Arquivos da categoria: Restaurantes em São Paulo

São Paulo III: Girarrosto e Dalva e Dito

13 outubro, 2012 às 14:12  |  por Jussara Voss

Na última viagem a São Paulo também fui conhecer o novo mercadinho do Alex Atala no Dalva e Dito. Um charme. O restaurante está todo modificado. A sala das samambaias virou um bar e é a entrada do local, que continua bonito. O mercadinho tem pães, pipoca e frango assado, entre outras gostosuras, e funciona onde era a entrada do restaurante. Escolhi pirarucu para o prato principal (foto), mas cai de boca mesmo no ratatuile do sertão, tenho lá minha implicância com criadores de cativeiros. O couvert, com pimentas variadas, pães fantásticos e outras delicadezas, além da bebida e do atendimento e da arquitetura e decoração do lugar, contam pontos, claro. O que falta? Atala não fica ali, está no D.O.M. sempre que possível, pois o chef tem viajado bastante por conta dos eventos internacionais de que participa. Não faz muito tempo um taxista do aeroporto de Congonhas passou um e-mail pra mim, deve ter encontrado o blog numa busca pelo chef, dizendo que ele tinha esquecido a mala no seu carro. Peru, Polônia, Japão, poucos dias em cada cidade, dá para imaginar o cansaço. Ainda não provei a famosa galinhada servida aos sábados depois da meia-noite. Programa imperdível.

Na mesma viagem ainda almocei no Girarrosto, achando que iria encontrar o chef Ivo Lopes, que nada. Ele está montando um restaurante, foi o que eu fiquei sabendo apenas, sem mais detalhes sobre o novo empreendimento. Voltando ao Girarrosto, o novo restaurante é um megainvestimento, lugar chique e bacana, a cara de São Paulo, instalado onde funcionava o Cadoro, que foi durante muitos anos uma tradição na capital. Os donos trabalham firme para que tudo funcione. Ninguém menos do que Salvatore Loi, que tinha acabado de deixar o Fasano, estava lá. Quando terminei o almoço, ele estava fazendo reunião com a equipe da cozinha, a famosa brigada.

 

 

 

São Paulo II

28 agosto, 2012 às 19:18  |  por Jussara Voss

Em São Paulo, também fui conhecer o Epice, e gostei bastante, apesar de não ter experimentado o menu-degustação, a novidade para agradar os clientes do chef Alberto Landgraf depois que a casa completou um ano. O menu-degustação sempre é a maneira mais fácil de conhecer o potencial do cozinheiro. No meu pedido: as vieiras estavam no ponto e o porco também. A sobremesa: perfeita e o atendimento idem, o garçom que atendia a nossa mesa se esforçou e contornou, com maestria, o mau humor de duas senhoras, que, infelizmente, estavam muito próximas, o restaurante é pequeno e as pessoas ficam quase coladas, por isso, um pouco de educação é preciso, pena que nem todos pensem assim. Landgraf é paranaense de Cornélio Procópio, morou em Londres, trabalhou com os ingleses Gordon Ramsay e Tom Aikens e com o francês Pierre Gagnaire. Aqui, caiu nas graças de Alex Atala que o incluiu na lista dos cinco melhores chefs do país, ao lado de Roberta Sudbrack, Helena Rizzo, Rodrigo Oliveira e Thiago Castanho. Cursou a escola de gastronomia Westminster, em Londres. Com referências assim, concluo que é preciso voltar para uma melhor avaliação. As fotos não ficaram boas, o lugar tem pouca iluminação, mais um motivo para voltar.

 

 

São Paulo I

7 agosto, 2012 às 23:13  |  por Jussara Voss

Antes que me critiquem pela ausência aqui, digo que ela se deve a uma viagem. Estava trabalhando, mas, é claro, nos intervalos eu tive de comer. Posso dizer, sem dúvida, que em São Carlos, você deve conhecer o Dhama, caso a comida não agrade, você vai curtir o visual e ficar satisfeito. Eu tive sorte, o restaurante abre todos os dias no almoço. No jantar apenas aos sábados e sextas, fui, sem telefonar, para jantar. Salva por um evento corporativo. Final de tarde especial, o Dhama fica em um condomínio afastado do centro, dentro de um campo de golfe. Pode imaginar? É outra dica para quem gosta do esporte também. Comi um carré de cordeiro, que apesar de estar no ponto, faltava um pouco de sal. Fique tranquilo. O cardápio é bem extenso, e pode-se encontrar uma boa opção, com certeza. Agradeço a dica de uma amiga querida. Sem ela, eu não iria descobrir o local. Depois, o destino foi São Paulo. Attimo: a grande novidade. Marcelo Fernandes acertou a mão, mais uma vez. Merece outro post, evidentemente. Fiquei muito impressionada. Sei de amigos que irão adorar.

