedionda tomou o lugar de questiúnculas que fogem à realidade eleitoral.
Cabe lembrar aqui que assim como a decisão do STF deixou aberta a porta para a nomeação de parentes nos chamados “cargos políticos”, fez lembrar também que os estados e os municípios podem sim aprovar lei que tornem a prática do nepotismo mais rigorosa. Branda jamais.
As aberrações tendem a pipocar. Os dribles também. O Paraná ganhou voltou a ganhar destaque nacional desde que Requião decidiu “socorrer” a parentalha ameaçada de perder o carguinho fácil e bem remunerado. Primeiro nomeou a esposa Maristela Requião. Agora, achou um jeito de manter o irmão no governo em demonstração que afronta a inteligência dos ministros do STF.
Os candidatos à prefeitura de Curitiba poderiam trazer o tema à pauta. Quem sabe assim a campanha saísse do atoleiro em que se encontra.

Barulhinho bom
Fora da disputa reeleitoral, o vereador e pastor Gilso de Freitas (PSDB) busca, ao menos, salvar o seu carguinho na igreja. Apresentou projeto na Câmara que permite aos templos evangélicos exceder o limite tolerável de ruído de 65 para 70 decibéis.

Coisa divina
A Organização Mundial de Saúde prevê que o limite é de 65 decibéis, mas Freitas alega que não se pode calar a “voz de Deus”. Então tá

Fazendo bico
Conselheiro do Tribunal de Contas, Hermas Brandão não desistiu da política. Passou em Maringá nesta semana e tratou de pedir votos para o neto, Evandro Junior, que é candidato a vereador pelo PSDB. O velho partido do avô.

Famosa
A candidata traveca Andrielly Vogue (PT) não tem do que reclamar. Não passa dia sem que ela seja citada por José Simão na Bandnews. Vogue faz parte do bancada “I Will Survive”. Quaquaquá.

Só queria entender
O vereador André Passos (PT) explica o motivo pelo qual foi convidado para ser o coordenador de campanha de Gleisi Hoffmann: ele conhece Curitiba. Quer dizer que Gleisi lhufas?

Pérolas eleitorais
De candidato do PPS a vereador: “Não corra nem ande ao trote, vote Rigotti”. Upa, upa, cavalinho.

Logo agora?
Fora da lista dos políticos mais influentes do Congresso, de acordo com o Diap, o senador Álvaro Dias (PSDB) deu as caras na propaganda eleitoral para pedir voto aos tucanos. Ô hora.

Modorra, modorrinha
Números da pesquisa Vox Populi: Richa 72%, Gleisi 16%. O resto (com todo o respeito) oscilou de 0% a 1%.

ARREMATE
Piadinha que correu entre os comunistas após a divulgação da pesquisa Vox Populi: “Puxa, pensei que o Gomyde tinha um nome a zerar”. Quaquaquá.

OBLADI-OBLADÁ
Filho do ex-deputado petista Natálio Stica, o candidato a vereador Jonny Stica vem fazendo campanha opulenta nas ruas de Curitiba. *** Já Bruno Vanhoni, sobrinho do deputado federal Ângelo Vanhoni (PT), recebeu a promessa do ministro Tarso Genro (Justiça) de que visitará o seu comitê de campanha tão logo desembarque em Curitiba. *** Geninho está conversando com os dirigentes do Atlético e deve ser anunciado como novo treinador do Rubro-Negro. *** Façam suas apostas. Quanto tempo ele dura? *** A respeito de nota publicada ontem nesta coluna, a assessoria de imprensa de Jorge Bernardi (PDT): o “Gibi da Democracia” do parlamentar não é uma novidade de campanha. Na verdade é publicado há 26 anos.

marcusvrgomes@uol.com.br

Elogio ao dedo-duro

4 setembro, 2008 às 07:33  |  por Marcus Vinícius

A coluna Toda Política desta quinta-feira no JE.

Você já denunciou o seu nepotista hoje? Ainda dá tempo. É caso de saúde pública, se levada em conta a sanidade do Erário. O nepotismo é uma praga que assola o país. Atinge repartições públicas, privilegia parentes e contra-parentes, engorda o patrimônio familiar de governantes e de ocupantes de cargos de chefia, torna desigual a oportunidade de emprego no serviço público, incentiva a indolência apadrinhada e transforma em cidadão  de segunda classe todo aquele que não pertence à “Nomenklatura”.
O nepotismo incentiva o compadrio, o filhotismo, o pária, o sanguessuga. Apaga rastros de improbidade, varre para debaixo do tapete a craca parasitária, rompe a hierarquia do serviço público e submete o mérito ao fracasso.
O caso do desembargador Adalberto Jorge Xisto Pereira que concedeu liminar garantindo a posse de Maurício Requião no Tribunal de Contas do Paraná, e a coincidência da nomeação da esposa cinco dias depois em cargo no TC, é só a ponta do iceberg. Há muito mais de onde este veio.
Sim, Xisto Pereira passou mesmo dos limites. Mesmo que alegue que a súmula vinculante do STF ainda não havia sido publicada, deveria considerar a decisão do Conselho Nacional de Justiça, que há dois anos editou resolução proibindo o nepotismo no Judiciário, incluindo a categoria subreptícia do nepotismo cruzado. Não é um caso isolado. Você já denunciou o seu nepotista hoje?

