Bastou uma amiga contar que estava com saudades da comida e dos detalhes de um dos restaurantes mais tradicionais de Curitiba, como os talheres de prata, e outro amigo mandar um texto que descia o sarrafo, como dizem, nas modernidades gastronômicas da cozinha “tecnoemocional”, para uma visão de escargots, vol au vent e fois gras começarem a girar na minha cabeça. Depois que isso aconteceu, parece que o carro pegou o rumo sozinho e quando olhei para o lado lá estava a praça do casal nú, no centro de Curitiba, do outro lado, o restaurante Ile de France, que junto com o antigo Boulevard e o Chalet Suisse, disputavam a preferência dos interessados em comer bem na Curitiba de décadas passadas. Eles foram referência na cidade e acho que continuam sendo, tem um público cativo que gosta mesmo é de tradição e nem liga para a ebulição que os fogões ao lado estejam fazendo. Pois, eu, que gosto de comida boa, especialmente saborosa, bem feita e apresentada, não tenho restrições, sem me importar se a técnica é antiga ou nova. Topo tudo, ainda mais escutando Edith Piaf.




O camarão estava no ponto, mas a batata e o molho poderiam ganhar uma repaginada. A casa é muito aconchegante e carrega o nome com galhardia de quem tem um francês atrás do balcão. Jean Paul Decock está lá firme e forte, há mais de 50 anos. Os detalhes continuam ali para impressionar, mas custam caro. Aplaudi as meias porções porque permitem mais de uma escolha, só que ainda prefiro buscar fora o que eu não posso fazer em casa. Quanto a cozinha tecnoemocional e a escola do Ferran Adrià, acho que fazem muito barulho em torno do assunto, foi assim quando a nouvelle cuisine surgiu. Adrià é hors concours, isso é fora de questão, um gênio. E agora o movimento perdeu seu principal maestro, eu nem sabia. O chef espanhol Santi Santamaria, 53, opositor de Adrià, sofreu um ataque cardíaco nesta quarta-feira (16), em Cingapura. De acordo com as agências de notícias, ele mostrava o novo restaurante dele na cidade para jornalistas e amigos. Foi o primeiro catalão a receber as três estrelas Michelin com o seu restaurante El Racó de Can Fabes, de Barcelona. O Santceloni, de Madri, tinha duas, e eu não cheguei a conhecer, só pude indicar para amigos. Uma grande perda para a gastronomia espanhola.
Chalet Suisse
Arthur Saredi é o chef do Chalet Suisse, que mudou de mãos em 1996, quando o suíço e fundador da casa Markus Sigrist faleceu. Alexandre Saredi, ao lado do pai, comanda o restaurante, que se destaca pela gastronomia francesa no bairro de italianos em Santa Felicidade. Também instalado num casarão charmoso.
Trattoria Boulevard
O Boulevard deu lugar ao Guega e agora voltou com o antigo nome em uma versão italiana da casa. O restaurateur Andersen Prado, com a saída de Celso Freire, está no comando da Trattoria Boulevard. A equipe é a mesma e a proposta de estilo e cardápio também.
Ile de France 41 3223-9962.
Trattoria Boulevard 41 2023-8244
Chalet Suisse 41 3364-7889