Reeducação alimentar é fundamental para manter peso perdido

9 julho, 2015 às 07:00  |  por Luciana Kotaka
Médicos alertam que metabolismo reage negativamente à perda de peso; saiba como se alimentar melhor

Isso porque emagrecer exige mudança de hábitos e superação diante das respostas fisiológicas do corpo. “Nosso organismo é feito para ganhar peso”, afirma o endocrinologista Bruno Halpern, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). “Quando emagrece, nosso corpo acha ruim, começa a gastar menos energia, aumenta os hormônios da fome e diminui os hormônios da saciedade”.

O crescimento do número de pessoas acima do peso mostra a dificuldade da disputa contra a balança. De acordo com a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2014, do Ministério da Saúde, 52,5% da população brasileira está com sobrepeso e, desses, 17,9% são obesos. A obesidade é fator de risco para doenças cardiovasculares, diabetes, cirrose, problemas pulmonares e osso-articulares e câncer.

Para descobrir se está acima do peso, é necessário calcular o Índice de Massa Corporal (IMC): peso (em quilos) dividido pela altura (em metros) elevado ao quadrado. Se o resultado der entre 25 e 30, há sobrepeso. Acima de 30, o caso é de obesidade.

Tomada a decisão de emagrecer, a dieta – restrição na alimentação – é o melhor caminho para perder peso, segundo o médico Bruno Halpern. Alimentos gordurosos, frituras, doces e refrigerantes devem ser deixados de lado, assim como o sedentarismo. Ele salienta, porém, que os exercícios físicos servem apenas para manter o peso perdido. “Dieta para perda de peso tem que ser de pouca caloria, mas precisa ser uma dieta relativamente balanceada para ser mantida a longo prazo. O único jeito de emagrecer é fazer restrição calórica: comer menos calorias do que você gasta”.

Ciente disso, a recepcionista Karolina Emília de Souza Reis, de 19 anos, moradora de Cubatão, passou a olhar as informações nutricionais de todos os produtos que consome. Ela, que antes comia de tudo, parou de tomar refrigerante, trocou o tipo de leite, cortou doces e tirou massas de seu cardápio. De fevereiro de 2014, quando iniciou a dieta, até hoje, perdeu 40 quilos.

Karolina se motivou a mudar de vida quando uma academia se instalou no bairro onde mora, no Vale Verde. Na época, pesava 99 quilos. “Quando terminei o Ensino Médio, como eu não fazia nada depois, ficava assistindo televisão e comendo. Mas acordei. Dei um estalo de que precisava me mexer”, conta. “Eu era ansiosa e descontava tudo na comida”.

Karolina Emília de Souza Reis, de 19 anos, perdeu 40 quilos em pouco mais de um ano, com dieta e exercícios físicos

Ela admite que atualmente, com 59 quilos e querendo chegar nos 55, tem muito mais dificuldades para perder peso. “No começo, eu perdia peso muito rápido, não me preocupava tanto e, quando ia ver, já tinha perdido 5 quilos. O meu corpo deu uma parada e pede exercícios todos os dias”, afirma a recepcionista, que vai à academia de segunda a sexta-feira, por pelo menos 1h30, e tem consciência de que não pode relaxar.

Efeito sanfona

Deixar de cuidar da alimentação é o que fazem muitas pessoas ao alcançarem a meta de emagrecimento. Depois de um início com muitos resultados, em que a perda de peso é rápida, o corpo se “adapta” e, como resposta, o metabolismo armazena gordura e as áreas de prazer e recompensa do cérebro também serão ativadas, gerando mais desejo de comer para se satisfazer.

“Após uma perda de peso significativa tendemos a relaxar aos poucos e, quando nos damos conta, engordamos muito novamente. Por isso a mudança deve ser definitiva, isso irá depender muito de organização, disciplina e comprometimento. Entender que precisa cuidar não do peso em si, mas da saúde”, salienta a psicóloga Luciana Kotaka, especialista em obesidade e transtornos alimentares. “Retomar hábitos antigos é muito fácil, por isso é necessário a psicoterapia com foco na obesidade, para que se identifique os gatilhos emocionais que levam a pessoa a exagerar na alimentação”.

É nessa hora que a reeducação alimentar e a prática regular de atividades físicas são importantes, conforme o endocrinologista Bruno Halpern. “Você precisa de uma alimentação isocalórica, que consuma tanto quanto você gaste. Se você não aprender a comer bem, vai comendo um pouquinho a mais todos os dias”, afirma o especialista. Para evitar perder a mão e de repente se ver novamente acima do peso, entrando no conhecido “efeito sanfona”, o ideal é ter o hábito de se pesar toda semana. Assim, pequenas alterações no peso serão notadas.

Os especialistas são unânimes em recomendar: nada de dietas malucas. Inclua no cardápio verduras, legumes e frutas, coma de três em três horas, beba muita água, reduza o consumo de frituras e gorduras e pratique exercícios regularmente. O ideal é sempre ter acompanhamento médico.

Matéria de  Gabriel Oliveira, participação de Luciana Kotaka

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