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Chega de vomitar a comida que você paga

8 março, 2017 às 06:00  |  por Luciana Kotaka


Exageros alimentares sempre revelam conflitos emocionais

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Parece brincadeira, mas não é. Milhares de pessoas de ambos os sexos dão de cara com a privada quase todos os dias, sempre na tentativa de colocar para fora os excessos alimentares dos quais consumiu durante uma única refeição.

A bulimia é um transtorno alimentar que cresce a cada dia, já ouvi até comentários do tipo: “Quero pegar essa doença”, como se colocar para fora toda a comida ingerida fosse a solução perfeita para o comportamento de compulsão alimentar.

Ora, esse comportamento é mais um paliativo, iguais às dietas que só fazem efeito momentaneamente, pois na sequência todo o processo recomeça. Mas quem olha de fora pode pensar que é fácil querer mudar esse quadro, mas aí que se engana, a bulimia se torna mecânica, o comer em excesso não tem fim e a culpa, a dor, aumenta a cada dia mais.

Algumas características da bulimia nervosa são bem claras, o sujeito come em excesso e depois busca uma forma de expurgar todo o conteúdo ingerido, senão pelo vômito, pode ser pelos exercícios físicos em excesso, uso de laxantes, diuréticos e enemas. Após cada episódio a pessoa sente-se com total falta de controle, com sentimentos de culpa e vergonha.

Poderia ser diferente? Sabemos que após horas sem se alimentar, ou mesmo dietas onde há muita restrição alimentar, são os principais desencadeadores desses quadros, porém o culto ao corpo magro é tão apelativo que levam à aderência dessa prática como uma solução rápida.

Mesmo com a consciência de quanto é incoerente o ato de passar em uma panificadora, gastar horrores adquirindo doces, salgados, massas e sorvetes, programar o ataque alimentar e se empanturrar de comida, essas pessoas se tornam dependentes desse comportamento, necessitando de todo um trabalho profissional para conseguir se curar da bulimia e consequentemente da compulsão alimentar.

Então, esqueça essa ideia de pegar a bulimia, ela não é uma solução, e sim um buraco sem fundo do qual sair exigirá muito mais persistência e dedicação do que emagrecer de forma saudável, acredite.

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Restrição alimentar em adolescentes

9 abril, 2016 às 06:00  |  por Luciana Kotaka

Comportamentos não adequados podem levar aos transtornos alimentares

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Época de descobrimento, a adolescência vem marcada por várias mudanças, tanto corporais quanto comportamentais, um ensaio para a chegada da vida adulta.

Esse processo de mudança pode ser encarado de várias maneiras pelos adolescentes e também para a família, pois trazem alterações de humor, novidades a respeito do que irá acontecer com o corpo, e dificuldades tanto na escola, quanto enfrentadas em situações onde serão confrontados com as expectativas em relação ao comportamento.

Começa o bullying, algo extremamente nocivo nesse momento tão delicado de transformação, e nem sempre estão preparados para lidarem com tranquilidade, na verdade, na grande maioria das vezes, deixam marcas profundas nesses jovens.

Com tantas mudanças acontecendo precisam se adequar, e o culto pelo corpo magro e bonito entra em jogo, a imagem pregada pela mídia. Não tem como escapar, fotos em revistas, restrição alimentar em adolescentes, imagens na televisão e computadores trazem à tona o que a sociedade espera como sinônimo de beleza e saúde. As cobranças começam a acontecer, sejam dos colegas de turma, dos familiares, ou mesmo de si próprio a respeito do que acha bacana.

Fica difícil não se sentirem constrangidos quando o corpo foge do padrão magro, e ainda inseguros com todas as mudanças que virão, começam a correr contra o desejo de comer e restringir a alimentação, de forma errada, e muitas vezes às técnicas ineficazes que levam aos transtornos alimentares.

Já temos várias formas de transtornos alimentares, que vão desde a anorexia, bulimia, compulsão, ortorexia, diabulima, entre outros, assustando pais e escolas, que não sabem muito como lidarem com essas doenças.

