Burros, canalhas ou transtornados

10 março, 2015 às 16:36  |  por Paulo Polzonoff Junior

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Apesar de nunca ter me deixado seduzir, sou forçado a admitir: era legal ser petista nos anos 1990. Primeiro porque quase todo mundo era petista; depois porque havia algo de desafiador na ideia de eleger um metalúrgico como presidente do país. Nos anos 1990 éramos todos jovens e ousados e revoltadinhos. Levantar uma bandeira vermelha era simplesmente natural.

Hoje em dia, contudo, só continuam petistas três tipos de pessoas: os burros, os canalhas e aqueles que, por falta de palavra melhor, vou chamar de transtornados. Dos primeiros eu tenha certa pena, reconheço; dos segundos, raiva. Quanto aos transtornados, eles me fascinam na mesma medida em que me causam repulsa.

Dos burros não há muito o que falar. Eles simplesmente ignoram os fatos e acreditam cegamente na propaganda oficial. Como exemplo posso citar uma senhora que encontrei na farmácia outro dia. Ao receber a caixinha de remédio do atendente, ela se virou para a amiga e disse: “Meu remédio para a pressão a Dilma me dá de graça”. Ou seja, a pessoa não tem nenhuma noção de que está pagando pelo remédio com os impostos que paga. Entre os burros, pois, incluo os ingênuos – e em muitos casos a burrice não é mais do que isso mesmo: uma ingenuidade dolosa.

Os canalhas são facilmente encontrados nas redes sociais. São pessoas esclarecidas que defendem o Partido dos Trabalhadores porque levam alguma vantagem nisso. É gente que ocupa cargo comissionado e que ganha contrato do governo, por exemplo. Mas há um tipo de canalha especial: o fanático. Para ele, o petismo é uma religião. E ele defenderá seus papas, papisas, santos e diáconos até a morte, usando argumentos os mais sórdidos. Não dá para argumentar com fanáticos. A militância deles é transcendente; eles se consideram escolhidos, destinados a governar o restante da Humanidade.

Por fim, há aqueles que chamo, por falta de palavra melhor, de transtornados. São os casos mais interessantes para um psicanalista frustrado como eu. Divido os transtornados em quatro supgrupos: os traumatizados, os românticos, os petistas sociais e, por fim, os psiquiátricos.

Minha inteligência me salvou, mas eu poderia muito bem ter me incluído, em algum momento, entre os que são petistas porque ficaram traumatizados com os anos 1990. Não foi fácil crescer naquela época. Foi difícil sobreviver a greves intermináveis nas faculdades e às absurdas taxas de desemprego. Os petistas traumatizados cederam aos encantos da sereia vermelha e têm uma aversão patológica por qualquer coisa não-petista porque suas lembranças pessoais dos anos 1980 e 1990 são ruins.

Já os petistas românticos são aqueles que acreditam na esquerda moleque, de várzea. São saudosistas de uma utopia. E se recusam a perceber que o sonho ruiu, que o Metalúrgico se corrompeu, que o poder vicia, embriaga e, em última análise, destrói. Os românticos usam argumentos que opõem pobres e ricos porque creem que os pobres (entre eles o Metalúrgico) são de alguma forma seres moral e politicamente superiores.

Mas os transtornados que mais chamam minha atenção são os petistas sociais. Trata-se daquela pessoa que cresceu entre petistas (burros, canalhas ou transtornados, sei lá) e convive com petistas e que, apesar de todos os pesares, segue petista para não ofender os amigos, para não ser excluído. É gente que teme criticar o PT para não ser chamado de “coxinha”, para não perder a namorada, para não irritar o chefe e os amigos.

Por fim, o caso mais grave entre os transtornados: o petista psiquiátrico. Este é até caricatural. Ele grita contra a Rede Globo e a Veja, sai por aí dizendo que todo não-petista pertence à Opus Dei, vê conspirações da CIA em todos os lugares e diz que os partidos de oposição são nazistas. São narcisistas, claro, e creem possuir uma inteligência superior capaz de perceber teorias conspiratórias que mais ninguém enxerga.

