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Casa Amado Saramago, na FLIP, abre com conversa sobre amizade entre os dois escritores

27 julho, 2017 às 13:49  |  por Ana Paula Mira

“Saramago gostava de Jorge Amado por ser Jorge Amado”. “Era exatamente isso que eu ia falar”. O diálogo, travado entre Pilar del Rio e Paloma Amado, respectivamente viúva de José Saramago e filha de Jorge Amado, foi o início da mesa Dois corações Vermelhos, sob mediação de Lilia Schwarcz, que falou sobre a relação de amizade e parceria entre os dois escritores. Mesa é um nome muito formal para o que foi a conversa entre elas. Está mais para encontro, conjunção, compartilhamento. Pilar e Paloma falaram sobre política, religião, projetos literários e seus papéis como mulheres na vida de homens tão importantes para a literatura mundial. Paloma lembra que o pai sempre indicava leituras e, quando conheceu Saramago, não hesitou: “Leia, veja que força tem a obra de Saramago”. Pilar também contou sobre a impressão do autor português em relação ao brasileiro: “Ar fresco. Liberdade. Idioma que se inventa a cada dia”.

Os dois escritores foram ateus por toda a vida. Apesar disso, sempre respeitaram a religiosidade do ser humano. “Saramago detestava as religiões. Dizia que os seres humanos são menos livres com elas”. Apesar do ateísmo, as duas brindaram os participantes com histórias que mostram o respeito que tinham por todo tipo de crença.

Quando questionadas sobre a política na vida de Saramago e Amado, as duas foram unânimes ao dizer que a política não foi a causa da amizade. “A amizade foi maior que a política”, disse Pilar. Paloma Amado, inclusive, esclareceu uma história que para muitos dos ouvintes foi surpreendente. “Eu queria falar sobre uma questão. Todos dizem que meu pai rompeu com o Partido Conunista. Ele não rompeu. Quando descobriu o que Stalin fez, chorou abraçado a Neruda. E decidiu: não faço mais tarefas do partido. Mas ele não deixou de ser membro do Partido Comunista.” Paloma Amado lembrou a devolução simbólica de cargos de deputado federal a quem perdeu o cargo em 1948. “Jandira Feghali me chamou para cerimônia e me chamaram para discursar. Eu não tinha preparado nada. Só tive a ideia de agradecer e pedir para todos cantarem o hino da Intentona Comunista”, disse.

Para finalizar, Pilar e Paloma falaram sobre projetos futuros. Pilar disse que Saramago não deixou muita coisa escrita, mas que sempre é possível descobrir “um novo Saramago” em palestras e intervenções dele que têm sido publicadas. Já Paloma Amado falou sobre as caixas de correspondências que Jorge Amado deixou. “São cartas trocadas com Saramago, que já foram publicadas, João Ubaldo Ribeiro (com mais de 300 páginas de cartas), Erico Veríssimo, Drummond. É divertido”. Por aqui, estamos ansiosos pela publicação.

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