Andoni Luis Aduriz
“O tempo vai passar e as coisas vão mudar”, canta Marisa Monte no rádio. Aqui, um mês depois, eu ainda fico relembrando das aulas do Paladar – Cozinha do Brasil, especialmente a do basco Andoni Luis Aduriz “Da terra à cozinha: como se cria um produto gastronômico”. O chef do festejado Mugaritz, um dos melhores restaurantes do mundo, começou a sua aula no Paladar – Cozinha do Brasil elogiando o seu braço direito no restaurante, o brasileiro e subchef Rafael Costa e Silva. “É ele quem coloca rigor e seriedade na minha cozinha”, afirmou Andoni, que é chamado de o chef “intelectual”, isso porque leva tudo muito a sério e se dedica integralmente ao ofício. Nem sabe dizer quantas horas trabalha por dia e tem tempo para pesquisar e estudar. O chef basco, que ocupa um lugar destacado no meio, é uma pessoa simples e diz que cozinha de tudo. “Não sou especialista em nada”, brincou, declarando ser aficionado por vegetais e ervas. A atmosfera criada no seu restaurante é para acolher as pessoas que entram lá esperando se surpreender. É exatamente isso que o chef quer: surpreender, não é apenas saciar a fome, é mais do que isso. E ele consegue. Já estive lá . Em São Paulo, ele mostrou como recebe os clientes. A “declaração de intenção é feita com paus e pedras”, assusta. Nada disso, é só uma maneira encontrada para acolher com o que há de mais simples numa cozinha: batatas cozidas com argila. “Eu quero reduzir a atenção, diminuir o ritmo de quem chega, porque comer é um ato de entrega e de confiança. É um contrato: você me paga e eu lhe dou de comer”.
Andoni, que depois de formado foi estagiar no El Bulli, de Ferran Adrià, e em um ano já estava contratado, só saiu de lá porque a sua terra, o País Basco, o chamou. Em São Paulo, iguarias ou ingredientes simples, como abóbora, caranguejo e palmito, desfilaram soberbamente na bancada da cozinha improvisada na sala de aula.
Funcionando há 11 anos, o restaurante dele não tem cardápio, são só duas opções de menu-degustação e definir o que será servido depende de como foram as compras do dia. “O mérito é dos fornecedores”, afirma com humildade.
Lá, tem uma árvore que está na fronteira – muga é fronteira, ritz é árvore –, um carvalho de mais de 300 anos, plantado na divisa entre duas localidades, é ela quem dá as boas-vindas aos aventureiros prenunciando momentos inesquecíveis. Lá, tudo pode acontecer. Ainda muita coisa para falar, um dia volto. Veja um dia em Mugartiz.


