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'Geral'

Moët & Chandon on the rocks

29 December, 2011 por Jussara Voss
20:13

Aguardei ansiosamente o dia de provar o champagne Moët & Chandon Ice Impérial no Bistrô do Victor, festejei o convite, provoquei ciúmes em quem não iria e no dia combinado o inesperado deu as caras. Primeiro o susto, depois correria, ambulância, hospital. Passado o pesadelo, tudo tranquilo agora com meu pai, voltei a pensar na bebida. Entre tendência ou heresia, fico com a segunda opção, não iria pagar tão caro por uma bebida e colocar umas pedrinhas de gelo. Paciência, ficarei sem saber se vale a pena. Na Europa é comum, dizem que o gelo vai derretendo e liberando os aromas. Tenho minhas dúvidas. Taça de boca larga, folhas de menta ou casca de limão são recomendáveis. Quem sabe na praia essa onda pegue, aqui, com o friozinho delicioso do verão curitibano, não sei não. Os planos para o Natal, principalmente o pudim de pão que o chef Marcolini ensinou, ficaram na gaveta. E, se eu não aparecer mais aqui, deixo o meu desejo para o próximo ano: descobertas gastronômicas de tirar o fôlego, muito apetite e comida boa para todos. Que venha 2012, tenho muita fome!

 

Ravióli caseiro

20 December, 2011 por Jussara Voss
19:26

Na minha infância, ravióli fazia parte da minha rotina. Dia sim, dia não, estavam lá no prato. Cresci com eles. As massas recheadas, que apareceram no século XIV, são apreciadas pelos brasileiros. Os recheios e os formatos podem variar sem interferir na aceitação, acho que todo mundo gosta. Dá um pouco de trabalho, mas é muito fácil e depois, confesse, é muito difícil resistir a uma massa fresca. É preciso apenas vencer a preguiça, sei que foi nisso que você pensou. O resultado  compensa, acredite. Alguns historiadores dizem que a massa recheada é uma evolução do gnocchi. Com linguiça, pão, ovo e queijo, ou ricota e beterraba, ou ainda ricota e batata, que na Polônia vira pirogi, o prato é muito bom e pode até ser servido como uma entrada. Adaptei uma receita para atender o pedido de um prato “sustentável” . Mesmo implicando com o modismo em torno da palavra e a dificuldade em entender o real significado, como a Marianna tão bem escreveu na Ideias de outubro, achei que a essa receita se encaixava na proposta. Todos os ingredientes são orgânicos e produzidos nas proximidades.

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Maison des Caves

20 December, 2011 por Jussara Voss
19:10

Você deve conhecer as adegas da Maison des Caves, ou pelo menos ter ouvido falar delas, são famosas pela variedade de modelos e qualidade. Pois a marca está em Curitiba, no ParkShoppingBarigüi, e oferece também vinhos e acessórios da Art des Caves. Aos sábados promovem degustações comentadas, uma oportunidade para quem não é muito fã de compras e acompanha quem vai ao shopping. O jornalista Renato Machado começou assim, enquanto a mulher fazia compras ele foi se distrair e iniciou seu aprendizado com os vinhos. Um caminho sem volta, todos que fazem isso sabem. É fácil apaixonar-se pela bebida. Este é mais um post da série: “esquecidos em algum canto”; faz tempo que visitei a loja que oferece uma centenas de rótulos de diversas vinícolas do mundo, uma vasta carta de vinhos, taças e acessórios de importação exclusiva e mais de 27 modelos de adegas, em madeira e metal.

