Preso nesta quinta, Nuzman atraiu empresas e dinheiro público para o COB

5 outubro, 2017 às 11:00  |  por Fernando Tupan

Preso nesta quinta-feira (5/10) acusado de fazer parte de suposto esquema de compra de votos para que o Rio fosse a sede dos Jogos Olímpicos de 2016 e indiciado por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, o presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman, de 75 anos, anos conseguiu transformar uma entidade privada em uma organização multimilionária graças à injeção de dinheiro público. As informações são do Estado de São Paulo.

Foi sob o seu comando que o COB passou a contar, a partir de 2001, com recursos da Lei Agnelo/Piva, que destina parte da arrecadação das loterias federais ao esporte. Se em 2002 o montante dos repassados foi de R$ 50 milhões, esse valor foi se multiplicando ao longo dos anos, com o COB trabalhando com uma estimativa de arrecadar R$ 210 milhões em 2017.
Mesmo assim, Nuzman não conseguiu fazer do Brasil uma potência olímpica depois de duas décadas no comando do COB. Presidente da entidade desde 1995, o dirigente fracassou ao não atingir a meta proposta por ele mesmo de colocar o Brasil entre os dez primeiros colocados no ranking de medalhas nos Jogos do Rio. Com 19 pódios (sete ouros, seis pratas e seis bronzes), o País ficou apenas na 13.ª colocação.
Enfraquecido politicamente, Nuzman também acumulou derrotas antes da sua prisão nesta quinta-feira. Em abril deste ano, por exemplo, perdeu a eleição à presidência da Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa). Apontado como favorito, acabou ficando em terceiro – e último – lugar. No mês seguinte, pediu demissão da Organização Desportiva Sul-Americana (Odesur), entidade que presidia havia 14 anos.
Nuzman ganhou destaque no cenário esportivo com uma carreira que chamou atenção pela rápida ascensão. Como jogador de vôlei, defendeu o Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1964. Após abandonar as quadras, com apenas 32 anos assumiu a presidência da Confederação Brasileira de Vôlei em 1975.
Liderou, em 1979, um movimento de oposição ao major Silvio de Magalhães Padilha ao lançar a sua candidatura ao COB, mas acabou derrotado. Em 1990, assumiu a vice-presidência da entidade, sendo eleito presidente em 1995. Com ações de marketing consideradas inovadoras à época, Nuzman fez com que novos grupos de investidores entrassem no esporte e os patrocinadores passaram a ter maior visibilidade na mídia. Após os Jogos do Rio, no entanto, a entidade perdeu o aporte financeiro de várias empresas e agora se vê envolvida num esquema internacional de corrupção.
 MPF aponta crescimento de 457% no patrimônio de Nuzman entre 2006 e 2016
O presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman, teve crescimento “exponencial” de seu patrimônio entre 2006 a 2016: 457%, segundo o Ministério Público Federal (MPF). Só em 2014, o patrimônio de Nuzman dobrou, com um acréscimo de R$ 4,2 milhões. Os bens de Nuzman incluem 16 barras de ouro, depositadas em um cofre na Suíça, segundo denúncia dos procuradores federais à Justiça. O cartola foi preso nesta quinta-feira (5/10), pela Polícia Federal, na Operação Unfair Play – Segundo Tempo.
De acordo com o MPF, “chama a atenção o fato de que, desse valor, R$ 3.851.490,00 são decorrentes de ações de companhia sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, conhecido paraíso fiscal.” As informações foram obtidas com a quebra do sigilo fiscal do presidente do COB. O MPF destaca ainda que as declarações de Imposto de Renda de Nuzman não registram a sua remuneração recebida do COB ou do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de 2016.
“Por outro lado, Nuzman justifica a origem de seu patrimônio a partir do recebimento de valores de pessoas físicas e do exterior. Contudo não há explicações sobre quem efetivamente lhe remunerou. Não há indicação de empresas ou de CPFs que permitiriam a real constatação da origem (e legitimidade) dos recursos que formam seu patrimônio”, afirma o MPF.
Os procuradores alertam que a situação é agravada com a retificação da declaração do Imposto de Renda realizada poucos dias após a deflagração da Operação Unfair Play. Na ocasião, Nuzman foi intimado a comparecer na Polícia Federal. Também foram realizadas buscas e apreensões em sua residência e empresas.
“Com efeito, Carlos Nuzman mantinha recursos ocultos no exterior e somente os declarou à Receita Federal por meio de retificação da DIRPF na data de 20/09/2017, ou seja, após a deflagração da Operação Unfair Play. Ciente das apreensões realizadas em sua residência, inclusive de informações e elementos que levariam ao conhecimento de tais bens no exterior, Carlos Nuzman tentou regularizar sua situação”, disse a denúncia.
Um dos objetos apreendidos pela equipe da Lava Jato foi uma chave que os procuradores desconfiam que pode corresponder a um cofre do presidente do COB na Suíça. Ela estava guardada junto a cartões de visita de agentes que trabalham com “serviço de locação”. “Sabendo dessa apreensão, Nuzman tentou adiantar-se para evitar que as barras de ouro possivelmente depositadas no aludido cofre fossem descobertas pelas investigações. Segundo o MPF, Nuzman teria feito retificações em sua declaração para incluir valores em dinheiro vivo, bem como as barras de ouro de 1kg cada.
O Estado ainda não conseguiu contato com a defesa do ex-presidente do COB, para que comente a denúncia.
1 Comentários

Uma ideia sobre “Preso nesta quinta, Nuzman atraiu empresas e dinheiro público para o COB

  1. Darth Vader

    Este é mais um vagabundo notório que achou que com ele nunca ia acontecer nada. Agora vai ter que tocar piano como todo meliante, que ele é.

    Responder

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