A importância da reabilitação

7 maio, 2017 às 23:41  |  por Manoel Negraes

O excelente depoimento da querida amiga do Rio de Janeiro Fernanda Shcolnik (link abaixo), que como eu tem baixa visão, apresenta de maneira objetiva a importância do processo de reabilitação para as pessoas que adquirem uma deficiência visual. Mais ainda, esse relato de experiência me traz algumas reflexões que envolvem a qualidade de vida das pessoas com todos os tipos de deficiência.

De fato, é durante o processo de reabilitação que nós, pessoas com deficiência, podemos aprender ou reaprender a fazer nossas atividades cotidianas com autonomia. E é também durante esse período que nós passamos a ter mais consciência de nossos limites, das situações nas quais vamos precisar, sempre com independência, da ajuda de outra pessoa.

Conquistar – ou reconquistar – autonomia, sem dúvidas, é fundamental para a nossa auto-estima e segurança, além de estar relacionada diretamente com a aceitação da nova condição. Contudo, o conhecimento de nossas reais dificuldades (por nós e pelos outros que convivem com a gente) possibilita um desenvolvimento mais tranquilo e, ao mesmo tempo, evita a superproteção, tão comum em nossas vidas.

Não é raro as pessoas – inclusive as mais próximas – nos ajudarem mesmo em momentos nos quais não precisamos. Toda a ajuda, quando necessária, é sempre bem-vinda, mas não subestimar nossas capacidades, respeitar nossas vontades e estimular nossa autonomia são atitudes essenciais.

Nesse sentido, Nanda ressalta o papel que os apoios técnicos (bengala) e os recursos tecnológicos (leitor de tela) exercem na vida cotidiana das pessoas com deficiência visual, visto que estes garantem a autonomia para a locomoção ou para o uso de computadores. Um contato com apoios e recursos que, por sinal, pode proporcionar, mais do que o conhecimento de nossas capacidades e de nossos limites, uma melhor compreensão da deficiência a partir das experiências com as inúmeras barreiras impostas nos diversos ambientes sociais.

Em outras palavras, é no processo de reabilitação que nós, pessoas com deficiência, começamos a ter outra consciência do nosso corpo, ou seja, de nossas habilidades e limitações e, com base nas experiências citadas acima, da relação do nosso corpo com o meio social, que pode facilitar ou dificultar a nossa autonomia, dependendo do acesso ou não aos recursos e apoios necessários e da presença ou da eliminação das barreiras físicas, de comunicação, atitudinais (superproteção), entre outras. Um processo, aliás, que começa no período de reabilitação em si e que pode e deve continuar em atividades posteriores, realizadas dentro e fora do ambiente institucional, como um aprendizado permanente, um processo de desenvolvimento contínuo.

Somado a tudo isso, Nanda ainda lembra os aspectos que envolvem a convivência com outras pessoas com deficiência em uma instituição especializada. De fato, ao lado das atividades individuais – por exemplo, a Orientação e Mobilidade, no caso das pessoas com deficiência visual –, esses momentos de convivência são importantes para combater a ideia de “tragédia pessoal”, para a troca de experiências com quem enfrenta dificuldades semelhantes, para a nossa aceitação e, com isso, para o entendimento da deficiência como uma questão coletiva, política e social.

Por tudo isso, reafirmo a dica da minha amiga, de que as pessoas com deficiência devem procurar em suas cidades os locais onde possam ter acesso a um programa de reabilitação. Porém, infelizmente, na maioria das cidades brasileiras, sobretudo nas cidades do interior do país, esse acesso é precário ou inexistente.

Nesses casos sugiro que as pessoas com deficiência e seus familiares procurem o poder público, o Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência – ou, por exemplo, da Saúde ou da Assistência Social – para cobrar esse direito garantido na legislação. Mais ainda, sugiro também, se for preciso, procurar apoio jurídico e o Ministério Público para fazer valer seus direitos básicos.

Quem tiver dificuldades, podem postar comentários ou enviar e-mails que eu, dentro do possível, posso tentar ajudar. Afinal, juntos somos mais fortes.

Reabilitação: segurança e autonomia para as pessoas com Deficiência Visual

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