Vindouro: surpresas
Tive o prazer de experimentar ostras preparadas por um especialista e vencer o preconceito que tinha de só comê-las frescas, com limão e sal. O responsável pela proeza foi o chef francês Alain Uzan, o consultor do restaurante Vindouro. Fui seduzida. Nem preciso dizer que vou virar fã. A iguaria poderá ser degustada em três dias na semana no novo estabelecimento da cidade. Tomei coragem de provar depois de pesquisar um pouco sobre a vida desse simpático chefe. Ele é do ramo há quase 30 anos, cresceu na cozinha do restaurante dos pais na França e trabalhou muito tempo com frutos do mar. Era a senha de que precisava para me jogar com confiança e experimentar o roteiro sugerido por ele para saborear as ostras, começando pela natural, seguida da “balochon” de salmão marinado e ovas, depois a vietnamita e a Roquefeller, que é gratinada, e a beurre blanc encerrando a ciranda. A natural e a Roquefeller estavam muito boas, mas perderam para as demais, que brilharam majestosamente. Falando sobre as diferenças entre as ostras de cativeiro, Alain contou que todas as ostras cultivadas são da mesma matriz japonesa, o que difere é o tamanho, dependendo do tempo em que é tirada, e a água, doce ou salgada.
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A outra surpresa da casa é logo na entrada, ninguém imagina encontrar uma loja bem montada lá dentro, com mais de 400 rótulos, entre tintos, brancos, rosés, espumantes e vinhos de sobremesa, além de produtos importados, como massas, doces e bacalhau.
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A casa é acolhedora, tem espaços externos para fumantes, que ganhará aquecedores no inverno, e um para reuniões privadas, onde o cliente pode até cozinhar, se quiser. A impressão é de que o local já funcionava há muito tempo porque está tudo bem organizado e está sempre cheio, mesmo sem propaganda.
Assim é o Vindouro dos empresários Silvana Fetter e Eliseu Fernandes, instalado na divisa entre os bairros do Cabral e do Juvevê e que veio dar uma luz para esse lado da cidade, carente de locais mais sofisticados. Sem alarde, eles levaram um ano entre o planejamento, a execução do projeto e abertura do local. O encontro dos três, incluindo aí o chef consultor, foi na enogastronomia – uma paixão – que fechou a parceria do mais novo restaurante de Curitiba.
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A advogada atuante adora cozinhar e vibra quando fala do seu projeto. “Para mim é uma espécie de plano ‘b’”, brinca, deixando evidente a felicidade com a nova possibilidade. Mãe de três filhos, fiquei pensando como dá conta de tudo. A paixão pelo negócio também é evidente em Eliseu, um sommelier respeitado na cidade, que sempre pensou em abrir uma casa como essa.
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Alain Uzan
Há dez anos no Brasil, o parisiense já se sente paulistano. A decisão de morar no Brasil foi rápida, aconteceu quando retornava ao seu país depois de uma viagem de férias aqui. Alain tem formação na área, mas o seu aprendizado vem da prática, é daquelas pessoas que vibram com a gastronomia. Aos 18 anos começou a trabalhar na cozinha com seu pai e dedicou-se também a arte da panificação, o resultado pode ser comprovado no Vindouro, os pães servidos são maravilhosos. Quem gosta de comer bem sabe que quando um restaurante oferece uma variada e ótima cesta de pães a refeição deverá ser boa. Alain trouxe toda a sua experiência para a casa curitibana e além de treinar a equipe comandada por três cozinheiros: Daniel Camargo, Giuliano Hahn e Guilherme Virmond volta todo mês para fazer os ajustes necessários.
A cozinha foi toda desenhada por ele, fez questão de mostrar a estufa onde é guardada a louça que é aproveitada para manter quente os pratos já preparados. “Gosto de planejar a cozinha porque assim você pode reduzir problemas de higienização, por exemplo”, explica.
Sucesso
O sucesso da casa talvez também seja por conta do nome: Vindouro – vindo + ouro – que significa também posteridade. Talvez porque todos colocaram seus sonhos ali e trabalham para dar certo. Talvez seja ainda pela torcida para que o Vindouro tenha vida longa, pelo menos é a vontade dos moradores da região onde está localizado o restaurante, incluindo essa blogueira. Acho que a localização também ajudou. O local fica numa esquina privilegiada: uma via expressa que dá visibilidade e duas paralelas bem tranquilas que garantem estacionamento aos clientes, e Guarda-mor Lustosa – o nome de uma das ruas que passa em frente ao restaurante – foi um próspero comerciante e sertanista, fundou uma cidade em Minas Gerais e descobriu minas nesse Estado e no Paraná, em Tibaji.
No jantar servido: pratos bem feitos e saborosos.
Couvert: pães de limão, mel com amêndoas, pesto e tradicional. Prosecco Incontri – Piera Martelozzo
Entrada: Ciranda de ostras, Roquefeller, vietnamita, natural, beurre blanc e com balochon de salmão marinado e caviar. Champagne Pierre Gimonnet & Fils Blanc de Blancs
1º Prato
Peixe do dia (pescada amarela), com molho de vongoli e legumes no vapor. Champagne Pierre Gimonnet & Fils Brut Premier Cru Gastronome 2004.
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2º Prato
Costelas de cordeiro com vagem ao bacon e molho de tomilho. Champagne Paul Bara Grand Rose Gran cru 100%.
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Sobremesa
Trilogia: creme brulle, nougat glacê e profiteroles. Chateau Doisy Daëne Sauternes – 2002.

16 abril, 2009 às 13:17
Oi Jussara,
O jantar estava realmente muito bom.Eu também tinha um pouco de preconceito com ostras cozidas. Gostei bastante e é outra maneira de preparo, mas continuo achando as frescas imbatíveis. Que o Vindouro tenha muito sucesso.
bjs