Delator da Operação Carne Fraca acusa Serraglio de receber propina

3 janeiro, 2018 às 09:37  |  por Fernando Tupan

O ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura no Paraná Daniel Gonçalves Filho, delator da Operação Carne Fraca, afirmou que o deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), ex-ministro da Justiça de Michel Temer, recebeu diversos pagamentos de propina em espécie. A maioria deles, segundo os depoimentos, girava em torno de R$ 10 mil. A delação premiada foi homologada no fim de dezembro pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. As informações são de Bela Megale n’O Globo.

A operação investiga envolvimento de fiscais e de políticos em um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular envolvendo frigoríficos. O ex-fiscal é apontado como líder do esquema descoberto pelos investigadores da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF).

Gonçalves também relatou que Serraglio foi um dos articuladores de sua nomeação para o cargo do ministério da Agricultura no estado. Um dos grampos telefônicos de Carne Fraca gravou uma conversa em que o deputado federal se refere a Daniel Gonçalves como “o grande chefe”. Outro foco da delação é o também deputado federal Sergio de Souza (PMDB-PR), que também teria se beneficiado de propina do esquema.

Gonçalves também entregou outros políticos do PMDB do Paraná e detalhou como o sistema de compra de liberação de licenças por frigoríficos abastecia o caixa ilícito do partido.

O acordo de Daniel Gonçalves foi feito com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e com o Ministério Público Federal no Paraná e estava há cerca três meses com o ministro Dias Toffoli aguardando homologação. Os relatos envolvendo nomes com foro privilegiado, como Serraglio, permanecerão no Supremo e aqueles que não se referem a pessoas com foro descerão para a primeira instância em Curitiba, que tem como responsável o juiz Marcos Josegrei.

O delator está preso na carceragem da PF na capital paranaense desde março de 2017, quando a operação foi deflagrada.

EX-MINISTRO NEGA ACUSAÇÕES

O ex-ministro da Justiça negou, ao GLOBO, que tenha recebido propina e que tenha sido um dos responsáveis pela indicação do ex-superintende Daniel Gonçalves.

— Assim é fácil, né? O fiscal toma dinheiro das empresa, fica com ele e coloca a culpa nos outros — rebateu.

Serraglio afirmou que Gonçalves foi uma indicação da bancada do PMDB do Paraná e que seu principal fiador foi o então deputado federal Moacir Micheletto, morto em 2012. Segundo o ex-ministro, era ele o responsável por decisões do partido ligadas à pasta da Agricultura.

Sobre o recebimento de dinheiro em espécie, Serraglio disse que o ex-superintendente precisa dizer “onde fez o pagamento” e “se alguma vez esteve em minha casa ou no meu escritório”.

Em nota, o deputado Osmar Serraglio disse que parece estar sendo procurado um bode expiatório:

“A Operação Carne Fraca foi tão escandalosa que comprometeu as exportações brasileiras. Grandes frigoríficos foram envolvidos, em diversos estados. Nada mais se disse sobre isso. Eu próprio denunciei à Procuradoria da República negociação espúria que envolvia a JBS bem antes da Operação “Carne Fraca”.

Há oito meses está o superintendente do Paraná preso e o que se desvendou? Agora será solto porque, afinal, um ex-ministro foi implicado e isso já satisfaz.

Procurei informações e me foram negadas porque é crime revelar o que está sob sigilo da delação. Contudo, está na imprensa!!!

Passei para a jornalista do O Globo cópia dos documentos de 2007 que provam que a indicação do superintendente foi da bancada. Aliás, eu nem o conhecia.

E, é fácil mentir: diz que pagou em espécie. Pergunto: onde e como ele passou valores? Onde os sacou, como os transportou, quando e onde os entregou ? O que vale é a palavra de quem quer ser solto. Negocia a honra alheia e é premiado.

Reconheço que, desde que fui Relator da CPMI que implicou os mensaleiros, atraí muitos inimigos. Estão em muitos lugares e cargos e me perseguem. Mas não me arrependo.”

Em nota, o deputado Sérgio Souza afirmou que “as acusações são totalmente infundadas, falsas e realizadas por alguém que quer se livrar dos seus crimes”.

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