Arquivos da categoria: Cirurgia bariátrica

Alimentar-se bem exige consciência plena

4 abril, 2017 às 06:00  |  por Luciana Kotaka

Nada mais prazeroso do que sentir os sabores dos alimentos que se consome

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Espere aí, como assim preciso estar consciente na hora de realizar minhas refeições? É isso mesmo, comer é um hábito, o primeiro que aprendemos, e esse processo se torna automático e nem prestamos a atenção na forma com que nos alimentamos e nem em outros aspectos envolvidos na hora das refeições.

Quem é que no almoço em família, em um domingo gostoso, ambiente aconchegante fica pensando se está ou não sentindo tudo o que seria importante na hora de se servir ou mesmo de comer?

Posso afirmar que são poucas as pessoas que cuidam para que esses momentos sejam aproveitados ao máximo. Não estou aqui dizendo que aproveitar é comer tudo que é possível, e sim que devemos estar atentos ao momento, sentindo-se presente.

Ainda tem muitas pessoas que nunca ouviram falar sobre Mindfulness, mas saiba que essa técnica oferece recursos simples que podem auxiliar na diminuição da ansiedade e da compulsão alimentar, além de ajudar com que se alimente com mais consciência.

Mindfulness é a prática da atenção plena, isso é, estar presente, perceber nesse segundo o que você está sentindo, pensando, sem utilizar-se da crítica.

Uma pesquisa do Centro Médico Universitário em Groningen, Países Baixos, mostrou que as melhoras na positividade e no bem-estar têm uma relação direta com o ato de estar mais consciente das atividades diárias, de observar e prestar atenção às expectativas comuns e de agir de forma menos automática. Podemos observar o quanto as mudanças favorecidas pela técnica são benéficas quando o objetivo é diminuir os gatilhos disparadores do comer excessivo.

Quando praticamos a atenção plena ficamos mais conscientes do aqui e agora, prestando mais atenção nas atividades que normalmente são automáticas, como comer. Desta forma quando ficamos mais focados no que estamos fazendo, diminui o estresse, ficamos mais calmos e com a ansiedade em baixa conseguimos comer devagar, saboreando cada garfada, sentindo o sabor, a textura, necessitando de menos para nos sentirmos satisfeitos.

Apesar de ser simples e fácil de praticar, precisamos ter disciplina para praticar, pois a regularidade garantirá que se alcance um estado de tranquilidade mental, que será benéfico não somente em relação à alimentação e compulsão, como em outros aspectos de nossa vida diária.

Abaixo algumas dicas que irão te auxiliar nesse processo de aprendizagem da atenção plena:

 - Pratique o exercício de parar alguns minutos diariamente para respirar, preste a atenção no ar entrando e vá sentindo cada parte de seu corpo, sem pressa;

- Ao se sentar para realizar uma refeição, preste a atenção nas cores dos alimentos, nos cheiros, coloque uma pequena quantidade no garfo, mastigue devagar, identificando o gosto do alimento, a crocância e o sabor;

- Permita-se sentar e ficar atento somente aos sons a sua volta, sem julgar, somente ouça;

- Ao caminhar sinta todo o seu corpo, sinta a brisa, a temperatura, observe as cores e formas ao seu redor, lembrando-se de estar presente, sem julgar.

Essas quatro dicas acima são somente exemplos simples de como poderá se beneficiar com essa técnica maravilhosa, reduzindo o estresse, a ansiedade, a depressão, além de comer muito menos por estar mais consciente das necessidades de seu corpo.

Luciana Kotaka

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Dietas nunca mais

30 novembro, 2016 às 08:08  |  por Luciana Kotaka

A compulsão alimentar é um dos transtornos alimentares gerados pela prática de fazer dietas

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Confesso que fico assustada com tantas promessas de perda de peso que vejo na internet, na maior parte das vezes me decepciono ao ler sobre a proposta, fico sempre à espera de que um dia possamos lidar com essa realidade de forma mais assertiva.

A obesidade é uma doença inflamatória, que quando se ingere mais do que se gasta vamos sim ganhar peso, e este vai se acumulando em vários lugares do corpo. A equação é simples e funciona para a grande maioria das pessoas, salvo alguns casos em que a obesidade se faz presente em função de outros fatores orgânicos que desencadeiam o aumento de peso.