Porém vamos citar aqui a restrição alimentar em adolescentes, sendo um comportamento comum que já vem sendo utilizado há muitos anos, sejam por modelos, por pessoas comuns que não dando conta de comerem corretamente partem para o comportamento restritivo, muitas vezes jejuando como faz as anoréxicas em busca do emagrecimento rápido.

Mesmo com as informações rolando pelas diversas mídias, ainda hoje chegam pessoas para serem atendidas que utilizam essa prática, mesmo sabendo do efeito ineficaz do método, pois é lógico que não conseguem manter o corpo sem ou com pouco alimento por muito tempo, e acabam escorregando em função da compulsão que a restrição levará.

Esse processo todo começa a gerar nos jovens uma insatisfação muito grande, além da sensação de derrota por não conseguirem se manter comendo pouco, afetando diretamente a autoestima nesse momento de vida tão delicado que é adolescência.

Os pais devem estar atentos a esses comportamentos dos filhos, se colocando à disposição para ajudá-los a pensar em como conviver com esse processo. Uma forma assertiva de lidar com essa situação é procurando um profissional de saúde que possa orientá-los em busca de uma alimentação equilibrada, minimizando muito os riscos do desenvolvimento de um transtorno alimentar mais severo, como a anorexia nervosa.

Como a autoimagem está em jogo, principalmente nesse processo de mudança corporal, a terapia vai auxiliar de forma a fortalecer o adolescente a respeito de si mesmo, das formas de seu corpo, e motivá-lo para se cuidar, escolhendo meios saudáveis de manter o peso sem agredir a si mesmo.

Seu filho pode ser melhor? Depende muito de como é a sua relação com ele.

4 dezembro, 2015 às 07:00  |  por Luciana Kotaka

Educar um filho pode ser uma tarefa árdua, mas ensiná-los a buscarem o seu melhor pode ser ainda mais difícil.

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Ainda hoje ouço pais dizerem aos filhos que eles precisam tirar nota máxima na escola, não aceitam, ou não valorizam, as notas que estão abaixo do ideal estabelecido, levando crianças e adolescentes a desenvolverem uma angústia muito grande, influenciando negativamente na autoestima dos mesmos.

Penso em minha própria infância e me lembro de amigos da escola, os considerados excelentes alunos e que hoje permanecem no anonimato. Por que será que isso acontece? Por que ser o melhor da classe tem um peso tão grande para muitas famílias?

Na semana passada recebi em meu consultório uma mãe que me relatou um fato que chamou a minha atenção. Sua filha ainda jovem apresenta ótimas habilidades, já produzindo um material bacana que podia ser utilizado com diversas finalidades, mas esse fato ao invés de ser explorado estava sendo visto como algo secundário, sendo cobrada de forma exaustiva em relação às matérias das quais apresentava dificuldades.

Passei o fim de semana pensando nesse caso e me preocupo com a grande parcela de pais que focam muito mais nas matérias em que os filhos não estão indo bem, ao invés de valorizarem aquelas que eles têm facilidade, podendo melhorar ainda mais, até porque se identificam com tais matérias.

Claro que precisam de uma nota mínima para que passem de ano, para cumprirem o curriculum escolar. Mas será que desvalorizar uma boa nota, mesmo que pouco acima da média, é o caminho certo? A superexigência pode ser fatal em muitos casos, tanto em relação à autoestima, como os efeitos que a insegurança pode gerar futuramente.

Em função desses fatores proponho uma reflexão aos pais:

- Qual a mensagem embutida que estão passando aos seus filhos quando a exigência está acima das possibilidades dos mesmos?

- Será possível acolher as dificuldades deles valorizando o que mostram de melhor, não deixando de incentivar, porém utilizando o afeto e o positivismo?

Estudar é uma obrigação muito chata para a maioria dos adolescentes, por isso proponho uma parceria onde os pais se façam presentes, não apenas cobrando exaustivamente, mas se disponibilizando a ouvi-los e ajudá-los em suas dificuldades, com carinho, não com chantagens, trocas ou ameaças.

Educar é uma tarefa infinita, porém nem sempre se está disposto e com energia, porém quando se escolhe ter filhos é necessário lembrar que acima de tudo a responsabilidade por ensiná-los a estudar, é sua.

