Mais um duro golpe na fama de honesta de Dilma

24 março, 2017 às 19:17  |  por Fernando Tupan

Ricardo Noblat 

Dilma empenhou-se ao longo dos seus cinco anos e poucos meses de governo em se distinguir de Lula em pelo menos uma coisa: ela sempre foi honesta. Nunca disse que Lula fora desonesto. Mas reafirmou sua honestidade todas as vezes que a de Lula foi posta em dúvida.

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A política da carne

24 março, 2017 às 18:30  |  por Fernando Tupan

Fernando Gabeira

Escândalos, como esse da carne, às vezes me alcançam no interior, com precária conexão. Na falta de detalhes, começo pelas ideias gerais. Por exemplo: como alimentar quase 10 bilhões de pessoas no meio do século?

Já é uma tarefa muito complexa – no meu entender, impossível – sem a produção de proteína animal. Há quem discorde disso e acredite que seria possível substituí-la. Mesmo assim, sempre haveria gente comendo carne por escolha.

Vegetarianos e carnívoros estão muito mais unidos do que se pensa quando se trata de segurança alimentar.

Em 2006, na Califórnia houve uma grande contaminação do espinafre produzida pela bactéria Escherichia coli (E.coli). Outras se verificaram nos EUA e no mundo.

O sistema de produção e distribuição de alimentos conseguiu ampliar a oferta, reduzir os preços e certamente livrou o planeta de muitas fomes. Já se produzem 20% mais calorias do que as necessárias para alimentar todo o mundo, apesar de um em cada sete habitantes do planeta ainda não ter o que comer.

Essa conquista mundial não seria possível sem produção em grande escala. E exatamente essa característica, que levou ao triunfo, é que revela seu ponto fraco: a vulnerabilidade diante de certo tipo de contaminação.

Segundo o escritor Paul Roberts, autor do livro A Fome que Virá, as mesmas cadeias de produção que constituem o supermercado mundial, e são capazes de colocar frutas, hortaliças e carnes nos dois Hemisférios em qualquer estação do ano, são um campo favorável para a expansão de patógenos alimentares como E.coli e salmonela.

O problema revelado pela Operação Carne Fraca ainda é de uma fase mais atrasada. É da corrupção de fiscais, algo que também já aconteceu em muitos países do mundo.

O abalo na credibilidade do sistema brasileiro foi inevitável, por vários fatores. O primeiro é que existe insegurança planetária mesmo quando o controle é honesto. E os dados lançados pela Polícia Federal são graves, por diversos aspectos.

As maiores empresas do Brasil estavam envolvidas. Elas podem dizer que casos de contaminação da carne são isolados.

Mas suas ligações com a política são sistêmicas: a JBS, sobretudo, despeja milhões em campanhas eleitorais. O relatório da Polícia Federal foi atacado por suas fragilidades: mistura da carne com papelão, algo que não parece viável, assim como apontar o ácido ascórbico como fator cancerígeno. No entanto, no mesmo relatório havia denúncias graves.

Uma delas é a presença de salmonela na carne. O governo afirma que é um tipo de salmonela tolerado. Duvido que os consumidores aceitem comer uma salmonela inofensiva – o que é até contestado cientificamente.

Houve outra denúncia, que passou em branco: o uso para consumo humano de animais não abatidos, mas mortos em outras circunstâncias. Isso é grave e, sobretudo depois da vaca louca, tem de ser fiscalizado com rigor.

Para sair dessa maré negativa no mercado internacional serão necessárias firmeza e transparência. Seria bom descartar teorias conspiratórias. Em 2006 vivemos um momento em que havia realmente algo inventado lá fora. Foi quando o Canadá insinuou que havia doença da vaca louca no Brasil. Foi uma pequena batalha diplomática. Lembro-me de que, apesar de vegetariano, participei de uma comissão que visitou a embaixada, foi ao Itamaraty e se preparava até para defender a carne brasileira lá mesmo, no próprio Canadá.

Esporadicamente, com uma ou outra notícia esparsa de febre aftosa, novas pressões vieram sobre o Brasil. Eram pressões positivas. Pediam o rastreamento do gado, um chip que contivesse as informações essenciais sobre o animal que seria abatido.

Alguns reagiram com a teoria conspiratória, pensando que era algo imposto por concorrentes para encarecer a carne brasileira. Uma década depois, os chips de rastreamento são vendidos à vontade, até pela internet. E fortalecem o sistema de controle.

Quando ficar claro, se ficar, que o problema é a escolha de fiscais por partidos políticos e essa relação for detonada, creio que o caminho para retomar a credibilidade se abre. De nada adianta impressionar os compradores estrangeiros com nossa estrutura física. Se acharem que a fiscalização depende de políticos, a desconfiança vai prevalecer.