Esse terreno é extremamente fértil para diversas áreas, tanto relacionadas à saúde, como a de alimentos, suprimentos e roupas. Mas chegou a hora de parar de brincar, pois não tem como continuar persistindo em um processo que sabiamente não traz benefícios, salvo algumas situações bem particulares.

Recebo diariamente pacientes e o que ouço dos mesmos é o seguinte: “Consigo dar conta de meu trabalho, encaro vários desafios, não consigo entender porque não consigo fazer uma dieta e me manter magro.” Mudam-se algumas palavras, mas a queixa é sempre a mesma.

Essa realidade é muito devastadora e os pacientes passam a acreditar que são incompetentes, sentem-se um lixo por não darem conta de lidar com a questão da obesidade. Pessoas extremamente inteligentes e capazes são anuladas em sua capacidade de julgamento, sentem-se impotentes e isso acaba atingindo várias áreas de sua vida.

Hoje colhemos os resultados de anos de dietas milagrosas, os consultórios cheios de pessoas buscando sentir-se bem dentro de seus corpos, de uma roupa. E as dietas? Essas nunca perduram, os resultados são efêmeros e a decepção dá as caras novamente.

Perder peso pode ser simples “desde que” se coloque de lado a urgência em emagrecer, pois mudar anos de uma má alimentação também exige anos de mudanças gradativas. É preciso recriar uma nova relação com o seu corpo e com a comida, só assim poderá se sentir segura de que está dessa vez no caminho certo.

O caminho para a perda de peso não precisa ser tão dolorido, mudar hábitos é possível a qualquer um de nós, porém é preciso sair da espera de ser emagrecido milagrosamente e buscar perder peso saudavelmente, e só você pode decidir qual o caminho seguir.

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Cinco dicas para encarar o fim de semana sem exagerar na comida

8 outubro, 2016 às 10:01  |  por Luciana Kotaka


Pequenos excessos podem levar ao ganho de peso, além de outras doenças associadas

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Para muitos passar pelo fim de semana e sair ileso é um grande desafio, já começam a se preocupar alguns dias antes se sentindo fracassados, porque não acreditam que possam ter controle sobre o que consomem.

A grande questão é que ainda hoje o termo dieta é divulgado e reforçado por muitos profissionais e seguidores na verdade para ter um estilo de vida saudável não precisando restringir o que se come e ficar babando ao ver seu bolo preferido na bancada da cozinha na casa de sua mãe.

Precisamos entender que comer é para a vida toda, que desde que nascemos recebemos o leite quentinho, na temperatura certa, proporcionando um imenso prazer e saciedade. Não há como desligarmos a comida do prazer, da sensação de conforto, o importante é aprender a comer por prazer e sem exagero, resolvendo e se dando colo de outras formas que não seja comendo em excesso.

Dicas para o fim de semana:

- Estar com a família é sinônimo de alegria, de comidas gostosas, mas o que acha de comer na medida certa e aproveitar esse momento para se entupirem de abraços, beijos, risadas gostosas com as pessoas que amamos;

- Uma boa dica é participar da escolha das comidas a serem servidas durante esses encontros, assim poderá se precaver e levar uma belíssima salada, ou mesmo uma comida mais leve e saborosa que te ajudará a manter-se dentro do que é ideal para sua saúde;

- Lembre-se de nunca ir a nenhuma festa ou reunião familiar sem tomar o café da manhã ou mesmo um lanche, isso vale para todo mundo, assim não chegamos esfomeados querendo comer até as panelas;

- Sempre teremos acesso à comida, mesmo aquelas que estão extremamente gostosas. O que acha de prestar atenção aos sinais de saciedade? Afinal o que é muito gostoso quando consumido em excesso pode se transformar um uma bela dor de estômago;

- Aprenda a conversar durante as refeições, pause os talheres, respire, sinta-se no presente momento. Quando comemos rapidamente e sem prestar atenção, perdemos a oportunidade de sentir melhor o gosto, a textura dos alimentos e proporcionar o tempo ideal para sentir-se saciado.

