Arquivos da categoria: Estocolmo

Chegou

5 janeiro, 2013 às 23:50  |  por Jussara Voss

Agora não tem mais desculpa, passaram as festas, a reforma da cozinha quase terminou, e 2013 está aí, então, vamos ao que interessa. Estive longe daqui, mas não parei de trabalhar. Duas receitas exclusivas foram publicadas da revista Ideias e apesar de serem sugestão para o fim de ano, elas valem para qualquer época. Aqui está o link.

Depois também andei por Punta del Este e fiquei encantada com o hotel e o SPA da Renata de Abreu, que vale a visita. A gastronomia do lindíssimo Fasano Las Piedras não deixou lembranças. O restaurante principal estava fechado. Conto tudo neste número da Top View, aqui o link. Veja algumas imagens e tenha ideia do porquê da minha empolgação.

Também contei na Top View quase tudo o que eu vi e experimentei na Suécia. O restaurante Frantzén/Lindeberg vale a viagem, foi uma das experiências mais incríveis que eu tive recentemente, ao lado do longínquo Fäviken, quase no Polo Norte. Dois lugares incríveis, que merecem outro post. Veja porquê aqui.

Fäviken

Frantzén/Lindeberg

Espero muito de 2013 e desejo muito também: feliz Ano Novo!

 

 

Skeppsholmen Hotel

24 novembro, 2010 às 21:29  |  por Jussara Voss

Parou de chover em Estocolmo. Tentei uma reserva no Lux, não consegui. Acabei no Skeppsholmen sem expectativas, mas não me decepcionei, a escolha ainda surpreendeu com um prato variado de herring. Claesson Koi Vistu e Rune assinam o projeto do hotel estiloso. O staff veste Acne e exala design e bom gosto. Voltaria de dia no almoçar para ver a bela paisagem do local. Dê uma espiada no site http://www.hotelskeppsholmen.com/. Vale a pena.

Aquavit: a mais tradicional “cachaça” local.

Começar de novo…

Trufa gigante no potinho: deliciosa.

Djuret

15 outubro, 2010 às 17:30  |  por Jussara Voss

“Doppa”. Claro que a primeira palavra em sueco que eu aprenderia tinha de estar relacionada com comida. “Doppa”, ensinaram as minhas anfitriãs, que moram na Suécia, “molhe o pão no caldo clarificado feito com o pernil de Alce”. E que pão, e que caldo! Assim começamos o jantar no Djuret. Chegamos ali pela indicação da filha da minha amiga.  Como elas vinham de Upsala, cidade vizinha, e teriam de voltar no mesmo dia, escolhemos jantar no fim da tarde, às 18h, afinal, depois de uns dias na Escandinávia, esse horário já não era tão estranho assim. Com o friozinho do outono batendo à porta, jantar cedo é um bom programa.


O Djuret fica meio escondido numa ruela da cidade antiga, em Estocolmo, e é bem frequentado pelos locais. Aquelas ruas eram desconhecidas e a cada passo apressado, com o vento frio que gelava o rosto e a conversa animada, sabia que vivia momentos inesquecíveis. Quinze minutos de caminhada, chegamos. De fora, quase não se vê o restaurante de caça. Depois das fotos na entrada, afinal era um momento especial, esse encontro foi imaginado há mais de 20 anos, abrimos a discreta porta do local e entramos num bar de paredes pintadas de verde  cor de musgo, com luz escura, paredes com bichos empalhados e várias pessoas bebendo. Continuamos entrando no ambiente, sendo conduzidos pela garçonete, até chegar em uma das pequenas salas de jantar da casa.

No Djuret, o cardápio é pequeno, um animal é escolhido para ser servido a cada temporada, em torno de um mês, aproveitando todas as suas partes. Sabendo qual a carne vai comer é só escolher o pedaço preferido. Algumas entradas muito simples, como torresmo, ou pepinos em conserva, superapimentados, dão as boas-vindas.  Depois é servido o caldo para “doppar” e a refeição. A carta de vinhos é enorme, mas eles dão algumas sugestões para acompanhar a carne do momento. Difícil dizer quem brilhou mais, se a carne, ou o vinho, na verdade, neste dia, tudo estava harmonizado.