À míngua
Candidato a vereador, o policial civil Délcio Rasera (PRTB), confirma o que foi publicado ontem nesta coluna. O prefeiturável Fábio Camargo (PTB) que encabeça a coligação, tem deixado os correligionários na pindaíba.

Pouco, muito pouco
Rasera reclama por ter recebido do comitê até agora apenas 2 mil santinhos. “É muito pouco. Eu preciso distribuir 50 mil por dia”.

Complicou
Preso em 2006 acusado de grampo telefônico ilegal, Rasera foi multado recentemente pela Justiça Eleitoral em R$ 20 mil por propaganda extemporânea.

Só por garantia
Diz que recorreu ao TSE mas, por precaução, investiu o valor da multa em ações da Vale. Gente fina é outra coisa.

Estaca zero
A Assembléia Legislativa terá que refazer e votar novamente o projeto de aposentadoria complementar dos deputados por determinação do Ministério da Previdência.

O trabalho continua
O presidente da Casa, Nelson Justus, quer votar o projeto antes das eleições. “A campanha não altera em nada o andamento dos trabalhos aqui na Assembléia Legislativa”.

A canalha
O líder do governo na Assembléia não concorda. Ontem, no velho estilo fura-pedágio, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), disparou críticas à mídia pela falta de quórum na Casa.

Culpada
Segundo ele, foi a pressão da imprensa que fez com que os deputados que disputam as eleições à prefeitura no estado pedissem licença do cargo.

Arre burguesia!
“Fiz um apelo público para que a mídia não fizesse pressão. Essa Casa não pode ser pautada pela mídia. Pautada por aqueles que têm sentimentos pequenos burgueses”, afirmou Romanelli.

Noves foras
Detalhe 1: seis parlamentares pediram licença, 25 estavam presentes na sessão, há 54 deputados na Assembléia. Onde foram parar os outros 23¿ Ninguém sabe, ninguém viu.

Só para variar
Detalhe 2: a licença é uma questão de economia aos cofres públicos. Os que pedem licença não recebem dois meses de salário. Romanelli queria garantir o pagamento dos deputados mesmo sem trabalhar. É uma tradição da Casa.

ARREMATE
“Espero que a Assembléia aproveite a ocasião para enterrar de vez esse projeto”. (Do deputado Tadeu Veneri, do PT, defendendo o arquivamento da aposentadoria complementar dos parlamentares – também conhecida como “Bico Doce”).

OBLADI-OBLADÁ
Inaugurado com toda pompa em frente ao Clube Concórdia, no centro de Curitiba, o comitê étnico-racial  de Beto Richa (PSDB) raramente está aberto. Pior. Há uma placa de “vende-se” enfeitando a porta. Cala-te boca. *** Na onda das HQs eleitorais, o vereador e candidato à reeleição, Jorge Bernardi (PDT), lançou o “Gibi da Democracia”. O personagem principal, adivinhe, é ele mesmo. *** Surge uma nova personagem na campanha eleitoral do prefeiturável Lauro Rodrigues (PTdoB): “Estefânia, a polaquinha do Barreirinha”. Tem gente dizendo que a loira é o candidato de peruca. Quaquaquá.

marcusvrgomes@uol.com.br

Nem com reza brava

3 setembro, 2008 às 06:45  |  por Marcus Vinícius

A coluna Toda Política desta quarta-feira no JE.

O governador Requião tem se esmerado no quesito boçalidade. Ontem, na ‘Escolinha’, reuniu a corte de Paranaguá para desfilar discursos favoráveis ao irmão Eduardo Requião, fadado a perder o cargo na Superintendência da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) por conta da súmula vinculante número 13 do STF que proíbe o nepotismo em todo o país.
Durante mais de três horas, empresários, fornecedores, diretores, sindicalistas, aspones e puxa-sacos fartos desfilaram diante das câmeras da TV Educativa.
O surrealismo chegou a tal ponto que, às 11h46min, o mestre de cerimônias Walter Chagas, mais conhecido pelo apelido “Botto Junior”, anunciou a interrupção do programa, que é transmitido ao vivo diretamente do Museu Oscar Niemeyer, para a veiculação dos comerciais eleitorais, que até então aguardavam na fila, afrontando a legislação eleitoral.
A reunião da “Escolinha”, contudo, ainda não havia terminado. Eduardo Requião, o principal palestrante do dia, não subira à tribuna para, enfim, confirmar o que a pauta da Agência de Notícias anunciava desde a sexta-feira passada: a posse de Eduardo na mandraqueana Secretaria Especial para Assuntos Portuários – um artifício criado pelo governador para garantir o nepotismo militante do qual ele tanto se orgulha.
Nos últimos dias, no entanto, o decreto 3308 que nomeava o irmão na secretaria especial, tomou doril e sumiu. Em seu lugar surgiu, como num passe de mágica (olha o Mandrake aí!) e sob o mesmo número, a nulidade da demissão de uma certa funcionária em 2004.
Quem quis conferir na Agência de Notícias o desfecho da novela, cortada em razão do tempo excedido – ainda que Requião não tenha limites – leu uma longa matéria, cujo cuidado em registrar todos os depoimentos foi respeitado solenemente. No arremate, estava lá enfim o superintendente da Appa, Eduardo Requião, vendendo o seu peixe – e o peixe, no caso, tem tudo a ver. Quanto à posse na secretaria especial, até a boçalidade de Requião parece ter sido freada. Confrontar uma decisão do STF parece mesmo uma temeridade. Mas há capítulos por vir.