De Luiz Eduardo a Petrolina, da Chapada dos Veadeiros ao Vale do Gurgueia, o agronegócio brasileiro que tenho visto é uma história de sucesso. Mas as empresas da carne que compram fiscais vão no sentido oposto de quem se garante pela competência. Isso pode representar um lucro. Mas estrategicamente conduz a um prejuízo sistêmico, a um abalo na exportação nacional. Ao darem as mãos aos partidos políticos, os grandes produtores de carne escolheram o caminho oposto ao da credibilidade.

É impressionante a cultura da dependência no Brasil. Mesmo um setor que poderia passar sem o governo não só se financia com dinheiro público, como destina uma parte para o processo eleitoral.

As delegações estrangeiras conhecem o equipamento instalado no Brasil para a produção da carne. O grande problema é a confiança na fiscalização local.

Dificilmente um país pode controlar todas as suas exportações. Segundo Paul Roberts, dos 300 milhões de toneladas de alimentos que os Estados Unidos importam, apenas 2% são fiscalizados. Não há fiscais para tudo.

Mas não é apenas a carne brasileira que está em foco, e sim o caráter dos funcionários do governo. Tanto no petróleo como na carne existem equipamentos e competência técnica. No entanto, os dois setores foram abalados pela corrupção política. Se Michel Temer quiser dar um na passo na recuperação da credibilidade, deve levar os embaixadores a uma churrascaria e dizer, como Rubem Braga diria: “This is not a pizza, this is a beef…”.

A hora e a vez da Justiça

24 março, 2017 às 17:30  |  por Fernando Tupan

Claudio Lamachia 

A excepcionalidade do momento político que o Brasil atravessa, além dos danos de ordem econômica e social que provoca, reveste-se de profundo cunho moral, com efeitos diretos sobre a governabilidade e a credibilidade das instituições. É, afinal, a elite dirigente do País que está no banco dos réus.

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“O desespero de Lula só aumenta”

24 março, 2017 às 16:30  |  por Fernando Tupan

“Esse depoimento do Marcelo Odebrecht é a revelação mais contundente e mostra a dimensão do quadro da corrupção que envolveu diretamente Lula. O desespero do petista só aumenta, no sentido em que as investigações avançam.” Para o parlamentar, Lula tentará a todo custo voltar ao Planalto, “não para administrar o país, mas para ganhar foro privilegiado e retomar os postos para companheiros, que ficaram milionários, incluindo ele próprio, às custas dos cofres públicos”.

Mais um duro golpe na fama de honesta de Dilma

24 março, 2017 às 15:30  |  por Fernando Tupan

Ricardo Noblat

Dilma empenhou-se ao longo dos seus cinco anos e poucos meses de governo em se distinguir de Lula em pelo menos uma coisa: ela sempre foi honesta. Nunca disse que Lula fora desonesto. Mas reafirmou sua honestidade todas as vezes que a de Lula foi posta em dúvida.

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Brasil volta às ruas domingo. Contra a lista fechada, contra o foro privilegiado e a favor da Lava-Jato. Entre nessa luta

24 março, 2017 às 14:27  |  por Fernando Tupan

Do Cesar Weis]

A bandeira de 50 metros do Mais Brasil Eu Acredito, que participou de todas as manifestações de rua pelo impeachment de Dilma, contra a corrupção e em defesa da Lava-Jato, voltará às ruas de Curitiba neste domingo. A batalha da vez é contra o voto em lista fechada, o foro privilegiado e a defesa incondicional da Lava-Jato.

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Sérgio Souza vai presidir Comissão de Agricultura

24 março, 2017 às 11:38  |  por Fernando Tupan

O deputado Sérgio Souza, do PMDB do Paraná, foi eleito para presidir a Comissão de Agricultura na Câmara. Quem é Sérgio Souza? 1. Segundo Kátia Abreu, ex-ministra da Agricultura, quem a pressionou (junto com Osmar Serraglio) para indicar e manter no cargo de superintendente da pasta no Paraná Daniel Gonçalves Filho, o líder do esquemão da carne podre. 2. A Carne Fraca investiga Ronaldo Troncha, que foi assessor do deputado. 3. Souza é da turma de Roberto Requião e foi suplente de Gleisi Hoffmann no Senado.

Radicaos homenageia poeta Edilson Del Grossi

24 março, 2017 às 11:00  |  por Fernando Tupan

Edoçspm Del Grossi

A poesia paranaense ficou mais triste com a partida precoce do poeta e compositor paranaense, Edilson Del Grossi, no mês passado. Mas o legado ficou e o Radiocaos deste sábado, na Rádio E-Paraná, às 21h, dará um panorama da obra dele, recapitulando textos que ele gravou nos últimos anos especialmente para o programa. O produtor Samuel Ferrari faz a homenagem para o “homem com obra vasta, mas que ninguém, além dos amigos e parceiros, tinha ideia do tamanho. Serão seis blocos mostrando a veia artística de Del Grossi.” A apresentação é Rodrigo Barros Del Rey.

