• É O FIM DOS VEGETARIANOS COMO OS CONHECEMOS.

    A cidade: Curitiba. O ano: 1980e bolinha. O lugar: Restaurante Viva Vida, na rua Treze de Maio, do ladinho do “AO LIVRO TÉCNICO”. Eles eram adventistas, como depois vim a descobrir que os melhores em geral eram. Grandes cartolinas com salmos escritos em canetinhas hidrocor dividiam as paredes com imagens bíblicas, admoestações contra o desperdício de comida (não era por kilo, o buffet) e também simpáticas sugestões para que os clientes dividissem a mesa com desconhecidos. Logo em Curitiba...”Carrrculem”...Foi o primeiro restaurante vegetariano que conheci e frequentei. O primeiro PTS com arroz integral a gente nunca esquece. Nem o glúten (esse assassino silencioso e vilão nos dias de hoje). Depois desse vieram vários, afinal quem era descoladinho nos anos 80 tinha que frequentar “vegetebas” em geral. E na época ainda estava em alta a tenebrosa alimentação macrobiótica (Credo-em-Cruz-bate-na-madeira).

    Verão Natural, Chlorofila, Verdejante (onde um dos garçons sofria de priapismo e NINGUÉM tinha coragem de pedir sobremesa por conta do rapaz.) Foram muitos restaurantes nessa época. Um dos legítimos representantes da raça fechou suas portas há pouco tempo, o Bouquet Garni.

    " Foto: Daniel Castellano/Arquivo Gazeta do Povo"
     

    Restaurante e entreposto de comida orgânica, apelidado por mim de GFPM ( gente feia paga meia): era bom comer olhando o prato e só o prato porque Meu Senhor...

    O fechamento deste restaurante para mim representa o fim de uma era. Leitores e mais leitores de “sugar Blues” órfãos para sempre! Adeus PTS cheio de shoyu, olá semente de chia EM TUDO. Adeus bolinho integral de banana com açúcar mascavo e mel. Olá pudim funcional, o qual muito me entristece porque faz o pudim predecessor parecer um incompetente.

    Veganos são diferentes, não adianta comparar. O mais importante para eles sempre será a questão moral ( e também de se posicionar evoluidamente acima da massa ignara).E dá-lhe fumaça líquida no feijão! Mais um impiedoso sinal dos tempos.

     Ainda sobrevivem olimpicamente com a cabeça pra fora da água respirando:Super Vegetariano, o Sorella ( adventistas Graças a Deus!), Verão Natural e Mikado. Eu sei, eu sei, não é vegetariano, mas pra mim é! Sofreram mudanças com a troca de proprietários. Hoje em dia atem até moqueca de banana. Sem contar que foram 30 anos frequentando o local sem nunca ser cumprimentada pelo dono e agora esta súbita simpatia , a gente estranha né...Chrorofila ouvi falar que vai bem, obrigada. Eles ainda tem a temida comida macrô atentendo à toda a 3ª idade da bichogrilagem curitibana.

    Por fim, fica aqui o meu lamento vintage, acompanhado do reconhecimento à essa nova geração com a qual tenho discordâncias mileniais, mas que estão aí tentando fazer o mundo habitável por mais um tempinho. Ao vencedor, as batatas(orgânicas).

     

    Esse texto é dedicado ao Ruy Machado Filho e à Christina Garcia: primeira casa que frequentei onde arroz, só integral, e onde nunca vi um grão de açúcar refinado.

  • O restaurante do fim do Paraná, parte 2.

    O restaurante do fim do Paraná,  parte 2.

    Então,  como diz aquela música dos Pretenders: I’m back on the chain gang. De volta ao trabalho que me leva a viajar pelo Paraná igual a bolinha de pinball,  batendo nas fronteiras e voltando.  E qual a minha preocupação maior nas viagens(além do trabalho, óbvio)? O que se come no Paraná. Onde, por quanto e de que forma.

    Antes de mais nada, sempre tento ir atrás dos antigos amores: Restaurante Rodeio em Londrina: uma espécie de  Bar Palácio pé vermelho sem a churrasqueira. Mein Haus em Paranavaí: o mal humorado dono já não vive mais, mas seu filho e equipe continuam a servir uma das melhores comidas alemãs do estado. Cantina de Coli em Campo Mourão: a cantina com nome de bactéria e cozinha de Santa Felicidade tá lá, firme! É sempre uma alegria quando você está fora de casa comer aquela comida que se mantém do jeito que você se recorda.

    O caldeirão étnico do Paraná nos garante uma boa gastronomia. As novidades  pra a minha coleção:  o Mercadão Municipal em Maringá.  De acarajé a sushi, de doces portugueses à  vieiras maçaricadas com foie gras. Lá também tem a Osteria Don Luiggi, com pratos de massa feitos na frente do cliente, e ainda dá para pedir Luigi Tenco como trilha sonora para o putanesca ( Ciao ,amore ciao...).Tipo de passeio bacana pra se fazer na Cidade Canção.

    Mais uma vez na fronteira, em Porto Rico, onde se tem a chance de ver uma parte da majestade do Rio Paraná. O restaurante Surubim foi onde tive a mais do que grata surpresa de comer a melhor tilápia frita da minha vida. Fresca, de rio. Única coisa que fica boa em tanque é gasolina. Na mesma refeição, uma moqueca de pintado espetacular.

    Cascavel é uma cidade que tem , na mesma quantidade de de farmácias, lanchonetesde chawarma. Quase como Foz do Iguaçu, onde eu continuo achando que atravessar a fronteira e jantar nos Hermanos  é a melhor idéia.

    Na categoria açougues : se você gosta de carne de porco e está em Maringá , vá no Prático. O joelho de porco é muito bom a preço honesto, e tem tudo de porco, inclusive banha, esta  recém alforriada  pela polícia dos  alimentos saudáveis.

    Impossível não falar aqui do Açougue Posto 500. Obsessão minha desde que comecei a viajar há mais de uma década, nessa época era uma portinha. Fica em Guaraniaçu, na beira da estrada.  Tudo lá é bom, a cracóvia é simplesmente a melhor da galáxia. Carneiro compre sem susto. Concluindo: leve sempre um isopor  quando estiver pelo Paraná, a gente nunca sabe quando vai se deparar com uma paleta boa...

    Sonhos de consumo para 2018: Casa Portuguesa com Certeza,  disparado o melhor bacalhau do Paraná. E espero ir no tal do restaurante alemão de Entre Rios, este está já virando lenda ...

    Por fim, já não procuro mais o Restaurante no fim do Paraná, porque cada vez mais me convenço que este estado é infinito!

    *Este texto é dedicado à Ana Maria, alma do Hotel Astória de Maringá. Nos deixou cedo demais, nos atendeu apaixonadamente por mais de uma década.

  • 3 vivas para o Rolinho Primavera!!!

    [caption id="attachment_425" align="aligncenter" width="600"]Entradas Hwa-Kuo Entradas Hwa-Kuo[/caption]

    Sentada sozinha no japonês barateza perto de casa, num happy hour relâmpago (os meus sempre o são), na luta para escolher no cardápio os acepipes para acompanhar o sakê, me dou conta: eu, perennial *, sempre tenho uma certa relutância em escolher apenas sushis/sashimis e suas variações. Porque me faz falta o “quentinho”. Muito pior que isso: o que me falta mesmo é a fritura, o molho farto à base de ostras (me engana que eu gosto, glutamato monossódico!) shoyu, e aquele gostinho de panela wok curada que nunca viu um sapólio na vida. Mas por quê isso? Porque a minha geração se criou comendo comida chinesa “gororobenta”.

    Quando criança, lembro de ir junto com a minha avó pegar “ carne de minhoquinha acebolada” e molho agridoce em um restaurante chinês perto de casa. A comida não vinha de moto naquela época.

    Muito antes do meu primeiro japonês aos 15 anos ( ainda estamos falando de gastronomia…) eu já tinha comido bastante mandiopã frito, muito camarão empanado, muito rapossay e muito arroz chopsuey. Os nomes dos pratos e também dos restaurantes eram sempre algo do tipo: Grande Muralha, Imperial, Celestial, Ave do Paraíso, etc.