Não permita que problemas entre casal interfiram na saúde emocional dos filhos

27 outubro, 2015 às 07:00  |  por Luciana Kotaka

Pequenos cuidados farão uma grande diferença quando o casal  resolve se separar

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Parece que foi ontem que recebi um caso na clínica onde uma mulher estava em processo de separação. Muito angustiada não sabia como lidar com essa situação, afinal além de enfrentar as dificuldades que envolvem esse processo, tinha os filhos pequenos.

Muitos casamentos chegam ao fim naturalmente, outras vezes nos vemos obrigados a tomar uma decisão, até para manter o carinho e respeito que ainda temos em relação ao parceiro. Porém nem sempre as pessoas que estão ao nosso redor compreendem o que nos motiva a tal decisão, mas isso não importa, pois acima de tudo o importante é preservar os vínculos principalmente do ex-parceiro com os filhos.

 Como nos casamos com o intuito de durar para sempre, na maioria das vezes não estamos preparados para as situações que possam surgir e que podem ser determinantes para um rompimento. E quando se tem filhos envolvidos, todo cuidado é redobrado.

Dicas:

- Não se deve tratar a separação como uma tragédia, é importante conversar com os filhos usando uma linguagem simples para que possam compreender;

- Fica muito mais fácil se souberem que o pai continuará sendo o papai e a mãe a mamãe, e que em nada esse rompimento do casal irá afetar essa relação com os filhos;

- A melhor forma de se colocar a questão é dizer que o amor terminou e que isso acontece com muitos casais, mas que continuarão conversando e cuidando deles;

- Seja qual for o motivo que levou ao rompimento do casamento não se deve falar mal do outro para os filhos, o que acabou foi o casamento, a relação dos filhos devem ser preservadas ao máximo;

- Você pode estar com muita raiva do parceiro e pode ser que tenha todas as razões do mundo para odiá-lo, mas permita que seus filhos possam construir suas próprias avaliações conforme crescerem, sem que se baseiem em sua percepção do ex;

- É importante não brigarem, acusarem ou tentarem organizar como será a partir do momento que separarem na frente dos filhos. Reserve um momento em que estão a sós para tomarem as decisões importantes a serem seguidas.

- Procure dar amor, estar mais presente e acompanhar os filhos mais de perto nesse momento, até para entender como esta reagindo a essas mudanças, orientando para que se situem quanto ao que irá acontecer daqui em diante.

- Não esqueça a importância de se manterem próximos acolhendo-os nesse momento, nada de só ver os filhos a cada quinze, a guarda compartilhada é fundamental para que passem por esse processo mais estruturado.

A quebra da instituição família desequilibra o sistema de forma geral, porém quanto mais se manter a tranquilidade nesse momento, mais fácil será para os filhos.

Como melhorar o foco em provas importantes?

20 outubro, 2015 às 07:25  |  por Luciana Kotaka

Estratégias como a hipnose pode ser um bom caminho para melhorar a concentração.

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Quem já não passou por essa situação em algum momento da vida em que precisa fazer uma prova e falta concentração. Às vezes estamos com tantas informações na cabeça que falta espaço, como se sentíssemos até uma certa moleza para estudar.

Aposto que você se identificou! É natural essa situação acontecer e o pior é que algumas vezes a dificuldade em reter o conteúdo é ainda maior, como no caso de vestibulares, concursos, em que é necessário apreender uma série de informações que nem sempre nos atraem, visto que são diversas matérias a serem estudadas.

Pois bem, a Hipnose Ericksoniana é um método que pode te auxiliar nesse percurso tão difícil, pois através de técnicas induzidas é possível melhorar a qualidade dos estudos, a motivação e o foco.

 A abordagem Ericksoniana de Milton Erickson se baseia no respeito à individualidade e na conexão efetiva com a mente inconsciente. É comprovado pela neurociência que a mente inconsciente é responsável por 95% de nossas mudanças comportamentais e, por isso, a Hipnose Ericksoniana é considerada, atualmente, a ferramenta mais transformadora por utilizar técnicas eficazes de comunicação com a mente.

