Mais de 70 dias depois, Vargas segue deputado

18 junho, 2014 às 14:28  |  por Fernando Tupan

André Vargas

André Vargas

Espremido pela Copa do Mundo e pelas convenções partidárias, o Conselho de Ética tem reunião marcada hoje para, em tese, ouvir testemunhas arroladas para depor sobre o caso do ex-petista e ainda deputado André Vargas (sem partido-PR). Em tese, porque seis dessas pessoas não confirmaram presença e outras duas — Bernardo Tosto, dono do jatinho no qual Vargas viajou bancado pelo doleiro Alberto Youssef, e o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha — avisaram que não vão. “Eu tenho um prazo para entregar meu relatório, e vou cumpri-lo”, afirmou o relator do processo, deputado Júlio Delgado (PSB-MG).

O período a que se refere o parlamentar socialista é o tempo máximo em que ele tem para apresentar, no próprio Conselho de Ética, o texto pedindo ou não a cassação do mandato de André Vargas. Após renunciar ao cargo de vice-presidente da Câmara e ser pressionado pela Executiva Nacional do PT a desfiliar-se, para diminuir o desgaste na imagem da legenda, Vargas agarra-se em todos os tempos regimentais a que tem direito para esticar ao máximo o processo de cassação e não perder os direitos políticos. As denúncias de envolvimento com Youssef surgiram em 1º de abril.

Os petistas arrolados por Delgado — o presidente nacional do PT, Rui Falcão; e os deputados Cândido Vaccarezza (SP) e Vicentinho (SP), líder do partido na Casa — não responderam se estarão em Brasília para a audiência. Tampouco confirmaram presença os donos do laboratório Labogen, Leonardo Meirelles e Esdra Ferreira. O estabelecimento, que tentou fechar um contrato com o Ministério da Saúde, é considerado pela Polícia Federal uma entidade de fachada criada para lavar o dinheiro movimentado pela quadrilha do doleiro. Youssef, preso no Paraná, seria a oitava testemunha convidada por Delgado.

A pessoas próximas, o deputado Cândido Vaccarezza tem dito que não faz questão de comparecer ao Conselho de Ética. Considerado um fiel escudeiro de Vargas desde as primeiras denúncias contra o ex-companheiro de legenda, Vaccarezza também tem o nome citado em gravações feitas pela Polícia Federal. Ele admite ser amigo de Vargas, que pode até “ter tomado café com Youssef”, mas afirma que jamais teve qualquer relacionamento com o doleiro preso pela Operação Lava-Jato, deflagrada pela Polícia Federal.

 

Estorvo

O petista também acusa Delgado de usar o Conselho de Ética para se promover politicamente. Ele já está engasgado na garganta dos petistas desde 2005, quando foi autor do relatório que cassou o deputado José Dirceu dentro do escândalo do mensalão. Delgado é cotado pela direção nacional do PSB para concorrer ao governo de Minas Gerais. “Eu não sou candidato, oficialmente falando. O outro postulante ao cargo, Apolo Heringer, não abriu mão da disputa”, disse o pessebista. A convenção do PSB mineiro está marcada para este fim de semana.

Júlio Delgado disse que não pode ficar refém de outros calendários. “Os políticos reclamam que têm as convenções, que estamos no meio da Copa do Mundo. Na próxima semana, teremos as festas juninas e será a vez de a bancada nordestina viajar para os estados. Eu preciso concluir meu trabalho para que o caso seja levado ao plenário”, completou o deputado do PSB.

“Os políticos reclamam que têm as convenções, que estamos no meio da Copa do Mundo (…) Eu preciso concluir meu trabalho para que o caso seja levado ao plenário” Júlio Delgado (PSB-MG).

Do Correio Braziliense

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