Reconheço: era legal ser petista nos anos 1990. Hoje, contudo, o petismo é doença que se cura com escola, cadeia ou algumas visitas a um bom psiquiatra.

O lado bom do lado ruim da vida

26 janeiro, 2015 às 16:01  |  por Paulo Polzonoff Junior

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Todas as coisas ruins que acontecem na nossa vida são um aprendizado. Isso é um clichê de livro de autoajuda, mas o fato de ser um clichê não o torna menos verdadeiro. Aprendemos com nossos erros e com os erros dos outros. Quero dizer, pelo menos alguns de nós aprendemos.

(Sim, porque recentemente descobri que há pessoas tão altivas, tão perfeitas e tão bem-acabadas que, diante de uma decepção qualquer, concluem imediatamente que a culpa é do outro. Sempre o outro. Diante destas pessoas, Sartre teria um orgasmo, acho).

Uma pequena parte deste aprendizado é novo. Em geral, as nossas decepções não passam de lembretes de coisas ruins que já nos aconteceram, coisas que achávamos que tínhamos aprendido, mas que – surpresa! – não aprendemos. Há quem considere este reaprendizado forçado humilhante. acho que é apenas sintoma do senso de humor mui peculiar de Deus.

(Não acredito neste deus antropomorfizado. Mas ele cabe bem neste texto. Então).

Ora, se eu me deito na cama e reclamo para o nada da mulher que conheci outro dia, só posso imaginar o Criador dando uma sonora risada. “Você não reparou que ela é racista? Quando ela disse que ‘a japonesada é uma máfia’” você não desconfiou?”, me pergunta Deus. Faço que não com a cabeça e rio também. Até porque rir da minha própria cara é uma das minhas maiores qualidades.

(Como pude cogitar sair com alguém que não entende que antissemitismo e antiniponismo também são formas de racismo?!).

Mas a noite é longa, assim como a lista dos avisos divinos que estupidamente ignorei. Deus me parece mais bem-humorado do que nunca ao me fazer lembrar dos sinais evidentes da roubada em que eu estava entrando. A incapacidade de rir, a grosseria, a seriedade excessiva, o ressentimento – tudo muito explícito desde o primeiro encontro.

“Mas eu estava sendo generoso”, defendo-me para Deus. “Estava dando uma chance”. O Todo Poderoso cai na gargalhada novamente, segura a barriga com as mãos e solta um punzinho celestial. Eu não resisto ao sorriso muito branco e rio também.

(Normalmente eu ficaria deitado olhando para o teto, deprimido).

Acordo desta noite para o quarto vazio. E, antes mesmo do café-da-manhã, me dou conta da contradição da situação e, por extensão, deste texto. Se há quem precise aprender que o problema está em si, há também quem precise aprender que há no outro características reprováveis e incompatíveis. Um abismo de valores que generosidade alguma é capaz de transpor.

(Um dos lados bons do lado ruim da vida é este: descobrir algo de louvável na própria imperfeição).

Antes que eu me levante para escovar os dentes e invariavelmente me ofender diante do espelho, sinto alguém me chamar. Olho em torno, mas não encontro ninguém. Deus, claro. Fecho os olhos e o Criador me sussurra no ouvido: “Olhe no espelho, mas não se deixe seduzir pelas próprias virtudes, nem se abater pelos defeitos alheios”.

Podia ser um versículo da Bíblia. Mas foi só uma coisinha que aprendi sob a luz fraca do banheiro, naquela manhã de ressaca moral.

O Dia da Sacada

14 janeiro, 2015 às 17:13  |  por Paulo Polzonoff Junior

Para P.S.

Todo dia 14 de janeiro é dia de me lembrar da sacada. Nunca falha. Eu posso até acordar sem saber direito o dia, mas lá pelas tantas, todos os anos, a sacada se insinua em minhas memórias e, quando dou por mim, estou de olhos fechados, saboreando a lembrança que, como passar do tempo, adquiriu um triste sabor agridoce.

