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'Paris'

Le Chateaubriand

4 fevereiro, 2011 por Jussara Voss
17:19

Com uma lista enorme de restaurantes para ir, apelei para as dicas do Jacques Trefois, em quem confio totalmente nesse quesito. Ele foi categórico: “Se fosse um só eu iria no Le Chateaubriand, caso não achasse lugar no Le Baratin. Le Troquet ou Chez Michel são também ótimos”. E eu ainda tinha aquela listinha de quatro bistronomiques imperdíveis, Le Ribouldingue, Lês Papilles, Le Repaire de Cartouche e L’Entredgeu, testados por ele no ano passado. Bem, sem sucesso no Le Baratin, fiz promessa secreta e entreguei o meu pedido aos deuses e protetores dos foodies e gourmets para conhecer o Le Chateaubriand. Na temida ligação para fazer uma reserva a esperada resposta de que o local estava lotado, mas, para o meu delírio contido, havia uma chance na segunda rodada da noite e, seco e direto, o atendente recomendou: “não adianta chegar antes das 21h30”. Mesmo assim, achei que seria prudente adiantar 10 minutos, o que garantiu o terceiro lugar na longa fila que aos poucos foi se formando do lado de fora do restaurante, eles não deixaram entrar mesmo, e olha que o termômetro deveria estar batendo os cinco graus ou menos.

A noite estava fria e nós firmes, porque, afinal, não daria para deixar Paris sem conhecer a comida desse francês criativo, filho de bascos espanhóis, Iñaki Aizpitarte, que faz sucesso por lá. Pontualmente, às 21h30, como por milagre, fomos convidadas a entrar e apesar de quase todas as mesas ainda estarem ocupadas, já poderíamos esperar ao lado do balcão do bar tomando uma taça de vinho e, quem sabe, apressar discretamente os clientes do primeiro turno, tudo bem, já era possível sorrir depois da certeza de que conseguiríamos jantar. Fomos acolhidas, já instaladas numa confortável mesa, pelo Sébastien, um simpático e afônico francês que falava português, aprendido com a namorada brasileira, e que se desdobrou em explicações e gentilezas. O lugar é pequeno, agitado, muito claro, quase sem decoração, como um simples restaurante de bairro e você fica colada na mesa do vizinho. Informadas de que iríamos enfrentar um menu degustação de cinco pratos no escuro sem outra alternativa, senti um calafrio, pois dividia a mesa com quem não aprecia muito a gastronomia moderna, eu sabia disso. Mais promessa para tudo dar certo. O menu a prix-fixe, que muda diariamente, é a única opção e garante o preço baixo para esse tipo de restaurante, 45 euros.

Começamos com os snacks sem tropeços, ao contrário, com exclamações. Gosto de começar com alguma coisa simples e quentinha, como pãezinhos de queijo. Depois foi a vez de uma saladinha de siri, com quinua e raiz-forte, quase caseira e deliciosa. Seguimos com a mozzarella fumée com repolho roxo e coração de pato com cinco sementes: dois snacks com sabores novos e fortes e antes do primeiro prato veio a sopa de salsão, com zest de laranja e trufa. Com a chegada triunfal das vieiras, com beterraba e rabanete, que mais parecia uma obra de arte, dei um acabamento com o pão para a foto final comprobatória do êxito da iguaria, vi que podia relaxar, era impossível não gostar da refeição. Sem estrelas Michelin, Le Chateaubriand subiu 29 posições na lista dos 50 melhores restaurantes da revista Restaurant, como um foguete surpreendente, deixando os tops chefs franceses atrás, está na 11ª posição. Não lembro de fundo musical vindo da cozinha de que tinha ouvido falar, talvez porque o autodidata Inãki estivesse duas casas mais para frente cuidando do novo restaurante, o Le Dauphin, que já foi premiado pela sua arquitetura, projeto Rem Koolhaas, pela Le Fooding. Eu tinha lido que ele abriria outro restaurante, mas não imaginei que estava, naquela noite, ao lado do bar de tapas e comidas tradicionais francesas, como fui perder essa oportunidade de conhecer o lugar, não sei. Ao final do banquete veio o veredicto, a comida do Iñaki, que consegue uma perfeita sintonia entre produtos frescos e técnica, é extremamente delicada e  saborosa, tão saborosa a ponto de seduzir até quem tem medo de combinações ousadas.

Vieira com verduras e lichia: foi de fazer perder o juízo e raspar o prato.