Aproveitamos o nosso horário muito bem, ficaríamos mais, afinal, comida boa e companhia agradável é tudo o que queremos numa noite fria, seja em Estocolmo, ou em qualquer outro lugar. Nossa guia, também apaixonada pela enogastronomia, sugeriu mais um passeio em busca da sobremesa perfeita. Antes de enfrentarmos as ruas da capital da Suécia, uma espiada nos cozinheiros. A cozinha fica aberta para a rua, de onde é possível ver como os pratos são preparados.  Parece que estávamos sem vontade de sair dali.  Se eu voltaria? Ja! Ou melhor, sim!

Eriks Gondolen, da lista interminável de restaurantes, foi o escolhido para a sobremesa. Com uma vista fantástica de Estocolmo, eu iria só para provar um dos vários cocktais da casa. A minha sobremesa estava ok, nada demais, mas pelos comentários, acho que as outras estavam melhores e o local proporcionou um excelente fim de noite, acompanhado por vinhos muito bem harmonizados. Local agitado e com gente bonita, o Eriks é um bom programa.

Mathias Dalhgren: Matbaren e Matsalen

6 outubro, 2010 às 19:48  |  por Jussara Voss

O restaurante de Mathias Dalhgren funciona no Grand Hotel, em frente à ilha de Gamla, onde está o centro antigo de Estocolmo, “a cidade entre as pontes” na ilha de Stadsholmen, mas não tem a pompa do sofisticado estabelecimento, ao contrário, é despojado, lembra uma casa, com uma copa no canto do pequeno salão de apenas 38 lugares e  uma mesa para convidados, ou jornalistas, entre a cozinha e os clientes. Os pratos são finalizados na copa, parece que a ideia é aproximar quem vai comer de quem preparou o prato quebrando a pompa comum nos restaurantes estrelados. É um outro momento da gastronomia, sem dúvida.

Como fecha segunda-feira, nos restou a opção de conhecer o segundo restaurante do genial chef, o Matbaren, ou “food bar”, que é tão bom quanto o principal, o Matsalen, que fica ao lado e que eu não conheci. Mesmo sem a presença de Mathias, o garçom que nos atendeu e um dos sub-chefs nos serviram como reis, com direito a uma visita no restaurante principal.

No Mathias Dalhgren, brincar com a comida não é loucura, é coisa séria. Lembrei do “verde, quente e crocante”, receita para um prato ser bom que eu ouvi de alguém. Funciona.

50 – 25

Dalhgren entrou na lista dos 50 melhores restaurantes do prêmio S. Pellegrino da revista inglesa Restaurant ano passado na 50º colocação, em 2010, pulou para 25º.

Os pães, sempre quentes e crocantes, e a manteiga, sempre com um sabor especial, vieram à mesa. O pão embrulhadinho, novamente exigindo controle para que não fosse devorado.

Os pratos, no enxuto cardápio, não são tão grandes o que possibilita que você escolha entre as opções que lhe agradem, repetindo de acordo com a fome. Genial. Peça o que melhor lhe apetecer, na indicação que eu tinha: porco frito com trufas, alcachofra e malte, mas não estava no cardápio, que, é claro, muda conforme a estação. Mas ali qualquer escolha vai valer a pena. O cardápio é dividido entre “o que é do nosso país”, “o que vem de outros países”, “o que é plantado no mundo” etc. No menu, que é a toalha, está a equação do ovo perfeito. Tudo é levado muito a sério para que os clientes tenham muito prazer. Nós agradecemos.

“Autumn apple crumble” – torta de maçã, aquela bem simples, com farofinha, bem gostosa. “Baked wild chocolate from Bolivia”: maravilhoso. Os vinhos de sobremesa foram perfeitamente combinados. Assim foi a noite no Matsalen com amigos: pura alegria.