IX Jornada Paranaense de Psiquiatria

19 agosto, 2016 às 06:00  |  por Luciana Kotaka

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Jornada promete ampliar o debate sobre saúde mental

Ansiedade, depressão, esquizofrenia, alcoolismo, dependência química e transtornos alimentares, de humor, social e comportamentais são males que afetam muitas pessoas atualmente. Essas doenças podem limitar o relacionamento social e o desenvolvimento emocional e intelectual não só dos pacientes, mas de seus familiares também.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, alerta que uma em cada 10 pessoas no mundo, ou seja, 10% da população global, sofre de algum distúrbio de saúde mental. Isso representa aproximadamente 700 milhões de pessoas. No entanto, apenas 1% da força de trabalho mundial de saúde atua nesta área. Segundo a OMS, quase metade da população global vive em países onde há menos de um psiquiatra para cada 100 mil habitantes.

No Brasil, um estudo da Previdência Social aponta que os transtornos mentais já são a terceira razão de afastamentos do trabalho, sendo que os gastos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) giram em torno de R$ 200 milhões em pagamentos de benefícios anuais, dado que reforça a importância de se criar medidas de prevenção.

Estimasse que 12% da população brasileira necessita de algum atendimento por transtornos mentais. Pelo menos 3% da população brasileira é acometida por transtornos mentais graves. Em todo o mundo, mais de 400 milhões de pessoas são afetadas por transtornos mentais e/ou comportamentais. Cinco das dez principais causas de incapacitação estão relacionadas às doenças mentais. Por isso, o debate acerca desse assunto é tão iminente.

Para ampliar o debate sobre saúde mental, a Associação Paranaense de Psiquiatria (APPSIQ) está promovendo a nona edição da Jornada Paranaense de Psiquiatria e traz à Curitiba (PR) renomados especialistas e estudiosos. A intenção é promover atualização científica, troca de experiências e apresentar estudos recentes que possam auxiliar profissionais que atuam no diagnóstico, tratamento e prevenção de pacientes acometidos por doenças mentais.

O evento ocorre nos dias 16 e 17 de setembro deste ano, sexta-feira e sábado, das 8 às 18h, na sede da Associação Médica do Paraná (AMP), em Curitiba (PR).

A taxa de inscrição é de R$ 250,00 para os dois dias do evento, mas são oferecidos descontos para alguns profissionais e estudantes, especialmente os associados quites com a anuidade da APPSIQ/ABP. As vagas são limitadas a 340 lugares.

A programação, o currículo dos palestrantes e as inscrições podem ser feitas pelo site http://psiquiatria-pr.org.br/jornada

Irei participar da mesa de Transtornos Alimentares com o tema, Obesidade e Autossabotagem, junto com dois colegas psiquiatras:

Cirurgia Bariátrica: Aspectos gerais e sua interface com a psiquiatria, com o Dr. Alexandre Leal Laux;

Fatores prognósticos nos transtornos alimentares , com o Dr. Glauber Higa Kaio.

 

A cirurgia bariátrica muda seu comportamento ou é você que muda?

20 julho, 2016 às 06:00  |  por Luciana Kotaka

Responsabilizar-se pelas mudanças que necessita é o que garantirá o sucesso da cirurgia

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Quando falamos em cirurgia bariátrica veremos que ela por si só não muda comportamento, ela limita em um primeiro momento a quantidade de comida a ser ingerida, porém com o tempo os pacientes retornam aos velhos hábitos, ocorrendo o reganho de peso.

O acompanhamento psicológico irá focar em mudanças no comportamento alimentar, trabalhar a motivação, disciplina e organização, pois para uma manutenção de peso efetiva precisa desses aspectos bem estabelecidos.

Outro aspecto importante é verificar a serviço de quê está a obesidade, pois de alguma forma ela serve como proteção, variando de paciente a paciente, cada qual com uma história de vida que pode sim favorecer o sobrepeso/obesidade. Quando no trabalho terapêutico se identifica os porquês de estar acima do peso ou mesmo da compulsão, o paciente pode ressignificar essas experiências e mudar a relação com a alimentação.

Se o paciente vai para a cirurgia sem trabalhar a ansiedade e a compulsão, os resultados não serão dentro do esperado, sendo importante o acompanhamento antes e após a cirurgia. Outra questão é a imagem corporal, os pacientes acreditam que serão felizes após perderem peso, porém é comum a dificuldade em lidar com o novo peso, não conseguem se visualizar magros e podem desenvolver depressão, alcoolismo, anorexia, transtornos de imagem corporal.

Desta forma fica claro que não há nenhuma solução rápida e fácil quando pensamos em obesidade, sendo imprescindível que o paciente assuma a responsabilidade por mudanças que favorecerão não só o seu emocional, quanto a sua saúde. Toda escolha tem consequências, cabe a cada um pensar com muita calma e procurar fazer o melhor possível para colher bons resultados.

