Aula imperdível: cozinha portuguesa contemporânea com Luis Américo e Marco Gomes
Quando bati os olhos na relação dos pratos da aula – sopa cremosa de míscaros com alheira de caça; açorda de camarão e bacalhau Dias; e aletria dourada com pêra cozida em porto e farófia de canela – dos chefes portugueses Luis Américo e Marco Gomes, tive certeza de que eu não poderia perder por nada deste mundo. Eu estava certa. Competentíssimos e simpáticos. A dupla da nova geração de chefes portugueses, que esteve em Curitiba recentemente, impressionou quem os conheceu. A promoção foi do Centro Europeu, em parceria com a importadora Porto a Porto, a TAP (Transportes Aéreos Portugueses) e a Vinícola Caves Messias.

Míscaros, alheira, boletus, açorda, farófia. Portugal consegue estar tão perto e tão longe de nós ao mesmo tempo. Aliás, o escritor Cristovão Tezza escreveu sobre nossas diferenças e dificuldades de entendimento na sua coluna na semana passada. Vale a pena ler. Então, vocês já imaginam que uma apostila de tradução, aliás, muito bem feita, coisa de português, que costuma ser claro, o que é motivo de piada aqui, injustamente vale ressaltar, foi necessária. Prevenida que sou, quando fui pela primeira a Portugal procurei comprar um dicionário. Não achei. Schifaizfavoire, o excelente livro bem-humorado do Mario Prata que eu procurava está esgotado, se alguém aí souber onde posso encontrá-lo, favor avisar esta blogueira. Nele o escritor conta seu sofrimento em se fazer entender por lá e mostra sua coleção de expressões. Mas na aula com os chefes portugueses não foi o vocabulário que atrapalhou, a dificuldade maior foi controlar a turma. Formada por jornalistas, chefes e gourmets, a muito bem equipada cozinha da escola estava um “fervo”.

Apesar de os chefes pedirem silêncio o tempo todo, o grupo eclético, não dava trégua. O chefe Luis Américo desistiu e Marco Gomes, o mais energético dos dois, subiu nas “tamancas” e deu um jeito. Mesmo com as broncas, foi difícil controlar, mas ao final da aula o resultado surpreendeu todo mundo. Com tanta gente aplicada não poderia ser diferente. Até os chefes portugueses gostaram. Marco Gomes considerou, por ser a primeira vez, “muito bom”. Os alunos provaram e aplaudiram. Eu quero companhia para testar os pratos dos chefes. Alguém se oferece? Encerrando a semana portuguesa em Curitiba, os dois chefes da cidade do Porto foram cozinhar no restaurante Durski. Quem promoveu foi a Cave Messias e quem esteve lá disse que foi o melhor jantar dos últimos meses. Palavra de gourmet e dono de restaurante. No cardápio: queijo de cabra com maçã verde, bacalhau em pão de azeitonas e o lombinho de porco com purê de alheira, entre outros, que acompanharam alguns dos rótulos produzidos na Bairrada (Quinta do Valdoeiro), no Dão (Quinta do Penedo) e no Douro (Quinta do Cachão). Nomes para serem anotados. Veja o currículo dos dois e o significado de alguns ingredientes.
Fotos: Eduardo Betinardi
Míscaros: cogumelos silvestres.
Alheira: um “enchido” defumado criado pelos judeus para escapar da Inquisição.
Acorda: prato típico da região do Alentejo feito com pão esmigalhado e temperado. Originário das regiões mais pobres. Tem uma semelhança com o nosso vatapá.
Aletria: “do árabe al-irtià, é uma massa de farinha”. É o “cabelinho de anjo”.
Farófia: doce português servido em todo o país.
Professor de gastronomia de diversas instituições de ensino em Portugal, Marco Gomes participa semanalmente do programa Rúbricas da Culinária, da rede de televisão portuguesa RTP, trabalhou como chef em renomados restaurantes de sua terra natal e, atualmente, é chef-proprietário do Restaurante Foz Velha (Porto), e comanda o Restaurante Segredos da Terra (Felgueiras). Além disso, Marco Gomes foi o chef convidado, pela ONU, para a Semana Gastronômica de Portugal, em Nova York, no ano de 2007, e colabora constantemente para o desenvolvimento de diversos livros e revistas voltados para o mercado gastronômico. Oriundo de Alfândega da Fé, Marco Gomes tem vindo a conquistar um lugar de destaque entre os mestres da gastronomia em Portugal. Membro da Equipa Nacional de Cozinheiros e vice-presidente da 1ª Associação Profissional de Cozinheiros e Pasteleiros do Norte de Portugal, este chefe transmontano participou em 2005 na World Culinary Grand Prix, na Escócia, e foi Medalha de Bronze, por duas vezes consecutivas, na Olympiade Der Köche, da Alemanha. Actualmente, Marco Gomes é o chefe e proprietário do Restaurante Foz Velha, no Porto.
Luis Américo é formado em gastronomia molecular pela Universidade de Coimbra, atua como consultor em restaurantes, bares, revistas, canal de televisão e instituições vinícolas de Portugal. O chef é proprietário da Consultoria Luis Américo Unipessoal e atua como chef de cozinha do Restaurante Degusto (Matosinhos). Ao longo de sua carreira, o português participou de inúmeros eventos gastronômicos, em países como Filipinas, Canadá, Bélgica, Estados Unidos e Brasil e, também, recebeu vários prêmios internacionais, entre eles o Os Mais da Gastronomia (1997), Amin, Arte Gastronomia (2004) e Chef de cozinha do ano – Portugal (2004). Foi eleito “Chefe Cozinheiro do Ano de 2004”. O título valeu-lhe não só prestigio profissional, mas também uma maior divulgação do seu restaurante Quinta do Pendão, em Santa Cruz da Trapa – S. Pedro do Sul. A sua formação é na área da gestão hoteleira. Foi director assistente no Hotel Montebelo em Viseu, tendo desenvolvido vários projectos no âmbito da restauração para o Grupo Visabeira, quer em Portugal quer em Moçambique. Fez várias assessorias na área da cozinha para empresas de “catering” e concebeu o conceito gastronómico do Restaurante da Casa da Calçada, em Amarante, e do Foz Velha, no Porto. Hoje em dia gere a sua empresa de consultadoria na área de cozinha e é o Chefe de Cozinha do Restaurante Degusto em Matosinhos.

4 junho, 2009 às 12:10
ola eu adorei esse site dessas comidas quem o colocou na internet obrigado elas me ajudaram muito.
abraçao