Viagem até Girona e ao El Celler de Can Roca

20 novembro, 2011 às 22:38  |  por Jussara Voss

Pensei em dar um descanso aos leitores e para mim também mas, na verdade, não apareci por aqui por conta de uma série de fatores, e também porque depois de um grande banquete sempre fica um vazio, não sei por onde começar, fico sem fome e com a sensação de que não vou conseguir expressar tudo o que quero. Estou em Curitiba, mas minha cabeça ainda gira pela Catalunha tamanho foi o impacto com o que comi, vi e senti. Agora é preciso colocar a panela no fogo e seguir. Essa divagação levou-me até Mário Quintana. “A gente pensa numa coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita”. Tudo isso é apenas uma introdução ao post sobre os irmãos Roca. O motivo da minha viagem: conhecer o El Celler de Can Roca. Fazia tempo, antes mesmo de eles alcançarem o segundo lugar na lista The World’s 50 Best Restaurants, que eu sonhava com esse dia. Fiquei impressionada com eles no evento da Prazeres da Mesa em 2009. Pesavam também os comentários de que seria “o melhor do mundo”. Então decidi que não dava mais para esperar. Desembarquei em Barcelona, depois de uma excelente viagem e fui de trem até Girona, paguei menos de 7 euros pelo bilhete, mas fui sacolejando e parando em todos os povoados do caminho, deu tempo de quase ler um livro inteiro. Tive a sorte de um jovem atencioso levantar a minha mala, pois nada de rampas para ajudar o embarque. Nem indicações sobre as paradas. O trem era para locais. Na volta, ainda com muita água desabando dos céus, resolvi encarar um táxi, afinal eu merecia conforto depois da experiência vivida no dia anterior. Dividindo por dois, ida e volta, valeu a pena. Não achei o trem direto que deve ser um pouco mais caro, porém mais confortável e recomendável.

Cheguei ao hotel chamado “Bellavista” numa sexta-feira à noite. AC Palau de Bellavista é um hotel da rede Marriot. Perto do bairro murado pelos judeus para se protegerem das perseguições, o local faz jus ao nome. O lugar de dormir é acolhedor, confortável, com ótimo preço pelo o que apresenta e a principal qualidade, além da vista da cidade, é que tem um excelente café da manhã, essencial para mim, e ainda contava com um balcão, ideal para aqueles que tomam o desjejum sozinhos. Porém, antes do café eu precisava mesmo jantar e dormir bem para o almoço no dia seguinte. Os irmãos Roca administram outros restaurantes. Que risco, pensei. Acredito que qualidade mesmo só se tem quando os donos estão perto, no comando. Como já tinha experimentado em Barcelona o Moo, no hotel Omm, e tinha gostado muito, achei que, uma vez estando em Girona, deveria também conhecer o Numun. Adivinha onde? No subsolo do hotel. Que feliz coincidência.

O jantar começou com pequenas panquecas, leves e boas, nada demais. Seguiu com foie gras e manzana. Opa, começa a aparecer o talento dos Roca’s. O foie frio coberto por finas fatias de maçã foi uma grata surpresa, tudo bem, era uma salada, mas que sabor. Era apenas o primeiro prato e já achava que tinha valido a pena viajar 11 horas para comer aqui. O serviço era muito rápido, pensando bem, talvez rápido demais.

Terceiro prato. Apesar de alguns sabores diferentes e de a pele estar crocante, o peixe não emplacou, parecia pronto há muito tempo, um crime. Foodies detestam isso.

O quarto prato demorou, achei que era bom sinal e foi. O aroma já agradou, bom, muito bom. Gostei do corte da apresentação, diferente. Pedi ao ponto e veio de acordo, mas comendo achei que poderia ser mal passado. Tinha cravo, tamarino, especiarias, muito saboroso. Sempre acho o magret meio insonso. Ainda bem que tinha pão, o molho era perfeito, assim como a combinação dos sabores. Deixa o pessoal descobrir essa nova apresentação do pato…

A sobremesa ganhou pontos. Só conseguia pensar que no dia seguinte encontraria Jordi Roca pessoalmente. Nota do jantar? Acho que 2.5 – da escala de 1 a 5 – o chocolate e a castanha crocante ajudaram. Não posso mais tomar café à noite, mas não deixo de pedir, se tiver descafeinado melhor, quero ver o que vai acompanhar a bebida. Hora de ir dormir. Acho que o restaurante não diz nada do que é o El Celler de Can Roca, mas se considerar que você vai jantar, beber e subir um lance de escada para dormir está mais do que bom.

Restaurante Numun
Menú gourmand
Aperitivos
Timbal de manzana y foie com emulsión de manzana y perifollo, aceite de vainilla y reducción de gamacha
Suprema de dorada salvaje com alioli de menbrillo y salsa de granada
Magret de pato com salsa de naranja y clavo
Turrón de frutas secas com su garrapiñado y reducción de Pedro Ximenez
39€ IVA incluído

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