150 anos da morte de Charles Baudelaire

1 setembro, 2017 às 07:00  |  por Fernando Tupan

baudelaire

Baudelaire se tivesse vivido na segunda metade do século XX, com certeza, seria um rock star, como David Bowie, Mick Jagger, Kurt Cobain ou Amy Winehouse. Talvez ele fosse consumido pela própria genialidade e criatividade como Jimi Hendrix. O poeta francês morreu aos 46 anos e no curto período de vida deixou um legado próximo dos roqueiros mais importantes da nossa história. Em homenagem a passagem dele, a tradução de “L’invitation au Voyage”, por Jorge Pontual

L’invitation au Voyage

Mon enfant, ma sœur

Songe à la douceur

D’aller là-bas vivre ensemble;

— Aimer à loisir,

Aimer et mourir

Au pays qui te ressemble!

Les soleils mouillés

De ces ciels brouillés

Pour mon esprit ont les charmes

Si mystérieux

De tes traîtres yeux,

Brillant à travers leurs larmes.

Là, tout n’est qu’ordre et beauté,

Luxe, calme et volupté.

Des meubles luisants,

Polis par les ans,

Décoreraient notre chambre ;

Les plus rares fleurs

Mêlant leurs odeurs

Aux vagues senteurs de l’ambre,

Les riches plafonds,

Les miroirs profonds,

La splendeur orientale,

Tout y parlerait

A l’âme en secret

Sa douce langue natale.

Là, tout n’est qu’ordre et beauté,

Luxe, calme et volupté.

Vois sur ces canaux

Dormir ces vaisseaux

Dont l’humeur est vagabonde ;

C’est pour assouvir

Ton moindre désir

Qu’ils viennent du bout du monde.

— Les soleils couchants

Revêtent les champs,

Les canaux, la ville entière,

D’hyacinthe et d’or;

— Le monde s’endort

Dans une chaude lumière.

Là, tout n’est qu’ordre et beauté,

Luxe, calme et volupté.

 

O Convite à viagem

Sonha, alma irmã,

A loucura sã

De termos lá nosso leito!

Amar sem correr,

Amar e morrer

No país que é do teu jeito!

O sol desses céus

Cintila entre véus

E tem pra mim o encanto

Do olhar de luz

Que trai e seduz

Brilhando através do pranto.

Lá, tudo é ordem, beleza,

Luxo, calma e prazer.

Móveis ancestrais,

Polidos metais

Emolduram nossa cama;

A mais rara flor

Casa seu odor

Ao leve aroma do âmbar;

Tetos de cetim,

Espelhos sem fim,

Esplendores do Oriente,

Tudo fala então

Rente ao coração

Na doce língua da gente.

Lá, tudo é ordem, beleza,

Luxo, calma e prazer.

Vês neste canal

Dormir esta nau

De coração vagabundo?

É para atender

Teu menor querer

Que ela vem do fim do mundo!

Ao entardecer,

O sol ao morrer

Tinge cais, cidade, nave

De ouro e açafrão.

Os dias se vão

Numa luz quente e suave.

Lá, tudo é ordem, beleza,

Luxo, calma e prazer.

 

tradução, Jorge Pontual

 

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