Obesidade: um dos sintomas de falta de cuidado com a saúde e o emocional

28 junho, 2016 às 06:00  |  por Luciana Kotaka

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Há alguns anos a obesidade já havia sido considerada uma epidemia, uma situação assustadora ainda mais quando se sabe que é uma das doenças que mais mata. Isso porque a obesidade pode levar ao diabetes, ao infarto, entre outras doenças que levam ao óbito. Assustou? Pois se preocupe mesmo, porque esses dados nem sempre são claros e muitas pessoas vão empurrando com a barriga a situação do peso excessivo, acostumando-se com as gordurinhas a mais e deixando de buscar tratamento especializado.

No Paraná o aumento de pessoas obesas é muito significativo, segundo o levantamento do Sistema de Vigilância Alimentar Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, só a população adulta com sobrepeso ou obesidade saltou de 48,95% em 2008 para 64,07% em 2016. A situação é séria e necessita de medidas que visa a prevenção, visto que houve um aumento significativo em quase todas as faixas de idade.

A grande oferta de comida facilita muito o aumento do consumo, ainda mais quando esta facilidade é rápida e barata. Em Curitiba a gastronomia é muito variada, ofertando tentações em massa para nossa população. Porém o problema ocorre quando buscamos satisfação no prazer de comer excessivamente, negligenciando o equilíbrio, o que afeta a saúde.

Existe todo um contexto por trás do ganho de peso, ao ouvirmos uma pessoa que sofre com a doença fica claro o quanto a comida a consome, o desejo, a ansiedade, gerando um ciclo compulsivo. Só quem já teve um episódio de compulsão sabe a dor que se enfrenta diariamente, a sensação de impotência a cada escorregada e a cobrança no olhar o outro.

É necessário que o tratamento foque não somente na orientação nutricional, no acompanhamento da atividade física, mas principalmente no emocional, pois 95% das pessoas que estão acima do peso apresentam questões emocionais malresolvidas. É só parar para ouvir os relatos desses pacientes para se entender o quanto é simplório o tratamento visto pela ótica do “se mexa” e “feche a boca”, quando o fechar da boca pode ser o engolir toda a dor que a faz se empanturrar de comida sem pensar.

Fica a reflexão.

Obesidade tem fatores emocionais envolvidos

18 fevereiro, 2016 às 07:00  |  por Luciana Kotaka

Aprender a se comportar magro requer um trabalho terapêutico focado nos aspectos emocionais

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A obesidade é atualmente descrita como uma doença ou causadora de doenças. Infelizmente, as duas coisas são verdadeiras. Cada vez mais pesquisas comprovam que a obesidade é a grande causadora de sérios problemas físicos, sendo as mais preocupantes: pressão alta, diabetes, doenças do coração, infarto e problemas ortopédicos.

Além de efeitos físicos, o sofrimento emocional é também uma das partes mais dolorosas desse processo, principalmente pela importância que a sociedade impõe atualmente sobre a beleza do corpo magro.

O fato é que muitas pessoas que sofrem com a obesidade já passaram pela clássica situação do reganho de peso, não conseguindo manter o peso magro. Mas acima de tudo, não conseguindo desenvolver comportamentos magros efetivos que são fundamentais para a manutenção da saúde como um todo.

Porém, um grande número de pacientes ignoram os alertas sobre os malefícios das dietas, pulando de uma solução mágica para outra, aumentando a sensação de impotência, baixa autoestima e fracasso.

O foco principal desse programa é o lado emocional da pessoa, é o paciente que se tornará autor de seu próprio emagrecimento, aprendendo a se responsabilizar pelo processo e deixar de pensar que é a gordura que se apropria dele, sem que ele possa fazer nada.

Assim fica claro que o não conseguir mudanças envolve o aspecto emocional, isso porque um grande número de pessoas come para saciar, aplacar e/ou para sentir-se melhor frente aos aborrecimentos cotidianos, cansaço, estresse, recompensa, depressão entre outros.

O caminho é que esses pacientes que buscam qualidade de vida consigam alcançar um peso adequado a sua estrutura física, um caminho para sentir-se melhor. Quando desenvolvemos ferramentas para lidar com nossas questões emocionais, estabelecemos comportamentos magros, aprendendo a não utilizar da comida para compensar sentimentos: como o cansaço, estresse, solidão, raiva, alegria, entre outros – sejam eles bons ou maus.

