Sobre o Dia das Mães em três atos

14 maio, 2017 às 22:06  |  por Manoel Negraes

Neste Dia das Mães gostaria de trazer alguns comentários e dicas em três atos.

 

1º ATO

Pelas redes sociais, no caso o Facebook, tive a felicidade de conhecer os belíssimos textos da paraibana Joyce Guerra Jobis, que atualmente mora em Guaxupé, Minas Gerais. São relatos da vida cotidiana que apresentam, de forma inteligente e acessível, as experiências de uma mãe e seus três filhos.

Joyce escreve, por exemplo, sobre várias situações nas quais enfrenta o preconceito e convive com a falta de informação ainda muito presentes em nossa sociedade. Isso porque ela tem deficiência visual, o que faz com que as pessoas questionem a sua capacidade para cuidar de seus filhos ou cobrem deles atitudes inadequadas.

Porém, os textos que mais gostaria de destacar são os que trazem reflexões sobre a relação mãe e filho, a busca por uma educação adequada, a construção do vínculo familiar sempre com respeito, carinho e profundidade. Tudo isso, independentemente da deficiência visual, tendo como foco principal a riqueza e a complexidade da experiência materna.

Portanto, a minha intenção com essas breves palavras é deixar você curioso. Procure a Joyce no Facebook, conheça os textos dessa mulher e mãe que se coloca no mundo de um modo tão profundo e lindo que aqui eu não conseguiria explicar. Você não vai se arrepender.

 

2º ATO

Já escrevi em outro texto sobre como a questão da deficiência ainda aparece de forma inadequada nos meios de comunicação. Geralmente, são programas que reforçam estigmas e o assistencialismo, barreiras que prejudicam a nossa luta por respeito e dignidade.

No entanto, fiquei surpreso ao ouvir o quadro “Desde Criancinha” da Rádio Band News, em homenagem ao Dia das Mães. Nesta edição, foram entrevistadas crianças que frequentam a Fundação Dorina Nowill para Cegos, em São Paulo.

De maneira natural, as crianças falaram de suas mães, dos pratos preferidos, das broncas, do cuidado, enfim, das questões comuns nas relações entre mães e filhos. A deficiência visual não foi, durante o quadro, o tema principal, surgindo levemente em apenas uma pergunta, como mais um dos pontos da entrevista.

Um pequeno espaço em um grande canal de comunicação de massa que apresentou depoimentos de filhos com deficiência visual sobre a figura materna valorizando as crianças por inteiro e não aquilo que supostamente falta nelas.

Ouça pelo link: http://bandnewsfm.band.uol.com.br/Colunista.aspx?COD=265

 

3º ATO

E por falar na Fundação Dorina Nowill para Cegos, gostaria de citar o exemplo da minha mãe, que atravessou com força todas as fases que geralmente os pais e as mães atravessam quando descobrem a deficiência de um filho: o luto, a negação, a frustração, a superproteção e, enfim, a aceitação.

Foi após o primeiro contato com essa instituição, em 2000, que ela passou a experimentar essas sensações e a vivenciar esses sentimentos, tão comuns e legítimos, de maneira mais intensa e concreta. Mais ainda, foi nessa instituição que, após o diagnóstico, nós dois descobrimos juntos que havia outros caminhos e inúmeras possibilidades.

Sem dúvidas, Anna Mathilde é a responsável por diversas conquistas que alcancei, sobretudo no início da reabilitação e do convívio com a minha nova condição. E entre erros e acertos, mas sempre com amor e dedicação, ela aprendeu comigo que o problema não estava em mim, mas sim em uma sociedade despreparada.

Assim, deixo aqui a minha gratidão eterna e o meu reconhecimento a todas as mães que fazem o possível e o impossível para que seus filhos com deficiência tenham uma vida com dignidade.

1 Comentários

5 ideias sobre “Sobre o Dia das Mães em três atos

  1. José Alcides Marton da Silva

    Beleza Manú, esperava comoção, avental todo sujo de ovo e você vem com uma reflexão incisiva, não gosto de que digam que pai e mãe de pessoas com deficiência são heróis, são especiais… Somos só país é mães! Beijo Manú!

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  2. Lucas Henriques

    Excelente artigo, Manoel! Esclarecedor e sensível ao mesmo tempo e ainda com uma justa e bonita à sua mãe e a todas as mães que lutam e se dedicam ao amor a seus filhos, numa sociedade de tanto desamor. Um abraço querido camarada!

    Responder

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