Esse prato tinha um peixe do país Basco, um tipo de bacalhau, que chega diariamente ao restaurante, com coentro, abacate e ervas e estava simplesmente perfeito.

O lombo de porco ibérico feito à baixa temperatura, comme il faut, servido com alcaparras crocantes, que eu nunca tinha comido, os queijos excepcionais, um sorvete de leite, com maçã e  uma sobremesa de chocolate, que eu esqueci de fotografar, me deixaram completamente feliz. Pequenos pedaços de abacaxi, incrivelmente doces, com temperos indianos, servido como digestivo, finalizaram a refeição. Foi um jantar e tanto! Abaixo, Sébastien, que treinou o seu português e foi extremamente simpático, e os jovens cozinheiros na pequena cozinha do divino Le Chateaubriand.

Le Chateaubriand
129, Av. Parmentier, 75011, Paris, 00 33 1 43 57 45 95

Saiba mais sobre o chef no site http://www.chow.com/food-news/54331/bistronomics-101/

Hediard

26 janeiro, 2011 por Jussara Voss
18:51

Céu escuro, garoa fina, frio e os franceses na rua, seja na fila para entrar no museu, ou para comprar um jornal. E eu atrás de comida, afinal, eu tinha de ter um saborzinho francês quando aqui desembarcasse. Por isso, deixar Paris pela porta da Hediard, comendo os crêpes dentelle de Bretagne chocolat au lait que uma blogueira indicou é, no mínimo, comovente. A cidade é linda demais, não me canso de afirmar e como é bom revisitá-la. Mas ainda acho que não desbancou os espanhóis. Acho que não. Nessa rápida estada fui atrás de novidades, já que não falam tão bem dos locais de muitas estrelas e preço nas alturas. Procurei os bistronomiques e apesar de pouco tempo parisiando tive algumas boas experiências. E não é que o chef que mais atenção atrai é basco? De nome quase impronunciável, Iñaki Aizpitarte, e com uma carreira meteórica, ele faz sucesso. Guardo ainda um post na manga sobre o restaurante dele.


A Hediard, preste atenção, merece uma visita. Tem tudo lá. Também está ali na Place de La Madeleine. Abençoada Santa Madalena, merece estar em tão boa companhia: caviar e peixes da Prunier; tudo da Fauchon e da Hediard; caviar russo, enguia e salmão da Caviar Kaspia; as melhores trufas negras da França na La Maison de la Truffe; mel para comer e se besuntar da La Maison du Miel; as mostardas da Boutique Maillel; um chá na Marquise de Sévigné, ou da Betjamen and Barton; os macarrons da Ladurée e os vinhos especiais do Au Verger de la Madeleine. Por que? Ela entende dos prazeres da vida. Coincidentemente, leio O romance de Maria Madalena, Uma Mulher Incomparável, do filósofo e teólogo Jean-Yves Leloup, que apresenta outra mulher, “uma mulher de muitas facetas”.

Eu não me cansaria de ficar por ali e nas redondezas, na Rue Saint-Honoré, comendo o marron glacê e o chocolate do Jean-Paul Hévin, por exemplo, que provei já instalada no meu domínio curitibano. Quem é esse cara? Nossa, é maravilhoso. Quero mais. O café, no primeiro andar da loja que abriu no mês de setembro passado, é programa garantido e com selo de ouro. Quer dar uma voltinha pela Madeleine? Entre aqui. Porquê fui gostar do marron glacê dele…