Muitas pessoas não colocam seus sentimentos para fora e acabam engolindo tudo o que veem pela frente, pela necessidade de sentir-se aliviadas, compensadas, felizes.

Partindo desse ponto, a psicologia pode contribuir para que as pessoas emagreçam, já que, nesse trabalho, o foco principal é o lado emocional.

 

Compulsão: um devorador dentro de mim

12 fevereiro, 2016 às 07:00  |  por Luciana Kotaka

A mudança necessária para interromper esses episódios demanda equipe especializada

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Toda semana um paciente novo agenda um horário para falar de sua dor, a dor de induzir o vômito, de colocar para fora grandes quantidades de comidas que engoliu sem ao menos sentir o sabor. Podemos descrever esses relatos como orgias alimentares, muitas das quais ocorrem durante o dia, outras na sombra da noite, onde ninguém presencia.

O sentimento de culpa e raiva afloram nesses discursos, não faltam explicações racionais para o que pensou no momento em que passou na padaria, ou mesmo no posto de gasolina, até pelo armário da cozinha. Conseguem compreender o que sentiram ao se afundarem na comida, na paz que esse momento proporciona, mas não sabem como frear esse comportamento compulsivo que toma conta de seu ser, como um monstro interior que vem dominar sua cabeça e seu estômago.

A compulsão é assim, ela tem o poder de tirar o equilíbrio de uma pessoa, essa se planeja o dia todo para comer corretamente, mas quando se dá conta está se sentindo empanturrada de tanto comer. O desespero bate quando a doença já está instalada, são poucas as pessoas que buscam o tratamento no início do problema.

Dietas restritivas são os maiores disparadores desse transtorno, seguido de situações emocionais e químicos que contribuem para que esse comportamento se torne recorrente. A busca por um ideal de corpo na grande maioria das vezes inalcançável favorece o processo, virando um circulo vicioso que poucos saem ilesos.

A psicoterapia aliada com a hipnose Ericksoniana são duas formas possíveis de se tratar esse transtorno, facilitando que se coloque para fora o que é indigesto, onde se aprende a digerir a quantidade certa de comida e situações que levam ao quadro de transtorno alimentar.

Não despreze os sinais de compulsão, quando esses quadros acontecem pelo menos duas vezes na semana por um período de seis meses já é diagnosticado como transtorno de compulsão alimentar periódico. Em muitos casos é necessário o acompanhamento de um psiquiatra especializado na área, além do profissional nutricionista.

A dor da falta de controle sobre seu desejo e seu corpo pode ferir de forma assustadora, levando muitas pessoas à baixa autoestima, falta de confiança e impotência.

 

Festas de fim de ano versus balança

19 dezembro, 2015 às 07:00  |  por Luciana Kotaka

Como pequenos cuidados podem ajudar a manter o peso no período de festas.

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Todo fim do ano é a mesma situação, milhares de mulheres enlouquecidas diante da possibilidade de ganharem peso, afinal o que não falta nas festas é comida. Comida da vó, da mãe, o doce da madrinha, o churrasco do tio, o camarão na praia e claro, a cerveja.

 Não podemos nos esquecer das festas de confraternização: o amigo secreto, festas de encerramento na empresa, fazendo disparar a ansiedade e a angústia para quem precisa manter ou perder peso. Afinal quem é que não deseja curtir a praia com o corpo mais enxuto?

Para os que são prevenidos os cuidados com o peso e bem-estar já se iniciaram muitos meses antes, cuidando da alimentação, fazendo atividade física, conscientes de que comer é bom sim, mas sem exageros. Desta forma, enfrentar essa época de comilança é bem mais fácil, pois já aprenderam a comer com parcimônia.

Mas aposto que tem muitas pessoas atrasadas no projeto verão, o que gera mais ansiedade, pois já sabem que poderão darem várias derrapadas e acabar com muitas gordurinhas indesejadas.