A hipnose é um procedimento durante o qual o profissional sugere ao cliente que vivencie mudanças em sensações, percepções, pensamentos ou comportamentos. O contexto hipnótico geralmente é estabelecido pelo procedimento de indução. Embora haja muitas induções hipnóticas diferentes, a maioria inclui sugestões de relaxamento, tranquilidade e bem-estar. A hipnose é um estado alterado de consciência (produzido por meios naturais), em que os clientes que são hipnotizados não perdem o controle sobre seu comportamento, mantendo a percepção consciente de quem elas são e de onde elas estão normalmente se lembrando do ocorrido durante a hipnose. Você fica mais focado, mais acordado e durante o transe você vai se desligando das percepções externas e tem uma grande atividade interna, sem perder seu estado de alerta.

As sessões podem durar cerca de uma hora e meia no máximo, sendo semanal e compondo um total de dez a quinze sessões dependendo do caso a ser tratado.

Dez lições que podemos aprender com nossos filhos

24 fevereiro, 2015 às 07:00  |  por Luciana Kotaka

Mesmo as atitudes mais singelas dos pequenos podem trazer uma grande aprendizagem para a vida dos adultos que os cercam

 pais e filhos

Por Luciana Kotaka

 Já ouvimos muitas vezes a frase: “Ter filhos é padecer no paraíso” e apesar de em muitas situações nos colocarmos a pensar realmente na veracidade dessa frase, em momentos em que eles nos colocam à prova com suas birras, confrontos, dificuldades na escola, mas a grande verdade é que é maravlihoso poder compartilhar da companhia deles, dar risadas, rolar no chão, brincar de bola.

A criança tem uma inocência maravilhosa, são seres de uma pureza extrema, dão gargalhadas por qualquer coisa, tudo é engraçado, tudo é motivo de brincadeira.

Nós adultos perdemos com o tempo muitas das qualidades que tínhamos quando criança, poucos são os que conservam algum aspecto dessa época tão recheada de fantasias e alegrias.

A grande questão é: o que podemos aprender com elas?

Será que é possível recuperar um pouco dessa época maravilhosa? Será que eles mesmo sendo mais novos e com menos vivência de vida tem algo a nos ensinar? A boa notícia é que é possível sim.

Veja a seguir 10 coisas que podemos aprender com os filhos e entenda como eles colaboram com a evolução dos pais:

1. As crianças enxergam as pessoas com o coração puro, e nós adultos acabamos endurecendo essa visão até em função das situações que vivenciamos em nossas vidas, mas será que podemos deixar de generalizar e nos colocar mais verdadeiramente para o outro e permitir um olhar mais doce? Vamos tentar? Enxergar a vida sob outras perspectivas.

2. A criança aprende na escola as regras de trânsito e quando estão no carro com os pais apontam o sinal e mostram que agora eles também tem conhecimento. E o que acontece se os pais desrespeitarem o sinal, que mensagem nossos filhos aprenderão? Então, vamos respeitar o sinal, o outro, com a mesma certeza e determinação que uma criança faz quando aprende as leis. Eles as levam a sério.

3. O amor incondicional é um aspecto que só aprendemos quando geramos um filho, um amor que supera tudo, onde nos doamos de forma total e genuína.

4. Mágoa é um sentimento que a criança definitivamente não carrega, ela briga em um dia com um amiguinho e no dia seguinte é o melhor amigo de novo, uma prova que devemos aprender a respeitar o outro e a perdoar.

5. Eles são como CDs virgem, aprendem o tempo todo, curiosos, estão sempre em busca de novidades, explorando ao máximo o mundo ao seu redor. Não devemos perder nunca o estímulo de aprender, de estudar, eles são nossos melhores exemplos.

6. O sonho é algo que nos motiva a viver o dia a dia e com nossos filhos percebemos o quanto sonhar é algo fantástico, um estímulo sempre positivo.

7. Acordam todos os dias sorrindo, enfrentam o dia com leveza e bom humor, vale a pena seguir o exemplo deles.

8. O respeito aos animais é algo que fica claro na relações que estabelecem com eles, o carinho, a troca do afeto.

9. Crianças são simples, não complicam as situações, querem fazer ou não, suas respostas são pontuais, a indecisão não se faz presente.

