Deficientes auditivos reclamam da falta de acessibilidade no Enem

8 novembro, 2017 às 13:31  |  por Fernando Tupan

O tema da redação do Enem, “desafios para a formação educacional dos surdos”, é um dos mais comentados do momento. Alunos com deficiência auditiva do terceiro ano do Centro de Ensino Médio Elefante Branco, na Asa Sul, também discutiram o assunto e as dificuldades encontradas na realização do exame. As informações são do Correio Braziliense.

O estudante Lucas Lopes, 21 anos, teve perda de audição congênita aos 7. Ao conhecer a língua brasileira de sinais (libras), conseguiu se desenvolver. Ele disse ter ficado surpreso e feliz com o tema da redação, por trazer a questão à tona, mas achou a prova de difícil interpretação.

“No ato da inscrição, foi muito confuso porque marquei a opção de libras, achando que também teria direito ao vídeo, mas não. Se tivesse uma junção dos dois seria o ideal. Na prova, a parte de interpretação é mais difícil pra gente, precisamos de um tempo maior para responder”, explica.

A intérprete educacional Soraia Britto acompanha os alunos com deficiência auditiva em todas as aulas. Enquanto a professora explica, ela está a postos para traduzir a lição. “Surdos são visuais e gestuais. O português para eles é mais difícil, pois a linguagem de libras é a primeira língua deles”, afirma. “A prova foi boa para abrir o tema, mas deveria ser matéria curricular. Eles precisam de uma estrutura melhor, com vídeos e mais recursos, além de um intérprete educacional que consiga traduzir com clareza a questão para o candidato.”

No Brasil, segundo dados do censo do IBGE de 2010, 9,7 milhões de brasileiros têm deficiência auditiva. O Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC), de 2003, mostra que há 56.024 surdos matriculados na educação básica e 2.041 no ensino médio.

Em nota, o Ministério da Educação diz que vem buscando melhorias como o videolibras, pela primeira vez na prova do Enem. A Secretaria de Educação do DF informa que tem 777 estudantes com deficiência auditiva matriculados na rede pública de ensino em classe comum, 219 em classe especial e 287 na rede particular conveniada.

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