 

Madero’s invadindo Curitiba

18 December, 2011 por Jussara Voss
19:26

Júnior Durski não para de expandir a rede de restaurantes Madero. O da praça do Relógio das Flores, ali no centro histórico, que aparece na fotos de Gerson Lima, pertinho do Madero original, apresenta como novidade a feijoada aos sábados, às vezes com direito a apresentação de chorinho. Durski  diz que é o mais bonito. Eu voto no da Praça da Espanha, também inaugurado recentemente. Fui conhecer e me apaixonei pelos espaços externos, que agradam quem fuma também, hoje, categoria totalmente discriminada. A vista das árvores da praça é uma atração especial. A comida, a bebida, servida na temperatura certa, e o serviço: tudo ok. As duas casas foram inauguradas recentemente. Sem falar sobre o Madero da Comendador Araújo, que é o lugar certo para levar as crianças. Desse Madero eu gosto da loja de vinhos e do café que serve os dois bolos mais caseiros e saborosos de Curitiba, o de amendoim e o de morango, sem falar das empadinhas, com a conhecida “massa podre”, difícil de encontrar e que só perde para a feita lá em casa. E tem mais inaugurações. Em breve, aguardem um Madero no Bigorrilho, pertinho do açougue Domakoski, e outro na Nossa Senhora da Luz, no Jardim Social, perto da Família Farinha. É bom lembrar que o Madero Prime Steakhouse, nas ruínas de São Francisco,  é diferente dos demais restaurantes da rede Madero Burguer e Grills. Como explica o site, o Prime tem “atendimento diferenciado, frutos do mar, adega e exclusivos cortes de carnes uruguaias”; já o Burguer e Grill agrada pelos preços: 40% menores. No Prime, acho que ninguém lembra de variar o pedido, eu recomendo o carpaccio quente, que pode substituir o couvert, a lagosta grelhada e a muqueca, além das carnes. E encerro o post, lembrando que o Madero de Goiânia, única casa que não está no Sul, já ganhou reconhecimento. O Burger & Grill de lá, inaugurado em 2009 e com uma das maiores adegas da cidade, já ganhou o título de melhor hambúrguer  – prêmio da revista Veja.

 

 

5ª Noite dos Chefs

7 December, 2011 por Jussara Voss
18:34

Reunir cinco chefs em prol de uma boa causa é esperar bons resultados. Ainda mais se for para o Complexo Pequeno Príncipe. A “Noite dos Chefs”, que convida mestres da culinária para elaborarem juntos um jantar, já é uma tradição na cidade. Geraldine Miraglia, Kika Marder, Luiz Incao (do Rio de Janeiro) e Junior Durski foram escalados pelo chefe e padrinho do projeto Fabiano Marcolini (os três últimos citados estão na foto). A festa beneficente foi muito prestigiada e aconteceu no Graciosa Country Club, em Curitiba, no final de novembro. Para quem ainda não sabe, a Noite dos Chefs faz parte do Programa Gols pela Vida, que reúne projetos de captação de recursos para as atividades de pesquisa e assistência à saúde infantil. O Complexo Pequeno Príncipe – uma instituição sem fins lucrativos mantido pela Associação de Proteção à Infância Dr. Raul Carneiro – é formado pelo Hospital Pequeno Príncipe, Faculdades Pequeno Príncipe e Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe. Café Nespresso e Compagnie Vins de France, dentre outras empresas, apoiaram o evento.

 

