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'Semana Mesa São Paulo'

Mauro Colagreco

11 November, 2010 por Jussara Voss
22:24

Um argentino de origem italiana que mora na França. Talvez a origem desse chef tenha influenciado seu estilo. No Mesa Tendências – I Congresso Internacional de Gastronomia, do ano passado, ele mostrou como se pode trabalhar um produto de várias maneiras, mostrando três técnicas diferentes. É a fusão, termo tão em voga. Mauro Colagreco está há 10 anos na Cotê D’Azur, “numa situação privilegiada, entre os produtores da Itália e da França”, contou o chef que se beneficia das coisas boas dos dois países. Ele, que gosta do artifício de acabar o prato na frente dos clientes, diz que “o que faz uma grande culinária são os produtos desse país”, fico imaginando o nosso potencial pouco explorado, com a maioria dos restaurantes repetindo fórmulas clássicas da gastronomia. Lembrei dele porque amigos estiveram recentemente no seu restaurante e aprovaram seu talento. Lugar para anotar e ir na próxima viagem à Itália.

 

O “fermento fundamental” da Mari Hirata

17 May, 2010 por Jussara Voss
06:28

Bastou um pedido de um amigo sobre “onde conseguir um fermento biológico” para eu sentir saudades e puxar da memória a aula com a Mari Hirata. Ele, que está tendo aulas com um chef italiano e está gostando muito das técnicas aprendidas, falou entusiasmado sobre a diferença entre uma massa feita com o fermento químico e outra com o natural. Mas como conseguir um fermento biológico?

Ou você ganha, ou se enche de coragem para iniciar a “produção de uma família”. Quem responde é Mari Hirata. Tive o privilégio de conhecer a consultora gastronômica e chef que nasceu no Brasil e mora no Japão e ensina muitas coisas, principalmente, como fazer pão e fermento. “Que tamanho não é documento” todo mundo sabe e quem estava na plateia no Congresso Internacional de Gastronomia, promovido pela Prazeres da Mesa, em 2009, viu a pequena Mari esbanjar vitalidade, entusiasmo e competência, difícil de não se deixar contagiar. Foi aplaudida de pé. Escalada para falar sobre pães, Mari chegou do Japão na véspera da aula e passou dois dias fazendo bolinhas – “filhos” do seu fermento de 17 anos – para distribuir no evento. Eu tive a sorte de estar lá e sair com essa preciosidade da Mari e o azar de perder depois, espero que ela nunca saiba disso. Não me perdoo. O fermento natural é o resultado da mistura de uma fruta, figo seco no caso do produto da Mari Hirata, fermentado em ½ copo de água que vai ganhando farinha de trigo num processo lento que exige paciência. Fazer um pão com fermento natural vai demorar muito mais, mas duas coisas serão inesquecíveis: escutar o barulho do pão sendo cortado e provar do seu sabor. Assim defino a experiência daquele dia. Como eu não sou especialista deixo alguns links de gente que leva o assunto bem a sério e outros para conhecer mais a Mari e algumas dicas da mestre.
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Marc Meneau, por Jacques Aurélien

11 February, 2010 por Jussara Voss
22:57

Se existisse uma receita de sucesso para um restaurante isso incluiria o uso de ingredientes frescos, orgânicos, de preferência, dedicação exclusiva do chef executivo, trabalho exaustivo,  poucos sabores em um prato. Pelo menos é isso que quase todos os chefs estrelados, entre franceses e espanhóis, que passaram pelo I Congresso Internacional de Gastronomia em São Paulo, falaram. Jacques Aurélien, assistente de Marc Meneau, substituiu o chef do L’Esperance, restaurante duas estrelas Michelin na Borgonha,  que imagino, acrescentaria ainda simplicidade, sensibilidade e elegância à relação acima. Sensualidade e ervas certas, completaria Aurélien. Meneau busca harmonia e eu, juro, fiquei sonhando com a “nougatine de foie gras e vinho do Porto”, a receita mais conhecida e emblemática da casa borgonhesa escolhida para ser apresentada no congresso. Selado, o foie é colocado numa redução de creme de leite e vinho do Porto e gelatina. Depois é resfriado e empanado para ser frito novamente ganhando uma crosta. O resultado é de contrastes entre texturas e sabores. Juntou água na boca. Conto quando eu fizer.

