
“Doppa”. Claro que a primeira palavra em sueco que eu aprenderia tinha de estar relacionada com comida. “Doppa”, ensinaram as minhas anfitriãs, que moram na Suécia, “molhe o pão no caldo clarificado feito com o pernil de Alce”. E que pão, e que caldo! Assim começamos o jantar no Djuret. Chegamos ali pela indicação da filha da minha amiga. Como elas vinham de Upsala, cidade vizinha, e teriam de voltar no mesmo dia, escolhemos jantar no fim da tarde, às 18h, afinal, depois de uns dias na Escandinávia, esse horário já não era tão estranho assim. Com o friozinho do outono batendo à porta, jantar cedo é um bom programa.

O Djuret fica meio escondido numa ruela da cidade antiga, em Estocolmo, e é bem frequentado pelos locais. Aquelas ruas eram desconhecidas e a cada passo apressado, com o vento frio que gelava o rosto e a conversa animada, sabia que vivia momentos inesquecíveis. Quinze minutos de caminhada, chegamos. De fora, quase não se vê o restaurante de caça. Depois das fotos na entrada, afinal era um momento especial, esse encontro foi imaginado há mais de 20 anos, abrimos a discreta porta do local e entramos num bar de paredes pintadas de verde cor de musgo, com luz escura, paredes com bichos empalhados e várias pessoas bebendo. Continuamos entrando no ambiente, sendo conduzidos pela garçonete, até chegar em uma das pequenas salas de jantar da casa.

No Djuret, o cardápio é pequeno, um animal é escolhido para ser servido a cada temporada, em torno de um mês, aproveitando todas as suas partes. Sabendo qual a carne vai comer é só escolher o pedaço preferido. Algumas entradas muito simples, como torresmo, ou pepinos em conserva, superapimentados, dão as boas-vindas. Depois é servido o caldo para “doppar” e a refeição. A carta de vinhos é enorme, mas eles dão algumas sugestões para acompanhar a carne do momento. Difícil dizer quem brilhou mais, se a carne, ou o vinho, na verdade, neste dia, tudo estava harmonizado.




Aproveitamos o nosso horário muito bem, ficaríamos mais, afinal, comida boa e companhia agradável é tudo o que queremos numa noite fria, seja em Estocolmo, ou em qualquer outro lugar. Nossa guia, também apaixonada pela enogastronomia, sugeriu mais um passeio em busca da sobremesa perfeita. Antes de enfrentarmos as ruas da capital da Suécia, uma espiada nos cozinheiros. A cozinha fica aberta para a rua, de onde é possível ver como os pratos são preparados. Parece que estávamos sem vontade de sair dali. Se eu voltaria? Ja! Ou melhor, sim!

Eriks Gondolen, da lista interminável de restaurantes, foi o escolhido para a sobremesa. Com uma vista fantástica de Estocolmo, eu iria só para provar um dos vários cocktais da casa. A minha sobremesa estava ok, nada demais, mas pelos comentários, acho que as outras estavam melhores e o local proporcionou um excelente fim de noite, acompanhado por vinhos muito bem harmonizados. Local agitado e com gente bonita, o Eriks é um bom programa.