Para evitar que acabem as festas com muitos quilinhos extras é só seguir as dicas abaixo:

1-    Festas de Natal e Ano Novo podem ser celebradas com mais tranquilidade quando focamos em seu verdadeiro sentido, desfocando das abundantes comidas que as famílias costumam oferecer;

2-    Não confunda festa com comilança, lembre-se que comer de forma fracionada e com qualidade é uma orientação para ter saúde;

3-    Realize a ceia de Natal mais cedo, pois a meia-noite é muito tarde para se ingerir alimentos pesados. Porém, se não houver alternativa, crie a sua, faça uma refeição mais cedo deixando somente para saborear algo mais leve na hora;

4-    Não espere servirem a comida sem realizar lanches pequenos e leves, o correto é chegar no horário da ceia com pouca fome, comer pouco e com qualidade. Para isso, não se esqueça dos lanches intermediários;

5-    Abuse de verduras, frutas, e abstenham-se das bebidas alcoólicas;

6-    Lembre-se que ao chutar o balde e comer em excesso, vai sentir que ficou cheio, e a sensação de desconforto e descontrole vai pesar nos dias seguintes, minando sua autoestima;

7-    Quando liberamos nosso foco e queremos comer de tudo, de festa em festa, vamos aumentando os ponteiros de nossa balança, ficando difícil recuperar o peso anterior;

8-    Atividade física também se faz nessas datas, na falta da academia pode recorrer às caminhadas, corridas, andar de bicicleta e até dançar;

9­- Não esqueça de ingerir muito líquido;

Não se esqueça de que as festas passam e você não irá querer carregar os excessos no corpo em pleno verão, ou vai?

 

Utilização da hipnose em pacientes bariátricos

12 dezembro, 2015 às 07:00  |  por Luciana Kotaka

São vários os benefícios da aplicação da hipnose no pré e pós-cirurgia.

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A cirurgia bariátrica é um procedimento que tem por finalidade melhorar a qualidade e expectativa de vida de pessoas que estão como IMC acima de 40 e com várias comorbidades.

Porém já se sabe que a cirurgia em si é somente o início de todo o tratamento, os resultados em longo prazo dependerão sem dúvida da postura do paciente, da mudança de hábitos alimentares, da prática de atividade física e do equilíbrio emocional, estrutura básica para que se mantenha o peso e a saúde.

Quando se quer realizar a cirurgia bariátrica  os pacientes precisam passar por acompanhamento de uma equipe multiprofissional e o psicólogo é um deles. O papel deste profissional é trabalhar justamente o novo momento em que a pessoa irá iniciar, e que irá se adaptar às novas formas de se alimentar e seguir algumas regras iniciais no pré e pós-cirúrgico que necessitam de disciplina. Também tem a questão da mudança do corpo que será bastante expressiva na pós-cirurgia, pois a nova imagem corporal é um dos pontos que necessita de muita atenção, pois  com frequência vemos a dificuldade dos pacientes em se aceitarem e se verem na imagem projetada no espelho. O paciente precisa estar bem trabalhado para que possa ter uma recuperação adequada e a cirurgia seja de fato um sucesso, já que o pós-cirúrgico e a manutenção do novo peso serão os maiores desafios de todo o processo.

Apesar de parecer muito simples seguir todas as orientações sobre como proceder no pós-cirúrgico pelo resto da vida, uma grande parcela de pacientes submetidos à cirurgia voltam a ganhar peso, justamente por não terem aprendido a comer de forma adequada, apresentando quadros de compulsão alimentar e/ou por não resistirem aos alimentos que apreciam e quem em grandes quantidades favorecem o processo de reganho de peso.

A hipnose é uma forma de tratamento que pode auxiliar muito na mudança de comportamento, abrindo a possibilidade de resgatar durante o tratamento a autoestima, a disciplina, a mudança no comportamento alimentar e a desenvolver o desejo pela prática de atividade física. Durante o processo de hipnose o paciente é levado a entrar em um estado de transe onde se permite fechar os olhos para o externo e ficar focado no interno, isso é, focado em si mesmo. Nesse processo o indivíduo fica mais aberto a assimilar informações que auxiliem no processo de mudança comportamental, favorecendo a ele mesmo a colocar em prática tudo o que é trabalhado durante os atendimentos.

É de inteira responsabilidade do paciente  seguir todas as orientações recebidas durante todo o processo de preparação  para a cirurgia, assim como no pós, lembrando que a cirurgia é somente um procedimento que visa auxiliar na perda de peso, porém é necessário comprometimento, disciplina e organização pessoal. Quando identifica que não se consegue seguir o que é orientado e está ganhando peso, precisa buscar profissionais que ofereçam tratamentos auxiliares que o ajudem a manter o foco e, consequentemente, a saúde, tanto física quanto mental.