 

Roland Trett

30 January, 2010 por Jussara Voss
11:24

Acho que nem sei pronunciar corretamente o sobrenome do charmoso chef austríaco Roland Trettl. Me atrapalho, assim como ele ao tentar falar em português para a plateia do I Congresso Internacional de Gastronomia. Foi difícil, mas Roland nem se importou em mostrar seus tropeços com a língua, isso não é nada para quem viaja o mundo – há seis anos – buscando os melhores chefs para cozinharem no seu restaurante. Imagino que é assim, com muita simplicidade, demonstrando o seu esforço em agradar que vai conquistando as pessoas. E é esse o objetivo do criativo cozinheiro, que já visitou 50 países. Agradar os clientes, surpreender. Moderno, Roland transpira energia, é incrível. Cada mês, um chef vai cozinhar no Ikarus, já passaram 70. Ele é o chef executivo desde 2003. Quando acaba o ano, os doze chefs que participaram do projeto preparam um banquete para 250 gourmets. Bota exclusividade nisso. Alex Atala, do Brasil, já passou pelo restaurante que funciona no hangar-7 do aeroporto de Salzburg, na Áustria. Outro resultado do projeto é um acervo precioso de receitas, até novembro de 2009 foram 1.470 receitas diferentes, todas catalogadas. “É único e inovador”, afirmou sobre o projeto. Ele tem razão. Mistura de museu e centro gastronômico, o local tem uma arquitetura futurista, a cara do “fashion chef”, que também impressionou os participantes do congresso com o trabalho de modelos cobertas pelos ingredientes usados no seu restaurante. Roland ainda faz “cook art”, ingredientes cortados se transformam em fotos admiráveis produzidas por grandes fotógrafos. Não disse que ele é incrível? Tenho certeza que você está curioso agora, então comece a viagem aqui e me conte se não tenho razão em querer visitá-lo.

Desculpe a foto, foi a única. Conheça melhor o chef na sua página aqui.

 

Philippe Gobet anuncia Lenôtre em São Paulo

30 January, 2010 por Jussara Voss
09:06

Perdi a apresentação de um dos grandes nomes da confeitaria mundial: o chef pâtissier Philippe Gobet. O diretor da École Lenôtre, em Paris, foi ao palco do I Congresso Internacional de Gastronomia com buques de favas de baunilha e explicou a diferença entre as duas principais espécies desse fruto da orquídea tão adorado entre chefs e apreciadores da boa comida. Quer saber mais: vá até o site da revista Prazeres da Mesa. No evento, o chef anunciou a parceria com o Senac e a Lenôtre, vem aí cursos de confeitaria, chocolate e panificação com a chancela de quem entende do assunto.

 

Marcelo Tejedor, da Casa Marcelo

30 January, 2010 por Jussara Voss
08:44

Marcelo Tejedor, o chef da Casa Marcelo, uma estrela Michelin, em Santiago de Compostela, na Espanha, trouxe para o I Congresso Internacional de Gastronomia, em São Paulo, o seu restaurante. Explico, ele colocou uma mesa no palco e escolheu dois voluntários na plateia para provar uma amostra – foram sete pratos em meia hora – do menu inovador parecido com o servido lá em terras ibéricas. Na Casa Marcelo é assim: cozinha e salão estão lado a lado e não há cardápio definido, tudo vai depender dos produtos comprados no dia. Apesar de usar uma parafernália moderna, Tejedor valoriza os ingredientes frescos e defende o uso do menor número possível deles em cada prato para realçar o sabor. Foi assim que apresentou os sabores da Galícia para encantamento dos dois convidados e inveja daqueles que não estavam no palco e não se conformavam com o fato. A todo instante dava para ouvir um: “troca a dupla”. No seu restaurante, receitas simples, criatividade e domínio da técnica. Um exemplo: o “cafetocaldo”, um caldo suave de legumes com algas e peixe seco preparado numa cafeteira italiana, que vai à mesa, para espanto geral. No outro prato do cardápio paulista, lâminas de batata ultrafinas confitadas e enroladas como um rocambole, que depois é frito em azeite. Não dá vontade de provar?