La Gazzetta

22 janeiro, 2011 por Jussara Voss
11:20

Sexta-feira à noite em Paris, sem reserva, foi difícil achar um dos restaurantes da lista. Les Papilles, L’Entredgeu, L’Ami Louis, La Régalade, Chez L’Ami Jean, L’Épi Dupin, Le Comptoir… La Gazzetta!  Um encaixe. Ótimo! Rumo à Bastille. No resumo das indicações apenas “um italiano com aspirações gourmet”. O site não diz muita coisa, nem o nome do cozinheiro. Programa arriscado para as minhas companhias, ai, ai. Quem pensou que iríamos comer uma massa leve errou, o chef quer mesmo é mostrar que sabe ousar, mas é na medida. “Uma surpresa, aliás, boa surpresa”, escutei e respirei aliviada. A enorme coquille Saint Jacques no ponto, com lentilles abriu o jantar e um peixe muito saboroso com raviolis de céleri et mandarine e lait de chèvre delicadamente perfumado seduziu totalmente, muito saboroso. O cozinheiro sabe mesmo o que faz. O pistou de brocolis et pistaches, abricots et vinagre também agradou. Estava perfeito e tinha um tempero agridoce equilibrado. O paleron de bouef Basque et endives rôties, raifort et châtaignes mostrou toda a personalidade do país que vem inspirando uma legião de chefes. Nossa! Muito bom. Mille feuille potimarron praliné, poire confite aux épices e o semi freddo de citrons de Sicile, chocolat et meringues extremamente suaves. A receita clássica se repete, doce na medida, crocante, amargo, fresco, ácido… O ambiente é bem decorado e o serviço é atencioso. Duas opções de cardápio: menu 5 plats (39); menu 7 plats (52) e três opções de demi-portions. Ainda foi servido um crème de rattes et topinambours (uma raiz), vieux Salers et picholines, substituindo a carne mal passada intocada, não por mim, é claro. Então, um italiano gourmet para recomendar.

Desculpem as fotos, a iluminação não ajudou.

Jean-Paul Hévin

21 janeiro, 2011 por Jussara Voss
09:24

Sair com listas de endereços para visitar, durante uma viagem, pode ser chato às vezes, mas estando em Paris, acho que isso é inevitável, e depois você corre o risco de passar em frente a lugar incrível, como a casa do chocolatier Jean-Paul Hévin, e não entrar, o que seria um crime, já cometido por mim, confesso. Por sorte, me recuperei. Achei o endereço fácil, fácil. A casa é bem localizada, no número 201 da Rue Saint-Honoré, e tem um salão de chá. Os chocolates do Jean-Paul, de acordo com a Constance Escobar, estão entre “os melhores chocolates do mundo”. Por enquanto, ainda não consegui comer os chocolates que eu comprei, só posso falar do doce que eu provei: incomparável, um sabor fantástico e uma textura perfeita. Difícil encontrar assim. Mais um endereço visitado para ser anotado. Em Paris, sigo, principalmente, as dicas da Constance. Aliás, se têm duas blogueiras para serem seguidas: elas são a Constance Escobar e Ale Forbes, já devo ter escrito isso antes, mas não resisto a um reforço. Aqui, fui apresentada pela minha amiga ao http://www.conexaoparis.com.br/, um “blog informativo sobre o que está acontecendo em Paris agora”, bem legal também. Maria Lina, do conexão, indicou o Jean-Paul como o melhor marron-glacê, a castanha portuguesa no açúcar, ainda intacto na sacola.

Prunier: o caviar francês

19 janeiro, 2011 por Jussara Voss
20:01

O almoço hoje foi especial. Ainda não conhecia o caviar francês. Blinis, creme azedo, batata, é batata, fica uma delícia com o tubérculo, não tinha experimentado ainda. Fomos no Café Prunier. E eu bem sem jeito porque minhas companheiras de viagem não gostam muito de peixe com sabor forte e ovas e estavam indo só para me agradar, mas não é que elas gostaram? Que alívio.  Nem sei o que dizer, ou como agradecer a gentileza. Eu achei mais suave do que o russo. Quanto mais velho mais acentuado o sabor, me contam. Por que não explode? Senti falta das explosões… Bem, a textura é diferente do russo, ele é mais tenro. Enfim, eu gostei bastante, mas é diferente.  E o salmão é defumado nos Alpes Suíços “usando receita milenar”, fica muito bom também. E a Madeleine no fundo…


Café Prunier: 15, Place de La Madeleine, Paris – Tel. 33 0 1 47 42 98 98.

La Grande Épicerie de Paris

19 janeiro, 2011 por Jussara Voss
19:08


Momento caseiro, vinho, paté de foie gras, queijo Brillat Savarin… foi impossível resistir ao “melhor mercado de comida”. La Grande Épicerie de Paris, realmente, tem de tudo lá, impossível não dar uma passadinha no endereço dos gourmets. Uma gôndola para cada país…  Mas isso foi ontem, agora, estou lutando com um forno para aquecer escargots da Fauchon… Também teve um almoço com um toque mediterrâneo no Primo Piano que fica no vizinho Le Bon Marché. Pimentão grelhado com mussarela de búfala e salmão. Estava muito bom e eu comi muito, fazer o quê. O salmão aqui, como em outros países da Europa, tem um sabor diferente. Ah, e não resisto aos chocolates e macarons do Pierre Hermé, a todo momento esbarramos com uma loja dele e tudo sempre igual, deliciosamente delicado, com a mesma qualidade, ainda bem que estou no quarto andar de um prédio sem elevador…