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Zea Maïs

6 December, 2011 por Jussara Voss
22:50

Quando recebi o convite para jantar no Zea Maïs a minha primeira reação foi pensar “opa, que legal”. Tenho uma dívida com o restaurante. Adoro o lugar. Há oito anos em Curitiba, sempre achei que era a casa mais moderna e bacana da cidade. E ainda é. Local favorito para comemorar meu aniversário, por exemplo, mas em algum momento, um desentendimento qualquer fez com que eu não frequentasse a casa com tanta assiduidade assim. Pois, vou contar, fui experimentar o prato e a sobremesa preparados para o cardápio de Natal e morri de amores, valem ser provados, são especiais. Celso Freire, um dos sócios, pediu um corte especial da carne ao fornecedor, e pronto, estava na mesa um medalhão de pato divino. Pense em um magret alto, assado na grelha, com aquela gordura rodeando a carne suculenta. Olha que não é fácil deixar essa carne saborosa. Acompanhou uma alface grelhada no ponto, perfeita. A ideia da chef Joy Perini (foto), de quem eu nunca falei e sinto vergonha disso porque é uma superprofissional, de colocar fatias de maçãs entre a carne casou muito bem. O molho estava divino e juro que quando ela falou em crosta de pistache eu não gostei, pensei naquela casquinha um pouco seca, mas que nada, era uma farofinha muito da boa. Se os clientes insistirem pode entrar para o cardápio fixo, por favor, prestigiem, nós merecemos esse prato! Gostei tanto que esqueci de falar da sobremesa. Esperava um pudim de pão, que eu aprendi a fazer recentemente, mas era diferente, igualmente muito bom. Noite agradável e de bons sonhos, só posso agradecer.

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Salada de rúcula, figos e camembert crocante, por Roberta Sudbrack

4 December, 2011 por Jussara Voss
18:37

Para atender o pedido de uma leitora, publico novamente a receita  da salada de rúcula, com figos e camembert crocante,  do livro Uma chef, um Palácio, da Roberta Sudbrack. Como eu já expliquei, as receitas, que a chef autoriza que eu publique, sumiram do meu endereço eletrônico que eu usava antes de estar aqui… A primeira vez que fiz foi em 2002, publiquei em 2008 e acho que vale a pena repetir porque é muito boa. Espero apenas que a leitora me perdoe, pois demorei a atendê-la. Como é época de figo e faz calor, acho que vem em boa hora. Espere aplausos.

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O melhor hambúrguer de São Paulo

30 November, 2011 por Jussara Voss
22:47

Sem fome, depois de uma maratona de menus variados na Catalunha, alguns complexos, alguns longos demais, alguns maravilhosos, alguns dispensáveis, nada das minhas inúmeras opções para almoçar em São Paulo apeteciam, nessas horas, um bom hambúrguer é a saída. Conheço alguns na cidade, mas blogueiro quer “o” hambúrger, então, lá fui eu pesquisar nas listas dos melhores e não é que eu achei blogs sobre o assunto, além de algumas listas. Loucos pelo sanduíche, os autores pesquisam, comem, analisam, enfim, fazem tudo para dar sugestões e facilitar o trabalho de quem quer passar bem.

Primeira indicação: nada feito, o St. Louis, na Batataes, estava fechado, vai ficar para outro dia, com certeza. Não abre para almoço no domingo. É do chef Luiz Cintra. Segundo lugar na lista dos melhores: fomos atrás da Hamburgueria Nacional. Nossa análise: muito saboroso, agradou, a ideia de o sanduíche vir aberto e o cliente escolher os molhos e acompanhamentos é bacana. Ponto positivo: carne suculenta e saborosa e estar aberto, porque gosto de comer com garfo e faca, é frescura, eu sei, nem precisa falar. Ponto negativo: o pão, meio massudo, bacon mole e frio, que pelo menos não cobraram, e o tomate e a alface com cara de ingrediente exposto há muito tempo. Batata bem crocante e cebola no ponto somaram.

E eu não sabia, pertinho de onde estava hospedada, foi inaugurada há pouco menos de um mês, na Alameda Lorena, 2101, a hamburgueria Chez Burger, que abre até às 3 de madrugada. É do grupo que comanda o Bar Secreto e o Lorena, 1989. A especialidade da casa é o Secreto Burger, com 200 g de carne, queijo, relish e cebola, abre só à noite, a partir das 17h no domingo e das 20h de terça a sábado. Adriana Cymes e o marido, Victor Vasconcelos, estão na cozinha. O lugar já nasceu badalado e apresenta drinques bacanas. Escolha a varanda. Mas vamos voltar à Hamburgueria Nacional e aos endereços.

