Arquivos da categoria: Outras receitas

Chegou

5 janeiro, 2013 às 23:50  |  por Jussara Voss

Agora não tem mais desculpa, passaram as festas, a reforma da cozinha quase terminou, e 2013 está aí, então, vamos ao que interessa. Estive longe daqui, mas não parei de trabalhar. Duas receitas exclusivas foram publicadas da revista Ideias e apesar de serem sugestão para o fim de ano, elas valem para qualquer época. Aqui está o link.

Depois também andei por Punta del Este e fiquei encantada com o hotel e o SPA da Renata de Abreu, que vale a visita. A gastronomia do lindíssimo Fasano Las Piedras não deixou lembranças. O restaurante principal estava fechado. Conto tudo neste número da Top View, aqui o link. Veja algumas imagens e tenha ideia do porquê da minha empolgação.

Também contei na Top View quase tudo o que eu vi e experimentei na Suécia. O restaurante Frantzén/Lindeberg vale a viagem, foi uma das experiências mais incríveis que eu tive recentemente, ao lado do longínquo Fäviken, quase no Polo Norte. Dois lugares incríveis, que merecem outro post. Veja porquê aqui.

Fäviken

Frantzén/Lindeberg

Espero muito de 2013 e desejo muito também: feliz Ano Novo!

 

 

Bolo de frutas

8 setembro, 2012 às 23:46  |  por Jussara Voss

Bateu saudades de uma amiga querida, lembrei-me de um bolo que ela costumava fazer. Fui correndo pra cozinha e o leitor ganha uma receita caseira, muito fácil, é só misturar os ingredientes, untar uma forma de bolo e assar. Uma delícia. Hoje, não sei porquê, o bolo não cresceu muito, mas é para ficar bem fofo. Convide alguém para um café. Uma delícia.

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Aula com o chef Marcolini e um tiramisú de primeira

26 janeiro, 2012 às 17:30  |  por Jussara Voss

Para começar a semana: um clássico italiano. Uma semana que começa na quinta, mas tudo bem. Adoro tiramisú e vivo procurando boas receitas do doce. Acho que agora acertei e descobri o principal: usar produtos de qualidade, que nesse caso fazem toda a diferença. Vou contar como consegui, não foi fácil. Imbuída do desejo absurdo de querer fazer uma especialidade do Fabiano Marcolini, fiz a inscrição no penúltimo curso que o chef daria em 2011 e nem perguntei quais seriam as receitas ensinadas. Chego antes do horário marcado e surpresa: mais de trinta pessoas tiveram a mesma ideia. Realmente, a gastronomia é um mercado em crescimento, entre os alunos, ou melhor, alunas, mulheres eram a grande maioria, pessoas com muita experiência, fãs do chef e algumas que desconheciam coisas básicas da confeitaria, como baunilha em fava, por exemplo, enfim, nada que atrapalhasse a aula. Foi proveitoso, divertido, saboroso e um bom programa para uma segunda-feira. Restaurante desmontado, todos no salão transformado em cozinha, o chef, cuja última formação foi a de confeiteiro e que todo ano se obriga a fazer um curso no exterior, assumiu o comando e foi didático, deu seu recado e as receitas e nós saímos com pelo menos um quilo a mais, foram seis sobremesas, todas provadas e aprovadas, mas eu continuo precisando voltar, pois saí sem saber fazer a crostata de amêndoas e amarena com molho de pistache siciliano, meu objetivo principal. Quem sabe o chef lê o meu lamento aqui e resolve ensinar a torta. Bem, Marcolini falou do orgulho que tem de ensinar, são cinco anos de cursos, e das receitas que funcionam em casa. “São receitas profissionais adaptadas para o uso doméstico”, afirmou, confessando que a única coisa que não tem paciência é com os fornos domésticos. O chef escolheu receitas clássicas para essa aula e eu reproduzo aqui, com a autorização dele.

A primeira testada, o tiramisú, minto, não foi a primeira, já fiz o pudim de pão e errei feio, mas seguindo a orientação do mestre de que, “errar é bom, faz parte do aprendizado”, tentei novamente ontem e uau!, acertei. Depois eu conto como se faz. Volto ao tiramisú e as dicas do chef, aliás, todas ótimas e úteis, começando com a resposta para a inevitável pergunta: “e se eu não achar mascarpone?”, “não faça!”. Eu tive sorte, achei o italiano no  Bom Vivant, do Mercado Municipal de Curitiba (MMC). Eles recebem uma vez por semana. E vamos em frente: o biscoito, se não for feito em casa, é Bauducco; o chocolate é o belga Callebaut, encontrado na Casa do Confeiteiro, perto do MMC; a baunilha (líquida) é Fabri e deve-se manter gelada. Nunca, jamais, deve-se abandonar o mascarpone na batedeira, usada na velocidade mais baixa por mais ou menos quatro minutos, foram as recomendações. Usar café e cacau de boa qualidade, e nem pensar em economizar, “o que é bom custa”, ensinou. Fazer um dia antes de servir também é recomendado. O resultado compensa. Faça sem medo de errar, é louco de fácil. Não tenho foto do doce para ilustrar o post, esqueci de tirar, mas tenho a do café usado, uma gentileza do Lucca Cafés, que ajudou meu tiramisú ficar melhor ainda. Valeu as horas em pé na aula.