    Até hoje graças às bênçãos celestiais do Paraíso, o Imperial da China está lá, na Rua Fernando Amaro. E sim, alguém foi assassinado na porta do restaurante nos anos 70, não é lenda urbana. Mas o inesquecível e fantástico arroz bomba com efeitos especiais ainda existe e persevera.09eba18c-a7b8-41a0-8a2b-ace3d6093196 (Arroz Bomba)

    O Hwa -Kuo também está lá na Princesa Isabel, e é a versão “rykahhh” e reformada do Imperial da China. O bi-fum do finado Tim Sam na Rua Cruz Machado, posterior Jan Yen na Iguaçu, deixou saudades.

    Quem nunca tentou pedir a inexistente sopa de barbatana de tubarão do cardápio do Hwa-Kuo não teve infância. Bem, não teve a minha infância, pelo menos. Hoje em dia, lógico, sabemos que o que conhecemos por comida chinesa não é exatamente o que se come na China. Sabemos hoje que, ao contrário de nós, cozinha regional não viaja. Sabemos também de todas as infindáveis e insossas formas de alimentação saudável, sustentável, responsável, blá, blá, blá…

    Em verdade, em verdade vos digo: até a comida saudável na minha adolescência era gororoba, porque macrô (a comida, não o apoio de samambaia), era um grude dos infernos que ainda por cima tinha que ser mastigado 45 vezes antes de ser engolido.

    Concluo este singelo devaneio convocando o restante dos perennials da Lindacap(obrigada Dino Almeida) a prestigiar a comida saborosa e barulhenta do Imperial da China, do Hwa-Kuo e de quem mais sobreviveu ao rolo compressor dos temáticos temakis!

    * A forma millennial de dizer que mesmo depois de “véia”, não desisti de relacionamentos amorosos, usar doc marteens, ser rock'n'roll, viajar, enfim, viver com curiosidade e intensidade.

  • SEXTOU EM CURITIBA: TOPZERA X BAIXA GASTRONOMIA.

    [caption id="attachment_417" align="aligncenter" width="620"]imagens internet imagens internet[/caption]

    Tempos difíceis requerem medidas extremas. A sabedoria milenar cai como uma luva nesses dias sombrios que vivemos, e permeia nosso dia a dia, um ótimo exemplo disso são os hábitos alimentares e como eles se transformaram nos últimos anos.

    No trabalho, entram as marmitas, fit e não fit, saem os Pfs moderninhos. Comer purê de batata no kilão é para os abastados.

    No happy hour, bares oferecem double caipira, double chopp, double food, double tudo.

    Nos restaurantes os clientes de groupons e peixes urbanos da vida, que antes era recebidos com nariz torcido, agora são tratados “a pão de ló”. E dá-lhe week disso festival daquilo!

    A notícia boa é que o setor gastronômico e de lazer responde com investimentos na área. A ruim é que os investimentos, são, na sua maioria, “topzera”, ou seja, a gentrificação novamente leva a melhor. São mais containers, mais praças de alimentação, mais burguers gourmet(sic), mais coxinhas maromba de jaca veganas, mais temakis, ceviches falsificados, pokes, pizzas sem gluten nem lactose… Enfim, toda uma gama de comidas flavour free (totalmente livres de sabor) e programas top para fazer com os amigos da facul. Eles venceram e o sinal está fechado para nós, da baixa gastronomia. Será?

    Nunca! Render-se jamais!

    Vida longa ao o Restaurante São Francisco, Maneko's, Triângulo, Mignon, Imperial da China, Pastelaria Juvevê, Lanchonete Aquarius, Bar do Paulo, O Torto, Senhora Chung, Beck's, Bar do Dante, Cantina Açores e grande elenco!

    Enquanto houver um torresminho com pêlo, um pastel gordurento, um mocotó, uma rabada com agrião no centro da cidade, respiramos!

    Infelizmente, baixa gastronomia já não é mais sinônimo de preço baixo como um dia foi. Mesmo assim, há que se reverenciar os clássicos, os antigos, os tradicionais. Sob pena de nos transformarmos numa imensa cidade cenográfica onde food trucks, empórios e armazéns franquiados tomam o lugar do que um dia foi original. Recai sobre nós a responsabilidade de deixarmos uma cidade mais humana e menos “topzera” para as novas gerações.

  • Sábado perfeito

    [caption id="attachment_405" align="aligncenter" width="620"]Barraca do seu Marfil, que ganhou um empurrãozinho para aparecer na foto. (fotos- Rodrigo Morosini) Barraca do seu Marfil, que ganhou um empurrãozinho para aparecer na foto.[/caption]

                                                                                                                                                                                                              Texto e fotos: Rodrigo Morosini.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              Há, pelo menos, 15 anos faço as compras da semana na Feira de Orgânicos do Passeio Público. Além dos motivos de sempre  - cuidados com a saúde, favorecimento da agricultura familiar e minha “ecochatice”, que permite apenas alimentos e até os possíveis cosméticos de  origem orgânica em casa - há um fator emocional que leva a chamar de perfeito o sábado que começa no portal do Passeio.

    Meu pai foi criado no interior de S.Paulo, em Marília, numa propriedade próxima da Fazenda Matsubara, e acho que vem daí, geneticamente, minha admiração pela cultura japonesa, artes marciais e da clássica figura do feirante que, curiosamente, não está representada ali. Mas o hábito de ir à feira não deixa de ser uma lembrança de casa, principalmente porque meus pais sempre reservaram um bom espaço para horta em casa e hoje também cultivam, sem pesticidas numa pequena propriedade, todas as verduras e muitos dos legumes e frutas que consomem. Quando sai da pequena Moreira Sales, aos 14 anos para estudar, o primeiro lugar que passei foi um internato adventista, vegetariano e que também opta pelo cultivo orgânico. Essa também é uma lembrança que me vem à cabeça todo sábado.

    Mas todos esses fatores se reúnem mesmo quando tomo café - sempre um assado de espinafre, lassi e um espresso - e compro patê de tofu, torta de damasco, relish de abobrinha entre outros produtos com o casal Tiago e Amanda. Quem serve é o irmão dela, José, que presenteei com orgulho com um cartaz do “Into the Wild” (“Na Natureza Selvagem”). Num mundo de redes sociais e ídolos teens bobos, temos que apoiar jovens com bom gosto cinematográfico.

    [caption id="attachment_406" align="aligncenter" width="620"]Café da manhã na barraca da Amanda, Tiago e José. Café da manhã na barraca da Amanda, Tiago e José.[/caption]

    Depois eu completo as compras em outra barraca, do pai deles, que chamo de “seu Marfil”.  Lá trabalha a irmã do Pedro e da Amanda, Manu, e muitos jovens , todos simpáticos e atenciosos. Aliás, há alguma coisa inevitável em quem trabalha com a terra: um astral bacana que parece ser ressaltado ainda mais quando se sabe que está produzindo alimentos respeitando nosso planetinha.

    Mas entre as duas barracas, também passo na dos produtos Amábile, todos maravilhosos produzidos e vendidos pela dona Ilide, a Cláudia, o Gabriel e seu Leonel. Compro pães integrais e de milho, feito com fermentação natural e um calzone de legumes que será um dos jantares. Antes, lembro, todos os sábados, quando abordado pela dupla de vendedores mais famosos da feira, que já comprei as colheres de madeira feitas pelo seu Lúcio - um veterano guitarrista cheio de histórias - e o livro do seu Honorio Delgado Rubio, que tem mais histórias ainda.

    [caption id="attachment_407" align="aligncenter" width="620"]Os pães, calzones e brownies da Amábile. Os pães, calzones e brownies da Amábile.[/caption] [caption id="attachment_408" align="aligncenter" width="620"]Seu Lucio e Seu Honorio. Seu Lucio e Seu Honorio.[/caption]

    Passo ainda no Plá (sim, o músico) e adquiro umas “plá-ssocas” com frases filosóficas, pela barraca dos cosméticos - quando preciso de shampoo, sabonete ou condicionador - e na última, antes do posto da Polícia Militar, que vende bananada e goiabada em barra. Sigo para casa, separando moedas para o guardador de carros, feliz por ter matado um pouco a saudade da família fazendo compras com outras famílias, no ritual que faço questão de fazer todos os sábados, faça sol, chuva ou frio como no último.