Na sacada, éramos jovens. Como diz o lugar-comum, cheios de sonho. Sim, mas também cheios de apreensão. Éramos sobretudo empolgados. E, pecado dos pecados, acreditávamos na perenidade das coisas boas e ruins.

E bebíamos vinho de péssima qualidade – era o que o dinheiro permitia comprar.

Quando dei por mim, estava na sacada. Afastado dos demais, mas perto dela. Sim, você mesma. Ríamos de uma piada boba qualquer, seus olhos brilhando muito, o sorriso exuberante, aquele narizinho deliciosamente presunçoso. Éramos muito, muito amigos mesmo. Digo, eu admirava para além de qualquer desejo.

E nossas mãos se tocaram e ficaram ali. E nossos olhares se encontraram e eu senti um frio na barriga. Sabia que era hora de beijá-la. Por sorte, o vinho mandou às favas a preocupação com a perenidade. E assim, não menos do que repentinamente, nossa amizade encontrou sua expressão máxima no encontro de nossas bocas.

(Era amor?)

Eu a queria beijar há anos, lembra? Desde aquele show de rock na Pedreira. Mas você apareceu com outro cara e eu voltei para casa arrasado. Por ironia, nosso beijo naquela noite era mais uma prova inequívoca da impermanência do tempo. Pena que eu era jovem demais para perceber. Minto: sorte que eu era jovem demais para perceber.

Naquele dia, naquele ano, naquela sacada, durante aquele beijo, senti a Eternidade se infiltrar nos meus ossos. Nunca lhe disse isso, mas senti que você seria minha para sempre. Toda aquela história de alma gêmea e metades da laranja fez sentido um dia – naquele dia. E foi bom, foi maravilhoso mergulhar nesta ilusão tardiamente adolescente.

Depois da sacada, muita coisa aconteceu. Já se passaram uns quinze anos e, neste tempo todo, eu morri e renasci várias vezes. Vesti branco nas festas de Ano Novo. Bebi garrafas e mais garrafas de uísque nos meus aniversários. Fui e voltei. Voei perto demais do Sol. Mas nunca esqueci do dia 14 de janeiro como o Dia da Sacada.sacada

Selma

10 janeiro, 2015 às 00:15  |  por Paulo Polzonoff Junior

selma-bridgeAcabei de assistir a Selma. Filme redondinho. Sem maniqueísmos. Lyndon Johnson e Martin Luther King são retratados com humanismo. Martin Luther King não é o herói impoluto e Lyndon Johnson não é o político ungido por Deus.

Elenco perfeito. Oprah irreconhecível. O ator que faz Martin Luther King é inglês, mas fala com um sotaque sulista impecável.

Trilha sonora maravilhosa.

Para além destes aspectos técnicos, Selma curiosamente dialoga com o Brasil e, para além disso, com estes tempos de grave crise moral por aqui. Para mim, o filme reforçou um diagnóstico que William Waack fez outro dia numa palestra em Curitiba: faltam-nos líderes. Indo além, diria que faltam-nos líderes com a dimensão histórica de seus atos.

Lula, por exemplo, poderia ter sido um grande líder da esquerda se tivesse virado para Sarneys, Collors e coisas parecidas e dito: “Nunca que vou entrar para história ao lado de tipos como vocês”.

Paulo à moda da casa: um dia na minha vida (caótica)

7 janeiro, 2015 às 08:06  |  por Paulo Polzonoff Junior

8h – Acordei. Ou melhor, acho que acordei. Em geral, acordo animadão. Mas estou tomando um remédio que me derruba.

8h30 – Café diante da televisão, assistindo ao Bom Dia Brasil. Acordando com notícias ruins.

9h – Começo a trabalhar.

9h30 – Faço uma pausa no trabalho para fazer carinho nas gatas.

9h35 – Mais trabalho (não está rendendo como eu gostaria)

10h – Paro o trabalho para enviar e-mails necessários.