E de quem é a Hamburgueria Nacional? Jun Sakamoto, pode? O projeto é lindo e a casa foi eleita o 4º melhor hambúrguer do mundo pela revista Travel & Leisure. Quem avalia: seleção do Guia do Hamburguer; os melhores na opinião da Anna Angotti e Silvana Azevedo  aqui; na Folha de São Paulo o empate: Lanchonete da Cidade e Ritz; e o link para o pessoal do hambúrguer perfeito, que eu segui, está aqui. É o assunto rende mesmo, pelo jeito muita gente acha hambúrguer coisa séria.

Finalizando, eu tratei de comprar uma forma assim que vi para fazer uma receita caseira que é segredo. Mas eu expiei quem preparava e, então, pelo menos uma dica eu posso dar: coloque três tipos de carne que tenham gordura, como picanha, fraldinha e porco. Peça para moer na hora e bom apetite.

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Ceviche no Arragui Bistrô Bar

30 November, 2011 por Jussara Voss
21:08

Fui uma vez apenas no Arragui Bistrô Bar, preciso voltar, achei o lugar bem bacana, só que ainda não deu certo, talvez agora seja uma boa oportunidade: aproveitar o festival do ceviche do chef Raul Carrasquillo. De 29 de novembro a 10 de dezembro. Telefone: 41 3068-6422.

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Café virtual

29 November, 2011 por Jussara Voss
19:48

Visite o portal. É para quem gosta de café, em grãos ou moído, e máquinas de espresso, que se destacam pela tecnologia de extração da bebida, design, cores e formas. Tem tudo lá. A loja virtual Café Store é especializada em comercializar os melhores cafés nacionais e importados, incluindo produtos e acessórios para o preparo da bebida e batizou as três opções de lembranças natalinas de: presente (R$ 75 a R$ 200), presentão (R$ 300 a R$ 500) e presentaço (R$ 600 a R$ 7 mil). Gostei das garrafas térmicas que vem com o coador e de algumas ofertas. Também tem opções para as chamadas lembrancinhas, como xícaras decoradas, latinhas com café moído, livros, dentre outros.

 

Vindouro e Villa Francioni promovem jantar enogastronômico

28 November, 2011 por Jussara Voss
18:48

O Vindouro Vinhos e Bistrô preparam  jantares harmonizados com os vinhos da Villa Francioni. A vinícola catarinense vai mostrar as novidades da casa, incluindo o espumante Joaquim Rosé. De 29 de novembro a 1° de dezembro, a partir das 20h.

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Trufas brancas e preço justo

28 November, 2011 por Jussara Voss
18:35

A iguaria é muito apreciada e é difícil de se obter, todo mundo sabe, neste ano, por exemplo, o valor das trufas subiu, no Brasil mais ainda, acho que choveu na hora errada, mas o chef Rafael De Cara, do restaurante Pasta D’autori, deu um jeitinho de democratizar o acesso. O chef utiliza o produto in natura em risotos e massas e preparou três opções de pratos: spaghetti (R$25,00); risoto (R$31,50); e polenta mole com ovo pochet (R$13,00). O valor do grama das trufas é de R$21,50 acrescidos aos preços dos pratos conforme o peso, avisam. As massas são artesanais. A casa do Itaim Bibi abre de quinta até sábado para o jantar.

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Cupcake Company

25 November, 2011 por Jussara Voss
18:04

A surpresa

Não entendo nada de cupcakes, os bolinhos enfeitados que viraram mania aqui, seguindo o exemplo de outros lugares, também experimentei muito pouco e nem morria de amores pelo doce, agora preciso confessar, foi impossível não se render aos da Cupcake Company. Ganhei uma caixinha e os recheios que experimentei, ganache de chocolate, bem cremoso, e geléia de damasco, estavam ótimos, a massa é meio sequinha, mas acompanha bem um chá ou café. No site da loja, que tem outros produtos, estão todas as informações, além da história dos bolinhos e a variedade, passe lá. Preste atenção nas sugestões natalinas, que acredito que agradem. O Rudolph e o urso polar são fofos demais.


