por Fernando Francischini

Segurança Pública

Dois casos envolvendo a soltura de criminosos de alta periculosidade chocaram o país esta semana

O trabalho policial muitas vezes é ingrato. São inúmeras dificuldades de aparelhagem, baixos salários, risco iminente diante de bandidos cada vez mais perigosos e desafios de toda ordem que são compensados muitas vezes pela sensação de dever cumprido.

Mas até isso dura pouco. Como no caso dos policiais de São Paulo que viram a prisão de um dos suspeitos do envolvimento no mega-assalto a agências bancárias em Araçatuba durar apenas poucas horas.

Paulo César Gabrir, de 33 anos, a esposa dele, Michele Maria da Silva, de 40 anos, e o comparsa Emerson Henrique Dias, 25 anos, haviam sido presos em Sorocaba (SP).

De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo, porém, as prisões em flagrante dos suspeitos pelo crime de associação criminosa foram relaxadas, pois não havia nenhum indício que os vinculasse ao caso de Araçatuba.

Em nota, o TJ afirmou que “não houve apreensão de nenhum instrumento ou produto de crime relacionado àquele caso em poder dos autuados (dinheiro, armas, explosivos etc.), com exceção de uma denúncia anônima, que nem mesmo é considerada indício. A prisão ocorreu por associação criminosa sem que, no entanto, houvesse nos autos indícios mínimos da prática de tal crime pelos autuados”.

Só que, durante a prisão, Paulo César teria dito, informalmente, que a logística do ataque a bancos custou R$ 600 mil. Ele é suspeito de envolvimento no assassinato do PM Sandro Luís Gomes e a um assalto a empresário, ambos em 2014.

Que Justiça é essa?!?

Pois é a mesma que colocou nas ruas um dos principais integrantes do PCC e líder do tráfico de drogas na favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo.

Líder da maior facção criminosa de SP consegue diminuição da pena e está de volta às ruas

Francisco Antonio Cesário da Silva, o Piauí estava preso desde 2008 e atualmente cumpria pena aqui no presídio federal de Catanduvas, por extorsão mediante sequestro.

Era o preso paulista há mais tempo no sistema penitenciário federal. Neste tempo, inclusive, cometeu várias faltas graves típicas de um preso de mau comportamento.

Mas, mesmo assim (pasmem!!) conseguiu a progressão de regime graças à leitura de livros e a participação em cursos dentro da prisão.

É uma barbaridade! Um bandido perigoso poderá agora assumir postos importantes dentro da facção para cometer mais crimes.

Ou alguém acha que ele vai continuar se dedicando à literatura ou irá colocar em prática o que aprendeu nos cursos feitos na penitenciária?

É o “mínimo” que ele terá de fazer para bancar o robusto suporte jurídico que recebeu. De acordo com o colunista do UOL Josmar Jozino, especialista em crime organizado, a Justiça Federal informou em 2019 que Piauí recebeu 44 visitas de advogados no período entre maio de 2015 e janeiro de 2017, mesmo sem possuir fonte de renda na época.

Especialistas defendem que o retorno do preso ao convívio social é importante, mas deve haver um critério maior quanto à característica do condenado.

Mas há muitos atalhos e benefícios em leis muito permissivas.

A soltura destes e de inúmeros outros criminosos aumenta o poder do crime organizado, fragiliza o trabalho da polícia e toda a estrutura da segurança pública, penaliza o cidadão de bem.

Sempre defendi leis mais rígidas e nenhuma benevolência para bandido de alta periculosidade.

A Lei de Execução Penal brasileira é leniente e facilita a progressão de regime para favorecer o preso. Isso se aplica bem a casos leves, jamais para organizações criminosas. Nestes casos, não deve haver dó ou piedade. Vai sair da cadeia, mas não está regenerado.

E, no fim, quem paga é a sociedade amedrontada e à mercê daqueles que saem pela porta da frente, faceiros para retomar a carreira no mundo do crime.