Ivo Lopes, Ivan Lopes, Terra Madre, Girarrosto

6 fevereiro, 2012 às 22:04  |  por Jussara Voss

Esqueci os bons modos e a educação quando o chef Ivo Lopes chegou à mesa e perguntou  se gostaríamos de olhar o cardápio ou ficaríamos com as sugestões dele. Pode sugerir chef, disse sem hesitar, não dando tempo para as minhas amigas se manifestarem. Não se recusa uma proposta assim, jamais. Sei que elas não gostam muito de experimentações, mas não poderia perder essa oportunidade. Depois da entrega ao talento do chef e de morrer de vergonha pelo meu atrevimento, festejei as entradas dele sempre levando o prato preparado à mesa. Uma massa, um peixe, uma carne. Foi um delírio. Passado o almoço, elas entenderam a minha ansiedade em aceitar a proposta dele, a refeição valeu cada bocada e se entregar ao talento de um cozinheiro como Ivo não tem preço. O visual do restaurante com uma vista linda da cidade de São Paulo, na cobertura do shopping Cidade Jardim, também ajudou.

Tivemos sorte, essa foi uma das últimas refeições que o chef preparou ali. A sociedade de Paulo Barros com Ida Maria Frank foi desfeita naquela semana e Ivo se prepara para assumir a tratoria Girarrosto, ao lado de Massimo Barletti, onde funcionava o Pandoro, que deveria ter sido aberta em novembro. Paulo Barros e Paulo Kress estão à frente também do Italy, o último empreendimento do grupo que já faz sucesso, e do Kaá. O forno giratório será uma das atrações da casa ao lado das massas e carnes e das pizzas e sanduíches aos domingos à noite. Ida ficou com o Due Cuochi, continua com o Marais e o St. Honoré, e associou-se ao grupo do América e do Barbacoa. Para quem não sabe Ivo é irmão do Ivan Lopes, do Terra Madre, e padrinho profissional do Paulino da Costa, agora no grupo do Chico Urban. Pois tive sorte mais uma vez e provei a comida do Ivo, desta vez em companhia do seu irmão, no aniversário do Terra Madre. Seis anos comemorados em grande estilo. Tudo isso aconteceu em novembro do ano passado, mas eu não poderia deixar de tornar público esses dois encontros memoráveis, ainda lembro da polenta cremosa com frutos do mar grelhados ao molho de limão siciliano. Quando ele aparecer por aqui, não perca a oportunidade.

Almoço despedida do Ivo Lopes (foto) no Due Cuochi

Polenta cremosa com frutos do mar grelhados ao molho de limão siciliano no aniversário do Terra Madre, em Curitiba, inesquecível

 

 

Depois das casas de tapas, as tascas

31 janeiro, 2012 às 17:19  |  por Jussara Voss

Fui conhecer a Tasca do Chico na capital paulista, a filial da famosa casa em Lisboa, que tem essa bonita parede de temperos aí de cima e fiquei sabendo que boa mesmo é a Tasca do Zé e da Maria. A primeira traz o famoso chef português Vitor Sobral, que não fica aqui, é o filho dele quem toca o restaurante,  e preços que não são tão de tascas. A segunda casa reúne qualidade e preços mais baixos com uma equipe que vem do Antiquarius e da Brasserie Erick Jacquin, que já ganhou uma estrela (igual a bom) do crítico Josimar Melo. Comi bem, veja as fotos.

 

 

O melhor hambúrguer de São Paulo

30 novembro, 2011 às 22:47  |  por Jussara Voss

Sem fome, depois de uma maratona de menus variados na Catalunha, alguns complexos, alguns longos demais, alguns maravilhosos, alguns dispensáveis, nada das minhas inúmeras opções para almoçar em São Paulo apeteciam, nessas horas, um bom hambúrguer é a saída. Conheço alguns na cidade, mas blogueiro quer “o” hambúrger, então, lá fui eu pesquisar nas listas dos melhores e não é que eu achei blogs sobre o assunto, além de algumas listas. Loucos pelo sanduíche, os autores pesquisam, comem, analisam, enfim, fazem tudo para dar sugestões e facilitar o trabalho de quem quer passar bem.

Primeira indicação: nada feito, o St. Louis, na Batataes, estava fechado, vai ficar para outro dia, com certeza. Não abre para almoço no domingo. É do chef Luiz Cintra. Segundo lugar na lista dos melhores: fomos atrás da Hamburgueria Nacional. Nossa análise: muito saboroso, agradou, a ideia de o sanduíche vir aberto e o cliente escolher os molhos e acompanhamentos é bacana. Ponto positivo: carne suculenta e saborosa e estar aberto, porque gosto de comer com garfo e faca, é frescura, eu sei, nem precisa falar. Ponto negativo: o pão, meio massudo, bacon mole e frio, que pelo menos não cobraram, e o tomate e a alface com cara de ingrediente exposto há muito tempo. Batata bem crocante e cebola no ponto somaram.