  • Anos de feira

    received_1418593084874052"Moço, ganho a salsinha de brinde com a compra? Ainda não é Natal, parente!..." Depois dessa, e sob a influência do ótimo livro " Dias de Feira" do arqui vilão dos blogs gastronômicos Jotabê, resolvi dar o meu relato do ponto de vista do cliente/passeador de feira. Os musos desse texto são o casal Mauro e Simone Cohene. Há pelo menos 37 anos Mauro e a esposa tocam a banca de hortifrutigranjeiros, honradamente levando adiante o negócio começado pelo pai do Mauro, Sr.Zen Cohene, da colônia Orleans. É trabalho duro, pesado mesmo, mas você nunca verá esses dois de cara feia, sempre com um chiste na ponta da língua. [caption id="attachment_390" align="aligncenter" width="465"]Mauro Cohene. Mauro Cohene.[/caption] Estamos num sábado, meu dia de frequentar. Rua fechada, céu aberto, às vezes. Cantores sertanejos cegos a postos. Artesanato se mistura com os hortifrutigranjeiros, que por sua vez ficam ao lado do pessoal dos ovos: de granja, um pouco mais em conta, e caipira de granja, gourmetizados. [caption id="attachment_391" align="aligncenter" width="620"]De granja e caipira de granja /foto: Karina Kuster. De granja e caipira de granja /foto: Karina Kuster.[/caption] Por ali tb fica a turma do dedo verde (destaque para a família Tomita), que vendem aqueles arranjos florais bonitos e despretensiosos que duram mais de uma semana em casa. [caption id="attachment_392" align="aligncenter" width="620"]Família Tomita/foto:Karina Kuster. Família Tomita/foto:Karina Kuster.[/caption] Caldo de cana perto das flores, assim o ecossistema urbano fica em paz e as abelhas em atividade. Em frente, o clássico dos clássicos : a Barraca do Pastel. Primeira de 3 até o final da Alberto Bolliger.Pastel de feira. Foto:Karina Kuster.  Pra turma mais Juvevê Internacional ou Alto da XV  Tribecca, tem o mall por quase toda a extensão da feira, o qual, apesar de ser Juvevila fervorosa...também frequento. Rocka'Birra, café da manhã dos campões: um chopp  Cathedral IPA . Ainda no mall fica o novinho em folha Papola, que faz a alegria da turma do Brunch com champagne (Oscar Freire tem mágoa). [caption id="attachment_393" align="aligncenter" width="465"]Papola(brunch)/foto:Karina Kuster Papola(brunch)/foto:Karina Kuster[/caption] No epicentro da feira, 3 trailers de queijos e charcutaria com senhas que parecem programa de metas de empresa multinacional: impossível chegar lá. Mas vale se você for paciente. [caption id="attachment_394" align="aligncenter" width="620"]Trailers queijos e frios.Foto:Karina Kuster. Trailers queijos e frios.Foto:Karina Kuster.[/caption] Não podemos esquecer o Paraguayzinho, onde tem desde ralador de queijo e forma para bolo até umas roupinhas que dão uma enganada... Na extrema esquerda do terceiro pastel, esquina com a Rua Conselheiro Carrão, o irrefutável Bar do Dante. Oscar de melhor rissolis de camarão (com moqueca dentro,minha gente!). [caption id="attachment_396" align="aligncenter" width="620"]Bar do Dante.Foto: Karina Kuster Bar do Dante.Foto: Karina Kuster[/caption] [caption id="attachment_397" align="aligncenter" width="620"]o simpático garçom e os rissolis de camarão do Dante. Foto:Karina Kuster. o simpático garçom e os rissolis de camarão do Dante. Foto:Karina Kuster.[/caption] No outro extremo, começo da feira, próxima à loja de brinquedos que vende Genius (óh Glória!) ficam meus eternos amigos  Edna e Pancho, com seus chales, ponchos, colares, bolsas: tudo feito em tear e na mão. [caption id="attachment_395" align="aligncenter" width="465"]Edna Pinsag e seus colares,bolsas e chales. Foto: Karina Kuster. Edna Pinsag e seus colares,bolsas e chales. Foto: Karina Kuster.[/caption] E você? Tá fazendo o quê em casa? Já pra feira!
  • HABEMUS KEFIR!

    [caption id="attachment_383" align="aligncenter" width="413"]Blog Temperando Blog Temperando[/caption]   Quem foi criança ou adolescente nos anos 80 lembra daquele golpe que sofremos por meio de alguma fábrica de brinquedos inescrupulosa chamado Sea Monkeys (na Argentina: Kikos Mariños). Um pacotinho contendo um pó para ser misturado na água. A embalagem prometia que aquele pozinho se transformaria no seu melhor pet aquático. Pois é. Nunca aconteceu. Dizem que era, na realidade, krill, alimento para camarões, invisível a olho nu.sea monkeysseamonkeys 35 anos passados desta profunda decepção, ganho de uma amiga o tal Kefir, que pode ser cultivado tanto na água quanto no leite (yakult é para amadores). Mas afinal, o que é o Kefir? São grãos ricos em bactérias ácido lático (isso quando é feito de leite, lógico), ácido acético e leveduras variadas.KEFIRLEITE-ID Indicado para reduzir a acidez estomacal, problemas hepáticos, problemas intestinais (solta o que está preso e segura o que anda muito solto…), problemas emocionais, porque contém triptofano, que estimula a produção de serotonina e endorfina. Combate o colesterol ruim e ajuda a emagrecer. Essa parte ainda estou esperando… Ou seja, minha gente, o negócio é praticamente a Maravilha Curativa do Dr.Humpfrey's! POR QUE CULTIVAR KEFIR? Além de todos os 127 benefícios acima listados, finalmente ganhei os kikos mariños que esperei por toda minha infância. Sim, porque você tem que cuidar deles, coar, lavar e - a parte lúdica de quem não tem cachorro, nem gato e nem periquito em casa - dá para assistir ao ballet do SobeDesceFermentaCresce. SEJA LEGAL, DOE KEFIR! Kefir, assim como a felicidade, não se compra. Se doa. Até porque os bichinhos tomam conta da casa, se você deixar, o que irrita qualquer mãe, cônjuge etc. Pode parecer muito bicho-grilo isso. Mas, nesta contemporaneidade ególatra que estamos vivendo, faz bem espalhar probióticos vivos por aí na esperança de um mundo melhor. Por hoje é só, pessoal. Precisando de kefir, contatem a página www.cozinhademinhoca no facebook que a gente dá um jeitinho!            
  • PANQUECAS: DO ÓDIO À ODE.

    Meu problema com panquecas começou na infância. Na minha casa, religiosamente duas vezes por semana, o cardápio do almoço eram panquecas com carne moída e molho de tomate, possivelmente com aquele queijo Teixeira que já nasce ralado e seco por cima de tudo,”para gratinar para as crianças”. Eu tinha pavor (fedelha ingrata). Panqueca A intolerância à panqueca foi se agravando na adolescência - anos 80 em Curitiba não havia bar bicho grilo/alternativo, do Trem Azul e Arlequim ao Café Poesia, que não tivesse a dita - tinha panqueca com creme de milho, com massa integral, com frango e catupiry e até (Senhor livrai-me) com recheio macrobiótico. Era o truque supremo dos lugares que serviam comida mas não tinham cozinheiro profissa. O CREPE DO VIZINHO É SEMPRE MELHOR. Já na idade adulta, avançada mesmo, comecei a enxergar a graça que antes me escapava na rodela de massa tostada. Afinal, crepes são uma delícia, não? Com aquela dobradura origamística e recheio bárbaros! CREPE-BRETONNE-02 E as americanas? Uma cornucópia de panquequinhas cobertas por Syrup (karo metido à besta) que garantem a permanência do ser humano na obesidade para sempre… Até aprendi uma variação de blinis russo, com batatas, que faz sucesso. Mas, então, porque diabos o preconceito? Porque eventualmente somos fúteis, mal agradecidos e, se a oferta é grande, desdenhamos. Feio, né? Corta para ontem à noite: abri a geladeira e tive um momento de alegria seguido por um arrependimento que tardou 40 anos para chegar: um belo prato cheio de panquecas enroladinhas à perfeição, com recheio de carne moída ,feitas pela minha mãe (Véia Joanita para os íntimos) e pela Lourdes, fiel escudeira. A elas, peço desculpas pelas caras de nojinho que fiz para as panquecas toda a minha vida. Ninguém melhor que as duas para contar um pouco desta história. Mandem ver, meninas!
  • O RESTAURANTE NO FIM DO PARANÁ

