Valdir Rossoni, chefe da Casa Civil do Paraná, é citado em delação de empresário acusado de desviar dinheiro da construção de escolas

2 setembro, 2017 às 07:21  |  por Fernando Tupan

O secretário-chefe da Casa Civil do Paraná, Valdir Rossoni (PSDB), é citado no acordo de delação premiada que o dono da Construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, firmou com o Ministério Público Federal (MPF). O G1 e a RPC Curitiba tiveram acesso à colaboração, que ainda precisa ser homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com o empresário, ele repassou a Rossoni cerca de R$ 460 mil por contratos que a construtora fechou para executar obras em Bituruna, no interior do Paraná. As informações são do G1.

Valdir Rossoni negou as acusações. Ele disse que renuncia ao cargo público, se houver qualquer prova do envolvimento dele em irregularidades nas obras.

A Construtora Valor é um dos principais alvos da Operação Quadro Negro, que investiga desvio de dinheiro que deveria ser usado para a construção de escolas estaduais no Paraná. O rombo ao cofre público é de pelo menos R$ 20 milhões, de acordo com as investigações.

Em um depoimento prestado ao Ministério Público Federal, Souza afirma que foi Rossoni quem lhe apresentou ao diretor da Secretaria da Educação, Maurício Fanini, responsável por fiscalizar o andamento das construções contratadas junto à Valor.

Segundo as investigações, a equipe que Fanini chefiava produzia relatórios fraudulentos, indicando que as obras estavam em estágios mais avançados do que os constatados nos canteiros. Com isso, o governo realizava os pagamentos à Valor, sem saber que muitas das construções estavam quase paradas.

Primeiras licitações

No mesmo depoimento, Souza diz que as primeiras licitações vencidas pela Valor foram em 2011, em Bituruna, no sul do Paraná. A cidade é o reduto eleitoral de Rossoni que, à época, era deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa.

Segundo Souza, quando a data da primeira licitação se aproximava, o então assessor de Rossoni, Gerson Nunes da Silva, teria lhe chamado ao gabinete da Presidência da Assembleia.

Na conversa, o assessor disse que a Valor venceria a licitação, mas que de tudo que recebesse em Bituruna, teria que repassar 10% ao então deputado. Os pagamentos deveriam ser feitos sempre a Gerson.

Souza disse que chegou a questionar Gerson sobre o valor da propina. No depoimento, o empresário afirmou que Gerson foi até o gabinete do deputado e, após alguns minutos, voltou dizendo que Rossoni afirmou que era aquilo mesmo, que estava barato e que a licitação seria fechada com preço cheio, ou seja, o máximo previsto no edital.

Entre as licitações que a Valor venceu em Bituruna estão a construção de uma praça e de uma escola estadual. Essas obras foram concluídas.

Gerson Nunes da Silva negou as acusações e disse que está à disposição da Justiça. A defesa de Fanini não quis se manifestar.

Pagamentos na Assembleia

O empresário afirmou que os pagamentos da propina eram feitos dentro da Assembleia Legislativa. Ele afirmou que subia até Presidência e entregava o dinheiro na sala de Gerson. O assessor era quem fazia a contagem das notas.

Conforme Souza, enquanto a Valor fazia as obras em Bituruna, as visitas ao gabinete de Rossoni eram praticamente semanais.

Eduardo Lopes de Souza também disse que Gerson o chamou na Presidência da Assembleia para cobrar outros R$ 140 mil, que faltavam para inteirar os 10% combinados.

Leia a nota divulgada pela assessoria do Rossoni

“Valdir Rossoni reafirma que não há irregularidade nas obras de Bituruna. As obras foram concluídas e estão lá para quem quiser fiscalizar. Sobre os valores referentes à economia da Assembleia Legislativa, não há como direcionar recursos para obras específicas, por tratar-se de um caixa único do Executivo. Valdir Rossoni diz que renuncia ao cargo público, se houver qualquer prova de envolvimento em irregularidades nessas obras”.

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