Olho gordo
Ex-revolucionário da pracinha do Batel e agora candidato a vereador, Rafael Xavier (PMDB) está fazendo campanha de encher de inveja os colegas de partido.

Opulência
O comitê do “noviço” eleitoral é um luxo só. Há cabos eleitorais espalhados pelas ruas de Curitiba e um caminhão-baú encarregado de abastecer os pontos de campanha. Ao que parece há dinheiro da “Família X” no negócio.

Mudou de nome
A Paróquia São Lucas, no Xaxim, promove no próximo dia 12 de setembro uma “noite cultural” com a participação de 12 candidatos a vereador.

Apóstolos
Os nomes foram escolhidos por exclusão. Como só doze candidatos responderam ao convite da igreja, só doze participarão. Entre eles estão os petistas Adenival Gomes e Pedro Paulo, o peemedebista Algaci Túlio e o pepessista Valdir Bicudo.

Uma turba
O frei Marcelo e o pároco Joacir, promotores do evento, estimam que duas mil pessoas da comunidades estejam presentes. Torcidas de candidatos foram expressamente proibidas.

Alegria, alegria
A liderança folgada de Beto Richa nas pesquisas eleitorais está fazendo com que os tucanos façam previsões otimistas. A estimativa agora é de eleger 17 dos 38 vereadores na Câmara.

Ué, esquisito
As formiguinhas de campanha – cabos eleitorais que distribuem santinhos, colam adesivos nos carros e agitam bandeiras  – sumiram dos cruzamentos. Tem gente dizendo que passou tamanduá.

Merreca
Bateu a preocupação no vereador José Roberto Sandoval  (PTB). Os 2% no Ibope obtidos pelo candidato do partido à prefeitura, Fábio Camargo, garantem uma cadeira e olhe lá.

Bóia de cavalinho
Sandoval decidiu agir. Tirou dinheiro do próprio bolso para financiar santinhos e jornais de campanha para os demais candidatos da coligação “Uma Só Curitiba”, que reúne PTB e PRTB. É o jeito para garantir sua sobrevivência eleitoral.

Pijamão
Em tempo: Sandoval, que também é pastor, tem feito apelos nas igrejas evangélicas. Diz que precisa de mais quatro anos para garantir sua aposentadoria. Isso é que é projeto eleitoral.

ARREMATE
Vai para a coleção. Mais dois personagens da campanha eleitoral: Zé Nortão (PMN) e Nelson Celular (PSL).

OBLADI-OBLADÁ
A travesti Andrielly Vogue (PT), que disputa uma vaga na Câmara, ficou fula da vida porque informei nesta coluna que ela estava vendendo rifas para engordar o caixa de campanha. *** Que nada, ela diz que é para engordar mesmo o bolso que garante o seu sustento. *** Das contas eleitorais quem se encarrega, cumé mesmo, é o “coletivo” do partido. *** Ta registrado, santa!

marcusvrgomes@uol.com.br

O sobrinho se vai

2 setembro, 2008 às 06:25  |  por Marcus Vinícius

A coluna Toda Política desta terça-feira no JE.

João Arruda, o sobrinho prestimoso de Requião, divulgou, ontem, nota à imprensa anunciando sua demissão do cargo de diretor da Cohapar (R$ 15 mil mensais) por conta de uma tal “hipocrisia”, que também atende por súmula vinculante número 13 do STF – aquela que proibiu o nepotismo em todo o país.
O tom do texto é hilário porque se trata de uma imitação barata da carta-testamento de Getúlio Vargas. A começar pelo título: “Saio do governo, mas a luta por justiça social continua”. Quaquaquá.
O governo Requião é mesmo de Marte. Diz Arruda logo de saída que o “governo do Paraná vem fazendo uma administração de esquerda e revolucionária, que inclui socialmente milhares de irmão paranaenses”.
Sim, irmão, sobrinhos, esposas, cunhados, primos, tios, filhos, teúdas e manteúdas…
Mais adiante sustenta que não é “alienígena e muito menos estranho à base aliada”, no que deixa insinuar que “forças ocultas” – ó céus – seriam as responsáveis pela decisão que fez com que abandonasse a sinecura que ocupava desde janeiro de 2007.
Mas Arruda não fica só nisso. Emenda ainda, misterioso, que a medida radical que tomou cumpre “script hipócrita e antidemocrático, que atenta contra o Estado de Direito Democrático”. Tradução: o “choro é livre”.
No desfecho do texto anuncia sua decisão que, diz, pode até soar estranha e contraditória: “saio do governo”.
Estranha? Sim, porque afinal, havia brechas que poderiam mantê-lo no cargo. Contraditória? É verdade, ele esperneou pouco.
O advogado Rogério Distéfano leu incrédulo a “carta-testamento” do sobrinho de Requião e deitou comentário impiedoso no Maxblog, hospedado no portal deste JE, que casa bem com o estilo getulista do autor: “Arruda sai do governo para entrar no rodapé da história”.
E se é por falta de adeus, PMDB saudações.

Rendeu
As piadinhas em torno do “milagreiro” Cartão Verde proposto por Lauro Rodrigues (PTdoB) extrapolaram os bastidores do debate da Band, na semana passada.

