A miséria da política

1 março, 2015 às 14:52  |  por Fernando Tupan

Fernando Henrique Cardoso

Otimista por temperamento, com os necessários freios que o realismo impõe, raramente me deixo abater pelo desalento. Confesso que hoje, no entanto, quase desanimei: que dizer, que recado dar diante (valham-­me os clássicos) de tanto horror perante os céus? Na procura de alento, pensei em escrever sobre situações de outros países. Passei o carnaval em Cuba, país que visitava pela terceira vez. A primeira, na década de 1980, quando era senador ­ fui jurado num Prêmio Casa de las Américas. Voltei à ilha como presidente da República. Vi menos do povo e dos costumes do que na vez anterior: o circuito oficial é bom para conhecer outras realidades, não as da sociedade. Agora visitei Cuba como cidadão comum, sem seguranças nem salamaleques oficiais. Fui para descansar e para admirar Havana, antes que o novo momento econômico de relações com os Estado Unidos a modifique muito.

Continuar lendo

PGR deve divulgar nesta semana lista de políticos envolvidos na Lava-Jato

1 março, 2015 às 13:47  |  por Fernando Tupan

As últimas peças para completar o quebra-cabeça do maior desvio de recursos públicos da história do Brasil vão ser conhecidas nesta semana. Após o país assistir às prisões de doleiros do esquema bilionário, de ex-diretores da Petrobras e de executivos das maiores empreiteiras brasileiras, a lista com os suspeitos de integrar os núcleos políticos da organização criminosa será encaminhada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF) para abertura de inquérito. Boa parte dos nomes, informados pelo ex-diretor de Abastecimento da petroleira Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef, já é conhecida. Apenas Costa teria mencionado 28 políticos durante depoimentos de delação premiada. As investigações apontam que PT, PMDB e PP lideram o ranking de políticos envolvidos no escândalo.

Continuar lendo

Londrinenses se “reencontram” na Lava Jato

1 março, 2015 às 11:50  |  por Fernando Tupan

O nome do ex-deputado José Janene voltou a aparecer nas investigações da Operação Lava Jato, deflagrada em março do ano passado – e, com ele, o de antigos conhecidos do parlamentar. Como deputado, Janene teria sido o responsável por recolher a propina dos contratos da Petrobras e distribuir entre políticos do seu partido. Depois da sua morte, a função teria sido repassada ao doleiro Alberto Youssef. As informações são da Gazeta do Povo.

Continuar lendo

Governos estaduais passam aperto para fechar contas

1 março, 2015 às 10:26  |  por Fernando Tupan

Não é apenas o governo federal que passa por apuros e precisa refazer contas diante de um cenário adverso. Como mostrou o Estado de Minas em janeiro, 15 dos 27 estados brasileiros tiveram problemas para fechar os cálculos no ano passado. E as medidas de arrocho espalham-se por todo o país. Na quarta-feira, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, anunciou o corte de R$ 2 bilhões no orçamento deste ano. A tesourada atingiu em cheio a folha de pagamentos dos 8,5 mil cargos comissionados incluídos nos 450 mil postos da administração paulista.

Continuar lendo

Possibilidade de delação premiada de André Vargas deixa Gleisi e o PT do Paraná em pânico

1 março, 2015 às 08:23  |  por Fernando Tupan

Do Ucho

Fazendo figa – A investigação sobre a atuação de André Vargas nos esquemas investigados pela Operação Lava-Jato voltou para a escrivaninha do implacável juiz Sérgio Fernando Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. Com isso, a prisão do ex-vice-presidente da Câmara dos Deputados tornou-se uma possibilidade concreta e em crescimento.

Também entrou no radar dos políticos a hipótese de Vargas optar por um acordo de delação premiada, contando tudo o que sabe sobre suas relações com o doleiro Alberto Youssef e de outras figuras importantes do PT, como a senadora Gleisi Helena Hoffmann e o ex-ministro Paulo Bernardo da Silva, com o Petrolão, o maior escândalo de corrupção da história.