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Boudin noir

4 outubro, 2011 às 18:04  |  por Jussara Voss

Quase perco o gosto e o rumo, desaparecendo daqui. Mas sem encher o leitor e a página com lamúrias retomo este espaço e o faço com receitas testadas e comentários úteis, espero. Vou direto ao ponto. Em Curitiba faz frio, de novo, e eu aqueço o tempo e o estômago com uma receita de macho, dizem, mulher geralmente torce o nariz, porque é com chouriço, embutido de carne suína temperada e sangue. Forte e inesquecível. No mínimo uma vez ao ano o prato deve aparecer na minha casa. Tradicional embutido francês, conhecido na Espanha como botifarra ou morcilla, com ou sem sangue, é uma delícia assada na brasa, mas aqui eu quero é falar do molho, que acompanha bem filé mignon, e que eu aprendi com o Flávio Frenkel nas aulas práticas dentro da cozinha do seu finado restaurante. Perdi a receita em algum canto, ainda não tinha o blog, por sorte uma amiga guardou. É muito fácil. Em Curitiba, compro sempre no frigorífico Bizinelli, uma referência na cidade. Sem coragem para o boudin noir? Escolha o boudin blanc feito apenas com os miúdos. Aliás, eles estão sem o chouriço escuro no momento, aguardam a liberação do Serviço de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que a funcionária me garantiu que deve sair nos próximos dias.

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Molho de tomates

25 julho, 2011 às 21:01  |  por Jussara Voss

Vi um pedaço do programa do Jamie Oliver no sábado e achei que o molho de tomate que ele preparou para acompanhar verduras era bom. Bingo. Muito bom. Corte ao meio tomates de qualidade, maduros, orgânicos de preferência, tire as sementes, da mesma maneira como se faz o “pan com tomate” da Catalunha: rale, coloque um pouco de alho ralado também, azeite de oliva, pão caseiro e coloque no forno, no caso do molho troque o pão por um pouco de suco de limão e sal. Que confusão. Explico, para o molho: rale tomates, você vai ficar apenas com a polpa, acrescente um pouco de alho ralado, suco de limão, sal e azeite de oliva. Juro, ele misturou com brócolis e logo me deu vontade de comer. Eu provei com ervilhas tortas. Acho que vai ficar melhor ainda e combinar mais com dias quentes. Isso compensou um pouco o caro fatiador de alho do chef pop que eu comprei, acreditei ser a décima maravilha e não funcionou. Estou esperando uma resposta da Spicy e espero que me permitam trocá-lo. Aliás, a loja está com a promoção anual de 60% de desconto em algumas peças, mas não no fatiador de alho. No fim de semana, a intenção era fazer peito de pato com o molho de laranja do livro Memórias Gastronômicas de Alexandre Dumas, que fica me olhando na prateleira como a Monalisa pendurada no museu, me desafiando o tempo todo, mas onde estava o pato?  Nada de pato em pedaços, só inteiro. Não acreditei. Por isso, a única novidade é esse molhinho básico, na foto com sementes. Boa semana.