Abre-te Sésamo
Diante da dificuldade do peemedebista Carlos Moreira de abrir as caixas pretas da prefeitura, um galhofeiro disparou: “Pede o cartão verde do Lauro Rodrigues”.

Outra
Moreira deixou sem resposta a questão crucial de Rodrigues para resolver o problema dos cães vira-latas. “Ora, é só castrar os cachorros utilizando o cartão verde”.

Lé com cré
O projeto supimpa do candidato do PTdoB ganhou até um slogan híbrido que juntou o bordão de Bruno Meirinho, do PSOL. “Por uma cidade sem catracas só o cartão verde”. Quaquaquá.

Até tu, Veneri?
Quando, no mesmo debate, Beto Richa evocou sua honra e o nome do seu pai, o deputado petista Tadeu Veneri deixou escapar: “Pronto, vai baixar o Inri Cristo”.

Que coisa
Com índices de rejeição estratosféricos, o candidato do PTB à prefeitura de Curitiba, Fábio Camargo, ganhou apelido que cai como uma luva. É “o rejeitado das gentes”.

Amigos, amigos…
Deputado fast-food, Alisson Wandscheer subiu à tribuna da Assembléia, ontem, para se solidarizar com o colega Geraldo Cartário (PDT), cuja filha Tuca Cartário foi baleada no domingo em suposto atentado político.

…guerras à parte
Detalhe: Cartário é inimigo figadal do pai do parlamentar, o prefeito de Fazenda Rio Grande, Toninho Wandscheer. Informação. Só informação.

Ah, a fama
O sumiço do vereador tucano Beto Moraes das sessões da Câmara Municipal de Curitiba provocou piadas dos colegas na Casa. A pergunta que ficou: “Onde está Wally Moraes?”

ARREMATE
O Ibope não confirma, mas a audiência do debate entre os candidatos à prefeitura de Curitiba, na Band, não passou de dois pontos. Menos, muito menos que o encontro de prefeituráveis de Pinhais promovido pela TV Educativa. Pode?

OBLADI-OBLADÁ
A propaganda eleitoral do petebista Fábio Camargo colocou no ar atriz denunciando o descaso da prefeitura de Curitiba com os bairros da periferia. E faz uma constatação: “A ficha do curitibano ainda não caiu”. Pois é. *** Pegou mal, muito mal a declaração do pintor e artista plástico, Juarez Machado, na agência de notícias do governo dizendo que a inteligência de Maristela Requião estava acima do “normal das curitibanas”. Afe!

marcusvrgomes@uol.com.br

Quem quer saber da UNE?

1 setembro, 2008 às 07:54  |  por Marcus Vinícius

A coluna Toda Política desta segunda-feira no JE.

Leio que o vice-presidente da UNE, Tales de Castro (et caterva) estará em Curitiba nesta semana para participar de atividades políticas, entre elas a declaração de apoio da entidade à candidatura da petista Gleisi Hoffmann e do candidato a vereador Bruno Vanhoni – sobrinho do deputado federal Ângelo Vanhoni. Todos do PT.
Estranho, muito estranho. A UNE se afirma suprapartidária. É nada. Está assim-assim com o governo Lula, mais ainda depois que recebeu a cessão do terreno da sede nacional da UNE, no Rio, e a promessa de investimento de R$ 30 milhões para viabilizar um projeto de Oscar Niemeyer para o novo prédio.
Mais estranho ainda. Desde a reabertura democrática, a UNE está nas mãos do PCdoB. Pois em Curitiba, há um candidato à prefeitura do partido – Ricardo Gomyde – , que, pelo jeito, ficou fora da agenda de “conscientização política” da entidade. Quaquaquá.
Quem liga para a UNE? Ninguém. Pergunte a um estudante qual é a função da UNE. Ora, garantir a meia-entrada nos cinemas. É isso mesmo.
Distante do dia-a-dia dos estudantes, a UNE tem nas carterinhas seu único vínculo com a maioria dos universitários. A última manifestação política já pertence ao século passado, no processo de impeachment de Collor.
De lá para cá, a entidade esfacelou-se durante o governo FHC e depois aparelhou-se no governo Lula. Durante o escândalo do mensalão no governo Lula, a entidade recusou-se a liderar protestos, alegando que assim estaria a serviço da direita. No ano passado, promoveu a queima de edições da revista “Veja” que trazia na capa reportagem desconstruindo a imagem de Che Guevara. Um ato deprimente, digno das melhores labaredas totalitárias de Hitler e Stalin.
Em 2000, a UNE faturava anualmente com emissão de carteirinhas de estudante, R$ 7,7 milhões por ano. Cada carteirinha custava ao universitário R$ 15,00, mas as despesas da UNE se resumiam a R$ 1,76. Isso é que é socialismo.
No ano seguinte, o então ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, pediu a FHC que editasse medida provisória que acabasse com o monopólio da entidade na emissão do documento. Foi um furdúncio.
Não demorou para que a UNE encontrasse uma solução supimpa para recuperar os lucros perdidos. Firmou convênio com várias redes – entre elas, acredite, o McDonald´s – criando estandes de vendas nas lojas parceiras. Uma repórter da Folha de S. Paulo entrou em uma loja da Blockbuster, também conveniada, preencheu dados fictícios, pagou R$ 30 e recebeu carteirinha que possibilitava desconto em shows, cinemas e mais 4.500 estabelecimentos parceiros. Até a descoberta da maracutaia, o objetivo da UNE era faturar R$ 9 milhões por ano com a venda de 300 mil carteirinhas. O plano de negócios da entidade, no entanto, era mais ambicioso. Atingir, em cinco anos, a expedição de 1 milhão de carteirinhas – com lucros de R$ 28 milhões!
Neste ano, o PCdoB realizou o sonho da casa própria e comprou pela bagatela de R$ 3,3 milhões um prédio em São Paulo. Detalhe: um ano antes, o partido recebera uma doação da STB (Student Travel Bureau) no valor de R$ 602,8 mil. A STB emite a Carteira Mundial do Estudante, que a UNE vende por R$ 40 à estudantada que segue para intercâmbios pelo mundo. Precisa dizer mais alguma coisa?