Continuar lendo

Brasil tem dívida de R$ 1,1 bilhão com órgãos internacionais

28 fevereiro, 2015 às 14:00  |  por Fernando Tupan

O Brasil tem uma dívida de R$ 1,1 bilhão com organismos internacionais como o Banco Mundial, a Unesco e o Unicef, entre outros. A situação tem causado constrangimento no meio diplomático brasileiro porque fez com que o país perdesse direito a voto em fóruns importantes como o Tribunal Penal Internacional (TPI) e a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea).

Continuar lendo

Publicada lei que adia entrada em vigor do Marco Regulatório das ONGs

28 fevereiro, 2015 às 10:32  |  por Fernando Tupan

Lei publicada nesta sexta-feira no Diário Oficial da União adia a entrada em vigor do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, sancionado em julho pela presidenta Dilma Rousseff. A Lei 13.102/2015 altera a data da lei que entraria em vigor no dia 30 de outubro de 2014. Com o novo prazo, as novas regras para parcerias e repasses de dinheiro da União a organizações não governamentais (ONGs) passam a valer no fim de julho de 2015, um ano após a sanção. No ano passado, a Medida Provisória 658 já previa a alteração da entrada em vigor do marco, até então prevista para 30 de outubro de 2014. A determinação agora está expressa em lei.

Continuar lendo

Repertório de sucessos cariocas chega ao Fringe de Curitiba; confira a programação

28 fevereiro, 2015 às 08:20  |  por Fernando Tupan

Teatro

Um repertório de sucessos cariocas de público e crítica chega ao Fringe e movimenta o Auditório Glauco Flores de Sá (Mini-Guaíra) entre os dias 28 e 30 de março, durante o Festival de Teatro de Curitiba. Os espetáculos “Piquenique no Front”, “As Mulheres da Rua 23”, “Acabou o Pó” e “O Pastor” fazem a ocupação do espaço com apresentações às 14h, 17h, 19h e 22h, respectivamente, trazendo sucessos que mesclam textos, linguagens e gêneros que passeiam pelo clássico, nonsense, comédias contemporâneo-reflexivas e teatro documental.

Continuar lendo

Teve ‘petróleo’ na campanha do Professor Lemos, da APP

28 fevereiro, 2015 às 06:06  |  por Fernando Tupan

Professor Lemos

O Professor Lemos, deputado do PT, e líder dos invasores e dos professores grevistas, já sofre com as agruras de ter o nome listado no esquema do Petrolão – sua campanha para prefeito em Cascavel, em 2012, foi irrigada por R$ 1 milhão em dinheiro suspeito das empreiteiras, dos quais R$ 200 mil doados diretamente pela UTC e OAS, duas denunciadas na Justiça.

O esquema parece não ter parado em 2014. Na prestação de contas no TRE da sua campanha de deputado, Lemos recebeu R$ 76,998,00 da América Latina Distribuidora de Petróleo S/A, mais R$ 62 mil da Stopetróleo S/A e outros R$ 100 mil da campanha de Gleisi Hoffmann (PT) – R$ 50 mil em dinheiro e R$ 50 mil em cheque. O total de doações suspeitas perfaz R$ 238.998,00 – 36% dos R$ 664,2 mil arrecadados pelo petista em 2014.

Dilma deve R$ 1 bilhão aos municípios do Paraná

27 fevereiro, 2015 às 17:30  |  por Fernando Tupan

O governo federal deve mais de R$ 973,2 milhões, em restos à pagar, aos 399 municípios paranaenses. São recursos para obras e outros serviços, executados pelas prefeituras, e que dependem de repasses da união para sua conclusão ou andamento. “A maior parte é problema de caixa mesmo do governo federal. Outra parte é referente a problema burocráticos como vistorias e medições, mas o que mais tem é atraso (de repasse) para obras”, disse o presidente da Associação dos Municípios Paranaenses, Luiz Sorvos (PDT), prefeito de Nova Olímpia. A Confederação Nacional dos Municípios, que fez o levantamento, diz que o montante devido às prefeituras de todo o país atinge R$ 35 bilhões.