    [caption id="attachment_355" align="aligncenter" width="620"]11 Foto: blog Londrina Baixa Gastronomia[/caption] "De Jacarezinho a Pato Branco, de Foz a Paranaguá...", trecho do jingle da campanha do Jaime Lerner para governador. E era isso que a gente fazia, igual um bando de malucos: cruzava o Estado de cabo a rabo. Tive várias outras oportunidades de viajar pelo Paraná, em campanha, fazendo eventos pelo cerimonial em 3 gestões, ou produzindo ações promocionais não governamentais. A minha eterna pergunta era: onde vamos jantar? Pouco esganifada, mas vá lá, ainda acho que é o melhor jeito de conhecer a cultura de um local. Nem todos nas diversas equipes de viagem - de motoristas à equipe jornalística, cerimonial, polícia militar, monitores, recepcionistas, enfim, de um tudo- tem o mesmo interesse pela comida. Seja porque não querem gastar ou não estão na vibe de socializar depois de 600 km rodados. Cansei de ir sozinha, não me arrependo. Na verdade, falta de companhia para jantar nunca foi um impedimento. De lá para cá muito deve ter mudado pelo interior, porém fiquei bem feliz,  fazendo uma mini pesquisa, vi que os lugares que eu adorava ainda estão lá! E, gente, tem muita coisa boa além das paradas de beira de estrada. Falando nelas, na volta de Cascavel: acougue-500-71-2-detalheacougue-500-71-8-detalhe Açougue e  Posto 500. Antes era um pequeno açougue sempre cheio, hoje em dia um supermercado. Eles tem a melhor cracóvia do Universo, nem Prudentópolis ganha deles. Tá, talvez a Cracóvia ganhe, mas só.  A Anila no caminho para Irati é outra que triplicou de tamanho, com direito a hotel e posto de gasolina, os valores também engordaram, mas os queijos e fiambres valem a parada. Por último mas não menos importante na beira da estrada, a salada de frutas gelada do Castelinho 100 km antes de chegar em  Foz do Iguaçu. Parada obrigatória. Quando em Francisco Beltrão, não deixe de ir no KasaNostra, com cara de castelinho medieval e aquele brodo de agnolini que só o sudoeste gaudério sabe produzir. 03 Londrina? [caption id="attachment_354" align="aligncenter" width="620"]blog Londrina Baixa Gastronomia blog Londrina Baixa Gastronomia[/caption] Restaurante Rodeio, uma cruza de Bar Palácio com Nonna Giovanna, ali na esquina do Hotel Bourbon. Desde 1966, o filet à parmeggiana impera, mas também tem Steak Diana, ou seja, o lugar é um clássico pé vermelho imperdível. casa-portuguesa-com-certeza Se você for a Maringá e não comer uma vez na vida na Casa Portuguesa com Certeza, volte duas casas! De longe um dos melhores portugueses que ja tive a oportunidade de ir. Uma vez tentei comprar os doces do balcão para viagem, o dono não me deixou, disse" só posso lhe vender um. Se a minha senhora vê este balcão vazio, ela corre a fazer mais, e com esse problema na lombar..." Portugueses e seus raciocínios... A picanha do Casarão também costumava ser famosa. E boa. cantina-di-colli-2 Campo Mourão tem o melhor restaurante estilo Santa Felicidade fora dela, um rodízio de massas com nome de bactéria: Cantina di Colli. Spaguetti aglioglio mandatório. E, lógico, durante as festividades na cidade o tal Carneiro no Buraco realmente vale o quanto pesa. Paranavaí além do calor senegalesco, oferece a rara oportunidade de comer num restaurante alemão de alto nível, o Mein Haus, com filet suíno curado e defumado na casa e purê de maçã como acompanhamento. Deus é alemão! Nunca foi barato, porém. De Umuarama lembro do Choppatinhas ( como esquecer ?) com chopp geladíssimo ao lado do hotel e aquelas porções de linguiça com aipim tamanho "Pedro e Bino". Em Cascavel a churrascaria Portal sempre teve como diferencial um farto buffet de saladas com uma preparadora que serve o que vc escolher cortadinho na hora, ideia boa, não? Chegando em Foz do Iguaçu,  já não tem mais o Antonio Maria, nesse caso minha sugestão é: ande mais um pouco, atravesse a fronteira e vá no " El Quincho del Tio Querido". No fim das contas o Restaurante no fim do Paraná fica na Argentina. Aproveite e me traga um saco de HARINA 0000, melhor para massas e pizzas no Brasil, não há. Por hoje é só pessoal! P.S. Dedico este texto ao incomensurável Valter Chagas, mestre de cerimônias que é a voz do Paraná, grande companheiro de estrada!    
  • Brot Frit: em busca do mingau perdido.

    POLENTINAMinha avó, Dona Barberina, e posteriormente minha mãe ( VJ-Véia Joanita para os íntimos), costumavam fazer um mingau de farinha de trigo com manteiga, água e sal. Algo entre molho bechamel e cola para cartaz de rua. Aquilo era um santo remédio para estômagos fracos, dores de barriga, gripe, mal estar, bronca de pai, praticamente a Maravilha Curativa do Dr.Humpfreys em forma de mingau. Brot Frit era o nome, meio ítalo-germânico, pelo jeito. Acontece que, para ter direito ao dito, a gente tinha que estar doente, senão, como diria o Soup Nazi do Seinfeld : no Brot Frit for you! Eu até hoje faço, como e posso atestar que cura inclusive mal de alma. Tentei levar a tradição adiante com os meus sobrinhos, não emplacou... Mas como eu estava determinada a ser  a " tia-gente-boa-que-faz-aquela-comida-que-nunca-nos -esqueceremos", improvisei  um mingauzão de Polentina com leite e manteiga no microondas. Bingo! Dois foram fisgados. No fundo todos temos alguma memória da comida da infância que conforta, consola e alegra. Para uma das minhas irmãs, por exemplo, não é o tal mingau e sim o abacate da casa da avó, recém colhido, aberto na hora e servido com açúcar e limão. Para mim ainda merece uma menção honrosa   a  aguinha do arroz borbulhante com alho que cozinhava na hora do almoço, quando chegávamos varados de fome do colégio. Saindo do âmbito familiar, resolvi fazer uma pesquisinha básica  a respeito. Aqui está: Foca Cruz(artista plástico)-euuu " Desde que a família Cruz de mudou para Paranaguá, Dona Araci, com seus 5 filhos e somados todos os agregados, parentes e amigos tranformavam a casa numa espécie de clube da cidade. Dentre várias soluções práticas para alimentar essa tropa uma delas era minha favorita: grandes travessas de arroz com carne picada e molho de tomate por cima. Embaixo de tudo banana da terra frita cortada na longitudinal, ou, como dizem por lá:  de comprido, nunca de fianco. Como toda mãe amorosa que sabe do imaginário-afetivo dos filhos, sempre que ela quer me fazer um agrado, é esse o prato!" Giselle Hishida (jornalista) - hishida" Sopa de fubá com alho e ovo inteiro no fundo; o macarrão caseiro da minha mãe;  bolinho de chuva com banana da minha avó. Entrada, prato principal e sobremesa!" Rodrigo Barros Del Rei (músico) - rodrigão" Pão com leite condensado e nescau, preparados pela avó(mãe ou empregada não vale!). E pasta de dente escondida embaixo da cama... A fome vai por caminhos insondáveis." Marina Fontoura (terapeuta holística) -received_10212350013733853" Banana da terra fritinha com açúcar e canela, feita pela avó. Tanto em Curitiba, quanto em Castro, nas férias." Fernanda Pacheco Pereira (assessora técnica em comunicação e marketing)-IMG-20170302-WA0002 "Polenta amarela com miúdos, pé e pescoço de galinha. No dia seguinte raspávamos a panela de polenta para comer no café da manhã com açúcar  e leite quente." Ruy Machado Filho (chef de cozinha)- [caption id="attachment_294" align="aligncenter" width="620"]Ruy Machado Filho Ruy Machado Filho[/caption] " Passei parte de minha infância me deliciando com mingaus de maizena, de arroz e de farinha láctea, polvilhados com canela, feitos por minha mãe. Mais tarde, passei a sonhar com um belo bife a cavalo, daqueles de restaurante..." Levir Culpi (técnico de futebol)-LEVIR "Maionese com batata, macarronada caseira e carne de panela feita pela minha mãe aos domingos."   Este texto é dedicado à minha sobrinholândia: Alessandro, Rebeca, Otaviano, João Alberto e a binacional Maria Clara (esta ainda há de pegar gosto pelo brot frit!)    
  • ELEGIA À SOPA FRIA