10h10 – Retomo o trabalho. Tá difícil…

10h30 – Mais uma pausa no trabalho. Cuido das gatas. Arrumo arquivos no computador e no HD externo. Procuro torrents que não sei se assistirei. Consulto sites de notícias inúteis. Interajo nas redes sociais.

11h – Não é hora de almoçar ainda. Faço um lanche. Trabalhar hoje está difícil. Tenho uma crise de autocrítica. E sono.

12h – Pedi o almoço. Resolvi esperar a chegada assistindo a um documentário qualquer.

13h – Trabalho.

13h10 – Longa conversa com uma amiga antiga pelo Facebook.

13h30 – Trabalho intercalado por consultar ao Twitter, Facebook, notícias e o que mais vier. (Detalhe: não almocei ainda).

14h30 – Banho e telefonemas (médico, assistência técnica da máquina de lavar, pai)

15h – Trabalho

15h15 – Finalmente almoçar.

15-45 – Trabalho – já meio cansado e desanimado.

16h20 – Recebo um e-mail que acaba com meu dia. Começo a ficar estressado/ angustiado/ ansioso/ deprimido.

17h30 – Depois de ficar sofrendo por mais de uma hora, decido tomar um remédio e dormir. Hoje não vai ter caminhada nem texto inédito no blog.

18h30 – Só agora o remédio começa a fazer efeito. Amanhã é outro dia.

 

(Texto inspirado neste post da Gabriela. Não parece, mais meu texto também é uma forma de agradecer por mais um dia de vida).

Ops (1)

6 janeiro, 2015 às 17:42  |  por Paulo Polzonoff Junior

Hoje não tem texto. Questão de saúde. Desculpe.

Vaidade (um esboço)

5 janeiro, 2015 às 20:29  |  por Paulo Polzonoff Junior

Queria dizer que a vaidade geralmente é a principal motivação para as pessoas fazerem o que quer que façam na vida, mas temo que as pessoas me vejam como um militante antivaidade. Não sou. Acontece que, em algum momento dos últimos dez anos, dei uma boa lida no Eclesiastes e, desde então, adquiri dois péssimos hábitos: autocensurar minha vaidade e analisar a vaidade alheia. Não recomendo esta vida para ninguém.

O interessante é que a vaidade tal qual descrita por Salomão dialoga perfeitamente com a obra de Freud. Na psicanálise, a vaidade pura e simples se traveste de necessidade de agradar aos pais. Impérios foram construídos e derrubados de acordo com esta premissa que, hoje, me parece óbvia. O que além da vaidade (que no caso assume o nome de “honra”) motiva Hamlet a promover aquela carnificina toda? E por aí vai.

Destituído, pois, da vaidade pura e simples (e legítima) e incapacitado, por motivos que não cabem aqui, de agradar meus pais, o que me resta? É a pergunta que tenho feito nas últimas semanas.

 

O primeiro de muitos passos

4 janeiro, 2015 às 21:53  |  por Paulo Polzonoff Junior

Escrever um texto por dia. Aonde é que eu estava com a cabeça? Não que me faltem ideias. Longe disso. Tenho folhas e folhas de caderno com anotações. O que me falta neste momento é mesmo força. Física e mental.

Física porque desde o primeiro dia do ano estou fazendo exercícios regularmente. Mental porque… desde o primeiro dia do ano estou fazendo exercícios regularmente.

Não é nada difícil explicar o impacto que os últimos vinte quilômetros andados tiveram sobre minha saúde mental. A cada dor no pé e nas pernas, me dou conta da minha inequívoca decadência física. E, a despeito do propagado efeito das tais endorfinas, caio na melancolia de me perceber não exatamente velho, mas um não-jovem.

Caminhar sempre foi uma das coisas que mais gostei de fazer. Desde criança eu andava, andava, andava. Até que, há uns cinco anos, parei de andar. E o corpo, malvado que é, resolveu me punir não só com as dores musculares, mas principalmente com esta autoconsciência da própria decadência.