Laurent Suaudeau no Espaço Gourmet e bacalhau para Páscoa

21 abril, 2011 às 13:49  |  por Jussara Voss

Um dos chefs mais premiados no Brasil, o francês Laurent Suaudeau, que, ao lado de Claude Troisgros, Emmanuel Bassoleil e Eric Jacquim, trouxe a gastronomia francesa ao Brasil há aproximadamente 30 anos, esteve em Curitiba para mais uma aula no Espaço Gourmet, de Márcio Silva. Desembarcando de uma rápida viagem, conto depois o que eu comi, fui direto para a Prudente de Moraes, 129, afinal, convite assim não se recusa. Escrevo rapidinho porque é Páscoa e posso deixar uma receita de bacalhau aqui, os mais puristas podem tirar o chorizo. A receita é muito fácil e o resultado maravilhoso. A textura do bacalhau cozido no azeite é a grande sacada. A aula foi rica em dicas e eu repassarei todas aquelas que eu lembrar em outros posts também. “Cozinha tem rigor e tem gente que sai da escola sem saber fritar ovo”, sentenciou Suaudeau que depois de ganhar o prêmio de “o melhor chef e o melhor restaurante do Brasil” fechou o seu. Reclamou da imprensa e diz que não se importa com mais nada, hoje, comanda uma escola, considerada uma das melhores do país e ponto. Encerrou o assunto. E ensinando continuou, recomendando sempre fazer um plano de trabalho quando for preparar uma refeição para evitar surpresas desagradáveis. A melhor forma de temperar é colocar numa salmoura, que pode ser seca ou úmida. Se fizer esse processo com o bacalhau fresco o peixe será hidratado e na cocção será possível verificar o seu brilho. O resultado é perfeito. O aroma durante o preparo deixou todo mundo feliz. Divirta-se, caro leitor: bacalhau fresco, creme ao azeite de limão siciliano e chorizo. Vinhos da Miolo foram escolhidos para combinar com os pratos servidos.

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Spaghetti alla chitarra com ragù d’agnello

18 julho, 2010 às 20:15  |  por Jussara Voss

Spaghetti alla chitarra com ragù d’agnello: foi um banquete. Sem tempo de muitos preparativos e com programa em Curitiba, além do frio e da chuva, corri para a minha estante com o desejo secreto de que alguma página milagrosa salvasse-me da falta de imaginação. Abri o livro do Fasano por impulso, antes de pegar a estrada, e bati o olho nessa receita, acho que foi porque tenho uma “chitarra”, uso para cortar a minha massa fresca, e tinha guardado um pacotinho de morilles, um fungo comestível difícil de encontrar. Li a receita e imediatamente fui parar no balneário espanhol de Roses, é de lá o cogumelo. Pertinho da França e do restaurante El Bulli, local de boas lembranças, não tive mais dúvidas, estava com os ingredientes emocionais e os outros necessários para preparar a minha refeição. A guitarra é presente de família, era usada pela minha mãe. O utensílio tem esse nome porque a massa é esticada com um rolo e para que ela caia depois de cortada é preciso dedilhar as cordas, provocando o som do instrumento.


Morchella, morilles, ou cogumelo de Morel é parecido com uma esponja. Não sei muito a seu respeito, sei que é macio e tem um sabor único. Lembra um chapéu cônico cheio de dobrinhas. Frescos ou desidratados devem ser cozidos. Fiquei na dúvida sobre a sua origem: se França ou Turquia, enfim, se alguém souber, pode ajudar. Ajuda também uma dica de onde encontrar aqui o ingrediente, que servido com carneiro e massa fresca – o tomate cru e as ervas complementaram o prato – reinou soberano. Não conseguia parar de comer.

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Crème brûlée

26 janeiro, 2010 às 18:01  |  por Jussara Voss

Domingo foi o dia que um creme queimado, o  famoso “brûlée”, me salvou. Ando atrapalhada, ontem, por exemplo, deixei uma panela secar no fogo e quase causar uma tragédia. O pior: era uma panela com castanhas portuguesas, uma das coisas que mais amo na vida.  Achei que o vizinho estava fazendo pipoca, por sorte desconfiei do barulho tão próximo. Sobraram algumas torradas, que eu comi assim mesmo. Para quem almeja a perfeição e está aprendendo a lidar com a falta, estou me sentindo como as mulheres de Almodóvar: “à beira de um ataque de nervos”. O problema começou quando não li as instruções da receita para o almoço de domingo e o que era para ficar pronto em 20 minutos levou mais de uma hora. O prato quase desandou, mas deu para salvar, eu, com certeza, sai do prumo. Falo disso depois, agora vamos ao assunto do post. Fui fazer a receita para publicar porque uma amiga havia pedido e descobri que ainda não estava no blog. Às vezes, desconfio dos sistemas de buscas, assim como desconfio da minha memória, que anda impossível, com ares independentes, de quem não está nem aí para a sua dona. Juro que já tinha escrito sobre isso antes. Mas vamos lá.  O pedido eu recebi faz tempo, é que agora desembestei a tirar as pendências do armário. É muito fácil fazer essa sobremesa, só é preciso alguns ingredientes, uma panela e um maçarico. Se você ainda não tem um, eu aconselharia a comprar, vale a pena, nem que seja apenas para fazer essa receita. O tradicional creme começou a virar “moda” e tem sido visto em vários restaurantes em versões café, limão, chocolate e outras tantas. O original é baunilha. Sem crédito da autoria, pois é de domínio público. Prefiro os potes pequenos, que é para ficar com vontade de comer mais depois. E você que me lê?

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