Roberta Sudbrack
O post era para ser sobre o jantar no restaurante da Roberta Sudbrack, só que mudo o rumo porque estava pensando na posse da Dilma Roussef. Foi emocionante. Não dá para negar, mesmo ela sendo do Partido dos Trabalhadores, o PT de tantas decepções nos últimos anos. Mas, “o Rio de Janeiro continua lindo, o Rio de Janeiro continua sendo…” , volto ao tema inicial correndo, festejando o reencontro com o talento de uma das mais respeitadas chefs do país, isso emociona de fato e eu fico sem fala. Roberta, batalhadora, disciplinada e obcecada pela comida autêntica, tem conquistado admiradores. Impossível não se render aos sabores e cheiros da sua cozinha. Acompanhada por familiares, que confiaram, no escuro, na minha escolha, sem saber o que encontrariam, entramos na casinha laranja no Jardim Botânico. Eu teria pedido o menu-degustação de oito pratos e rezaria por agrados e surpresas, aliás, ficaria só com as pequenas porções de iguarias, dispensando até os pratos mais tradicionais, mas chegamos a um consenso à mesa, escolhendo o roteiro de cinco, com apenas uma exceção para um pedido de três pratos.
Começou o serviço e junto vieram as exclamações. O pão de queijo que derretia na boca parecendo um suflê e a manteiga com o pão da casa provocaram gemidos contidos. E assim continuamos abençoados e agraciados com a delicada surpresa de uma porção de curau com caviar, palet e uma farinha de banana, o ingrediente eleito para ser estudado por ela em 2010. Botei olho grande na flor de abobrinha, mas era preciso escolher uma entrada apenas e eu queria provar a “lichia com foie gras em geleia de Tokaji”, já que eu me atrevi a fazer essa receita em casa. Esqueci de pegar o cardápio impresso, mas não os sabores e com a ajuda do twitter descrevo: paleta de cordeiro assada por seis horas em baixa temperatura, ovo caipira com praliné de farinha de milho, ravióli de ossobuco de vitelo Maison e a “Sudvitrola” bombando e ajudando a emocionar. Destaque também para os sabores das ervas e brotos. E teve mais: lattecotto, em versão natalina, sublime. O requinte de um leve creme embalado por belas e saborosas frutas vermelhas selou a noite, que ainda teve queijo, eu gostaria de mais compota de laranja kinkan, brigadeiro de colher e variações imperdíveis de doce de leite. Poesia pura. Ave Sudbrack! Amém!
Eu mesmo traço
Quem sabe de tudo é ela
Aquele abraço!
Todos os cozinheiros da casinha laranja
Aquele abraço!















