Duorum – do latim “de dois” – é um projeto que nasceu predestinado para dar certo. Sintonia entre os sócios, dedicação, profissionalismo e desejo de superação. É uma equação que só poderia dar no que deu: bons vinhos já na primeira safra comercializada e ainda com potencial para evoluir.

José Maria Soares Franco, um dos “dois”, esteve em Curitiba no começo da semana para falar sobre um assunto que lhe dá muito prazer, os vinhos do projeto Duorum. O enólogo tem o entusiasmo de quem está começando um novo trabalho e é apaixonado pelo o que faz, só que traz na bagagem experiência de sobra, foram 28 anos fazendo vinhos na Sogrape, casa do famoso Barca Velha, entre outros vinhos. Em poucos meses, deu uma reviravolta na sua carreira e encontrou no amigo de infância o sócio ideal, o também enólogo conceituado João Portugal Ramos, produtor de vinhos alentejanos. Dois amigos, quase irmãos, com muita experiência e muita vontade de produzir vinhos de qualidade. Essa é a receita deles. “Depois de se fazer um amigo, não é difícil fazer uma sociedade”, ensina. Figura carismática, Franco vibra em contar como tudo aconteceu. Foi nas férias do verão de 2006, em Sintra, quando os amigos se encontraram. Passado seis meses a empresa Duorum Vinhos estava pronta. E, pouco tempo depois, em novembro de 2009, nós estamos provando seus vinhos no Brasil, trazidos pelas importadoras Casa Flora e Porto a Porto. Primeira vez no País, Franco comentou sobre suas impressões: surpresa com o número de revistas que tratam de vinho, o aumento do consumo da bebida e a alta gastronomia praticada aqui, ele já passou pelo Rio de Janeiro, São Paulo, agora, Curitiba, onde disse que comeu um cordeiro “do além” no restaurante Durski, entre outros pratos perfeitos. No último registro de consumo de vinho aqui, Portugal subiu para a terceira posição, ficando atrás somente do Chile e da Argentina em garrafas importadas.
Promessa de um novo Douro
A base da Duorum é criar vinhos frescos, aromáticos e que não sejam pesados, o que significa no máximo 13,5º de álcool. “São vinhos para a gastronomia. Vinho fora da refeição não faz sentido”, afirma. Exceção para os espumantes, fortificados e alguns brancos, eu acrescentaria. Fazer vinho é um desafio para o enólogo, “quanto mais se aprende mais se exige”, diz. Para Franco, primeiro “sonha-se” o vinho e depois se faz. O profissional sabe o que fala, com produtores de vinho na família, Franco desde criança acompanhava o pai nas visitas as vinícolas e se encantava com as histórias ouvidas entre barricas, que fizeram nascer o interesse pela bebida e pela ciência. Planos para o futuro? Tudo pode acontecer, não existe limite, mas ele não pensa muito nisso, agora, só quer trabalhar e produzir cada vez melhor. “O que importa para nós é a qualidade das nossas bebidas. Quero me realizar pessoalmente e profissionalmente. Acreditamos no projeto”, finalizou o homem que tem paixão pela terra, deixando, além dos sabores provados, lição de vida. Para ele, cultura e história estão associadas ao vinho e aí ele deixa escapar a sua outra paixão.

Duorum Colheita 2007
Vinhas velhas de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Sousão, em barricas de carvalho francês durante um período entre 12 a 18 meses. O Colheita é o mais simples, de cor vermelha intensa e com tanino um pouco presente, está pronto para consumir. Bom em relação ao preço em torno de R$ 60,00. Gostaria de provar acompanhando uma refeição. Produção 150 mil garrafas. Na Wine Espectator: 88 pontos.

Duorum Reserva 2007
Vinhas velhas de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Sousão. Estágio em barricas de carvalho francês durante um período entre 12 a 18 meses. Álcool: 13,5%. Acidez equilibrada, alcançou 91 pontos na Wine Espectator em começo de carreira. De cor violeta intensa, sente-se a estrutura, mas também o frescor. Acho que é um vinho para se deixar evoluir. Em torno de R$ 140,00. Produção: 15 mil garrafas.

Vintage
“Todo sonho de um enólogo é um vintage”, comemorou Franco quando apresentou o Duorum Vintage. “Produzir um vintage no primeiro ano foi uma grata surpresa”, disse. O vintage é um vinho de qualidade excepcional, é a classificação mais alta da bebida obtida da colheita de um ano só. O vinho de cor intensa, de frutas vermelhas, cereja escura, encorpado, aromático e de lágrimas gelatinosas arrebatou. Marcante. Fico devendo as informações técnicas, aqui não cabem as palavras…
(Fotos das garrafas: divulgação)