E eu não sabia, pertinho de onde estava hospedada, foi inaugurada há pouco menos de um mês, na Alameda Lorena, 2101, a hamburgueria Chez Burger, que abre até às 3 de madrugada. É do grupo que comanda o Bar Secreto e o Lorena, 1989. A especialidade da casa é o Secreto Burger, com 200 g de carne, queijo, relish e cebola, abre só à noite, a partir das 17h no domingo e das 20h de terça a sábado. Adriana Cymes e o marido, Victor Vasconcelos, estão na cozinha. O lugar já nasceu badalado e apresenta drinques bacanas. Escolha a varanda. Mas vamos voltar à Hamburgueria Nacional e aos endereços.

E de quem é a Hamburgueria Nacional? Jun Sakamoto, pode? O projeto é lindo e a casa foi eleita o 4º melhor hambúrguer do mundo pela revista Travel & Leisure. Quem avalia: seleção do Guia do Hamburguer; os melhores na opinião da Anna Angotti e Silvana Azevedo  aqui; na Folha de São Paulo o empate: Lanchonete da Cidade e Ritz; e o link para o pessoal do hambúrguer perfeito, que eu segui, está aqui. É o assunto rende mesmo, pelo jeito muita gente acha hambúrguer coisa séria.

Finalizando, eu tratei de comprar uma forma assim que vi para fazer uma receita caseira que é segredo. Mas eu expiei quem preparava e, então, pelo menos uma dica eu posso dar: coloque três tipos de carne que tenham gordura, como picanha, fraldinha e porco. Peça para moer na hora e bom apetite.

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Caviar em São Paulo

20 outubro, 2011 às 20:27  |  por Jussara Voss

É possível fechar os olhos e, com um pouco de poesia, imaginar-se em Paris, ou Nova York, ou Moscou. O teletransporte fica por conta dos sabores: caviar, blini e creme azedo. De olhos bem abertos, você está em São Paulo tendo esse prazer. Acho que se fosse obrigada a escolher apenas um prato o preferido seria esse. Acompanhado de champagne, é claro.  A Petrossian abriu uma filial na capital paulista. A primeira na América Latina. No shopping mais low profile do hemisfério Sul: o Cidade Jardim. Não poderia ser diferente. Dinho, o garçom, é um anfitrião perfeito, sem falar do caviar e do salmão, a razão de existir da marca. Eu estava angustiada para conhecer o lugar, aberto há seis meses. Tem público? Perguntei, com medo de que a casa não tenha vida longa. “Tem, sim senhora”, respondeu. Graças aos céus, pensei, em silêncio. É para poucos, mas é muito bom. Confira os preços e visite o site http://www.petrossian.com/boutique-petrossian-s%C3%A3o-paulo-boutique-and-cafe-7.html. Além do caviar, o jovem chef de origem italiana Federico prepara sanduíches, lanches com o famoso salmão defumado da casa e doces, que eu não pude provar porque, afinal, a parada ali era só um “arranca” e as novas opções na cidade eram muitas. Petrossian em São Paulo 11 3552-7200.

Arábia

11 outubro, 2011 às 18:20  |  por Jussara Voss

Melhor árabe de São Paulo pela revista Veja, baita responsabilidade. Mas isso não é nenhuma novidade, faz tempo que o restaurante, aberto em 1992, é premiado. Sempre quis entrar ali e nunca dava certo, talvez a fachada fechada da Haddock Lobo não fosse convidativa, não é mesmo. Agora consegui e me arrependi de não ter entrado antes, santa perdição, capaz de fazer até a minha amiga, que não come carne crua, comer kibe cru. Ajudou ela ter escutado durante a espera de uma mesa que o cuidado com a carne ali beirava a assepsia de um hospital, com direito a sala exclusiva para o seu preparo. A carne chegou rosadinha, como eu nunca tinha visto, fantástica. Acompanhamentos e alguns pratos provados vão me fazer voltar, eu não tenho dúvidas. Experimente o trigo com lentilhas, cebola caramelizada e nozes, uma das especialidades da casa. Os sabores vem do Líbano, aonde Leila Youssef Kuc-zynski, a proprietária, passou a infância. Familiar, simples e comida com sabor: tudo o que queremos.

Arábia

Rua Haddock Lobo, 1397, Jardim Paulista, 11 3061-2203.