    Texto publicado originalmente no site Rêve de Mode.

    Lembra daquele verão de 2014 em Curitiba, que fez Paranaguá parecer uma cidade fresca? Vai ser assim quando a gente lembrar desses dias de calor senegalesco. Hell's Kitchen e Bangu já estão perdendo em graus para nós ...

    E comer o quê com esse calor ? Frio, tudo frio. E que venham os rosbifes, caponatas, galantines, cocktails de camarão, carpaccios, saladas de frutas e sorvetes... Tenho até vontade de comer salada. Mas o bom mesmo, pra mim, são as sopas frias e os bons drinks gelados (inclusive café, gelado na coqueteleira com nata batida). As duas sopas mais balsâmicas que conheço para esses dias de “Mad Max além da Cúpula do Trovão” são a Vichyssoise (agora também em versão vegana, pra quem é seguidor), e o bom e velho Gazpacho; desde o “Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos” ele entrou pro meu repertório culinário e de lá não sai, só não ponho os morfidales da Carmen Maura, ainda...

    Apresento então as minhas versões, baseadas em sopas reais.

    A Vichyssoise, mais francesa que a Brigitte Bardot;

    Ingredientes:

    3 batatas médias descascadas e cortadas em cubos; 3 talos de alho-poró (não é aipo!), só a parte branca, picados; 1 cebola picada; 1,5 l de caldo de galinha (se for usar cubos knorr, nunca mais fale comigo...); 3 colheres de sopa de manteiga e 1 de azeite de oliva; 1/2 xícara de chá de creme de mesa fresco;

    1 fio de molho pesto (esse até pode ser do tipo Hemmer de vidrinho).

    Preparo:

    Derreta a manteiga com o azeite, refogue a cebola, o alho-poró, adicione a batata, depois de 10 minutos coloque o caldo quente e deixe em fogo baixo por mais 20 minutos. Atire tudo no liquidificador e deixe até formar um creme. Adicione o creme de mesa e ponha para gelar. Na hora de servir, decore com cebolinha micro picada e um fio de pesto, voilá!

    Gazpacho al borde de un ataque de nervios; Ingredientes: 2 kg de tomates italianos muito maduros; 1 dente de alho médio; Vinagre de vinho tinto (+ ou - 4 colheres de sopa); Azeite de oliva (+ ou – 6 colheres de sopa); Pimenta tabasco e pimenta do reino; Sal (se for daqueles caros, fica melhor...); 1 pimentão amarelo picado; 1 pimentão verde picado; 1 cebola branca picada; 2 pepinos, tipo japonês, picados; 3 pães franceses fritos na manteiga com alho picados (croutons);

    Preparo:

    No liquidificador, bata os tomates com casca junto com o alho, tempere com o azeite, o vinagre, a pimenta e o sal. Coe tudo e ponha pra gelar. Separe os outros ingredientes em tigelinhas e ponha na mesa pra tigrada se servir! Observação muito importante: eu sei que os espanhóis misturam tudo no processador, tem gente que põe até maionese, mas o meu é assim. Salut i força al canut!

     
  • MEU PECADO PREDILETO

    banqueteSão 7 os pecados capitais ,certo? Gula; Luxúria; Vaidade; Soberba; Inveja; Ira; Avareza. Dia 26 de janeiro alguém definiu ser o dia da Gula. Desde sempre meu mais amado e querido de todos. Tenho certeza que assim que eu chegar no purgatório, o elevador vai me levar direto pro subsolo por conta desse aí. Mas afinal, como definir gula? Como não sou boa em dissertações, vou na já clássica listinha : Gula dos Reis – gota . Gula Hipster-larica. Gula com culpa- bulimia. Gula sem culpa – Gordura. O rei dos ingredientes da gula-bacon . Os vice – reis dos ingredientes da gula – manteiga e creme de leite. Gula com Sal – hipertensão. Gula Vegana – "evoulída", porém sem graça. Gula intolerante – sem lactose . Gula por compensação imediata – uma bela visita com cartão de crédito sem limites ao Mercado Municipal . Gula Permissiva- um belo de um jantar no Ile de France . Gula Pernóstica- uma harmonização de espuma de sapo com foie de Whatever acompanhada de Chateau Mouton Cadet Pêra Manca Gula Romana – banquetes de porcos recheados com frangos recheados com codornas ,comidos com as mãos Gula dos Médici – você janta e a pobrada só assiste . Gula Renascentista – com garfo. Gula Napoleônica – piéces montés de Carême . Gula de Domingo – Pizza. Gula de Sábado – Feijoada. Gula de Praia – Camarão frito à milanesa. Essa lista nunca vai terminar antes de acabar com a saúde e o bolso da gente. E viva a auto indulgência decadente da Gula ! Hoje pode tudo,turma!! (PUBLICADO ORIGINALMENTE NO BLOG RÊVE DE MODE)
  • MEU TIO JOÃO ALBERTO E O PIZZICATO.

