Porto a Porto, Durski e Marcelo Copello: vinho, jantar e cinema
Eu sabia que o convite do empresário Pedro Corrêa de Oliveira, da importadora Porto a Porto, e do chef Júnior Durski, proprietário dos restaurantes Durski e Madero, seria um bom programa, mas um jantar agendado anteriormente tinha colocado o encontro sobre vinho e cinema em segundo plano. Na última hora, jantar cancelado e eu em casa, mas um convite inesperado e, pronto, lá estava eu entre filmes e aromas. Ontem, Oliveira e Durski, que sempre “protagonizam” grandes atrações, se juntaram ao talentoso “wine writter” Marcelo Copello (foto) e promoveram um jantar harmonizado diferente. O escritor e especialista em divulgar vinho e cinema, mostrando as analogias entre as duas culturas, ou qualquer outra expressão artística associada à bebida, comandou a noite com vinhos da Porto a Porto e comida do Júnior, é claro. Não poderia ter perdido a oportunidade de conhecer alguém que trabalha “motivado pela paixão de disseminar cultura”. Mais do que regras ele quer ensinar a sentir e permitir “aprender brincando”, diz sabiamente.
Qual ator ou atriz
Copello estreou na profissão meio por acaso, atendendo pedidos de amigos e em pouco tempo a explanação informal tomou outra proporção, os resumos preparados por ele para os alunos foram editados em apostilas, que se transformaram em livros, já são quatro. Convites para dar aulas – começou profissionalmente em 1995 – e uma coluna no jornal Gazeta Mercantil vieram na sequência, foram 350, e ele não parou aí. Faz parte de confrarias e é editor-chefe e fundador da revista Adega e colunista da Revista de Vinhos, de Portugal. No restaurante Durski foi um encontro informal, mas o suficiente para constatar o conhecimento do especialista e ter vontade de participar de suas aulas. Copello também tem uma escola no Rio de Janeiro, a Mar de Vinhos. No jantar em Curitiba, ele falou da relação histórica entre o vinho e o cinema, apresentou os famosos astros que são produtores de vinho e falou sobre algumas uvas instigando os presentes a acharem a personalidade do cinema correspondente. Michel Rolland é o George Lucas na enologia, responsável pelos efeitos especiais. Lars Von Tries com as regras do movimento Dogma representaria os vinhos biodinâmicos. Silvestre Stallone seria a uva Tannat, rústica, tosca. Carménère, frutada e gostosa, teria um canastrão para representá-la, como Clark Gable, por exemplo. “Nunca tomei um grande vinho com essa uva, que cumpre bem o seu papel, mas só isso”, justificou. E continuou com cenas inéditas de Merlove, o documentário em resposta a Sideways que fez despencar a venda de vinhos da uva Merlot nos EUA, Bottle Shock, a história baseada em fatos reais do pequeno produtor de Nappa Valley que numa prova cega em Paris superou com seu Chardonnay os famosos vinhos franceses, e de filmes clássicos, completando a noite. “Beba civilização, história e arte. Nutra corpo e alma”, diz ele no seu site. Me pegou pelo coração, cabeça e pelo estômago.
Jantar harmonizado
Chardonnay Gran Reserva Santa Carolina 5 Estrelas – 2007 – Chile.
Releitura da moqueca de camarões com pirão de robalo.
Mitolo Jester Cabernet Sauvignon – 2007 – Austrália.
Clássico tortelloni alla bolognesa.
Sorbet de frutas vermelhas.
Rose – Clo Floridene – Graves – França.
Filhote, peixe do rio Amazonas, desfiado com batatas e brie francês gratinado ao forno.
Marques de Tomares Reserva – 2001 – Espanha.
Brunello Di Montalcino Gualto (Camigliano) – 2003 – Itália.
Releitura do filé mignon alla parmigiana servido com raviolli de mandioquinha com manteiga de sálvia.
Sobremesas
Madeira Justino’s 10 anos
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Petit gâteau de doce de leite, servido com sorvete e frutas do bosque.
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Mil folhas de vanilla e frutas vermelhas.
“Pode não ser a maior, mas com certeza é a melhor”, foi o comentário escutado na nova adega no restaurante Durski. “Mais uma”, contou Júnior, que não pretende parar nessa. Outras reformas na casa estão em execução. A próxima novidade deve ser uma sala para cursos. Abaixo: Yquem de 1937, entre as raridades bem guardadas: para poucos.

17 agosto, 2009 às 17:05
Ficou ótimo, muito obrigado!
18 agosto, 2009 às 15:59
Adoramos! Pode voltar a Curitiba quando quiser!
30 agosto, 2009 às 03:00
Por falar em Petit Gateau, recomendo o do Rosita Café (Barra da Tijuca). Sem dúvida é o melhor Petit Gateau do Rio de Janeiro!!!