Porta aberta
A APP Sindicato também abriu espaço, na sexta-feira (29), para que a candidata do PT à prefeitura de Curitiba, Gleisi Hoffmann, falasse aos professores do alto do palanque.

Te cuida
O Ministério Público do Paraná deve promover campanha pedindo à população que denuncie os casos de nepotismo no serviço público. Os nepotes que se cuidem.

Outro ‘notável’
O ministro Tarso Genro (Justiça) desembarca nesta segunda-feira em Curitiba para lançar a nova edição da campanha de desarmamento na capital. De quebra, declara apoio à petista Gleisi Hoffmann e grava participação no horário eleitoral.

E tem recompensa
A nova edição do programa de desarmamento tem evidente inspiração eleitoreira. Irá pagar de R$ 100 a R$ 300 para quem entregar armas às autoridades policiais. Sejam elas legais ou ilegais. É sopinha no mel.

ARREMATE
A prospecção de petróleo no pré-sal, que Lula diz irá transformar o Brasilem uma Noruega dos trópicos, deve custar R$ 1 trilhão.

OBLADI-OBLADÁ
O superintendente da Appa, Eduardo Requião, é o palestrante da ‘Escolinha’ amanhã. *** Vai abordar os motivos que levaram seu irmão, o governador, a nomeá-lo Secretário Especial para Assuntos Portuários. Sessão comédia garantida. *** Os vereadores da Câmara Municipal de Curitiba estão acusando os colegas Beto Moraes (PSDB) e Sérgio Ribeiro (PV) de fazerem circular jornaizinhos de campanha em que anunciam ser autores de emendas alheias. *** A roupa suja está sendo lavada em plenário.

marcusvrgomes@uol.com.br

Catraca dá nisso

30 agosto, 2008 às 11:06  |  por Marcus Vinícius

A coluna Toda Política deste sábado no JE.

Bem disse o candidato do PSOL à prefeitura de Curitiba, Bruno Meirinho, com aquela cara de Trotsky tardio: abaixo as catracas!
Pois o brado de protesto deveria servir para a Secretaria do Meio Ambiente, comandada com mão de ferro por Rasca Rodrigues. Rasca mandou implantar na sede da secretaria um novo sistema para controlar a entrada e saída de funcionários e visitantes, que começou a vigorar na última segunda-feira. Há câmeras, cartão digital, porteiros e seguranças fazendo cara de mau.
Só o conjunto de catracas que libera o acesso eletronicamente custou R$ 10 mil aos cofres públicos. Tão avançado e tão prafrentex é o sistema que, na terça-feira – sim, um dia depois da inauguração, que contou com bandinha, marcha-rancho e fita vermelha – parou de funcionar.
Motivo: o sistema de cadastramento do setor de RH (obtuso, ultrapassado) não consegue se comunicar com a catraca da portaria (moderna, high-tech).
O resultado era previsível: tumulto e confusão entre funcionários, visitantes, porteiros e seguranças com cara de mau.
Quem indagar de Rasca Rodrigues as razões para tanta empolação tecnológica vai ouvir o discurso de um chefe rigoroso. Ele é obcecado por horários e quer ver os barnabés – comissionados ou não – cumprindo o expediente, o que é elogioso.
Atualmente, Rasca divide o seu tempo entre a coordenação de campanha do candidato do PMDB à prefeitura, Carlos Moreira, e os afazeres da SEMA – que é a sigla da secretaria.
Sua obstinação por dar cara bonita a uma portaria é louvável em um condomínio. Em uma repartição pública é desperdício de dinheiro público.
Talvez pareça ao secretário que, com a “obra”, deixe para a posteridade sua marca administrativa. Os passos indeléveis de quem veio, viu e venceu.
De certa forma, a função da “portaria” de Rasca é a mesma da ponte de concreto e ferro. Um monumento narcisista com propósito óbvio.
Levasse ele o rigor do horário ao trato da coisa pública e talvez abandonasse a idéia tecnológica da catraca e retirasse do baú o relógio-ponto e o livro de visitas.
Parece uma solução anacrônica, mas certamente a imagem de Rasca Rodrigues seria melhor do que a que aparenta. E com menos danos ao meio ambiente – se é que ele me entende.

Longe, longe
Pesquisa do Ibope/RPC divulgada ontem mostra Beto Richa com 70% das intenções de voto contra 16% de Gleisi Hoffmann (PT).