    [caption id="attachment_307" align="aligncenter" width="620"]forno à lenha, com orgulho. O forno à lenha, com orgulho.[/caption] [caption id="attachment_309" align="aligncenter" width="620"]Os eternos Gilson e José. Os eternos Gilson e José.[/caption] [caption id="attachment_310" align="aligncenter" width="620"]Duas gerações dos Nicolella Duas gerações dos Nicolella[/caption] [caption id="attachment_311" align="aligncenter" width="380"]Dr,João Alberto Leschkau. Meu tio. Dr.João Alberto Leschkau. Meu tio.[/caption] “ Olho pro céu e vejo o Atlético jogando bola...Olho pro Inferno e vejo o Coritiba pedindo esmola, Jesus Cristo”... e foi assim que aprendi a primeira de centenas de musiquinhas da rixa mais clássica da cidade. Jaime  Lerner x Requião são fichinha perto de qualquer Atletiba que se preze. Pois bem, este era meu tio, Dr. João Alberto Leschkau. Irmão caçula da digníssima genitora Joanita, advogado por profissão e diplomata e relações públicas por vocação. Todos s seus clientes eram de uma fidelidade daquelas que passa de uma geração para outra. Assim era o seu compromisso e parceria com todos , como diria Gardel:"el tiempo viejo que lloro e que nunca volvera...”. Tempos de fio do bigode, não de barbearia hipster. Dentre as boas lembranças e coisas bacanas que meu tio me ensinou (e olha que Trétis é Trétis), tem o Pizzicato, passei minha infância ouvindo falar de tudo de lá. Novamente, clientes que se transformaram em amigos e parceiros. PIZZICATO: A ORIGEM DO CALZONE.   Se existem estabelecimentos que merecem louros, elogios e principalmente, a frequência da clientela, são lugares como o Pizzicato. Fundado por Aurelio Nicolella e sua esposa Carolina em 1971. Ela, responsável pelo molho de tomate mais secreto que senha do 007. A receita veio com dona Carolina desde Nápoles, nos anos 50, quando o casal imigrou para o Brasil e eventualmente, sentaram praça em Curitiba. O Pizzicato foi a segunda pizzaria em Curitiba com forno à lenha. A primeira também foi do Seu Aurélio. Hoje em dia , o negócio é tocado pelos filhos, primos e neto. O fato de que todos se chamam ou Gennaro, ou Rafael ou Danielle faz a gente se sentir um pouco dentro da história do “Cem anos de solidão”, onde todas as gerações carregam o mesmo nome. Voltando ao molho : entrei na cozinha, escoltada pelos simpaticíssimos garçons Gilson(36 anos de casa, tricampeão da corrida dos garçons na Rua XV) e José(40 anos de casa, precisa mais pra imaginar a importância da criatura no lugar?). Tentei em vão descobrir a receita centenária com as cozinheiras Solange, Janete e Helena. Mas achei que era melhor sair da cozinha ignorante porém, viva (trilha sonora sugerida: THE GODFATHER). O Pizzicato é daquelas cantinas que tem pratos já que há tempos estão fora do cardápio”mas é só pedir que a gente faz”, como o ragu de carneiro, alegria dos sábados do Dr.Marcos Kleiner. Ou aquele calzone que só meu primo acerta pedir(com o tal molho dentro). Esta deveria entrar em definitivo para o cardápio. Preços honestíssimos, massa caseira, o mesmo sabor há 45 anos, que mais se pode querer? Fillet parmiggina/Pizzas/Maltagliatti com tomate, posta e ricota(dos Deuses). E tem sopa de Capeletti, minha gente!   Moral da história Nº1: Viva meu Tio João Alberto! Moral da história nº2: quando você, caro amigo leitor, tiver vontade ou oportunidade de ir numa cantina italiana, comer uma pizza, massa, enfim, que tal uma volta às raízes que fizeram desta cidade o que ela é? [caption id="attachment_306" align="aligncenter" width="620"]Seu Aurelio e Dona Carolina: a origem da série Seu Aurelio e Dona Carolina: a origem da série[/caption] P.S.: O Pizzicato atende torcedores de todos os times, a questão do Tretis é da minha família, não do restaurante. E claro, este texto é dedicado para a minha tia Regina e primos Luiz Alberto e Luciana. Pizzicato Pizzaria
    Endereço: Av. Silva Jardim, 1121 - Rebouças, Curitiba - PR, 80230-000
    Aberto hoje das 18:30 às 23:30h
       
  • BRANDADE DE BACALHAU "NA MINHA COZINHA MANDO EU".

    [caption id="attachment_295" align="aligncenter" width="620"]Brandade de Bacalhau Brandade de Bacalhau[/caption] Qual cozinheiro diletante nunca se deparou, entre pré preparos e cocções, com a amigável participação dos comensais sob a forma de sugestões, palpites,etc.  O famoso: eu se fosse você... Ou então: por que você não coloca os tomates no forno, seca, tira a pele e a semente, acrescenta tomilho, orégano, deixa uma hora e depois centrifuga? A verdade é que na cozinha (mesmo na versão lúdica) existe um momento onde a atividade tem que passar a ter um só cacique, no caso o dono da casa, ou a pessoa que passou o cartão na hora das compras, enfim: o dono da bola, da trave e do campinho. E quando o palpite procede? O que fazer quando a sugestão é boa?  Meu "causo" mais clássico foi quando, pela segunda vez na vida, estava fazendo a tal Brandade de Bacalhau e a amiga incauta me avisou: chega de creme de leite! Depois disso , só lembro de enxergar tudo preto, a raiva tomou conta. O pior é que ela tinha razão, mas sabe como é, pessoas morreram por muito menos que isso... De lá para cá, fiquei mais velha, mais experiente e menos sujeita a ataques de fúria. Há um bom tempo, sempre que troco serviços gastronômicos por $, o chef Ruy Machado Filho está na escalação como atacante. Esta colaboração tem sido um privilégio e, acima de tudo, um grande aprendizado. Por conta dele mudei o mantra "mando eu " para "manda quem  sabe, obedece quem quer aprender". [caption id="attachment_294" align="aligncenter" width="620"]Ruy Machado Filho Ruy Machado Filho[/caption] No episódio de hoje amiguinhos, vou ensinar a minha receita de Brandade de Bacalhau. Não a certa, não a francesa, não a do Bourdain.  A minha. VOCÊ VAI PRECISAR DE: 1,5 kg de batatas asterix (a rosa); 1,5 kg do melhor bacalhau que você puder adquirir. Sim, é para desfiar, mas do meio lombo para o " tipo bacalhau" são léguas em qualidade; 2 cebolas grandes micropicadas; Tomilho e sávia frescos picados, noz moscada e pimenta do reino (ao gosto do freguês); 2 dentes de alho esmagadaos (depois você pesca lá dentro); 150 gr de manteiga sem sal; 1 pote e meio grandes  de creme de mesa fresco (gosto não se discute); COMO FAZER: Refogue a cebola com o alho, na manteiga e um pouco de azeite, pesque o alho (já deu); Acrescente o bacalhau desfiado, a batata em purê, o creme de mesa, corrija a pimenta, o sal e noz moscada; Coloque em potinhos refratários, cubra com farinha de rosca e (disparo final do colesterol) pedacinhos de manteiga,leve ao forno, de preferência com gratinador por cima , doure e seja feliz! Serve 14 amigos sem intolerância à lactose como entrada ou 6 pratos principais . P.S.: Este texto é dedicado às amigas  Jaqueline Carvalho, que por uma brandade quase morreu assassinada, Cristiane Mocellin, quem primeiro encomendou a brandade para mim, e à Daniela Garcia, grande companheira dentro e fora da cozinha!
  • Todos os punks e piratas estão na cozinha!

    DSC02861Uma das 157  cenas que eu mais amo no Ratatouille é aquela onde a souschef fala para o novato Linguini:"você está vendo aquele açougueiro ali? Dizem que matou um homem usando apenas o dedão esquerdo!". O ambiente da cozinha  profissional  carrega consigo esta mística. Lar para os desajustados, ordem para os desorientados, sentimento de pertencer, tudo isso com um pé na malandragem (observações de uma diletante apaixonada). E sai pra lá  masterchef-top-molecular-escabeche-de-formiga-em-leito-de-missô-desconstruído! Estamos falando da verdadeira cozinha, do porão de navio, dos 50 graus de calor intermitente, de garçons gritando pedidos enquanto você é atropelado por algum colega que passa por você com panelas fervendo e dizendo" Quente,quente! Frente! Trás! Sai daí!". Estamos falando de cortes profundos, cicatrizes e queimaduras. Punks, piratas, misfits que se reinventaram através da cozinha. São eles que merecem o meu registro hoje. Em Curitiba existe toda uma turma que migrou direto do 92 graus, Bar do China ou similar para as cozinhas profissionais. Segue uma lista básica dos meliantes. Chef Eva dos SantosDSC02866DSC02873A Eva começou sua prolífica carreira de chef no Bar do China (antes de Sheena, era China mesmo, o saudoso Vicente Meneghetti Jr). Primeira criação gastronômica: frango desfiado com milho, molho branco e batata palha (quem frequentava e comeu, não esquece). Depois disso ela foi a primeira souschef mulher do Restaurante Boulevard, do grande Celso Freire, e já ha alguns anos e muitos prêmios acumulados pilota os fogões do mais que reconhecido Bar do Victor. We have a Winner, minha gente! Chef Germano Diedrichs : ex-Cervejas, ex-Frantic Flinstones  (tá bom já,né?), atual cozinheiro do Armazém Português, na Moises Marcondes.IMG_0919 IMG_0920 Chef Flávio Fardado. IMG_1121 IMG_1119 Este auto didata começou logo na infância como auxiliar de cozinha da guarda mirim, e assim foi se virando e aprendendo, indo na Biblioteca Pública,  no Mercado Municipal, trabalhando como assistente e depois chef já nos anos 90. Vocalista da banda Malkriados. Atualmente chef do Tuba's Bar, no largo da Ordem. Gerson Jourdani. Image-1(1)Image-1(2)Nosso amigo punk de alma aqui frequentou todo e qualquer boteco que se possa imaginar dos anos 80, e era por assim dizer amigo da turma que deu origem à série do movimento em Curitiba. Hoje em dia ,ele é o bem sucedido proprietário do CurrytibaWurst, nas melhores feiras gastronômicas da cidade, por exemplo Praça da Ucrânia e Batel. Gláucio Chemin. Image-1(3)Image-1(4)Dá para dizer que já fez de um tudo e já foi de um tudo, inclusive punk. E faz de tudo na cozinha hoje em dia. Last , but not least, menção mais que honrosa ao Chef Flavio Frenkelque sempre deu guarida em seu staff para stray cats, desviados de rota e amigos das antigas que se voltaram para a cozinha. Maringas Maciel-8072 Maringas Maciel-8080Maringas Maciel-8085 Ahoy,piratas, o Fogão lhes pertence!!
  • Sobre comida mexicana de rua, tabus e emancipação. (por Karina Kuster)