10. Nossos filhos crescem e caminham em direção à vida, não poderemos mais decidir o que farão, aonde vão, nem escolher seus parceiros. Com eles aprendemos que não podemos controlar as pessoas e nem as situações.

 

Suicídio, um ato de desamparo

10 fevereiro, 2015 às 07:00  |  por Luciana Kotaka

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por Luciana Kotaka

Acompanhando uma discussão no Facebook ontem me peguei pensando na mesma coisa que muitas pessoas que estavam no grupo dando a sua opinião. Há dois dias uma pessoa se suicidou no metrô em São Paulo, infelizmente muitas pessoas incluindo crianças viram ou assistiram esse momento. Suicídio é um ato de desespero ou covardia? Essa questão sempre se faz presente quando leio uma notícia sobre suicídio.

Segundo o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) coloca o Brasil na oitava posição em número de suicídios, com mais de 11,2 mil casos em 2012. Em dez anos o número aumentou 10%. Em termos proporcionais, o país passou de uma taxa de 5,3 casos por 100 mil pessoas em 2000 para 5,8 em 2012, o que é menor que a média mundial. Os dados serão divulgados nesta quinta-feira, quatro de setembro de 2014, e afirmam que o problema se tornou uma epidemia global, com mais de 800 mil casos por ano, 75% deles registrados em países emergentes e pobres. Com isso, a cada 40 segundos alguém comete suicídio no mundo, um número extremamente alto em que raras são as vezes que pode-se impedir ou socorrer a tempo.

O suicida realmente precisa se encontrar em um momento no qual não encontra saídas para resolver sua dor e com frequência sabemos de histórias que envolvem pessoas que em um momento de desamparo total encontram a saída no tirar a vida, sejam quais forem as consequências que envolvem seus familiares.

É sempre muito fácil para nós emitirmos um julgamento a respeito dessas pessoas, porém não imaginamos a dor que os consome e nem as motivações que o fazem ter a coragem de se jogarem, por exemplo, de cima de um prédio alto. Ficamos com a notícia por dias em nossa cabeça, pensando, julgando, mas a verdade somente eles, essas pessoas, sabem.

Covardia? Não sei. Talvez em alguns casos em que se perde um patrimônio alto, onde não se tem coragem de enfrentar o que há por vir. Desespero? Quem sabe. Ela se encontra em uma situação tão séria que não sabe como encarar as consequências de seus comportamentos. Mas não podemos esquecer também da perversidade do ato em muitos casos que acompanhamos pela TV, como pessoas que se matam junto com os filhos, como há alguns anos um pai se jogou com o filho para atingir a mãe que havia se separado dele. Uma forma brutal de acabar definitivamente com a vida de uma pessoa, que nesse caso se diz amar.

Em todos os casos há também o suicídio da alma, onde se entrega à dor e não consegue recorrer à ajuda ou mesmo a recursos internos que possa vir a ter, de alguma forma se subestimam, não acreditando que possam enfrentar a situação e seguir em frente.

O suicídio ainda pode ser visto sobre a ótica social; de quem é a responsabilidade? Será que podemos prever ou mesmo evitar o ato dessas pessoas? Em alguns casos os suicidas dão sinais, chegam até mesmo a falar sobre, mas sempre tem os que somente ameaçam, e os que vão para a ação, e dificilmente as pessoas ao redor levam a sério essas evidências. Claro, como isso ocorre na grande maioria das vezes de forma inesperada, em locais e momento em que estão sozinhos, na grande maioria das vezes ficamos impotentes.

Poderia abordar muitos outros aspectos, mas o objetivo é lembrar que a situação é muito mais frequente do que imaginamos, a maioria dos suicídios não são divulgados, cabendo a cada um de nós o cuidado de olhar de forma mais atenta aos que estão ao nosso redor, nos que estão deprimidos ou desesperados, pois em algum momento também podemos ser atingidos pela perda de alguém que faz parte de nossas vidas.

Como lidar com os filhos na adolescência

24 julho, 2014 às 00:13  |  por Luciana Kotaka

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por Luciana Kotaka

A adolescência é uma fase que vem tirando o sono de muitos pais que não sabem como lidar com as oscilações de humor e comportamentos dos filhos. Quando paramos para nos lembrar desse momento de nossas vidas, muitas vezes não identificamos os mesmos comportamentos, até porque vivemos em uma época mais tranquila, sem muitos estímulos como hoje, o que talvez tenha sido mais fácil para nossos pais.