Rua Saldanha Marinho, 1582 – Batel Soho 41 3016-1787

 

El Celler de Can Roca

23 November, 2011 por Jussara Voss
19:25

Finalmente, chegou o grande dia: iria mesmo conhecer o restaurante dos irmãos Roca, o chef de cuisine Joan, o sommelier, Josep, e o patisser Jordi, o caçula. Foi como um sonho. Vou contar mais na edição de janeiro da revista Ideias, mas quero mostrar aqui como foi o banquete no El Celler de Can Roca, que começou com “um pouco dos sabores de alguns lugares”, lembrança das andanças dos Roca’s pelo mundo. Foi um sábado inesquecível. Prepare o estômago, o post é enorme, na verdade são três.

Não acreditava, eu tinha cruzado o corredor de madeira e heras da entrada que leva ao jardim com móveis estilosos, depois de passar pela frente da fachada da casa antiga que abriga a cozinha, a pesada porta de madeira tinha se aberto, e eu entrava no hall de circulação de paredes e piso brancos, com uma luminária gigante  - uma escultura suspensa no teto – que parecia dar as boas-vindas.

Eu estava no El Celler de Can Roca. O gerente, atrás do pequeno balcão de madeira, me cumprimentou e checou a minha reserva. Chamou Jordi para me acompanhar até a cozinha, eu já tinha dito que queria conhecer o local, lá dentro vejo que não sou a única, encontro Joan com um casal. Jordi me apresenta para alguns brasileiros que fazem estágio no local, são mais ou menos 20 estudantes, de todas as partes do mundo, por período. Vi todas as praças, fiz algumas perguntas e ouvi explicações. Jefferson Rueda (ex-Pomodori) tinha acabado de sair dali, estava de viagem marcada para a Itália, depois para o novo restaurante de Marcelo Fernandes em São Paulo, podemos apostar nas novidades para a nova casa. Quando me despeço, pronta para entrar na sala de refeições, comento que era uma pena que chovia, pois o lugar era lindo, e minhas fotos seriam prejudicadas pelo tempo. “Cada estação tem sua beleza, podemos tirar proveito do outono, um tempo de recolhimento, contemplação e reflexão”. Segui confiante para almoçar, consciente do privilégio que era estar ali. Uma benção. Durante quase quatro horas, presenciei um espetáculo. Foi como um momento de meditação, único. Sem dúvida, eles são geniais no que fazem. É como vejo e sinto. Exagero, você pode até achar, eu não.

Abre-se o globo e lá estava o “comerse un mundo: Mexico, Perú, Líbano, Marruecos y Corea”, acompanhada por uma taça de cava: Albet I Noya Cava El Celler Brut D.O., do Norte da Espanha.

Começamos devagar, mas com surpresas. Sabores, texturas e formatos inesperados.

Depois da amostra dos sabores do mundo, o banquete seguiu com os aperitivos, que impressionavam pelo formato e também pelo paladar: olivas caramelizadas penduradas em um bonsai; tempura de algas; tortilla de calabacín; calamares a la romana; bombón de trufa de verona; e brioche de percebes. Dentro da pedra encontrei um bombom de trufa envolta em musgo. A natureza sempre presente. Quase todas as pequenas porções explodiam na boca inundando-a de sabor. Muita técnica e criatividade.

Impossível não pedir os vinhos selecionados por Josep, um apaixonado pela bebida. Recomendo visitar a adega e ouvir as explicações dele sobre as suas preferências vinícolas. Um passeio por regiões e aromas, com direito a som e imagens.