 

Carlo Cracco: um inovador que reinventou o ovo

21 January, 2010 por Jussara Voss
22:59

Carlo Cracco, o italiano de Milão que participou do Congresso Internacional de Gastronomia da Semana Mesa São Paulo, me deixou embasbacada com as várias interpretações para uma gema de ovo, francamente, achei genial, nunca imaginei que fosse possível. Foi uma aula de criatividade com um ingrediente que está presente em todos os cardápios, o ovo. Cracco mostrou sua cozinha autoral e falou que usou receitas antigas e foi trabalhando até surgir algo novo. “Às vezes, uma inovação é fruto da sorte, às vezes a ideia vem de cara, outras vezes não. Me inspiro no produto e busco deixar diferente, mas mantendo o sabor”. O chef bem que tentou explicar o processo criativo, mas não é tarefa fácil. Depois de desidratada a gema fica com uma textura elástica e resistente e pode ser moldada. “O cozinheiro deve valorizar o trabalho do produtor”, ensinou. No seu restaurante estrelado, Cracco serve gema de ovo até com ouriço-do-mar. Fiquei com vontade de conhecer o restaurante, mais um lugar para a lista “tenho que visitar”. Veja a cobertura completa do evento na edição de dezembro de 2009 da revista Prazeres da Mesa. Conheça mais sobre a técnica do chef no site do restaurante. Vou ficar devendo outras fotos.


 

Quiabo da Roberta Sudbrack ganha palco e plateia

15 January, 2010 por Jussara Voss
17:38

Com a permissão do Deus Jano, que comanda janeiro, volto aos dias chuvosos de novembro passado vividos em São Paulo, quando participei do I Congresso Internacional de Gastronomia da Semana Mesa São Paulo. Apesar do atraso nos posts, ainda está bem viva a imagem da chef Roberta Sudbrack subindo ao palco do evento promovido pela revista Prazeres da Mesa para abrir o painel Cozinha Moderna Brasileira.

Displicentemente, como quem não quer nada, a chef parou na frente da plateia e abriu um sorriso, ao invés de um, ou uma, auxiliar, chamou uma amiga para ajudá-la, quer dizer, para cozinhar, dando um susto em Eliane André que não esperava por isso. Invertendo a ordem, como bem gosta e sabe fazer, conquista com simplicidade e talento os atentos ouvintes e fãs assumidos. No palco nenhum equipamento de última geração, apenas ingredientes brasileiríssimos, muitas vezes desprezados, como quiabo, chuchu, abóbora, entre tantos outros, e uma grelha. Começa a apresentação mostrando um vídeo com depoimentos de pessoas falando sobre a estranheza que eles causam, a maioria dizendo achá-los sem graça, ou assumindo uma aversão, que quase sempre tem origem na infância. Logo depois desafia sua colaboradora para preparar uma receita enquanto ela vai grelhar seus quiabos. Corajosa, perfeccionista, dedicada, Roberta acumulou experiência e mostra competência quando se coloca a estudar e definir novos jeitos de comer pratos antes desprezados. Sua pesquisa vai até extrair a essência do sabor e a chef só sossega quando encontra a veia do prazer para nos alimentar. Conta tudo transbordando de generosidade e a plateia vibra.

O que importa para essa gaúcha, que ganhou o mundo com suas panelas e atrevimentos, é trabalhar, respeitar os alimentos, fazer o melhor e servir uma comida que alcance o estômago para nutrir e confortar, mas que antes passe pelo coração. Acompanhe seu desempenho pelo twitter e vai entender o que eu estou falando. Estar ao seu lado é sentir a emoção da presença de alguém que é feliz fazendo o que gosta. No suplemento sobre o evento, divulgado em dezembro, a foto do prato foi de Eliane André, a amiga que ganhou fama e  sempre que pode acompanha a mestre. A receita do quiabo foi a que eu fiz no jantar do reveillon, veja no blog. Infelizmente, nenhuma foto legal para ilustrar o post.