PTN aposta no desgate dos grandes partidos para crescer no Paraná

24 março, 2017 às 10:00  |  por Fernando Tupan

Bradock

Delegado Bradock e Adalmo Ronilson Alves

O nanico PTN planeja ser grande a partir de 2019 no Paraná. Nos bastidores, o presidente municipal da legenda, Adalmo Ronilson Alves, vem cimentando com o diretório estadual a construção de uma chapa para eleger pelo menos 3 deputados estaduais e 2 federais, em 2018. Nesta semana, o partido filiou o ex-deputado Bradock. Nas próximas semanas poderão aparecer outras estrelas, entre eles, o ex-vereador curitibano Professor Galdino (PSDB). Para atrair candidatos com potencial de voto, Alves afirma que os grandes partidos envolvidos na Lava Jato sofrerão as consequências dos casos de corrupção, em outubro do ano que vem.

 

 

Vai encarar?

24 março, 2017 às 09:28  |  por Fernando Tupan

Do Angelo Rigon

O Partido dos Trabalhadores fala em lançar Jorge Samek para disputar o Governo do Paraná. Samek que realizou excelente administração na Itaipu Binacional não tem mostrado muito entusiasmo para a missão.

Eduardo Pimentel busca novas linhas de finaciamento de obras em Curitiba

24 março, 2017 às 09:00  |  por Fernando Tupan

Eduardo Pimentel

]O vice-prefeito de Curitiba e secretário de Obras Públicas, Euardo Pimentel, se reuniu com o presidente da Fomento Paraná, Juraci Barbosa Sobrinho, para captar novas linhas de financiamento para obras em Curitiba. Segundo Pimentel, já existem inúmeros projetos previstos pelo município com perfil para o enquadramento nos critérios da Fomento Paraná, que “desde 2011 já disponibilizou mais de R$ 1 bilhão às prefeituras do Paraná”, destacou o vice-prefeito e secretário de Obras, em sua página, no facebool

Maridão de Gleisi Hoffmann é guloso

24 março, 2017 às 08:00  |  por Fernando Tupan

Ao ser questionado sobre contrapartidas pagas pela Odebrecht a pedido do governo do PT, Marcelo Odebrecht revela mais um pedido, além do feito por Guido Mantega no Refis. Segundo o delator, “Paulo Bernardo solicitou sessenta e quatro milhões de reais”. Ele diz que a propina foi para a liberação de uma linha de crédito. As informações são do Antagonistas.

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Estranheza

24 março, 2017 às 07:00  |  por Fernando Tupan

Do Angelo Rigon

E o gerente-geral da unidade da Cesumar em Londrina é o ex-secretário de Governo de Alexandre Kireeff, advogado Paulo Arcoverde Nascimento (foto), que no fim de seu governo propôs a doação de 17.982,44 m² onde é o Grêmio dos Operários da Prefeitura de Londrina, defronte o estabelecimento de ensino da família Wilson Matos.

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Os comilões da Câmara dos Deputados

24 março, 2017 às 06:00  |  por Fernando Tupan

Em um ano, 392 deputados federais pediram ressarcimento de R$ 1.483.237,31 em refeições consumidas pelo país, de acordo com o serviço Controle Cidadão, do portal da Câmara dos Deputados. Os campeões de pedido de reembolso são o deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) e o ministro da Cultura, Roberto Freire, que exerceu a legislatura até novembro de 2016. Dirceu gastou R$ 25.506,94 entre março do ano passado e o mesmo mês de 2017. Freire, no período em que esteve no Parlamento representando o PPS-SP, pediu de volta R$ 24.143,47 referentes a alimentação. Na média, é o líder do pedido de reembolso: foram R$ 3.017 mensais. As informações são de Marcos Sergio Silva, para o Porta UOL.

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PEC que acaba com foro privilegiado ainda tem árduo caminho até a aprovação

24 março, 2017 às 05:56  |  por Fernando Tupan

Apesar da inclusão na pauta do Senado da PEC do fim do foro privilegiado ter representado um avanço, até os mais otimistas sabem que a proposta ainda está longe de se tornar realidade. A tramitação começou apenas ontem, depois de o texto ser lido no plenário. Agora, os senadores têm cinco sessões para apresentar emendas, antes de votar a matéria em primeiro turno. Depois disso, abre-se o prazo de três sessões até a apreciação definitiva — se tiver apoio de dois terços dos senadores (49), o projeto é encaminhado para a Câmara dos Deputados.