Dois lá, três cá
Richa teve oscilação negativa dois pontos (de 72% para 70%) e Gleisi registro oscilação positiva (de 13% para 16%).

Favorito
Ainda assim, Richa venceria no primeiro turno, uma vez que a soma dos percentuais de seus adversários é de 21%.

Vai mal, vai pior
Quem ficou fulo da vida foi o petebista Fábio Camargo. Ele caiu de 4% para 2% e agora está empatado na terceira posição com Carlos Moreira, que saiu do 0% e chegou a 2%.

Um consolo
Camargo, no entanto, é imbatível no item rejeição: 26%. Richa tem 6%.

Rejeite-se
O Ministério da Previdência devolveu à Assembléia Legislativa o projeto de aposentadoria complementar. Viu incongruências na lei. As mesmas que o TJ do Paraná se recusou a enxergar.

Marajás
Pelo projeto, já aprovado na Assembléia, os deputados receberão, com 35 anos de contribuição, o equivalente a R$ 10 mil de aposentadoria.

“Ajudinha”
Detalhe: para que o fundo seja implementado é preciso injetar R$ 64 milhões dos cofres públicos mais uma contribuição mensal, não especificada, do legislativo.

Coisa pouca
A exigência é banal: basta que o político tenha comprovado cinco mandatos e tenha, no mínimo, 60 anos.

Quem diria
A empresa de lixo Vega, citada como financiadora de campanhas em todo o país pelo candidato do PV, Maurício Furtado, no debate da Band doou, em 2006, R$ 940 mil à campanha do PT e, ora ora, R$ 360 mil ao Partido Verde.

É fato
Sim, Richa recebeu a bagatela de R$ 100 mil da empresa em 2004.

ARREMATE
De um ancião da província: “O jogo político é sujo, mas é preciso respeitar a Convenção de Genebra. Afinal, até na zona há regras”.

OBLADI-OBLADÁ
Se você não sabe, deveria saber: Eduardo Requião é o palestrante na “Escolinha” da próxima terça-feira. Vai discorrer sobre a sua posse na Secretaria Especial para Assuntos Portuários. Imperdível! *** O tucano Beto Richa acusou, ontem, a candidata petista Gleisi Hoffmann de “mentir” na divulgação de gastos de viagem da prefeitura em quatro anos. *** Gleisi disse no debate que o valor é de R$ 21 milhões. *** Beto diz que foram R$ 3 milhões. *** Gleisi disse que os dados foram retirados do site do município. *** Beto rebate e afirma que Gleisi confundiu previsão orçamentária com gastos efetivos. Afe!

marcusvrgomes@uol.com.br

Festa paraguaia

29 agosto, 2008 às 06:13  |  por Marcus Vinícius

A coluna Toda Política desta sexta-feira no JE.

Segue para a conta da viúva – que eu aqui costumo denominar de vaca pública – as despesas da comitiva de 17 membros do governo, incluindo o governador Requião, que viajaram ao Paraguai para a posse do presidente Fernando Lugo no dia 15 deste mês.
Conforme relata Abraão Benício na reportagem de hoje do JE, o custo da empreitada, somados os valores, é de R$ 27,7 mil.
A campanha de Lugo à presidência do Paraguai contou com o empenho do próprio governador e de membros do alto escalão do governo, entre eles o ex-secretário de Comunicação Social, Airton Pissetti, que admitiu ter se utilizado indevidamente do telefone de seu gabinete para serviços de aconselhamento ao paraguaio durante a campanha.
Pissetti também fez viagens regulares a Assunção, no Paraguai, lançando mão de cartão corporativo para pagar as passagens aéreas. As denúncias foram encaminhadas ao Ministério Público do Paraná, onde ao que parece dormitam em berço esplêndido.
Os custos da viagem da comitiva requianista para a posse de Lugo estão publicados no site Gestão do Dinheiro Público, administrado pelo governo estadual. Somente as despesas do governador somam R$ 2.828,80. Já as do vice-governador e de sua mulher, Regina Fischer Pessuti, ultrapassam R$ 4 mil.
Chama a atenção na relação de despesas o fato de que Requião utilizou-se do avião particular do governo para a viagem, com custos somados de R$ 6.133,00, o que faz crer que os demais gastos de viagem teriam sido reservados apenas ao hotel e à alimentação nos três dias em que a comitiva esteve no país vizinho.
Como a “transparência do governo” se reserva a especificar o custo total das despesas sem deixar claro onde o dinheiro foi empregado, a conclusão é a de um preço por demais “salgado”.
Só para efeito de comparação, a viagem do governador à Alemanha com uma comitiva de oito membros, no primeiro semestre deste ano, custou aos cofres públicos cerca de R$ 53 mil. Detalhe: a viagem prolongou-se ao menos por dez dias.
A “festa paraguaia” equivale, portanto, a 52,2% do valor da excursão à Alemanha num prazo de apenas três dias. Mesmo considerado que a comitiva paraguaia era o dobro da que singrou em direção à Europa, as contas não fecham. No mínimo, no mínimo, vislumbram caroço no angu.

Não sabe, nunca viu
Perde tempo o repórter que quiser encontrar um cientista político ou historiador da PUC do Paraná para comentar assunto que diga respeito às eleições municipais. A assessoria de imprensa não vai poder ajudar.