Continuar lendo

Curitiba pode ficar sem caixa para pagar salários dos barnabés, diz Eleonora Fruet

27 fevereiro, 2015 às 17:01  |  por Fernando Tupan

Eleonora Fruet

Eleonora Fruet

Do Fábio Campana

A secretária de Finanças de Curitiba, Eleonora Fruet, fez a prestação de contas da prefeitura em audiência pública, hoje pela manhã, na Câmara de Vereadores. Instada pela imprensa, Eleonora descreveu um quadro recessivo nas contas municipais e disse que se a arrecadação continuar em queda, o que está acontecendo nos últimos meses, e com o dissídio coletivo dos servidores municipais marcado para abril, periga o município ficar sem caixa para pagar em dia os salários do funcionalismo. A irmã do prefeito Gustavo Freut (PDT), porém, não quis acusar o governo federal que, de resto a pagar, deve R$ 228,4 milhões para Curitiba. Desse montante, mais de R$ 11 milhões são referentes ao repasse para as obras dos postos de saúde, em atraso de mais de um ano na capital.

Os saqueadores da lógica

27 fevereiro, 2015 às 16:29  |  por Fernando Tupan

Fernando Gabeira

Se o PT pusesse fogo em Brasília e alguém protestasse, a resposta viria rápida: onde você estava quando Nero incendiou Roma? Por que não protestou? Hipocrisia.

Com toda a paciência do mundo, você escreve que ainda não era nascido, e pode até defender uma ou outra tese sobre a importância histórica de Roma, manifestar simpatia pelos cristãos tornados bodes expiatórios. Mas é inútil.

Você está fazendo, exatamente, o que o governo espera. Ele joga migalhas de nonsense no ar para que todos se distraiam tentando catá-las e integrá-las num campo inteligível.

Vi muitas pessoas rindo da frase de Dilma que definiu a causa do escândalo da Petrobrás: a omissão do PSDB nos anos 1990. Nem o riso nem a indignação parecem ter a mínima importância para o governo.

Depois de trucidar os valores do movimento democrático que os elegeu, os detentores do poder avançaram sobre a língua e arrematam mandando a lógica elementar para o espaço. A tática se estende para o próprio campo de apoio. Protestar contra o dinheiro de Teodoro Obiang, da Guiné Equatorial, no carnaval carioca é hipocrisia: afinal, as escolas de samba sempre foram financiadas pela contravenção.

O intelectual da Guiné Juan Tomás Ávila Laurel escreveu uma carta aos cariocas dizendo que Obiang gastou no ensino médio e superior de seu país, em dez anos, menos o que investiu na apologia da Beija-Flor. E conclui alertando os cariocas para a demência que foi o desfile do carnaval de 2015.

O próprio Ávila afirma que não há números confiáveis na execução do orçamento da Guiné Equatorial. Obiang não deixa espaço para esse tipo de comparação. Tanto ele como Dilma, cada qual na sua esfera, constroem uma versão blindada às análises, comparações numéricas e ao próprio bom senso.

O mundo é um espaço de alegorias, truques e efeitos especiais. Nicolás Maduro e Cristina Kirchner também constroem um universo próprio, impermeável. Se for questionado sobre uma determinada estratégia, Maduro poderá dizer: um passarinho me contou. Cristina se afoga em 140 batidas do Twitter: um dia fala uma coisa, outro dia se desmente.

Numa intensidade menor do que na Guiné Equatorial, em nossa América as cabeças estão caindo. Um promotor morre, misteriosamente em Buenos Aires, o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, só e indefeso, é arrastado por um pelotão da polícia política bolivariana.

Claro, é preciso denunciar, protestar, como fazem agora os argentinos e os venezuelanos. Mas a tarefa de escrever artigos, de argumentar racionalmente, parece-me, no Brasil de hoje, tão antiga como o ensino do latim ou o canto orfeônico.

Alguma evidência, no entanto, pode e deve sair da narrativa dos próprios bandoleiros. Quase tudo o que sabemos, apesar do excelente trabalho da Polícia Federal, veio das delações premiadas.

Alguns dos autores da trama estão dentro da cadeia. Não escrevem artigos, apenas mandam bilhetes indicando que podem falar o que sabem.

Ao mesmo tempo que rompe com a lógica elementar, o governo prepara sua defesa, organiza suas linhas e busca no fundo do colete um novo juiz do Supremo para aliviar sua carga punitiva. O relator Teori Zavascki, na prática, foi bastante compreensivo, liberando Renato Duque, o único que tinha vínculo direto com o PT.

