
No começo de julho, voltei para a segunda aula do curso básico sobre vinhos que o sommelier Roberto Cartaxo da Expand vem ministrando e encontrei uma turma já formada e entusiasmada com o aprendizado. Tão entusiasmada que o tema “confraria” veio logo. Mais dia, menos dia, quem gosta de comer e beber bem quer e vai participar de uma. A vontade de unir momentos agradáveis e aprendizado entre pessoas com o mesmo interesse é o mote. Por isso, quando acabou a aula todos toparam ir jantar na outra loja da Expand, estávamos na unidade do shopping Curitiba, que não tem restaurante. Ao final da noite, mais empolgados ainda com o jantar preparado pelo grande chef Paulino, a promessa de marcar encontros regulares com o objetivo de degustar, aprender e se divertir.

Na aula.

Não é muito comum acontecer isso, mas às vezes dá azar, avinagrou.

Seleção de vinhos para degustar. Roda dos aromas, vou carregar sempre comigo.

Como Sur: delicadeza e estímulo para deixar o carro na garagem, meta atual.

Stone Cellars: baunilha inebriante.
No jantar.

Prosseguimos com descobertas interessantes, como este vinho branco Branciforti elaborado com a uva Grecanico, perfeito acompanhamento para a lasanha de pupunha grelhado e camarão, com molho de limão, uma versão contemporânea do famoso prato italiano. A acidez do vinho casou com a leve acidez do molho: resultado equilibrado.

Fechando a noite:

Primeiro encontro
Se já era um desafio cozinhar e contar as experiências aqui, agora acho que me lanço em terras bem mais desconhecidas e até, posso dizer, infindáveis. Porque entender o universo dos vinhos não é fácil. Abre-se um novo horizonte que eu sigo tateando. Ajuda é fundamental, não se anda por um caminho como esse sozinha. Não, não pretendo me especializar, não vou mudar o foco do blog, é tarefa para quem entende do assunto. No grupo inicial, apenas três participantes, porém, todos firmes no propósito e aguardando outras adesões. Divagações sobre a vida na terra antes e depois do domínio do fogo pelo homem, com direito a uma indicação para assistir ao filme “A Guerra do Fogo”, selaram esse início. Retomamos a viagem na educação dos sentidos que começou muito tempo atrás, um pouco Marco Pólo, um pouco Ítalo Calvino passeando, quem sabe, por “cidades invisíveis”. Nada como um leitor apaixonado no grupo.

Baron de Ley, 2006
Uma entrada, que ainda não está no cardápio, ravióli de camarão com emulsão de bottarga, foi servida com um vinho da Rioja, região da Espanha conhecida por produzir bons exemplares. O Baron de Ley tem toques florais e boa acidez. Teve estrutura para acompanhar a bottarga, de sabor forte. Maduro, mas ainda com frescor. A bottarga surpreendeu, a ova de tainha não era muito conhecida, não com esse nome, porque descobrimos que a iguaria é uma tradição em algumas famílias. Leia mais aqui.
Surì Barbera d’Asti, 2007: bom preço, bom vinho

Na região do Piemonte, famosa por produzir vinhos de qualidade, no Norte da Itália, entre Asti e Alba, está localizada a Villa Giada, onde Andrea Faccio produz o Surì, o segundo vinho varietal da noite. Aromático e delicado, fácil de beber, o vinho, de um vermelho intenso, elaborado com a uva barbera “cresceu” com a carne servida – mignonettes com purê de cogumelos e molho de trufas brancas - uma característica dos vinhos italianos.

O purê, aveludado, predominou e estava perfeito. O molho tirou a atenção do aroma do vinho no início, depois completaram-se. Nessa batalha ninguém saiu ferido, ao contrário, de braços dados. O vinho tem ainda o chamado “preço justo”. Voltaria para repetir.
Sobremesa


Minidegustação de doces: brownie com calda de cappuccino; cheese cake de castanha do Pará com coulis de goiabada cascão; galette de tapioca com sorbet de framboesa e um Sauternes. Aroma seco, mineral, um néctar que equilibrou doçura e acidez. Com certeza, ninguém resiste a essa combinação. Salve e obrigada!