Eureca!
O candidato do PV à prefeitura de Curitiba, Maurício Furtado, achou solução supimpa para resolver os congestionamentos da capital.

É só cercar
Vai proibir o acesso de automóveis de passeio nas ruas que formam o quadrilátero central da cidade. Só passa quem é morador e só circulam táxis e ônibus elétricos.

Só para as ‘Evas’
E se o assunto é transporte urbano, o candidato a vereador Acyr José (PSDB) quer fazer circular ônibus exclusivos para mulheres nos horários de pico. A idéia é acabar com o xaxado. Se é que você me entende.

Exóticos
Na esteira de figuras folclóricas na campanha, eis que surge Renato Sete Placas (PSC), Alex Chapa Quente (PT), Papai Noel Lourenço (PSB) e Paulo Gonzaga, o “popular” Jack Nicholson (PP).

Triunvirato
O PR encontrou uma solução da disputa por uma vaga na Câmara Municipal de Curitiba. Reduziu o número de concorrentes para três. A saber: Íris “Sanguessuga” Simões, Custódio “Cadeia” da Silva e um tal de “Devolverei Curitiba”. O quê nem quero saber.

ARREMATE
A Justiça Federal autorizou, só no ano passado, 409 mil escutas no país. Dá-lhe Rasera!

OBLADI-OBLADÁ
O Ministério Público do Paraná encomendou a uma empresa de consultoria e auditoria técnica – a Ato Verita – o cálculo dos recursos públicos a serem destinados para viabilizar o fundo de aposentadoria complementar dos deputados. Descobriu valor estratosférico: R$ 64 milhões. *** O dinheiro seria suficiente para construir 3.700 casas populares, segundo reportagem da TV Paranaense. *** Vale lembrar: o Tribunal de Justiça do Paraná considerou tudo muito bacana, muito legal e mandou extingüir a ação civil pública que questionava a lei.

marcusvrgomes@uol.com.br

Só Requião salva

28 agosto, 2008 às 07:40  |  por Marcus Vinícius

A coluna Toda Política desta quinta-feira no JE

O nepotismo exacerbado de Requião tirou da pauta o principal filão político do ano – as eleições municipais – para dar lugar à tentativa desesperada do governador de salvar os seus do golpe da súmula vinculante número 13, editada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Há uma semana, Requião não pensa em outra coisa. Na base do decreto transformou a mulher, Maristela Requião, e o irmão, Eduardo Requião, em secretários especiais. O argumento é o do “mérito”. Ninguém, só Maristela, pode manter o Museu Oscar Niemeyer no circuito das artes plásticas nacional. Outro não. Ninguém, só Eduardo Requião, pode garantir a “continuidade do excelente desempenho que os portos de Paranaguá vêm mantendo desde 2003”, segundo nota publicada pela agência de notícias.
Como secretário, informa ainda a nota, Eduardo passará a prestar assessoria ao irmão para o “fomento” dos portos do Paraná. O argumento, no entanto, é apenas muleta formal para o que realmente interessa: garantir o empreguinho dos parentes.
Em “editorial” distribuído na agência de notícias, sob o título “Isso é imprensa?”, o governo rebate as “insinuações maldosas” de reportagem publicada pela “Gazeta do Povo”, questionando a competência de Maristela de Requião para dirigir o MON. “Ela não é uma dondoca espetada em cargo público”, diz o texto.
Chama a atenção o fato do editorial não citar a palavra nepotismo, exatamente o termo aonde a reportagem se ancorou, mas insistir na questão do “mérito”, que cabe muito bem em um concurso público. Num cargo comissionado, jamais.
Há uma questão que passa ao largo da imprensa e da opinião em geral toda vez que se discute o nepotismo. O de que a prática ao fim e ao cabo redunda em forma “legal” de enriquecimento familiar. Os salários aquinhoados pelo casal Requião ao longo dos anos se traduziram em aumento de patrimônio e, consequentemente, em riqueza.
Há pouco, o peemedebista Carlos Moreira, candidato do governador à prefeitura, rebateu as acusações de que seria o concorrente mais rico na eleição (com bens no valor de R$ 5 milhões). Argumentou que foi “transparente” e somou na declaração entregue à Justiça Eleitoral os bens adquiridos por ele e sua mulher.
A considerar essa afirmação e Requião, ao longo dos últimos anos, acumulou riqueza, assim como sua mulher. Do ponto de vista que vai além do núcleo familiar, isso também ocorreu. Requião não só empregou os irmãos, como também os parentes mais próximos e deu a eles salários acima do que seria pago no mercado se exercessem as suas profissões.
É um legado de pai para filho e, a julgar pelas pesquisas do cientista político da UFPR, Ricardo Oliveira, vem desde os tempos em que o bisavô de Requião era apenas um “coroné” sergipano. Como é mesmo aquele ditado? Ah, “quem sai aos seus não degenera”.

Sem valor
A nota divulgada pela Casa Civil, na semana passada, informando que o governo acataria a decisão acerca da edição da súmula vinculante do STF sobre o nepotismo, pode ser considerada nula.

S.O.S.
Anteontem, a assessoria da pasta informou que o governo está “analisando juridicamente o caso”. Ou seja, vai buscar todas as formas para salvar a parentalha.

Supimpa
Caso todas as tentativas sejam infrutíferas, há planos de ampliar o número de secretarias no governo. De cerca de 30 para 87 – ou quantas sejam necessárias para abrigar todos os nepotes e seus nepotesinhos.