Petits fours: tão bom que foi impossível não levar para o café da manhã…

Story Hotel

1 outubro, 2010 às 07:14  |  por Jussara Voss

Às vezes um hotel de design pode ser uma cilada, não é o caso do Story Hotel, em Estocolmo. A indicação era para experimentar o ceviche de atum e polvo e waffles belga com cereja e sorbet de amoras negras, mas o cardápio, escrito em um grande quadro-negro, muda cada 60 dias mais ou menos, então, nada de ceviche, mas tinha atum, a minha opção, meus companheiros de mesa foram de Kobe beef, supersaboroso e macio, eles reclamaram apenas que a gordura da carne do gado wagyun estava um pouco fria, parecia que a carne tinha ficado pronta antes da batata. Os três tipos de trufas de chocolate de sobremesa selaram o programa. O  badalado Story Bar é uma boa pedida. Pratos pequenos e médios, frescos, simples, muito bons. Dj nas noites de quinta até sábado. Não conheci o restaurante, mas no dia em que fomos, um domingo, estava vazio. Ótimo endereço para comer e se hospedar.

F12

26 setembro, 2010 às 18:22  |  por Jussara Voss


Anda para um lado, anda para outro, a numeração da rua dá um nó da cabeça, a garoa fina insiste em nos acompanhar e parece que nem o GPS do celular vai resolver a parada, mas o premiado “master class” F12, uma estrela Michelin, estava a poucos passos. Quando abrimos a monumental e antiga porta, nos deparamos com um salão elegantemente decorado e um bom pressentimento do que nos esperava. Eu que vou atrás de indicações me assustei com a lista de restaurantes em Estocolmo. Milhares, de todos os tipos de cozinha e preço. Socorro! Pedi e fui prontamente atendida pela filha de uma amiga que mora em Upsala. Ela, por sua vez, fã da boa comida também, recorreu a um médico “foodie” para ajudar a selecionar os melhores. Ele foi categórico: F 12 e Djuret. Ok, fomos lá. Nem duvidei, a indicação deveria valer a pena e valeu, apesar de que eu recomendaria um jantar no restaurante do chef  Danyel Couet e Melker Andersson, com mais tempo para degustar, eu fui no almoço. Pedimos um menu de três “courses” e deu para saber que é um local para voltar. Christofer Ekman e Daniel Gustavsson trabalham com Danyel Couet na cozinha. Sutil e saborosa, assim é a comida do F 12.

Pães quentinhos e manteiga selecionada: é básico.

Cervejas artesanais para variar e acompanhar muito bem o cardápio. O tema de setembro, o restaurante explora um por mês,  “A walk in the forest”, é confortante e calmo. Pode ir sem susto.

Ganhei um livro e repassei para a minha amiga que mora lá, quem sabe ela, que é cozinheira, testa e traduz para podermos experimentar também.

Continuar lendo

Vete-Katten

25 setembro, 2010 às 17:43  |  por Jussara Voss

“O Gato de Trigo”

Passamos pelo interior da Suécia, deixando Estocolmo, com suas 14 ilhas,  já com saudades. Lugar de gente bonita, educada e prestativa e excelente comida. Pega o visitante de surpresa na primeira volta. A cidade é linda de fazer chorar. Foi lá que descobri a “Vete-Katten“. Nessa descoberta, tive a ajuda do acaso, encontramos um casal que foi atraído pela fala brasileira melodiosa numa esquina movimentada, conversamos e nos despedimos tomando rumos diferentes, dois quarteirões depois, reencontramos os dois dentro de um labirinto de salas e cheiros, numa das mais tradicionais padarias da cidade, 80 anos com a mesma família.  O senhor, mais reservado no primeiro encontro, não resistiu e começou a mostrar os prêmios que a padaria, confeitaria e fábrica de chocolates, o Vete-Katten, “O Gato de Trigo”, já recebeu, a senhora me contou que a família real faz compras ali e ainda tinha o doce da terra deles, Budapeste, experimente, insistiu, é muito bom. Muito bom, não, o doce é uma tentação, o creme derrete, depois tem o crocante das amêndoas e uma casquinha folhada. Segui entrando pela loja descobrindo um labirinto de sensações. Foi a festa. Mais uma salinha ali, um cantinho acolá, um jardim, mais doces, uma grande mesa com café, um balcão com pães e aquele cheiro de coisa boa, de casa de mãe que faz bolos. É bem fácil de achar, perto da Estação. Lugar para repor as energias e esquecer da vida. Agito, só para os confeiteiros, padeiros e atendentes…