por Fernando Francischini

Segurança Pública

O “cangaço” é a nova moda do crime no Brasil?

O crime organizado adotou táticas de guerra. O mesmo esquema visto em Araçatuba, Ourinhos, Criciúma e Campo Bonito planejado minuciosamente para ser repetido em outras cidades do Brasil. Dessa vez, o mega-assalto a bancos aconteceria em Varginha-MG, mas uma ação do serviço de inteligência das polícias Militar e Rodoviária Federal estragou o plano dos criminosos e cancelou 26 CPFs dos meliantes.

 

Segundo a PM, especialistas veem semelhanças no tipo de armamento e nas estratégias adotadas pelos bandidos. Eles estavam escondidos em duas chácaras, onde arquitetavam um roubo aos moldes do que a polícia chama de novo cangaço, tática também conhecida como "domínio de cidades". A ação seria semelhante ao ataque na cidade paulista de Araçatuba, quando foi planejado um roubo de R$ 90 milhões.

 

O alvo seria um centro de distribuição de valores do Banco do Brasil, que armazenava R$ 65 milhões. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, houve confrontos nas duas chácaras em Varginha, com apreensões de um verdadeiro arsenal - 16 fuzis, uma metralhadora ponto 50 usada contra tanques de guerra, várias pistolas, munições capazes de derrubar um helicóptero, granadas, quilos de explosivos e dez veículos roubados.

 

Para o advogado e presidente da Associação Brasileira das Empresas de Transporte de Valores, "Esse crime provavelmente foi cometido pela mesma quadrilha que agiu em Araçatuba".

 

Um problema que não começou agora

 

A imprensa teve acesso a uma lista de dez ataques a centrais de distribuição de dinheiro do Banco do Brasil em um intervalo de cinco anos, roubos com a mesma técnica: ataques a municípios pequenos com fuzis, explosivos e veículos blindados. Essas unidades funcionam como uma espécie de reserva de cédulas para outras agências, armazenada com base em depósitos compulsórios. Alvo fácil para as quadrilhas. 

 

Os dados das ocorrências indicam uma escalada da violência nas ações em cidades com até 150 mil pessoas, exceto Araçatuba com 200 mil e Uberaba com 333 mil moradores.

 

É mais do que necessário e urgente que ocorra uma alteração no Código Penal Brasileiro, principalmente analisando o crime em relação ao planejamento e equipamentos utilizados. As táticas utilizadas mostram uma estratégia de guerra com explosivos e fuzis, reféns, crueldade, destruição, medo, mortes. Não podemos tipificar esses crimes da mesma forma que julgamos um ladrão de celular. Eu defendo que sejam enquadrados como crimes de terrorismo.

 

A situação é grave e a mudança é urgente!

A segurança pública não está preparada para esse enfrentamento.