 

Jean Michel Lorain, do restaurante La Cote Saint-Jacques

30 November, 2009 por Jussara Voss
21:49

Deslocado por não estar em sua cozinha, Jean Michel Lorain herdou dos pais o restaurante La Cote Saint-Jacques, em Joigny, na Borgonha, França, instalado antes em uma pequena pensão, hoje um hotel chiquérrimo. O mais jovem cozinheiro a ganhar a terceira estrela Michelin, quando tinha apenas 27 anos, em 1986, foi de pouca conversa no Congresso Internacional de Gastronomia da Semana Mesa São Paulo porque ele gosta mesmo é de cozinhar. O tema da sua apresentação foi “o processo criativo, uma explicação sobre a minha cozinha”. “A técnica é uma coisa viva, é preciso abertura de espírito”, foi logo dizendo e dá para saber o porquê. A receita elaborada foi “gênese de um prato sobre o tema ostra”. É preciso “abertura de espírito” mesmo, o chef usou flocos de centeio no leite e só o coração da ostra, a parte bonita, a parte feia foi usada nesse mingau de centeio, ou sopa. Enquanto cozinhava, imagens eram passadas no telão. “É preciso buscar equilíbrio entre os sabores”, ensinou, explicando que o gosto é feito de muitas sensações e que é preciso trabalhar pensando no visual e deu outra dica valiosa: “tem que ter textura”. Entre os sabores do centeio e da ostra, acrescentou alface cozida, provando. “Tem cozinheiro que não prova a comida que está fazendo”, criticou. Lorain contou que adora comer frango assado com as mãos, para escutar o croc croc, por isso, um item crocante está sempre presente nas suas receitas. O chef acha uma aberração usar microondas, diz que a sua cozinha é simples e também sugeriu o uso de produtos locais “emblemáticos”. Mostrou mais criatividade ao usar uma crepe, que fez da maneira tradicional, mas depois cortou uma parte em triângulos e enrolou outra num palito de madeira para formar pequenas espirais, deixando para secar e ficar crocante. Achei ótima a ideia dele de usar couve-flor e brócolis branqueados e bem picados, dando outra textura e apresentação, já usei em saladas com sucesso, ele usou para empanar uma parte das outras da receita. Pena que não deu para provar…

 

Como emagrecer comendo, por Roland Villard

24 November, 2009 por Jussara Voss
16:14

O francês radicado no Brasil Roland Villard, chef do restaurante Le Pré-Catalan, hotel Sofitel, Rio de Janeiro, foi até o Congresso Internacional de Gastronomia – Mesa Tendências – falar do seu livro no qual conta como emagreceu 30 quilos em cinco meses. O livro, “Baixa Caloria e Alta Gastronomia”, publicado pela editora Senac, tem receitas leves, que provam ser possível comer bem e emagrecer, mas não se anime, Villard foi categórico: “é preciso praticar algum esporte e ter disciplina”. Aproveite a vida, ensinou o chef, que fez uma hora de corrida todos os dias e aprendeu a comer um pouco de tudo para conseguir a nova forma. Villar mudou a maneira de trabalhar e se alimentar, não tem outro jeito para emagrecer.

 

Tsuyoshi Murakami: buscando a verdade e sensações

17 November, 2009 por Jussara Voss
18:30

Conheci Tsuyoshi Murakami, um dos chefs que participaram do Congresso Internacional de Gastronomia, dentro da programação da Semana Mesa São Paulo, antes da apresentação dele. Murakami optou em não dar uma receita, mas abordar a “evolução do kappo da era meiji para era heisei”. Falando em japonês, uma maneira de descontrair, ou acordar a plateia, já que era a primeira apresentação do dia, no começo da manhã, Murakami buscou transportar o público para o seu país de origem. Se o Claude Troisgros é o carioca francês, Mura, como chamam os amigos, é o carioca japonês. Uma mistura de sotaques, tradições e jeitos peculiares que somam, não os distanciam da origem e os transformam em pessoas especiais e “brasileiríssimos”.