La Grande Épicerie de Paris: 38, Rue de Sévres

Fauchon: Place de La Madeleine, telephone 01 70393800

Le Ribouldingue

18 janeiro, 2011 por Jussara Voss
22:05

“Vamos fazer a festa”! Para nós foi assim que o Le Ribouldingue se apresentou. Uma festa mesmo. Não poderia ser diferente, a dica foi do Jacques Trefois, veja o post aqui. Eu não tinha dúvidas. Que lugar agradável e que comida boa! A dona é a Nadège, simpática e atenciosa, e o chef é o Yuji! Imagine, um japonês que faz uma saborosa comida típica local. É possível, eu senti. Foi começar a comer e lembrar de quem amamos. Um bom sinal. Parecia que eu estávamos em casa. O único problema é que eu como pouco. Na entrada, me entreguei de corpo e alma à terrine da casa feita de bochecha e de nariz de porco, socorro, que gostoso. Depois, faltou coragem para pedir a sugestão do dia, não estou preparada para tripas e cérebro, talvez em pequenas porções, um prato inteiro, sei não. “Eles adoram o abate”, avisam no cardápio. Eu vou com calma. Mas fui corajosa: uma panqueca recheada com orelha de porco foi a primeira prova. Super pedida! Verde, quente e crocante: trio perfeito para intensificar sabores. Enfrentei bravamente e depois aliviei o ritmo, o prato principal foi barrica de vitelo com massa fresca, nossa, como estava bom. Também provei o Saint Pierre, no ponto perfeito. Dos franceses na mesa ao lado só escutávamos: “hum, hum”. Encerrei com um “sorbet chataignes aux marrons confits” e escutei de quem também provou: “o melhor jeito de comer a castanha portuguesa”. Tudo isso por 32 euros. Se tivesse companhia, eu iria de menu degustação: 50 euros. Na saída, como disse o Trefois, é só olhar à esquerda e reparar na beleza da Catedral de Nôtre Dame iluminada”. Mais uma vez, é preciso agradecer, dica boa não tem preço.

L’Écume St-Honoré

18 janeiro, 2011 por Jussara Voss
21:01


Tem gente que eu conheço que vai rever a ideia de não voltar a Paris. L’Écume St-Honoré, um bar de ostras e frutos do mar bem pequeno, “poissonnerie”, do lado de onde estou hospedada, é um endereço para quem gosta de comida do mar fresca e preparada na hora. É só escolher e pedir para preparar…

Prunier

18 janeiro, 2011 por Jussara Voss
20:34


Caviar? Place de Madeleine. Uma casa ao lado da outra. Amanhã vou lá, sem falta. Caso contrário começo a passar mal…

Fauchon

17 janeiro, 2011 por Jussara Voss
22:46

Fauchon!!!! Preciso dizer alguma coisa?

La Brasserie

17 janeiro, 2011 por Jussara Voss
22:01

Para ir quando bater a fome, em qualquer horário. La Brasserie do Publicisdrugstore fica aberto até às duas da manhã direto, abre às 8h, em plena Champs-Elysées. Se tiver sorte, dá para ficar olhando para o Arco do Triunfo. Pode parecer meio turístico, só que a comida é boa, quer dizer, não jantamos, foi só um lanche, meio almoço, mas que lanche, um belo hambúrguer, mas com foie gras, porque, afinal, estamos em Paris. Além da brasserie, tem uma livraria, uma boutique gourmet, com bebidas e comidinhas especiais e os ma-ra-vi-lho-sos chocolates e macarons do Pierre Hermé! Enfim, é um lugar bacana, tem até um L’ Atelier Etoile de Joel Robuchon.

Paris

16 janeiro, 2011 por Jussara Voss
19:22

Inesperadamente, Paris! Cada vez mais acredito que sonhar vale a pena. Podem imaginar a minha euforia? Abro a semana com uma das mais tradicionais sobremesas da França: o creme queimado, ou crème brüllé, será que é assim que se escreve? Foi a escolha da noite, como estava bom. Com tantas opções, a lista de restaurantes é grande, conto, mas o cansaço de uma viagem longa pesou e a escolha foi nos arredores da hospedagem. Sem susto, afinal, estamos no 2º arrondissement, a vizinhança é boa, muito boa.