Quem quer saber da UNE?
A coluna Toda Política desta segunda-feira no JE.
Leio que o vice-presidente da UNE, Tales de Castro (et caterva) estará em Curitiba nesta semana para participar de atividades políticas, entre elas a declaração de apoio da entidade à candidatura da petista Gleisi Hoffmann e do candidato a vereador Bruno Vanhoni – sobrinho do deputado federal Ângelo Vanhoni. Todos do PT.
Estranho, muito estranho. A UNE se afirma suprapartidária. É nada. Está assim-assim com o governo Lula, mais ainda depois que recebeu a cessão do terreno da sede nacional da UNE, no Rio, e a promessa de investimento de R$ 30 milhões para viabilizar um projeto de Oscar Niemeyer para o novo prédio.
Mais estranho ainda. Desde a reabertura democrática, a UNE está nas mãos do PCdoB. Pois em Curitiba, há um candidato à prefeitura do partido – Ricardo Gomyde – , que, pelo jeito, ficou fora da agenda de “conscientização política” da entidade. Quaquaquá.
Quem liga para a UNE? Ninguém. Pergunte a um estudante qual é a função da UNE. Ora, garantir a meia-entrada nos cinemas. É isso mesmo.
Distante do dia-a-dia dos estudantes, a UNE tem nas carterinhas seu único vínculo com a maioria dos universitários. A última manifestação política já pertence ao século passado, no processo de impeachment de Collor.
De lá para cá, a entidade esfacelou-se durante o governo FHC e depois aparelhou-se no governo Lula. Durante o escândalo do mensalão no governo Lula, a entidade recusou-se a liderar protestos, alegando que assim estaria a serviço da direita. No ano passado, promoveu a queima de edições da revista “Veja” que trazia na capa reportagem desconstruindo a imagem de Che Guevara. Um ato deprimente, digno das melhores labaredas totalitárias de Hitler e Stalin.
Em 2000, a UNE faturava anualmente com emissão de carteirinhas de estudante, R$ 7,7 milhões por ano. Cada carteirinha custava ao universitário R$ 15,00, mas as despesas da UNE se resumiam a R$ 1,76. Isso é que é socialismo.
No ano seguinte, o então ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, pediu a FHC que editasse medida provisória que acabasse com o monopólio da entidade na emissão do documento. Foi um furdúncio.
Não demorou para que a UNE encontrasse uma solução supimpa para recuperar os lucros perdidos. Firmou convênio com várias redes – entre elas, acredite, o McDonald´s – criando estandes de vendas nas lojas parceiras. Uma repórter da Folha de S. Paulo entrou em uma loja da Blockbuster, também conveniada, preencheu dados fictícios, pagou R$ 30 e recebeu carteirinha que possibilitava desconto em shows, cinemas e mais 4.500 estabelecimentos parceiros. Até a descoberta da maracutaia, o objetivo da UNE era faturar R$ 9 milhões por ano com a venda de 300 mil carteirinhas. O plano de negócios da entidade, no entanto, era mais ambicioso. Atingir, em cinco anos, a expedição de 1 milhão de carteirinhas – com lucros de R$ 28 milhões!
Neste ano, o PCdoB realizou o sonho da casa própria e comprou pela bagatela de R$ 3,3 milhões um prédio em São Paulo. Detalhe: um ano antes, o partido recebera uma doação da STB (Student Travel Bureau) no valor de R$ 602,8 mil. A STB emite a Carteira Mundial do Estudante, que a UNE vende por R$ 40 à estudantada que segue para intercâmbios pelo mundo. Precisa dizer mais alguma coisa?
Porta aberta
A APP Sindicato também abriu espaço, na sexta-feira (29), para que a candidata do PT à prefeitura de Curitiba, Gleisi Hoffmann, falasse aos professores do alto do palanque.
Te cuida
O Ministério Público do Paraná deve promover campanha pedindo à população que denuncie os casos de nepotismo no serviço público. Os nepotes que se cuidem.
Outro ‘notável’
O ministro Tarso Genro (Justiça) desembarca nesta segunda-feira em Curitiba para lançar a nova edição da campanha de desarmamento na capital. De quebra, declara apoio à petista Gleisi Hoffmann e grava participação no horário eleitoral.
E tem recompensa
A nova edição do programa de desarmamento tem evidente inspiração eleitoreira. Irá pagar de R$ 100 a R$ 300 para quem entregar armas às autoridades policiais. Sejam elas legais ou ilegais. É sopinha no mel.
ARREMATE
A prospecção de petróleo no pré-sal, que Lula diz irá transformar o Brasilem uma Noruega dos trópicos, deve custar R$ 1 trilhão.
OBLADI-OBLADÁ
O superintendente da Appa, Eduardo Requião, é o palestrante da ‘Escolinha’ amanhã. *** Vai abordar os motivos que levaram seu irmão, o governador, a nomeá-lo Secretário Especial para Assuntos Portuários. Sessão comédia garantida. *** Os vereadores da Câmara Municipal de Curitiba estão acusando os colegas Beto Moraes (PSDB) e Sérgio Ribeiro (PV) de fazerem circular jornaizinhos de campanha em que anunciam ser autores de emendas alheias. *** A roupa suja está sendo lavada em plenário.
