Vinho Madeira
Saindo de uma consulta, olhei para o relógio, telefonei para saber se não atrasaria o início da degustação e dei meia-volta no caminho de casa, deixando o cansaço e uma pilha de posts me esperando, afinal, a Ilha da Madeira tinha aparecido nas fotos de uma viagem recente de amigos e ganhado a minha atenção, pois é, simplesmente, não consegui ignorar a prova de alguns vinhos desse lugar paradisíaco, que pouco sabia a respeito. Sorte minha.
Lá onde o céu é perfeito, a ilha não tem poluição, o solo é vulcânico e sem nutrientes, a natureza nos presenteia com uma bebida especial. O pH muito baixo do solo dá a estrutura e acidez características do vinho fortificado que ganhou o mundo e fama há muito tempo. O diretor comercial da vinícola, Júlio Fernandes, contou tudo sobre os vinhos da Justino’s para uma plateia de interessados.
Além dos detalhes da produção, Fernandes contou que o vinho da Madeira existe graças aos ingleses que o descobriram e lideraram o comércio da bebida. Na história contada, por acaso, acho que descobri a origem de uma brincadeira da infância. A caminho da praia, as crianças sempre ficavam ansiosas para saber quem gritaria: “primeiro a ver o mar”. Imagino que a origem está no fato de que os portugueses ficavam nas varandas altas das casas dos ingleses esperando para avistar os navios na costa, porque quem gritasse, “primeiro a ver o navio”, ganhava parte no negócio. Diferentemente do seu primo vinho do Porto, o Madeira não recebe aguardente e tem uma aceleração rápida, com mais tempo de fermentação, passa por uma espécie de “banho-Maria”. A grande riqueza das empresas da ilha é poder guardar “pras calendas”, contou Fernandes. O vinho fica esperando a demanda em toneis para só então ser engarrafado e fica cada vez melhor com o tempo. Até pode oxidar, explicou o diretor. “O oxigênio só melhora o vinho”, no caso do Madeira, que precisa de 10 a 15 anos para ganhar qualidade. “Quanto mais velho melhor e a garrafa pode ficar na vertical. Só é preciso paciência”, sentenciou. Outro detalhe: pode ficar um a dois anos aberto, o que é uma grande vantagem. Como outros países fazem vinho Madeira? “É um crime. Vinho Madeira é só da Ilha da Madeira”. Claro. Para acompanhar sobremesas, queijos, ou aperitivo é ideal. Vinho jovem, de três anos, é para cozinhar. “Quer usar outro similar, ‘um falso’? “Cada um usa o que quer, eu gosto de ter qualidade”, declara abertamente. Eu também.
Eu elegi o Justino’s 1995 como meu preferido da noite. Quando senti o aroma de figo seco entrei em alfa. É, quanto mais tempo melhor. A degustação dos vinhos da Justino’s aconteceu no hotel escola do Centro Europeu, num evento realizado em parceria com a importadora Porto a Porto.