Regrinha
Faz sentido. A seguir a estratégia adotada por Requião e o sobrinho do governador Paikan Mello e Silva, por exemplo, pode se transformar em secretário especial para Assuntos da TV Educativa. Quaquaquá.

Que legal, que bacana
Fernanda Richa virou mesmo a âncora do programa reeleitoral do marido, o prefeito Beto Richa. Ontem, avisou, a quem interessar possa, toques de celular com o jingle de campanha. Está no sítio do tucano.

Afe!
Na propaganda eleitoral do PMN, o candidato a vereador “Cézar Rossi, o Relojoeiro” não fala, mas agita o relógio. Um pândego comentou: “Ainda bem que ele não é proctologista”. Quaquaquá.

ARREMATE
Façam suas apostas: Lauro Rodrigues comparece ao debate da Band hoje à noite?

OBLADI-OBLADÁ
Rita Lee passou por Curitiba e espalhou que o senador Álvaro Dias (PSDB) pinta os cabelos e as sobrancelhas. Ele jura que nunca fez isso. O acaju é natural. *** A Facinter vai acionar criminalmente dois supostos cabos eleitorais do PMDB que teriam se aproveitado da confusão na saída dos alunos da faculdade para subir no prédio e atirar, do oitavo andar, cópias falsas de cheques de R$ 10,8 milhões, valor que teria sido desviado do DER durante o governo Lerner.

marcusvrgomes@uol.com.br

Uma estátua para Requião

27 agosto, 2008 às 06:25  |  por Marcus Vinícius

A coluna Toda Política desta quarta-feira no JE.

O governador do Paraná Roberto Requião merece que lhe ergam um busto de bronze, quem sabe um panteão, tão logo deixe a administração estadual. Só ele foi capaz levar o nepotismo aos píncaros da glória.
Mesmo com a decisão dos ministros do STF de proibir a prática no país, Requião achou solução supimpa para dar guarida a seus parentes. Aproveitando-se de brecha deixada pelo próprio STF que diferenciou as figuras de agentes políticos (ministros, secretários estaduais e municipais) de administrativos (funcionários em cargos comissionados), Requião fez o que dele se esperava: tornou a mulher, Maristela Requião, e o irmão, Eduardo, secretários especiais do Museu Oscar Niemeyer e do Porto de Paranaguá, respectivamente.
As nomeações com as datas do dia 20 (no caso de Maristela) e do dia 25 (no caso de Eduardo) devem ser publicadas na próxima edição eletrônica do Diário Oficial do Estado.
A atitude de Requião foi classificada pelo presidente da seção paranaense da OAB, Alberto de Paula Machado, como uma “zombaria”. “Afrontar as decisões do Supremo é desacreditar as instituições do país”.
O STF não deve, no entanto, tratar a chacota requianista como um caso individual. Ontem mesmo, o prefeito do Rio, César Maia, tratou de seguir o exemplo de Requião e nomeou a irmã também para o cargo de secretária. Se isso está acontecendo em um dos principais estados da federação e na segunda capital do país, imagine o que poderá ocorrer nos grotões.
Escrevi na semana passada e reafirmo: os ministros do STF tomaram uma decisão meia-sola ao permitir que o chefe do Executivo, em qualquer esfera, nomeie parente para ocupar o cargo de “agente político”. É um coelho tirado da cartola.
Do qual Requião, aliás, soube se aproveitar como ninguém. Ligeiro (e bota ligeireza nisso), o governador assinou decreto nomeando Maristela para o cargo de secretária especial no mesmo dia em que os ministros entenderam que o artigo 37 da Constituição Federal era suficiente para proibir o nepotismo no país, dispensando assim a edição de uma lei.
Requião fez ouvidos moucos sobre o caso. Ontem, na Escolinha, espaço da TV Educativa que ele reclama para dizer o que pensa, o governador estranhamente resolveu silenciar sobre o nepotismo. Um silêncio que era, contudo, triunfante. Típico de quem age na calada da noite.

Itamar, e tá pior
Sem a presença do cerimonial da prefeitura em evento no Mercado Municipal, a mulher de um secretário resolveu fazer as honras da casa e chamou o secretário de Defesa Social, Itamar Santos, de Itamar Franco. Quaquaquá.

Ah, a fama
Santos não se incomodou. Saiu da solenidade disposto a encomendar um topete ao cabeleireiro. Só para combinar.

ARREMATE
O vice Orlando Pessuti acusa dois parentes no governo – a mulher e o irmão. Pois são quatro: há ainda as cunhadas Roseli Fischer Bassler, diretora do Museu Alfredo Andersen, e Vilma Pessuti, que ocupa cargo de primeira grandeza na Secretaria do Trabalho.

OBLADI-OBLADÁ
Candidato a vereador pelo PT, o travesti Andrielly Vogue está vendendo rifas para arrecadar fundos para a campanha. Na segunda-feira, vendeu um número para o Paulo Salamuni (PV) e quatro para Ângelo da Farmácia (PP). Feliz com a compra substancial, premiou o parlamentar com um beijocão. Ó vida. *** Há um Barack Obama na cidade de Ubiratã, no interior do Paraná. Ele é candidato a vereador. Pelo PT.

marcusvrgomes@uol.com.br