 

 

El Celler de Can Roca (2)

23 November, 2011 por Jussara Voss
19:21

Menu festival: 11 pratos e três sobremesas.
Geralmente as refeições começam com salada, então hora da “ensalada verde”, um espetáculo de texturas e contrastes delicados. Aguacate, lima, melón, pepino, chartreuse, acedera, shiso verde, estragón, rúcula, oxalis, eucalipto, sorbete de oliva y aceite de oliva. Delícia, delícia… vamos limpar o paladar preparando-o para os pratos, foi o suficiente para começar a empolgação e querer mais. Não dá para repetir?

Higos con majorero y guayaba con espuma vegetal.
Figo com queijo típico das ilhas Canárias, “queso Majorero”, cujo segredo é o leite, e goiaba e água de rúcula: eu devorei tão rapidamente que esqueci de fotografar. Várias texturas, diferentes temperaturas e um sabor indescritível. Respeito aos ingredientes e visual atraente. Perfeito.

Sem música, dava para escutar o silêncio do lugar, no meu caso feito de suspiros. Além da comida e da bebida, eu prestava atenção no vento que sobrava devagar quando a garoa dava trégua e derrubava uma folha seca que se juntava as centenas espalhadas no pequeno jardim cravado no meio do restaurante. Parece que ninguém falava, ou falava muito baixo, e os talheres cuidavam para não cair sobre os pratos e interromper a harmonia da sala. Sozinha, eu prestava atenção em tudo.

Ostra al palo cortado con ajo blanco y negro.
Olhei para o diagrama símbolo do yin e yang da filosofia chinesa desenhado no prato, acho que reforçava a sensação de estar vivendo um momento especial. Sabor e beleza de braços dados, complementando-se, masculino e feminino abrindo o caminho aos ingredientes tão bem trabalhados. Dois caldos, um quente (yang) e outro frio (yin) e ostra! O equilíbrio que buscamos e que é tão difícil de atingir.

Toda la gamba.
Gamba a la brasa, arena de gamba, rocas de tinta, patas fritas, jugo de la cabeza y esencia de gamba.
Hora da entrada triunfal do camarão, feito na brasa, não poderia ser melhor. As pernas crocantes contrastavam com o camarão servido quase cru, as carnes e frutos do mar são servidos assim, perto do estado natural, com pouca intervenção do fogo. Verdadeira sinfonia de acordes harmoniosos. Tempo de calmaria no mar.

Lenguado a la brasa a la manera meunière.
Telo de leche, mantequilla tostada, limón y tápenas. Piel de flores y cítricos.

O tradicional prato é reinventado com maestria. Criatividade, mas também gosto. Francês no prato e no copo completando-se. Às vezes o vinho parecia que iria brilhar sozinho, daí entrava o prato e os dois se entendiam em sintonia. Olé! O linguado é grelhado, o molho vem ao lado, a flor da alcaparra dá um toque cítrico. Surpreendentemente saboroso, leve e fresco. A pele, servida em outro prato, estalava ao contato com a língua que recebia as flores como prêmio. A foto não diz tudo o que é o prato.

Bacalao en brandada
Estofado de tripa, espuma de bacalao, sopa al aceite de oliva, escalonias con miel, tomillo ají. Contraste vegetal.
O gosto era tão bom que eu nem me preocupei com a descrição “estofado de tripa”, ou seja, um guisado de tripa. Nunca comi nada igual. Noto que os pratos sempre trazem contrastes, quente e frio, doce e azedo, ou amargo, crocante, salgado, ácido, ou o quinto sabor, umami. Na cozinha, no restaurante e na mesa estão elementos que lembram as formas mais simples de cozinhar e a natureza: fumaça, pedra, madeira. Para acompanhar: vinho do Priorat, ou Priorato, a nova Espanha vinícola, sul da Catalunha despertando paixões e ganhando o mundo ao lado dos já festejados Rioja e Ribera del Duero. Encorpado, forte, elegante. Ostentam a Denominación de Origen Qualificada (D.O.Q.).

