O imponente Deutz

6 May, 2009 por Jussara Voss
16:03

O vinho virou champagne, isso no século XVII quando o monge Pierre Pérignon desistiu de jogar fora a bebida que insistia em borbulhar; Napoleão invadiu a Prússia e a família alemã Deutz refugiou-se no nordeste da França; com o tempo a bebida se tornou conhecida e dois jovens empreendedores, William da família imigrante e seu cunhado Pierre-Hubert Geldermann, fundaram na pequena Aÿ, em 1838, a casa de sobrenome forte com um produto de excelência. Cinco gerações passaram pela propriedade até a incorporação da marca em 1993 pelo grupo Louis Roederer e o champagne Deutz continuou sua trajetória evolutiva no mercado, conquistando fãs.


Hoje, graças ao visionário alemão Deutz, podemos admirar a perlage perfeita de uma bebida expressiva, deliciosa, apaixonante. Bem dizem que beber champagne é perigoso, claro, ficamos dependentes. Dependentes do prazer. O diretor da Deutz desde 1996, Fabrice Rosset, esteve em Curitiba, para divulgação dos produtos da marca. Eu participei de uma degustação na última quarta-feira (29) na sede da importadora Porto-a-Porto, em Curitiba. Com experiência no mercado de vinhos, Rosset diz que um conjunto de fatores contribui para a qualidade do produto. “Dedicação, conhecimento acumulado, técnica, investimento em equipamentos”, afirmou. Orgulhoso do ranking mundial dos produtos da vinícola, Rosset sabe que o “vinho da elegância” exige trabalho. “A experiência dá um caminho, mas nada está escrito na terra”, vaticina. De acordo com o diretor, o estilo da Deutz é o mesmo, o grupo só investe para elevar a qualidade e conta também com uma equipe talentosa para isso.


Com uma produção em 190 hectares (área total), a Deutz arrenda outras propriedades, isso porque o valor da terra na região chega a valores estratosféricos, cerca de 1 milhão de euros por hectare.  A obsessão pela qualidade é comprovada com a utilização de cerca de 40% de vinhos “reserva” e uma grande quantidade de uvas de vinhedos “grand cru”, também só fazem vinhos da primeira prensagem (“cuvée”). Por isso, o preço um pouco elevado, pelo menos aqui, “não dá para fazer milagre”, brinca o aficionado pela bebida, Fabrice Rosset. A Blan de Blan de Deutz, por exemplo, pode ser guardada até por 10 anos, o que é um diferencial, pois é muito difícil isso acontecer. Com o impulso da aquisição da casa pelo grupo Louis Roederer os produtos da Deutz ficaram mais conhecidos. Os restaurantes Durski e Madero, por exemplo, que costumavam servir outra bebida em taça já trocaram pela Deutz. “A qualidade foi decisiva para a substituição”, afirmou o sommelier da casa curitibana Jorge Ferlin. Perguntei qual o melhor horário para beber champagne e ele me disse que a bebida não é um vinho de celebração, “é um vinho que se pode tomar a qualquer momento”. Então, saúde!

Deutz Brut Classic
Prepara o paladar. Ótima para acompanhar uma entrada, ou os primeiros pratos. É o primeiro produto da casa, depois seguem outros oito exemplares ampliando a sofisticação da bebida. Recomendada.
Deutz Rose
As bolhas finas que sobem na taça já indicam um ótimo produto, depois o aroma, com notas de amêndoas e de frutas maduras, confirmam essa expectativa, finalmente, o gosto e a textura seduzem totalmente. O sabor permanece na boca, estimulando o desejo de beber mais. Harmoniza bem com carnes e até sobremesas sem muito açúcar.
Deutz Demi-Sec
A demi-sec da Deutz foi uma surpresa. O açúcar não atrapalha como de costume em outras marcas e a bebida mostra todo o seu frescor. Uma delícia.

 

1 Comentário para “O imponente Deutz”

  1. [...] tive a honra de conhecer o champagne Deutz no ano passado, leia aqui, numa degustação promovida pela importadora Porto a Porto, que já me apresentou grandes [...]

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