Você promove a saúde ou a doença?

20 abril, 2017 às 06:00  |  por Luciana Kotaka

É preciso avaliar até que ponto está ajudando um cliente ser saudável ou o está empurrando para a doença

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O que me chama a atenção já há algum tempo é como identificar quem está ultrapassando o limite entre o saudável e a doença. Eu na clínica estou sempre com a escuta atenta, visto que o público que atendo está sempre entre o limite do real e do imaginário, o ideal e o possível. Muitos de vocês que estão lendo esse texto podem achar que esse limite está claro, mas devo chamar a sua atenção para olhar com um pouco mais de crítica, pois a doença já pode sim estar aí, instalada.

Tudo que parte para o extremismo traz consequências, desde escolha religiosa, partido político, exercício físico, alimentação saudável e o corpo perfeito. O nosso maior desafio é achar o meio termo, nosso equilíbrio interno, algo que garanto não ser o projeto mais fácil para se colocar em prática.

Um exemplo que vejo acontecendo diariamente é não poder mais comer um doce, o pão então nem pensar, mas pode usar tinta no cabelo, mil produtos na pele, pintar as unhas e tudo isso significa usar produtos químicos, que aliás, fazem um mal danado à saúde. Mas você não quer ficar sem as suas luzes nos cabelos e nem ter as unhas mal feitas, até as sobrancelhas entraram na lista dos desejos femininos. O olhar está tão restrito que não se enxerga o entorno.

Ser saudável vai além de somente se alimentar com qualidade, mas ter qualidade em todas as escolhas, ter equilíbrio e prazer. Eu faço o que quero para ser feliz, se quero pintar o cabelo, as unhas ou comer uma torta maravilhosa de banoffi. Claro que para isso não preciso comer carnes cheias de gorduras ou me afundar em carboidratos, mas posso e devo sim comer com equilíbrio, sem culpa o que me traz satisfação.

A grande questão para mim é que não acho normal uma pessoa se afundar em compulsões, apresentar ataques bulímicos, até porque não pode comer algo que goste, como um pão ou um doce. Cadê a saúde aqui? Porque o pano de fundo de todo comportamento excessivamente correto é sim o corpo magro, resultando em mais doenças, em mais sintomas, muito mais difíceis e prejudiciais do que comer um brigadeiro.

As crises compulsivas, vômitos autoinduzidos, anorexia, ortorexia, são reflexos de quê? Falta de equilíbrio, não só alimentar, como emocional. Nós profissionais da saúde precisamos estar aptos a trabalhar com o equilíbrio, com o possível de cada um, não violando os direitos deles de ter acesso sem culpa a algo que lhe é prazeroso.

Então a questão é para você responder com sinceridade a você mesmo: será que está contribuindo com a saúde ou empurrando para a doença?

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