O que me resta fazer? Dizem – e acredito – que devo ignorar meu cérebro trapaceiro. E, amanhã, novamente depois de um dia de trabalho, colocar meus tênis novos, passar protetor solar, pegar minha garrafinha de água na geladeira e dar o primeiro de muitos passos.

Tons de cinza

3 janeiro, 2015 às 19:15  |  por Paulo Polzonoff Junior

Estava aqui pensando em escrever um livro com personagens baseados em pessoas reais que passaram pela minha vida. Peguei um caderno e caneta e passei horas montando estes seres que habitariam o mundo ficcional. Uma colagem exaustiva, confesso, mas também esclarecedora.

Mas eis que, já no final do trabalho, me dou conta de que não há vilões entre os personagens. Pelo menos não vilões absolutos, por assim dizer. Fiquei estudando um personagem em particular e me emocionei com as motivações dele para fazer as barbaridades que faz no livro – e que, não nego a inspiração real, fez na vida.

Esta é a beleza dos grandes mestres, sobretudo de Shakespeare: a capacidade de perceber nuances. Os famosos tons de cinza. É algo muito difícil de perceber e ainda mais complicado de reproduzir.

As pessoas só são absolutamente boas ou más nos romances ruins. E o mais interessante: a motivação daquelas pessoas que consideramos “más” geralmente é boa. Repare só. Aquele ser que você chama de abominável, cuja morte intimamente deseja, que o faz ter ânsia de vômito, em geral (isto é, a não ser que seja sofra de alguma doença psiquiátrica) só está buscando ser feliz a seu modo.

Não adianta. Eu me revolto, xingo e até odeio, mas no fundo, bem lá no fundo, as pessoas más que me cercam ou que me cercavam (e até mesmo aquelas que me cercam “de longe”, por assim dizer) só estão desesperadas para serem felizes. E elas passarão por cima de qualquer pessoa a fim de atingirem seu objetivo.

Nesta história, duas coisas me consolam. Primeiro, o fato de eu também ser o Malvadão para algumas pessoas. Quando, na verdade, só estou tentando ser feliz – ou pelo menos não ser tão infeliz. Depois, saber que à noite, antes de dormir, todos estes vilões não-absolutos pousam a cabeça no travesseiro e, nem que seja por um nanossegundo, reconhecem, sim, o efeito de suas ações.

Como diz o personagem principal no primeiro capítulo deste livro que pretendo escrever: vai passar, vai passar.

(Mas, antes de passar, doerá demais, se não em você, naqueles que o cercam).

Calafrios

3 janeiro, 2015 às 14:15  |  por Paulo Polzonoff Junior

Falar sobre política não me fascina. Não entendo direito as articulações e muito menos a fé cega em certos dogmas. Além disso, ao falar sobre política, acho muito fácil, tentador e perigoso cair no cinismo. E não existe nada pior do que um militante cínico, seja ele de direita ou esquerda.

Mas gosto de pessoas. Adoro. Pessoas me fascinam. Por isso, tendo a dizer que minha abordagem política é “psicanalítica”. Interessam-me as motivações de certos gestos ou mesmo não-gestos. Neste sentido, não posso negar que nossa presidente é um prato cheio.

(Um prato cheio de narcisismo, mas não entrarei neste assunto. Não por enquanto).

Foi assim, com este olhar interessado nas pessoas, que assisti à posse da presidente no primeiro dia do ano. E o que vi foi incrível. Há no rapapé das autoridades e do povaréu muitos elementos que mostram um país aparentemente condenado às relações servis. Reparem como há certo conforto em viver das “benesses” da casa grande.

Não à toa há gente que chama a presidente de Dilmãe. Se isso não é prova de nossa imaturidade política, não sei mais o que é.

Mas escrevo isso para dizer que dizer que tenho sentimentos conflitantes quanto a escrever sobre política. Por um lado, parece-me algo raso e até mesmo sujo; por outro, como já disse, percebo na política uma ponte para compreender o outro. O problema é que estes dois lados quase sempre se misturam. E a simples ideia de estar pisando na sordidez política me faz ter calafrios.