por Fernando Francischini

Pesquisa científica

O país que cansou de não sair na frente

Esta semana, nos deparamos com uma notícia histórica para a medicina com um feito inédito e de potencial gigantesco. Pela primeira vez, um rim de porco foi transplantado para um ser humano com sucesso, sem provocar rejeição imediata pelo sistema imunológico do paciente.

O procedimento foi realizado em uma universidade americana e envolveu o uso de um porco cujos genes foram alterados para que os tecidos não provocassem rejeição em humanos.

O paciente que recebeu o transplante tinha morte cerebral com sinais de disfunção renal. O novo rim foi ligado as veias e artérias sanguíneas, mantidas do lado de fora do corpo.

Embora o transplante tenha acontecido só agora, pesquisadores brasileiros trabalham há décadas com a possibilidade de usar órgãos de animais para transplantes, mas ainda não sabiam como evitar a rejeição imediata do corpo humano.

No Brasil, o processo vai demorar um pouco mais. Apesar de as pesquisas já estarem em andamento há anos, o estágio do desenvolvimento ainda está aquém do visto nos países que lideram a corrida.

O motivo? Falta de investimentos.

Uma das etapas que ainda precisam ser cumpridas no país é a construção de um biotério, local controlado e com ambiente sanitário adequado nos quais os embriões serão introduzidos em uma porca matriz.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo buscam verba junto a instituições de pesquisa e secretarias do governo estadual para construir a instalação. Após essa fase, a previsão é de que leve cerca de um ano e meio para que a estrutura fique pronta. Lá, o processo de implantação dos embriões poderá ser feito de forma estéril, como numa sala de cirurgia.

O transplante experimental deve abrir caminho para testes em pacientes com insuficiência renal em estágio terminal. Uma grande conquista, não?

Não podemos deixar de incentivar os estudos e o desenvolvimento tecnológico no Brasil, mesmo com as duras crises que enfrentamos por aqui. Temos novos e velhos profissionais bem capacitados que, quando se deparam com as dificuldades de desenvolver suas pesquisas em nosso país, migram para o exterior para dar continuidade.

E assim, o sentimento de que tudo chega “atrasado” por aqui, nunca vai passar.