Cochinillo ibérico en blanqueta al riesling
Terrina de mango y trufa de verano, remolacha, ajo, concentrado de naranja y pistilo al azafrán.
A mão de Jordi entrou aqui para tentar reproduzir os aromas do riesling, com certeza.Trufas, beterraba, manga, alho. Vontade de lamber o prato, de gritar, de dizer que vale a pena buscar novas experiências. Jordi é conhecido pelo trabalho de extrair aromas, levar as essências para o prato, já fez vários doces inspirados nos aromas de marcas famosas, como Gucci, dentre outras, agora inverteu a ordem e acabou de criar um perfume de limão, o Nüvol, inspirado num doce. Fresco, suave e delicioso como um sorbet de limão.

Salmotene cocinado a baja temperatura
Relleno de paté de su hígado y ñoquis de hierbas anisadas, naranja y azafrán.
Foi o único prato de sabor forte, não estamos acostumados ao gosto do caldo assim. O peixe estava no ponto, cozido em baixa temperatura, mas não consegui comer. O nhoque era macio e saboroso e desfrutei, ainda mais acompanhado por um Tondonia, que fiz questão de fotografar, porque é um gosto que permanece, marcante, e eu já tinha lido depoimentos apaixonados sobre o vinho, não resisti. Fiquei sentindo o aroma por muito tempo antes de beber. Assim foi com os outros vinhos, uma viagem, um capítulo a parte. Obra do sommelier Josep.

Adaptación de steak tartar con helado de mostaza 2009
y patatas souflé, tomate especiado, compota de alcaparras, encurtidos y limón, praliné de avellanas, salsa bearnesa de carne, pasa de oloroso, cebollino, pimienta sechuan, pimentón de la Vera y curry, bolitas de helado de mostaza y hojas de mostaza.
Acho que nunca mais esqueço esse sabor e a textura da batata e das “bolitas de helado de mostaza”. Eu não tinha mais fome, é claro, mas não conseguia parar de comer. Um tempero para cada batata “suflada”, não sei o que será de mim agora. Foi o melhor steak tartar que já comi.

Ventresca de cordero con pimiento y tomate a la brasa
Higado de torcaz con cebolla, nueces caramelizadas al curry, enebro, piel de naranja y hierbas.
Quando foi levantado o vidro, o aroma da “escalibada” e do cordeiro na brasa invadiu meu prato. Sabor e o ponto de cozimento como tem de ser. Ainda bem que tinha pão para raspar o prato, precisei dele durante a refeição e isso não aconteceu apenas uma vez.

Higado de torcaz con cebolla

Nueces caramelizadas al curry, enebro, piel de naranja y hierbas.

Pombo, fígado, cebola, nozes, zimbro, curry, casca de laranja, ervas, uma combinação que exige talento, sem dúvidas. Sabores equilibrados e a genialidade dos irmãos aparecendo no prato mais uma vez.

Cromatismo naranja
Naranja, mandarina, yema de huevo, fruta de la pasión y zanahoria.
Tão bonito que fiquei olhando por alguns minutos, eu acho. Tirava uma foto, olhava. Tirava outra, olhava. Quando, finalmente, provei foi um delírio. Nem precisava ser bom, mas era. Como pode alguém produzir alguma coisa assim, pensei. Novamente a vontade de lamber o prato. Uma sobremesa perfumada e surpreendentemente deliciosa.

Sotobosque
Remolacha, chocolate, mandarina, haba tonka, cacao y shiso.
Crocante, delicado, macio, gostoso de querer repetir. Foi como um passeio outonal regado a chocolate, pode haver coisa melhor? Aliás, outono é a minha estação preferida.

Postre láctico
Dulce de leche, helado de leche de oveja, espuma de cuajada de oveja, yogurt de ove y nube.
Um clássico da casa, fui avisada. Muitas texturas com o mesmo ingrediente. Suave e doce na medida não dá vontade de parar de comer. E o vinho que acompanhou, então, acho que foi um dos mais marcantes.

 

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