
Painel de azulejos Athos Bulcão.
Nem sei como começar este post. Primeiro porque muita gente já foi ao Dalva e Dito e muito já se falou sobre o local, que é lindo. Lindo mesmo. A surpresa começa na calçada com a fachada de paredes de barro e madeira. Quando você entra no restaurante um grande palco o aguarda – a cozinha toda envidraçada é a “rainha” do local – não dá para não se surpreender com a beleza dali. O arquiteto Marcelo Rosenbaum, responsável pelo projeto, foi buscar inspiração em Minas Gerais e acertou o traço. Visite o blog dele e veja mais fotos e detalhes do restaurante.

Treliças, azulejos, grandes espaços, madeira de demolição, arte popular, ladrilhos, design e grafite misturam-se aos franguinhos assados, galinhas d’Angola, pastéis e coxinhas. Sobra arte e bom gosto nos salões e sobra tecnologia na cozinha também, que foi planejada com equipamentos modernos pelo chef e professor francês Alain Poletto.

Simpático e acessível, Poletto me contou um pouco sobre a sua trajetória profissional e o desafio de montar um restaurante como esse. “Muito trabalho, 14 a 15 horas por dia”, desabafa cansado, mas feliz. O mestre achou o que desejava. “Não foi uma decisão fácil”, confessa. Reconhecido pela técnica de cozimento a vácuo e baixa temperatura, Poletto deu uma grande virada na sua vida quando resolveu morar aqui e abrir um restaurante nos Jardins, em São Paulo. Isso foi há quase seis anos. De professor universitário na França, com emprego público e estabilidade, para empresário e chef em um outro país. Agora, com o novo restaurante, o passo foi tão grande quanto o primeiro e também impactante. Um desafio enorme, porque todo mundo quer um estabelecimento à altura dos empreendedores, ainda mais tendo o chef Alex Atala como sócio. A expectativa é gigante, assim como os problemas que enfrentaram, quase dois anos para montar a casa, com todas as dificuldades que uma obra pode ter, e ainda enfrentam, pois as críticas e a pressão não param. São corajosos esses dois talentosos profissionais.


No bar: pastel de vatapá com pimenta. Massa crocante, no ponto.

Couvert: o destaque é a pasta de feijão, deliciosa.

Varanda: madeiras e samambaias surpreendendo todos que passam ali.

Começamos bem: a cavaquinha com pepino caipira, tomate, cítricos e vinagrete de bisque estava perfeita.

Galeto, criação orgânica, assado inteiro, ratatouille de legumes do sertão e mandioca com manteiga de garrafa: deliciosos.

Creme de chocolate com priprioca (raiz amazônica), com crocante: muito bom.

Doces da fazenda: prefiro o do D.O.M.

Rotissoir: a estrela da casa.

Pé-de-moleque e sequilho para acompanhar o café.

A casa é tocada por perfeccionistas, que se desdobram para fazer tudo impecavelmente, isso fica evidente. É sofisticado e rústico ao mesmo tempo, não sei se conseguem me entender. Tem uma ótima carta de vinhos, com prioridade para os brasileiros. A louça, copos, guardanapos e uniformes desenhados pelo estilista Alexandre Herchcovitch, enfim, tudo foi feito no maior capricho e com gente que sabe fazer. A casa é grande e o bar pode ser aproveitado, talvez como escola, já que o chef é professor, quem sabe. Se eu gostei? Claro que sim.

Detalhes: “Não sei porque você se foi…”; “Gostava tanto de você…”; “Hoje o céu está tão lindo…”. Ao som de clássicos nacionais com interpretes maravilhosos, você vai se sentindo em casa no Dalva e Dito e vai ficando…