A questão é que quando nós, que passamos por essa situação, nos confrontamos com a realidade de sermos educadores e responsáveis pela educação e criação de nossos filhos e aí a situação muda, ficamos aflitos e muitas vezes desnorteados, sem saber ao certo qual a melhor forma de agir. Gosto muito de deixar claro que muitos de nós, me incluo também, nos sentimos confortáveis com os filhos quando estes são obedientes, vão bem na escola, recebemos elogios pelo bom comportamento e ainda não querem ficar indo a baladinhas.

Claro que ficamos mais tranquilos e felizes com isso, mas até que ponto ter um filho obediente e tranquilo é saudável? Aposto que muitos de vocês poderão não concordar, porém a adolescência normal dá trabalho, muito trabalho. Criamos nossos filhos de acordo com as regras que acreditamos serem corretas, valores que nos foram passados e que passamos a eles sempre no intuito de educá-los para que possam crescer com caráter e dircernimento do que é certo ou errado.

Ensinamos a eles que respeitem desde os professores até os zeladores da escola, que cumprimentem os amigos, que possam respeitar as diferenças com os irmãos, amar e respeitar sempre. Mas de repente isso começa a mudar o nossos príncipes, ou princesas, começam a nos enfrentar, responder ou ficam de mau humor, se trancam no quarto e não entendemos, ou melhor, não conseguimos resolver essa situação.

Calma, tudo tem solução, só não temos a garantia do tempo que cada filho permanecerá com esses comportamentos, mas normalmente essa fase passa e tudo retorna ao normal. Então quando disse acima que passamos a eles uma série de valores e verdades que para nós faz sentido, percebemos que aos poucos tudo isso vai perdendo o valor, pelo menos é a nossa primeira impressão.

O que começa a acontecer é que com a maior convivência com outros adolescentes e suas famílias eles vão compreendendo que existem várias realidades e também formas de viver e de se educar diferente da que ele aprendeu em casa. Imaginem só a confusão e a frustração que alguns adolescentes sentem nesse momento, é como se o mundo virasse de cabeça para baixo e se sentissem injustiçados com algumas situações e/ou diferenças de comportamentos que começam a identificar. Isso me lembrou de uma paciente que relatou que tinha uma filha antes do intercâmbio e outra filha que voltou totalmente diferente da filha que conhecia. O que será que aconteceu lá em outro país onde viveu uma outra realidade tanto financeira quanto cultural?

Ela não sabe, porém hoje precisa aprender a se comunicar com uma pessoa para ela desconhecida, da qual não aceita abraços, carinhos e confronta os pais o tempo todo. Já que minha paciente não descobriu qual foi o fator que fez diferença a ponto de mudar o comportamento da filha, então o que ela precisará fazer para tentar remediar e mudar sua relação com ela?

Sei que a resposta pode ser insatisfatória para muitos, mas infelizmente nós pais não temos outra saída a não ser nos reinventar como pais e buscar novas formas de abordagem para tentar chegar mais perto de nossos filhos. Buscar outras formas de comunicação que não seja a que estávamos acostumados, e muitas vezes isso trará muita dor e insatisfação, mas é o começo da mudança e nós como pais iremos nos confrontar com tudo o que sempre acreditamos como correto, reavaliaremos toda educação e toda forma de amor que até então achamos correto.

Um caminho que sempre ajuda muito é buscar uma terapia para o filho e pode ser que tenhamos uma surpresa e nós é que iremos parar na poltrona do psicólogo. Absurdo? Não! Eu mesma já passei por isso e acreditem, foi bom demais. Sei que ler um texto não mudará a realidade que enfrentará ao sair da frente do computador, mas com certeza poderá servir como alerta de que algo não está bacana e cabe a nós como pais buscarmos a solução, já que os filhos ainda não têm segurança, percepção e amadurecimento para mudarem sozinhos.

http://lucianakotaka.com.br/2014/07/como-lidar-com-os-filhos-na-adolescencia/