Quem o vê assim não imagina que pode encontrá-lo dando um show no seu restaurante, Murakami canta e não é tão sério como aparece aí, “é que japonês não dá risada”, brincou. A vida dele daria um livro, é uma “viagem”, ou melhor, uma procura. Nasceu no Japão e veio para o Rio de Janeiro ainda pequeno, voltou pra lá depois da expulsão do colégio. Foi trabalhar e “encontrou” a cozinha. Depois do Japão foi parar em Nova York, passou por Lisboa e rumou para Barcelona, onde trabalhou com chefs famosos, como Santi Santa Maria, e passou por muitas experiências gastronômicas, antes de retornar ao Brasil. Aqui, conheceu Susana, filha do dono da primeira casa Kinoshita, na Liberdade, com quem se casou. E foi lá que começou a mostrar seu talento e a praticar a “kappo cuisine” que me encanta, pois vai atrás de “sensações a partir de raras iguarias e exóticas combinações de aromas, texturas e sabores”. Ele explicou que é uma cozinha que mantêm as essências, como a tradição de começar com entradas e depois um, três, ou cinco pratos considerando na elaboração elementos como aroma, textura, cor e volume, por exemplo, até mesmo numa refeição mais simples, “que prepara para a vida”. Então, a refeição terá um caldo, ou sopa, ingredientes crus, depois fritos, ou cozidos, ou feitos no vapor e arroz, e poderá ter ingredientes ocidentais, como manteiga, trufa, alho, até no Japão é assim.


Murakami falou dos ingredientes usados, do preparo do shoyu “vintage” que serve no Kinoshita, da filosofia do restaurante que quer contemplar os sentidos: mental, emocional, físico e espiritual e deu dicas, como a de não ferver o shoyu para não perder o perfume.


Murakami: uma estrela brilhante em terras brasileiras
O Kinoshita estava na minha lista, infindável, dos “tenho que conhecer”, por isso, quando as amigas toparam ir até a nova casa no bairro da Vila Nova Conceição, aberta em sociedade com Marcelo Fernandes, ex-sócio do DOM, eu vibrei. Além de conhecer a comida do chef – eleito o melhor do ano pela revista Veja, na edição de 2009, entre outros prêmios – queria saber mais sobre ele, que circulava pelo evento e participava das palestras. Recebidas pelo mestre, nos instalamos no balcão – lugar perfeito para quem vai a restaurantes de comida japonesa – e comecei a sonhar vendo os pratos que saiam para as mesas.


Com a promessa de que receberíamos a mesma atenção que os chefes franceses participantes do congresso que também tinham escolhido o Kinoshita aquela noite, optamos por um dos menu degustação da casa, é claro, a melhor maneira de conhecer o estilo e o talento do chef. Quem cuidou da nossa refeição, muito bem, aliás, foi o simpático e competente  Bjorn  Olsson, um sueco que já passou pelo restaurante DOM ocupando a posição de sub-chefe lá. Além da recomendação de como comer alguns pratos, comece pela direita, não mastigue etc., prática mais ou menos comum hoje em dia, Murakami colocou mais uma: “respire”. Algo como, se entregue, aproveite, seja feliz. É isso que o chef quem passar aos seus clientes: emoção. Hoje, Murakami busca, além do aperfeiçoamento, o autoconhecimento, gostei, é claro. A comida? Genial. Ele é criativo, inspirado e talentoso. Vale a pena conhecer e se der, peça para o chef cantar.

Entrada
Atum marinado no missô, levemente grelhado, servido com molho teriaki.

Shot: ostra, ovas de salmão, ovas de ouriço, kauiarê, gema de codorna,
tabasco, molho a base de laranja, limão, shoyu. Instrução: dar uma
leve mexida e comer de uma vez, deixando escorrendo lentamente.

