Quatro vezes hostilizada, apesar da blindagem

13 junho, 2014 às 10:00  |  por Fernando Tupan

Dilma Rousseff

A presidente Dilma Rousseff tentou ser discreta para evitar a repetição das vaias recebidas no ano passado, na abertura da Copa das Confederações, mas não deu certo. Por quatro vezes, ela — que não discursou, não declarou oficialmente aberta a Copa do Mundo, nem sequer foi anunciada no sistema de som do estádio — foi xingada por torcedores presentes no Itaquerão, em São Paulo, para assistir ao jogo de abertura entre Brasil e Croácia.

Dilma ofereceu ontem um almoço para nove chefes de Estado e foi direto à arena. Lá, tomou um elevador privativo que a levou para a área reservada às autoridades, onde já se encontrava o presidente da Fifa, Joseph Blatter. As primeiras hostilidades aconteceram antes mesmo do início do jogo. Um grupo de pessoas sentadas na área vip (o setor mais caro), gritou, em um coro que acabou se espalhando pelas arquibancadas. “Ei, Dilma, vai tomar no c…”. O mesmo xingamento foi estendido à entidade máxima do futebol: “Ei, Fifa, vai tomar no c…”.

O protesto da torcida durou menos de um minuto, mas confirmou as preocupações do Palácio do Planalto. A própria presidente optou por não se pronunciar no evento, alegando que este era um momento da Seleção. Encaminhou uma carta desejando sorte aos jogadores, pediu aos jornalistas, na saída do hotel onde ofereceu o almoço para os chefes de Estado, que se “concentrassem para o jogo”, mas não quis arriscar palpites de placar.

Após o Hino Nacional, embora tenha demonstrado emoção com a música encerrada à capela pelo coro de 62 mil vozes presentes ao estádio, mais uma vez Dilma foi xingada por parte dos torcedores brasileiros. Os apupos e as ofensas foram abafados por aplausos, gritos e assobios direcionados aos jogadores e cessaram quando a bola rolou e a política cedeu espaço ao futebol.

Com o sofrimento diante de um empate duro com a Croácia, os torcedores se esqueceram da presença da presidente no estádio. Mas, quando Neymar converteu o pênalti, inexistente, e virou o jogo para o Brasil, o telão mostrou uma Dilma, vestida de verde, comemorando. Foi a deixa para, mais uma vez, ela ser hostilizada com a mesma frase dita anteriormente.

Dilma ainda foi xingada uma última vez, próximo ao fim da partida, quando Oscar, de biquinho, fez o terceiro gol, selando a primeira vitória do Brasil na Copa do Mundo realizada em casa. Com isso, Dilma foi hostilizada mais vezes do que na abertura da Copa das Confederações no ano passado, quando foi vaiada em três oportunidades — em nenhum momento, os torcedores presentes no Estádio Nacional de Brasília xingaram a presidente.

Ausência de Lula

Para o vice-presidente do PT, deputado José Guimarães (CE), os ataques à presidente estavam misturados com as vaias direcionadas à seleção da Croácia. “Não vi tanta gente assim vaiando a presidente”, desconversou ele, que estava chegando à Fifa Fan Fest de Fortaleza, acompanhado do governador do Ceará, Cid Gomes. Na próxima terça-feira, a capital cearense sediará a partida entre Brasil e México.

Para o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), as vaias e críticas direcionadas a Dilma só fazem sentido se forem analisadas pela ótica dos pessimistas que “torciam para que a Copa no Brasil fosse um fracasso, o que não será”. E completou. “Foi um ato desrespeitoso, mas a presidente terá maturidade para encarar isso. Ela tem muitas coisas a mostrar ao Brasil, além da Copa, e o povo saberá reconhecer isso nas urnas”, completou.

Já o vice-presidente do PSDB, Alberto Goldmann (SP), concorda que é natural políticos serem vaiados em jogos de futebol, por serem elementos estranhos ao ambiente. “Mas ser xingada sem ter sido anunciada, sem ter feito discurso, mal aparecendo no telão, mostra o nível de rejeição que ela enfrenta em São Paulo”, disse Goldmann, acrescentando que, se Lula estivesse no Itaquerão ontem, também teria sido criticado. “Por que ele, grande autor intelectual deste Mundial, recusou-se a assistir ao jogo no estádio? A rejeição de ambos entre os paulistas é equivalente”, disse o dirigente tucano.

Do Correio Braziliense

1 Comentários

Uma ideia sobre “Quatro vezes hostilizada, apesar da blindagem

  1. gabi

    Não sou PT, mas fiquei indignada com a falta de educação expressa pelo xingamento grosseiro destinado a uma senhora. Ser contra um determinado governo é uma coisa, agora, ser estupido, mal educado, machista, grosseiro, entre outros adjetivos, é o cúmulo do absurdo!!!!!!

    Responder

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