Agrotóxicos
O tomate deixou de ser o vilão. De acordo com a reportagem da Folha de São Paulo, depois de irregularidades encontradas em 45% das amostras em 2007, no ano seguinte, o percentual caiu para 18%. Agora é a vez do pimentão. O ministro da Saúde mandou tirar o produto do cardápio na sua casa, que de acordo com a Anvisa é o que contém mais agrotóxico agora. Os consumidores ficam perdidos. Não existe estudos científicos que relacionem seu consumo e uma possível intoxicação. Acho que o conselho de uma médica endocrinologista minha amiga é prudente: “comer de tudo, mas pouco”.
Folha de São Paulo
Pimentão contém mais agrotóxico, afirma ANVISA
Em amostras de 17 alimentos vendidos em supermercados, a agência também encontrou substâncias químicas não permitidas
Outro problema tem sido a importação de pesticidas proibidos em outros países, como o metamidofós, que foi vetado na China em 2008
ANGELA PINHO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Análises da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 17 alimentos encontraram problemas com agrotóxicos em 15% das 1.773 amostras.
O produto com mais irregularidades foi o pimentão (64%), seguido por morango (36%), uva (33%) e cenoura (31%).
Foram examinados grãos, frutas e verduras vendidos em 2008 em supermercados de todos os Estados -exceto Alagoas. Todos eles tiveram amostras em que foram detectados resíduos de agrotóxicos não permitidos para aqueles produtos. Em nove, havia resquícios de substâncias autorizadas, mas acima do nível permitido.
A Anvisa encontrou ainda um agrotóxico proibido no Brasil desde 1985. É o ometoato, detectado na cultura de abacaxi. O fato será comunicado ao Ministério da Agricultura e à Polícia Federal.
A agência e o Ministério da Saúde orientaram as pessoas a se informarem sobre a origem dos alimentos que compram e os lavarem bem. “Já mandei tirar o pimentão lá de casa”, disse o ministro José Gomes Temporão (Saúde).
Segundo Agenor Álvares, diretor da Anvisa, entre os possíveis problemas à saúde humana causados pelos agrotóxicos está o câncer. A maior parte dos casos, porém, ocorre com os trabalhadores que lidam diretamente com as substâncias.
Em 2006, último ano com dados disponíveis, foram registrados sete casos de intoxicação por agrotóxico por consumo alimentar e 1.927 durante o trabalho, segundo a Fiocruz.
José Menten, diretor-executivo da Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal) afirmou que a indústria aumentará a assistência técnica aos produtores. “Se temos baixos níveis no arroz [4,41% das amostras insatisfatórias], podemos ter também no pimentão.”
O programa da Anvisa é realizado desde 2001. Em 2007, o tomate foi o alimento com mais irregularidades encontradas -45% das amostras tinham problemas. Em 2008, o percentual caiu para 18%.
Importações
Outro problema ligado aos agrotóxicos que tem preocupado a Anvisa é o aumento da importação de substâncias proibidas em outros países. Um exemplo é o metamidofós, usado na cultura do tomate.
Dados do Sistema Integrado de Comércio Exterior mostram que, em 2008, ano em que a China proibiu o produto, foram exportados para o Brasil 4,2 mil toneladas. Nos dois primeiros meses de 2009, já entraram no país 4,4 mil toneladas de metamidofós. A agência reavalia agora o registro de 13 substâncias para decidir se elas devem ser proibidas.
População não deve descartar os alimentos
FERNANDA BASSETTE
RACHEL BOTELHO
DA REPORTAGEM LOCAL
Embora os agrotóxicos presentes nos alimentos sejam prejudiciais à saúde, os danos podem demorar anos para aparecer e não há estudos científicos que relacionem seu consumo e uma possível intoxicação.
Segundo Eduardo Mello De Capitani, toxicologista da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), vários tipos de agrotóxicos são usados nos alimentos, e o levantamento da Anvisa não deixa claro quais estão em excesso. O relatório também não aponta o quanto esses agrotóxicos excedem o limite. “É diferente a pessoa ingerir um alimento que possui agrotóxico um ponto acima do limite e outro que esteja 20 pontos acima”, diz.
Para Délio Campolina, presidente da Sociedade Brasileira de Toxicologia, o efeito maléfico do consumo dessas substâncias pode demorar anos para aparecer. “A pessoa come a fruta e não sente alteração no gosto nem passa mal.”
Mas, segundo Eloisa Dutra Caldas, professora do departamento de toxicologia da UnB (Universidade de Brasília), a população não deve deixar de ingerir os alimentos avaliados, já que o risco da exposição aos agrotóxicos é menor do que o benefício potencial do consumo de frutas e legumes.
A melhor maneira de eliminar o excesso de agrotóxicos é lavar os alimentos com uma esponja com detergente neutro. “Mas, dependendo da quantidade, o agrotóxico pode estar até na polpa”, afirma Campolina.