Ramaguri: marisco japonês aquecido com manteiga de trufa. Foi o anotado, mas acho que a foto está trocada.

Pupunha grelhado com molho umeboshi.
Emoção: comida tem que ter movimento.

Carpaccio de robalo com um fio de azeite e a tangerina japonesa que
demora 18 anos para dar o primeiro fruto.

Fechar os olhos e sentir: eu fui avisada, ainda bem. Pode repetir? Da esquerda para a direita…


Ovas de tainha com nabo temperado e bottarga feita em casa, tempurá, salmão, carne empanada e sobremesa para finalizar o banquete! Obrigada mestre.

 

Jeffrey Steigarten, Helena Rizzo, encontros, desencontros e boa comida

9 November, 2009 por Jussara Voss
22:04

Cruzei com Jeffrey Steigarten – “o homem que comeu de tudo” – bem na hora em que eu falava com a Helena Rizzo, por quem os homens “suspiram”. Fala com um, fala com o outro, e Steigarten tentando marcar uma entrevista com a chef gaúcha. Assim, a bela e talentosa, que já saiu no jornal inglês Financial Times, entre outros, vai ganhando o mundo. Dei dois passos pra trás e fiquei papeando com a senhora Steigarten sobre a vida do marido, que passa seus dias comendo bem, e quase perco o fermento “vivo” da especialíssima Mari Hirata – sua aula já tinha começado – só que isso já é assunto para outro post. Como aguardava ansiosa a irrequieta Mari Hirata, debandei sem falar com Steigarten sobre os testes com sal e tantas outras coisas e numa tacada perdi também a Helena Rizzo, mas por sorte, na noite anterior, conheci seu restaurante, o Maní, uma daquelas deliciosas e inesquecíveis descobertas.

Como os participantes do evento têm pouca chance de provar as receitas executadas pelos chefs, chegando lá não titubeei: “rosbife em crosta de lapsang sauchon com salada morna de batatas”, o prato que Helena iria preparar no dia seguinte. Lapsang sauchon é um chá preto. Volto para comer o rosbife e experimentar o menu degustação, estrela da casa.

Acertei meu pedido e me apaixonei pelo prato. Ainda lembro dos sabores. Única tristeza são as chances reduzidas de eu reproduzir a receita em casa com sucesso sem usar o banho-maria invertido, salamandra, termomix, roner (termocirculador)… Nas poucas palavras que trocamos, Helena disse que em casa é difícil. Será? Depois eu conto. E não se assuste, não é maracujá que você está vendo acompanhando o prato, é um creme de gemas com alcaparras desidratadas.

“Rosbife em crosta de lapsang sauchon com salada morna de batatas”


Helena Rizzo, a chef do Maní, o charmoso restaurante em São Paulo, passou pelo El Celler de Can Roca, dos competentes e famosos irmãos Roca, um dos inúmeros restaurantes estrelados da Espanha, aqui, trabalhou no Fasano e no Roanne. Na apresentação na Semana Mesa SP, Helena falou sobre como criou o rosbife mostrado. “Tenho necessidade de voltar às raízes. Voltar ao ‘jardim de infância’ me fez sentir mais eu”, declarou a chef que buscou inspiração no rosbife da avó, no churrasco do pai e na salada de batatas, sempre servida morna, porque a mãe preparava em cima da hora do almoço com a família. Gostei tanto que um dia desses fiz uma versão caseira da salada de batata com ovo, mesmo sem a receita da chef e incluindo cebola, brócolis e couve-flor branqueados e picados. Gostei tanto mesmo que no fim de semana seguinte fiz outra versão: farofa com ovos bem molezinhos, servidos separados. A chef comentou ainda sobre a fase “tatu-bola”, “um momento de resgatar lembranças”, e apresentou a amiga conterrânea parceira na cozinha e nas criações.

Impossível não falar também das sobremesas do Maní: excepcionais; não é à toa que essa “guerreira” faz sucesso.

