Como os partidos enganam o eleitor através de fakes e manipulação nas redes sociais

22 junho, 2017 às 11:29  |  por Fernando Tupan

Do site Tecnomundo

Um estudo divulgado pela Universidade de Oxford, Reino Unido, detalha ao longo de 38 páginas como a política brasileira foi influenciada por bots na internet. Caso não saiba, bots são programas ou dispositivos que agem de maneira autônoma na internet — por exemplo, existem bots de contas falsas nas redes sociais, um dos pontos-chave nessa pesquisa.

Chamado de “Propaganda computacional no Brasil: Bots sociais durante as eleições”, o estudo mostra alguns dados: o PSDB gastou cerca de R$ 10 milhões em bots em Facebook, Twitter e WhatsApp durante a corrida eleitoral de Aécio Neves no final de 2014. Após a derrota para Dilma Roussef, os bots do PSDB continuaram agindo, porém foram reprogramados para divulgar o conteúdo de páginas como “Revoltados ON LINE” e “Vem Pra Rua”. No caso, o estudo diz que o Revoltados ON LINE contava com 16 milhões de bots do PSDB, enquanto o Vem Pra Rua tinha 4 milhões.

Na mesma época da corrida eleitoral, o PT também utilizou bots pró-Dilma Rousseff na internet. Contudo, “em uma escala muito menor”. Enquanto os bots do PSDB alcançavam cerca de 80 milhões de pessoas, os bots do PT ficavam nos 22 milhões. O estudo ainda comenta que, após o fim das eleições, os bots comprados pelo PT foram encerrados em sua maioria — e algumas contas apenas replicavam programas do governo.

Os bots têm a capacidade de perpetuar uma ideia pela internet e angariar novos aliados

“Após a eleição, todos os servidores e bots da campanha de Dilma foram desligados ou foram trabalhar para a presidente, o que significa que eles tinham regras a seguir, já que estava operando para o gabinete. Enquanto isso, os outros bots [PSDB, Aécio, Revoltados e Vem Pra Rua] não tinham regras a seguir”, disse um pesquisador brasileiro citado no estudo.

Mas por que partidos contratam bots? Ora, os bots têm a capacidade de perpetuar uma ideia pela internet e angariar novos aliados aos partidos. Além disso, os números de apoio são inflados e, com isso, acabam captando até eleitores indecisos.

Mais casos e vendas

Uma das companhias que vendem esse serviço, chamada de “Brasil Liker”, vende curtidas em páginas no Facebook: são 50 likes por R$ 4,99 e 3 mil likes por R$ 200. Já para posts, a conta é R$ 90 por 10 mil curtidas. Agora, imagine o preço de um serviço automatizado e que une as três principais redes utilizadas por brasileiros — R$ 10 milhões?

As últimas eleições no Rio de Janeiro também contaram com a utilização massiva de bots

As eleições municipais do Rio de Janeiro também contaram com bots. Segundo pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo, uma rede com 3,5 mil contas falsas no Twitter atacavam diretamente o candidato Marcelo Freixo (PSOL) postando 100 ou mais vezes por hora. O candidato contrário e atual prefeito, Marcelo Crivella (PRB), negou a conexão com os botnets.

“A tática de propaganda computacional usada durante as eleições de 2014 não parou após a eleição da ex-presidente Rousseff. Esses métodos foram usados para engajar pessoas em grupos opositores tanto à presidente quanto ao partido da presidente, o que aumentou os pedidos por impeachment, sendo concretizado em outubro de 2016”, diz o estudo.

Para finalizar, a Universidade de Oxford comentou o seguinte:

“Certamente, depois de anos de escândalos, a sociedade brasileira está examinando a reforma do seu sistema político. Em maio de 2017, com o alargamento do escândalo Lava Jato, a polícia lançou uma gravação do presidente Michel Temer organizando subornos para Cunha, ex-chefe do Senado preso, e com o chefe das maiores empresas de embalagem de carne no mundo (GREENWALD, 2017). As fitas levaram a um novo processo de impeachment (…) O Brasil, novamente, parece perto de um cataclismo político. O destino do governo não está claro, mas tudo isso demonstra que o desenvolvimento rápido da propaganda computacional desempenhará um papel crescente nas próximas eleições nacionais em 2018, o potencial impeachment e os processos políticos mais profundos que ainda não foram revelados.

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