    Texto da nossa correspondente internacional, Karina Kuster. Dá-lhe Karina!!!
    Sempre quis ir ao México no dia dos mortos. O passado indígena glorioso, a sabedoria ancestral e a forma totalmente diferente de encarar a morte são fascinantes. Chegou a hora, convidei várias pessoas para irem junto (inclusive D. Minhoca) mas ninguém podia/queria.Comprei as passagens e decidi ir sozinha.Aí me deparei com o meu tabu particular: sentar sozinha nos restaurantes para comer. Fácil, vou comer só comida de rua, pensei. É mais barato, economiza tempo e o México tem tanta variedade de comidas diferentes que não vai dar pra repetir prato. Minha experiência Antony Bourdain particular.Primeira coisa que comi lá foram os churros. Sou a herege que nunca viu graça no Chaves, mas tinha vontade de provar só por ele. Os tradicionais são bem fininhos, compridos e não são recheados. Quase um bolinho de chuva. É gostoso, mas prefiro os brasileiros. Chaves não sabia o que era bom. 15045255_1219039984829364_1303955409_oAté aí tudo bem. Confort food. Tanto como os primeiros sanduíches, que além dos recheios tradicionais, vinham com abacate. Pão com abacate é algo a se adotar para a vida. De repente, vieram os choques. Chicharrón, um torresmão que me parecia ter 1 m2 em algumas versões. 15007946_1219041211495908_1088494532_o Minhas coronárias não tiveram coragem e só tirei foto. Diz que é salgaaaaado e que vai muito bem se quebradinho nas sopas. Pra apaziguar a fome e refrescar, preferi um copinho de frutas picadinhas, que tem em todo lugar. São uma delícia e vêm com pimenta. Ainda estava jacuzona no começo. No decorrer da viagem a ousadia foi crescendo. Lembro da primeira vez que ofereceram Chapolins, numa fila de museu. Achei quase ofensivo, agressivo. Até tomar coragem dias depois. Provei um e me veio um gosto familiar, minha mãe diz que quando pequena, era dada a comer tatu bolinha. Tem gosto de inseto, minha memória afetiva não mente. Mas é tão temperadinho, crocante. Trocaria hoje qualquer amendoim japonês por eles.15034387_1219043228162373_306383859_o (1) Outra coisa que me impressionou é a habilidade desse povo com queijo. Queijólatra confessa, não fazia a ideia do queso oxaquenho. Ele vem numas bolotonas grandes em casas que só vendem isso.15044809_1219044448162251_2095601671_o Mas para peticar, dá pra retirar fios dele. Quase como o nosso nozinho, mas diferente. Mais branquinho, mais gosto de leite. E quando é pra fazer preparados, vale o queijo fundido. Marinado com molho e outras coisas que você preferir: cogumelo, frango, chorizo... Queijo puro derretido, o Céu deve ser feito disso.15053232_1219047624828600_1728098922_o Também quis ver qual é dos tacos autênticos e me surpreendi com a variedade. Um nunca igual ao outro. Os mais gostoso não eram dobradinhos, mas retos, crocante, e recheados até o talo.15034359_1219048558161840_1137794631_o Outra coisa que ficou no coração: marquesitas.. Uma casquinha crocante, levemente docinha e feita na chapa, na hora. Como quase tudo no México, você pode rechear com qualquer coisa doce ou salgada. A minha veio com queijo, o contraste doce/salgado me levou para a morada de Tlaloc.15045520_1219049721495057_297537201_o (1) E assim foi entre tamales, tortillas, mezcal (que desce macio, mas faz tóin – by Minhoca), nopal, mole negro (e nunca imaginaria que chocolate combinasse tanto com frango).15053445_1219050191495010_1219519761_o Até que no último dia, quis provar uma comida não só mexicana, mas autenticamente maia. Escolhi Conchinita Pibil. Um marinado rico, cozido na folha de bananeira, servido com muito tempero, cebola roxa, tortillas de milho, frijoles e uma pimentinha.15008102_1219050751494954_65905022_o Sentei num restaurante, sozinha, dona do meu mundo, livre do tabu e fiquei horas ali, curtindo a minha própria individualidade, com a benção os deuses maias.
  • Costelão Bacacheri, ou: como pagar taxistas em costela.

    [caption id="attachment_243" align="aligncenter" width="620"]foto Daniel Grizza foto Daniel Grizza[/caption] Neste  ano o guerreiro Costelão do Bacacha (para os íntimos) completa 13 anos de funcionamento. E bem vividos! Esses dias voltei lá por pura saudade, não só da carne, mas também das madrugadas que invariavelmente terminavam lá. Que me perdoe o Gato Preto, outro grande, mas o Bacacha de madrugada, além do churrasco bom a preços honestos, também tem seu quinhão de profissionais de futebol em ascensão ou decadência, acompanhados de moças que não sentem frio, policias civis à paisana (pleonasmo, não?) e outras tantas figuras ímpares. Me incluo nessa lista, afinal, até onde eu sei, sou a única pessoa que faz escambo da corrida do táxi até lá por costela e maionese; acho que nesses tempos de Uber isso não cola mais. Seu Flávio (o senhorzinho do caixa que dá pirulito mas sorriso não) pode atestar por mim nessas madrugadas. Algumas vezes fiz o ritual sozinha e nunca tive  problema de nenhum tipo de assédio ( já os outros clientes...tadinhos). Em verdade,o Bacacha acaba sendo mais democrático que seu avô Bar Palácio, o qual durante muitos anos não atendia clientes do sexo feminino desacompanhadas. Outros tempos, afinal "o mundo gira, a Lusitana roda". Sem contar que a nobre churracascaria é verdadeiramente 24 horas: na Av. Prefeito Erasto Gaertner, 26, você sempre pode assistir ao espetáculo de costelas bailando naquela vitrine (vegetarianos e veganos: fujam!) de um alvorecer ao outro. Este post é dedicado ao jornalista Rodrigo Morosini, grande companheiro de manhãs, tardes e madrugadas no Bacacha e fora dele!IMG_1031(1)
    Endereço: Av. Pref. Erasto Gaertner, 26 - Bacacheri, Curitiba - PR
    Horário: aberto diariamente 24 horas
  • 14º Festa Latino Americana: meu sangue latino...

