Noma em primeiro e na Ideias
Saiu a esperada lista dos 50 melhores restaurantes do mundo da revista inglesa Restaurant – prêmio S.Pellegrino Best Restaurant in the World – e o Noma, de Rene Redzepi, continua em primeiro lugar na famosa seleção. Nem foi novidade, é mais do que merecido. Há três dias eu querendo comentar aqui e não conseguia. Na segunda posição, El Celler de Can Roca, dos irmãos Roca. Apostava que subiriam posições. Acertei. A foto deles no site do restaurante está ótima. O terceiro lugar também me deixou muito feliz. Mugaritz, de Andoni Luis Aduriz, galgou, merecidamente, duas posições. Parabéns para Andoni e equipe. Eles merecem. Sonho em voltar. Também vibrei vendo o D.O.M, do Alex Atala, pular para o sétimo lugar e ser o melhor restaurante da América do Sul. Se o restaurante dele estivesse no Norte do país poderia estar no topo da lista, com certeza. Alegria também ver os dois brasileiros Mani (74), da Helena Rizzo e do espanhol Daniel Redondo, e Fasano (59), do chef Salvatore Loi, na relação dos 100 melhores. Curti a volta merecida do Asador Etxebarri, do Victor Arguinzoniz, preciso jantar novamente lá, não comi caviar na brasa, e a entrada do peruano Gastón Acurio, mas levei um susto com a derrubada do chef David Chang, do Momofuku. Quase todos os sites estão estampando o prêmio na abertura. Festa merecida. A curitibana Manu Buffara contou que estavam todos comemorando no Noma, quando ela ligou para confirmar mais um estágio na casa em janeiro de 2012, quando Patrícia, a sommelier do Manu, a acompanhará. Coincidentemente, estreei na revista Ideias, em abril, com uma matéria sobre o Noma, na qual conto como foi a minha experiência lá. Acesse o site ou compre a revista nas bancas.
Camarão dos fiordes dá início ao banquete Nassaaq – o mais completo, servido no restaurante com duas estrelas Michelin. Meio doce e crocante, tinham sabor e texturas perfeitas, mas precisavam estar vivos? Enfrentei com bravura o desafio e sem arrependimento. Sei de gente que não consegue comer. Essa foi a primeira das dez entradas servidas, abre-alas do desfile deslumbrante de doze pratos e três sobremesas, além dos chocolates e bombons servidos já no bar, acompanhando chás e cafés, este último juntamente com os chocolates, os dois únicos ingredientes que entram no cardápio e não são da região.
“Comece comendo as raízes fritas e morda até mais ou menos dois dedos do alho-poró, que é recheado com um creme de alho, para sentir as diferentes texturas”. Foi a instrução que escutei e segui obedientemente, me perguntando a cada bocada como poderia alguma coisa tão simples ser assim tão saborosa. A couve-flor, que praticamente é marinada na manteiga, cozida durante horas em baixa temperatura, foi a melhor que eu já experimentei na vida. Também outro surpreendente sabor inesquecível. Assim como o pão de uma crocância leve inimaginável e a manteiga extremamente cremosa e suave.
Uma pedra grande e quente acolhia uma cauda de lagosta da Islândia com um leve perfume marítimo, quase crua, rodeada por pequenas gotas de purê de ostra e pó de algas provocando uma explosão de contrastes. Mais uma vez obrigando-nos a deixar os talheres de lado, como se estivéssemos a beira-mar, pescando e comendo sem os apetrechos a que estamos acostumados.
Um caldo denso chega à mesa e é derramado por cima da carne de um molusco envolvido em salsinha, que está pousado ao lado do rabanete ralado, irreconhecível branco e congelado, como se comêssemos a neve, tão comum no reino da Dinamarca, salpicada por generosas gotas de um suco da parte verde da natureza, provocando suspiros e comentários delirantes.
Quando peguei com a mão um bocado do filé mignon moído na faca, coberto por uma generosa porção de azedinha e passei no caminho feito de sal defumado, molhando-o no suave molho e levando-o à boca, comecei a entender um pouco a filosofia do trabalho desse herói nacional, hoje condecorado Embaixador da Nova Cozinha Nórdica.
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A melhor que eu já comi na vida
Alguns vinhos da seleção escolhida para harmonizar com a comida: todos austríacos, de produtores orgânicos ou biodinâmicos.
Noma: uma refeição inesquecível















































