Todas essas manobras e contramanobras ficarão marcadas na história moderna do Brasil. Essa talvez seja a razão principal para continuar escrevendo.

Dilmas, Obiangs, Maduros e Kirchners podem delirar no seu mundo fantástico. Mas vai chegar para eles o dia do vamos ver, do acabou a brincadeira, a Quarta-Feira de Cinzas do delírio autoritário.

Nesse dia as pessoas, creio, terão alguma complacência conosco que passamos todo esse tempo dizendo que dois e dois são quatro. Constrangidos com a obviedade do nosso discurso, seguimos o nosso caminho lembrando que a opressão da Guiné Equatorial é a história escondida no Sambódromo, que o esquema de corrupção na Petrobrás se tornou sistemático e vertical no governo petista.

Dilma voltou mais magra e diz que seu segredo foi fechar a boca. Talvez fosse melhor levar a tática para o campo político. Melhor do que dizer bobagens, cometer atos falhos.

O último foi confessar que nunca deixou de esconder seus projetos para ampliar o Imposto de Renda. Na Dinamarca (COP 15), foi um pouco mais longe, afirmando que o meio ambiente é um grande obstáculo ao desenvolvimento.

O País oficial parece enlouquecer calmamente. É um pouco redundante lembrar todas as roubalheiras do governo. Além de terem roubado também o espaço usual de argumentação, você tem de criticar politicamente alguém que não é político, lembrar o papel de estadista a uma simples marionete de um partido e de um esquema de marketing.

O governo decidiu fugir para a frente. Olho em torno e vejo muitas pessoas que o apoiam assim mesmo. Chegam a admitir a roubalheira, mas preferem um governo de esquerda. A direita, argumentam, é roubalheira, mas com retrocesso social. Alguns dos que pensam assim são intelectuais. Nem vou discutir a tese, apenas registrar sua grande dose de conformismo e resignação.

Essa resignação vai tornando o País estranho e inquietante, muito diferente dos sonhos de redemocratização. O rei do carnaval carioca é um ditador da Guiné e temos de achar natural porque os bicheiros financiam algumas escolas de samba.

A tática de definir como hipocrisia uma expectativa sincera sobre as possibilidades do Brasil é uma forma de queimar esperanças. Algo como uma introjeção do preconceito colonial que nos condena a um papel secundário.

Não compartilho a euforia de Darcy Ribeiro com uma exuberante civilização tropical. Entre ela e o atual colapso dos valores que o PT nos propõe, certamente, existe um caminho a percorrer.

Gleisi Hoffmann boicota criação da CPI da Petrobras, mas torce pela “bolsa companheiro”

27 fevereiro, 2015 às 15:30  |  por Fernando Tupan

Do Ucho

Dois lados – A senadora Gleisi Helena Hoffmann (PT) e o senador Roberto Requião (PMDB), ambos do Paraná, não assinaram o pedido de criação da CPI da Petrobras, apesar de das muitas evidências de fraude e ladroagem na estatal que surgem a cada novo dia. Em contrapartida, Gleisi e Requião não balbuciaram uma só palavra para criticar o novo pacote de benefícios aprovados pelos deputados que, entre outras bizarrices, institui uma espécie de “bolsa companheiro” para os cônjuges dos parlamentares voarem até a capital dos brasileiros.

Continuar lendo

Serpro dá calote nos fornecedores

27 fevereiro, 2015 às 15:00  |  por Fernando Tupan

*/

O Serpro, a empresa de informática do governo federal, presidida por Marcos Mazoni, o apadrinhado pelo senador Roberto Requião (PMDB) e pelo casal petista Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo, não paga seus fornecedores desde outubro do ano passado. Ouça o comentário do jornalista Ricardo Boechat, na BandNews, à respeito.

Veneri tem doações de empreiteira ligada ao Petrolão

27 fevereiro, 2015 às 14:29  |  por Fernando Tupan

Tadeu Veneri

Tadeu Veneri

Na campanha, em 2014, o deputado Tadeu Veneri (PT) recebeu R$ 213.750,00 da Construtora Odebrecht, uma das empreiteiras investigadas no Petrolão e que pagou, só na ampliação da Repar em Araucária, R$ 85,9 milhões em propinas ao PT e ao PP, conforme a delação do ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco.

Continuar lendo