    14199394_10210483571951665_5973132028277943145_nQuando era meninota, parafraseando  Helena Kolody, meu sonho era ingressar na brilhante e promissora carreira das artes. Primeira tentativa: aulas de baixo.Namorei o professor e hoje em dia não toco nem “Smoke on the Water”. Segunda tentativa, bem mais frutífera: Solar do Barão, 1982.Grupo de zampoñas de Curitiba: 35 hippies de boutique(eu), equatorianos (Pancho Pinsag), filhos de nisseis parnanguaras(Edna, que veio a casar com o Pancho), estudantes de arquitetura, filosofia, jornalismo, geologia, teatro, etc. Todos sob a talentosa e dedicada batuta de Fredy Estupiñan Carranza, peruano, grande músico e grande professor de tudo. Enfim, era o paraíso na Terra. Definitivamente não para a minha família, que teve que aturar os excruciantes ensaios solitários em casa de “Ojos Azules”,”El Condor Pasa”, enfim, todo o cancioneiro latino que eu conseguia ou não executar.professor Fredy  Estupiñan Carranza, Edna ,eu . Alvaro O grupo se apresentou no Teatro Guaíra, e também tocamos no histórico comício da Diretas já! Sim, entre José Richa e Tancredo Neves, nosotros!!! Frequentei muito a feirinha para tocar com a turma aos domingos (tá bom, nunca mais reclamo do Plá!). Desde então, desenvolvi um amor mais forte e duradouro pela cultura latino americana que o do Galeano( vem ne mim, Veias Abertas da America Latina!). Viajei a trabalho para a Bolívia, uma experiência por demais enriquecedora, onde pude ver de perto tanto a cultura, quanto o sofrimento dessa gente. Há 14 anos , as várias etnias latino americanas residentes em Curitiba , abraçadas e apoiadas pela Pastoral do Imigrante, organizam a Festa Latino Americana. Includente, simpática, com toda aquela verve latina.  Tem de “um tudo” : vinhos argentinos com choripán (pão com linguiça beeeem temperada), ceviche peruano, e meu predileto ever: o anticucho (espeto de coração de boi. No dia que a senhorinha que faz não aparecer mais lá, vou entrar em depressão), sopa paraguaia(que é uma torta salgada), alfajores, tacos, burritos, tamales venezuelanos,salteñas bolivianas, picarones de batata doce... é muita comida boa! O combo de Gastronomia, Cultura , Música e Dança é matador. Nos últimos 3 anos as trincheiras receberam reforços dos nossos mais novos concidadãos, os haitianos animadézimos (sem comntar que o francês que eles falam é bem melhor que o nosso...). Como o padre Agler está assoberbado de trabalho, pedi um alô do multifuncional Chef Peruano Fernando Matsushita, proprietário do Peruano Bistrô e um dos organizadores desta edição da festa: “Este é o décimo quarto ano que se realiza a festa latino americana, organizada pela Pastoral do Imigrante de Santa Felicidade. A cada ano tentamos aprimorar mais, oferecer melhores produtos e espetáculos.  Desta vez a ala gastronômica contará com a participação de: Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Haiti, México Paraguai, Peru e Uruguai. Todos com os mais representativos pratos de sua culinária, feita tanto por mãos profissionais quanto por amas de casa naturais de cada país.” Já escrevi sobre esta festa antes, mas agora escrevo ANTES DA FESTA, para que assim a turma tenha a chance de vivenciar in loco toda essa diversão. Para quem possa ter outro tipo de raciocínio e relação aos imigrantes, seja de primeira , segunda ou décima quinta geração, só lembrem: nossos bisavós e avós chegaram nesta terra com mesma esperança de um lugar melhor e mais justo para sua família crescer, prosperar e viver com mais qualidade. “TODAS LAS VOCES, TODAS! TODAS LAS MANOS ,TODAS!”                                                                   l
  • London Calling: a Âncora e a Raposa!

    Risos, palmas, alegria geral! Estamos, eu e a familia, em Londres, comemorando 8  décadas da VJ (para quem não sabe, Veia Joanita, a matriarca). Programas turístico/gastronômico/culturais. Na real, o bom e velho turismo cafona e superdivertido. Comida típica e também comida contemporânea, além de criativa e substanciosa, nada daquelas espuminhas de sapo com 3 ervilhas desconstruídas por baixo. E Pubs, ah os Pubs... A proporção de Pubs por habitante nessa cidade deve ser algo assim como a de cachorros por habitante do Bairro Alto (1x5).

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    About the Fox and the Anchor Hoje o pub ao lado do Hotel faz 185 anos, com direito a bolo para todo mundo que entrar.

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    Raposa, pela relação carne/caça. Âncora, porque a turma é especializada em frutos do mar. Afinal, this is London, darrrling… O bar fica praticamente na frente do Smithfield Market, mercado atacadista de carne desde a idade média, totalmente reformado no período vitoriano e alvo de bombardeios na Segunda Guerra Mundial. 14483950_10210712215427609_599688078_n O grande trunfo da Raposa e da Âncora é que há 185 anos eles são o ÚNICO pub londrino que abre as 7h00. Isso mesmo, as 7h00 da matina, para atender os funcionários de frigoríficos que atravessam a noite pegando no pesado e terminam seu turno com aquele belíssimo café inglês reforçado: ovos, bacon, salsicha, feijão e uma stout ou uma ale, ou as duas. Bela Gil desmaiaria num pico de colesterol alto…

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    Hoje em dia, boa parte dos antigos butchers foi substituída por executivos e demais profissionais que fazem o turno da noite em empresas de informática (The It crowd). Talvez eles não comam o feijão com ovo. , mas todos vao firme nas ales. Alias, preferencia disparada entre as varias draft beers disponiveis.

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    Falei com o assistente da gerência, Slav, que me confirmou, o maior consumo de ales e stouts éno verão, cidra, MUITA cidra (eu mesma me converti ). E, pasmem, os chopps IPA (indian pale ale) lógico que são bem lupulados, mas com uma baixa graduação alcóolica (Curitiba 1 x 0 Londres), de 3,8% a 5%, no máximo. O raciocínio da turma não difere do brasileiro. A ideia é tomar vários e ainda conseguir pegar o busão/metrô para casa. Infelizmente, o pub (que também é um hotel boutique, onde antigamente residia a família que montou o negócio, no andar de cima do prédio) atualmente é gerenciado por uma grande corporação que nem lembra o nome da famíliaque começou tudo. Hoje em dia a vida é assim: uma selfie de pedra … Curiosidades sobre o Smithfield Market  

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    Foi para cá que, em 1305, o grande herói da Resistência escocesa William Wallace (vocês sabem, o Mel Gibson…) foi arrastado por cavalos, enforcado e esquartejado em quatro pedaços; açougueiros sempre serão açougueiros, enfim.

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    Era aqui também que maridos descontentes com suas esposas traziam –nas para venda ou troca(!!!). A duas quadras do Mercado fica o local onde finalmente isolaram o DNA da devastadora peste bubônica, bem pertinho das carnes… Por hoje é só, pessoal! While my eyes go looking for flying saucers in the sky…
  • ALCACHOFRAS: O BEIJO NO FÍGADO.

    Imagem-111 Alcachofras são iguais à homens: você se mata pra achar uma boa,  porque nunca está na época certa,  quando consegue achar dá um trabalhão preparar pra comer,  e quando finalmente você vai às vias de fato,  quanto mais perto chega do coração mais espinho tem! Feita esta colocação, vamos à elas: estamos na temporada de alcachofras novamente! Risos, palmas, alegria geral !! Desde criança,  e 99,9% por causa da minha avó,  sou doente por alcachofras. Comida ritualística, daquela que dá trabalho pra comer,  é comigo mesmo. E você, caro amigo, que já de largada diz, nunca comi e não gostei, tsc , tsc, tsc … erro rude … principalmente porque a alcachofra está na mesma  categoria do palmito e do champignon: a gente se criou achando que nasciam num pé de  vidros de conservas da Hemmer,  quando in natura  estes produtos tem outro gosto,  são imbatíveis. E de mais a mais,  se Dona Barberina e Julio Cortazar amam,  quem somos nós pra dizer o contrário? Minha receita é uma só,  a que aprendi olhando minha vó fazer: Ponha 4 ou 5 alcachofras num panelão com água,  muito azeite de oliva (+ou- 50 ml), vinagre de vinho (30 ml), 2 cebolas grosseiramente picadas (sempre quis escrever isso),  4 dentes de alho,  algumas folhas de louro,  sálvia e  tomilho.  Deixe cozinhar por aproximadamente 35 minutos, quando você puxar a folha e sair fácil, “it’s showtime”.  Sirva num prato de sopa,  acompanhadas  com pão (óbvio) e se você for chegado numa viadagem como eu, molho de manteiga quente com alcaparras e um vinagretezinho básico.  O figadão velho de guerra vai agradecer  o afago!

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