 

Grand Hyatt recebe os chefs franceses da Semana Mesa SP

5 November, 2009 por Jussara Voss
19:27

Visitei a cozinha do hotel Grand Hyatt, lugar do jantar das gerações, elaborado pelos famosos e estrelados chefs franceses, que abriu para convidados a Semana Mesa SP, no dia 26. Fiquei impressionada com o tamanho: mais de 300m². São várias cozinhas só para os eventos, todas setorizadas e tudo muito organizado. Essas fotos foram tiradas depois da coletiva com a imprensa, por volta das 14h. O jantar estava marcado para às 21h. Os franceses foram bem mais rigorosos do que os espanhóis que comandaram o espetáculo no ano passado. Este ano, muitas proibições. Os franco-brasileiros Claude Troisgros; Laurent Suaudeau; Alain Poletto; Pascal Valero; Eric Berland; Patrick Ferry; Christian Formon; Emmanuel Bassoleil; Roland Villar; Laurent Hervé; Alain Uzan foram os padrinhos da noite. A Semana Mesa SP aconteceu de 27 e 30 de outubro. Veja o cardápio.

Cinco entradas, oito pratos quentes e duas sobremesas…

Olha o tamanho das fichas com os procedimentos.

Assim é fácil fazer massa folhada:

Sala de montagem das entradas:

Depois de ver tantas cozinhas e preparativos deu fome e corri para o Kinu, um dos restaurantes no Grand Hyatt, comandado pelo chef Adriano Kanashiro. Foi o arranca da Semana Mesa SP pra mim: um menu bem leve e corretíssimo e fui muito bem atendida no balcão pelo Sílvio. Degustei o saquê Gekkeikan Nouvelle e vieiras gratinadas com crosta de wasabi e palmito pupunha, ovas de shishamo (masago rol) e peixe serra.

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Laurent Suaudeau: começando muito bem

3 November, 2009 por Jussara Voss
19:16

Laurent Suaudeau, 30 anos no Brasil em dezembro, responsável, ao lado de Claude Troisgros, por convidar chefs franceses para o Semana Mesa São Paulo, foi quem deu as boas-vindas, quase sem sotaque, aos participantes do evento. “Troisgros deve ter dormido um pouco mais”, brincou, comentando a ausência do amigo, lembrando que na noite anterior todos participaram do Jantar das Gerações. Reverenciado no Brasil, ele ensinou muitos chefes e ajudou a fortalecer a gastronomia brasileira. Laurent começou cedo na profissão, quando descobriu sua vocação aos 15 anos, o que é muito comum entre os grandes cozinheiros, e trabalhou com Paul Bocuse na França. Foi Bocuse quem o trouxe para o Rio de Janeiro para ser chef assistente no “Le Saint Honoré”, restaurante da rede Méridien. Em 2000, deu uma virada na carreira, fechou seu premiado restaurante, o Laurent, mudou-se para o interior, abriu uma escola e uma sorveteria, a Vipitenoabriu, com outros sócios. Laurent falou sobre o baque quando chegou aqui e encontrou só ingredientes congelados no restaurante. Não se conformou, foi à feira e trouxe peixe fresco, para o espanto de todos no hotel. Usou os ingredientes locais, completamente novos para ele, com as técnicas francesas. Um desafio aceito. “É preciso valorizar os produtos da terra”, proclamou o mantra repetido por quase todos durante a semana de gastronomia em São Paulo. Na abertura do evento, agradeceu aos chefs franceses que aceitaram o convite para participar, “ninguém disse não”, e chamou Alain Ducasse, o capitão do time escalado pela revista Prazeres da Mesa e Senac/SP, promotores do evento que aconteceu na semana passada, de 27 a 30 de outubro. Indico seu livro “Cartas a um Jovem Chef”.

 

Semana Mesa SP 2010: a data e o tema já estão definidos

31 October, 2009 por Jussara Voss
19:19

O próximo Semana Mesa SP, o principal evento da gastronomia nacional, vai acontecer de 25 a 29 de outubro de 2010, com o tema “sustentabilidade”. A organização do evento já revelou alguns nomes confirmados: Charlie Trotters e Thomas Keller, Heston Blumenthal e Gastón Acurio.

 

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