Nem a imagem do meu programa favorito na TV – Euromaxx – conseguia desviar os meus olhos da paisagem congelada através da janela. Por segundos, parecia que a vida tinha dado uma tregua. Não soprava nenhuma brisa. Na água do lago, só sombras da vegetação do entorno. Alguns miados, alguns piados. Ah, sim, havia pássaros que passavam de um lado ao outro, como se alguém tivesse usado o paint brush e desenhado eles ali. Para completar o cenário, o céu carregava nuvens que se moviam lentamente perseguindo o sol para a temperatura não passar dos 21º. Espere, não desista da leitura, o blog é sobre gastronomia, a receita está aí embaixo. O que combinaria com esse cenário, pensei, lembrando imediatamente do pedido da colega low profile do colégio que sonha com o ovo pochê perfeito. Brinco com o silêncio, levanto e me preparo para fazer um filme passo-a-passo para ela, afinal, a vida não é feita de desafios? E som e fúria, pego pesado, além do ovo, enfrento as câmeras…

Separe papel filme, que será esticado em cima de um potinho, ovo caipira fresco, uma panela com um pouco de água, flor de sal, azeite de oliva extra virgem para untar o papel, pimenta-do-reino moída na hora, uma torrada e aperte o play. A dica de empacotar o ovo é da chef Eva Santos. Dei muita risada e acho que se eu conseguir achar o filme vou enviá-lo diretamente para a minha amiga porque é impublicável. Para não perder o post, já que o filme se foi, apresento a verdadeira obra-prima e razão deste post: o bolo da sogra do Alex Atala que valeu o dia passado na cozinha.

São mais de 10 horas da noite e, fazendo as contas, eu estou a quase 10 horas em pé! Há muito tempo não me aventurava desse jeito. A escolha do prato foi para só para agradar, porque eu jamais faria uma rabada, mas fiz. Nem acredito. Tentei tirar o máximo de gordura que eu consegui e recebi duras críticas. Fiz caldo de legumes, caldo de rabada e molho de tomate. Foi puxado. Quer saber o resultado? Discussão e controvérsias. Eu gostei, para falar a verdade, achei muito bom. Ficou suave. Acho que aí estava o problema, parece que a ideia era ter sabores mais fortes. Enfim, acho que nunca mais vou repetir. O melhor da noite estava na sobremesa, depois eu publico a receita da rabada, agora é a vez do bolinho da dona Palmyra com sorvete de uísque, chocolate e curry. Faltou o sorvete, uma máquina de fazer os gelados está em primeiro lugar da minha lista de necessidades. É meu sonho. Geralmente, leio uma receita e sei se ela vai dar certo. Ih, já falei isso mais de uma vez. Mas foi assim com o bolo da dona Palmyra, a sogra do Alex Atala. Desde a primeira vez que eu li, eu sabia que era fazer e escutar elogios. O doce é de se agradecer por estar vivo. Castanha do Pará, com curry, açúcar queimado e calda de chocolate, não poderia dar errado e não deu. Achei que era muito açúcar, mas ele ficou como um merengue, só que transbordou um pouco na forma, não sei porquê. Com vocês, a receita do bolinho da dona Palmyra, com sorvete de uísque, chocolate e curry. Na próxima vez, junto com o sorvete, prometo uma foto melhor.
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