Sobre um cowboy veloz

13 julho, 2013 às 15:16  |  por Fernando Tupan

Osama Bin-Laden

Rodrigo Craveiro

Enquanto os Estados Unidos ainda choravam seus mortos nos atentados terroristas contra o World Trade Center e o Pentágono, militares paquistaneses viam o homem mais procurado do mundo escapar por entre os dedos. O excesso de velocidade quase custou a Osama bin Laden a liberdade, entre 2002 e 2003. O carro no qual o líder da rede terrorista Al-Qaeda viajava foi parado pela polícia no Vale do Swat, no centro-norte do Paquistão. A retórica de um lugar-tenente, que conversou pessoalmente com os agentes da lei, “salvou” Bin Laden. Anos depois, o extremista adotou um disfarce “abaixo de qualquer suspeita”. Durante a longa estada — seis anos — em uma mansão situada próximo ao setor militar da cidade de Abbottabad, Osama aparou a barba e usou um chapéu de vaqueiro nos banhos de sol. É incrível que um cowboy num país tão islamizado quanto o Paquistão não tenha atraído a atenção das autoridades.

As revelações fazem parte de relatório divulgado pelo próprio governo paquistanês e sugerem duas coisas: uma incompetência descomunal das autoridades do Paquistão ou uma condenável relação promíscua entre setores do serviço de inteligência de Islamabad e o extremismo islâmico. Analistas paquistaneses com quem conversei creem que militares aposentados provavelmente soubessem da presença de Bin Laden no país. Também admitem que autoridades de baixo ou médio escalão paquistanesas forneceram apoio pessoal ou institucional ao chefe da Al-Qaeda. A execução de Bin Laden, por meio de um operativo secreto das forças especiais americanas Seals, teria sido possível por mérito dos EUA, mas, também, pela inabilidade do Paquistão em detectar a ofensiva iminente.

Incapacidade similar foi apresentada pelas autoridades brasileiras, ao assumirem, em 2001 e em 2008, que Washington tinha o poder de se intrometer em comunicações eletrônicas. Doze anos se passaram e nada foi feito. As denúncias de Edward Snowden, ex-agente da CIA, provocaram reações preocupantes da cúpula ministerial. Celso Amorim, titular da Defesa, disse que o país ainda está na infância no que se refere à segurança cibernética e chegou a admitir que não usa e-mails para tratar de assuntos importantes. O chanceler, Antonio Patriota, saudou a disposição ao diálogo, por parte dos EUA. E se fosse o contrário? Tio Sam teria lançado sua cartola — ou chapéu de cowboy — sobre as estruturas de poder do Brasil. O Paquistão que o diga.

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