Cozinha de Minhoca

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Cozinha de Minhoca

3 vivas para o Rolinho Primavera!!!

Entradas Hwa-Kuo Entradas Hwa-Kuo

Sentada sozinha no japonês barateza perto de casa, num happy hour relâmpago (os meus sempre o são), na luta para escolher no cardápio os acepipes para acompanhar o sakê, me dou conta: eu, perennial *, sempre tenho uma certa relutância em escolher apenas sushis/sashimis e suas variações. Porque me faz falta o “quentinho”. Muito pior que isso: o que me falta mesmo é a fritura, o molho farto à base de ostras (me engana que eu gosto, glutamato monossódico!) shoyu, e aquele gostinho de panela wok curada que nunca viu um sapólio na vida. Mas por quê isso? Porque a minha geração se criou comendo comida chinesa “gororobenta”.

Quando criança, lembro de ir junto com a minha avó pegar “ carne de minhoquinha acebolada” e molho agridoce em um restaurante chinês perto de casa. A comida não vinha de moto naquela época.

Muito antes do meu primeiro japonês aos 15 anos ( ainda estamos falando de gastronomia…) eu já tinha comido bastante mandiopã frito, muito camarão empanado, muito rapossay e muito arroz chopsuey. Os nomes dos pratos e também dos restaurantes eram sempre algo do tipo: Grande Muralha, Imperial, Celestial, Ave do Paraíso, etc.

Até hoje graças às bênçãos celestiais do Paraíso, o Imperial da China está lá, na Rua Fernando Amaro. E sim, alguém foi assassinado na porta do restaurante nos anos 70, não é lenda urbana. Mas o inesquecível e fantástico arroz bomba com efeitos especiais ainda existe e persevera.09eba18c-a7b8-41a0-8a2b-ace3d6093196 (Arroz Bomba)

O Hwa -Kuo também está lá na Princesa Isabel, e é a versão “rykahhh” e reformada do Imperial da China. O bi-fum do finado Tim Sam na Rua Cruz Machado, posterior Jan Yen na Iguaçu, deixou saudades.

Quem nunca tentou pedir a inexistente sopa de barbatana de tubarão do cardápio do Hwa-Kuo não teve infância. Bem, não teve a minha infância, pelo menos. Hoje em dia, lógico, sabemos que o que conhecemos por comida chinesa não é exatamente o que se come na China. Sabemos hoje que, ao contrário de nós, cozinha regional não viaja. Sabemos também de todas as infindáveis e insossas formas de alimentação saudável, sustentável, responsável, blá, blá, blá…

Em verdade, em verdade vos digo: até a comida saudável na minha adolescência era gororoba, porque macrô (a comida, não o apoio de samambaia), era um grude dos infernos que ainda por cima tinha que ser mastigado 45 vezes antes de ser engolido.

Concluo este singelo devaneio convocando o restante dos perennials da Lindacap(obrigada Dino Almeida) a prestigiar a comida saborosa e barulhenta do Imperial da China, do Hwa-Kuo e de quem mais sobreviveu ao rolo compressor dos temáticos temakis!

* A forma millennial de dizer que mesmo depois de “véia”, não desisti de relacionamentos amorosos, usar doc marteens, ser rock'n'roll, viajar, enfim, viver com curiosidade e intensidade.

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