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El Celler de Can Roca: poderia estar em primeiro

8 novembro, 2011 às 20:04  |  por Jussara Voss

Juro, eu ainda estou digerindo o que eu comi e bebi, não consigo acreditar, você vai ver a lista e as fotos depois. Foi demais. Não falo de quantidade, falo de qualidade. Também não sei como será a minha vida daqui em diante, sei que terei um bloqueio fatal, sem me atrever a colocar os pés na cozinha por um bom tempo, no mínimo. Nunca mais brandade de bacalhau, nunca mais um linguado meunière, nunca mais steak tartar. Passei umas quatro horas mais ou menos comendo e bebendo e pelo menos umas duas suspirando a cada garfada ou gole. O começo do banquete foi mais visual digamos, os snacks davam uma pista do que estaria por vir. Quando entrou o menu “festival”, o maior que é servido no El Celler de Can Roca, aí sim veio o delírio. Eu pensei em chorar, mas, convenhamos, sozinha na mesa, já bastavam os suspiros, baixinhos, é claro. Os irmãos Roca são artistas, chef, sommelier e patissier por acaso. Dizer que são geniais é pouco, são sensíveis e talentosos, transformam alimentos e escolhem e combinam os vinhos com os pratos de maneira soberba. Fazem parte da elite de profissionais que vem se dedicando à gastronomia, não tenho dúvidas. Eu ainda volto a falar deles. Juro, mais uma vez, meu almoço foi incrível, um dos melhores dos últimos anos. Não esqueci o René Redzepi, nem o Andoni Luiz Aduriz, muito menos Ferran Adrià, dentre poucos outros que conheço, mas definitivamente os irmãos Roca estão no mesmo patamar e poderiam estar em primeiro lugar na superlista dos 50 melhores restaurantes do mundo, sem dúvidas. Se alguém me perguntar, mas o El Celler é melhor do que o Noma? Difícil responder, são diferentes. Vou tentar definir. O Noma é mais exótico, o Mugaritz é mais intelectual e diferente, e o El Celler de Can Roca é o que tem mais sabor que lembra sabores mais conhecidos para nós, todos têm técnica e criatividade de sobra, muito bom gosto e refinamento também, enfim, destacam-se, e o El bulli, que não existe mais, esse é hors concours, foi o precursor desse movimento que elevou a gastronomia ao estrelato.

Laurent Tourondel

11 fevereiro, 2010 às 23:50  |  por Jussara Voss

Deixando um pouco o romantismo de lado, falamos de comida em grande escala agora, como dois mil couverts por dia. Me pergunto se é possível cozinha de classe assim. Parece não harmonizar, ou, como sugere Renato Machado, parece não combinar, um termo mais apropriado ao universo da gastronomia e dos vinhos. Pois, o francês Laurent Tourondel diz dar conta dos 17 restaurantes em Nova York. “Não há limite para trabalhar com comida nos EUA”, sentenciou o chef que levou as técnicas do seu país para lá e diz que apenas  encontrou um nicho de mercado. O francês que fez fama em território norte-americano pretende ainda crescer na Ásia. Ele, que trabalhou com Claude Troisgros, ensina que não é preciso diversificar. Tourondel carrega a influência da cozinha vietnamita e falou para a plateia do I Congresso Internacional de Gastronomia em São Paulo que essa é uma tendência contemporânea. Outro conselho dele: “é preciso saber improvisar e se adaptar aos produtos locais”. Quanto a rotina estafante, o chef de sucesso desabafou: “Tarde demais para voltar atrás”.