Cozinha de Minhoca

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Cozinha de Minhoca

É O FIM DOS VEGETARIANOS COMO OS CONHECEMOS.

Uma viagem pela memória dos restaurantes vegetarianos da Curitiba dos anos 80

A cidade: Curitiba. O ano: 1980e bolinha. O lugar: Restaurante Viva Vida, na rua Treze de Maio, do ladinho do “AO LIVRO TÉCNICO”. Eles eram adventistas, como depois vim a descobrir que os melhores em geral eram. Grandes cartolinas com salmos escritos em canetinhas hidrocor dividiam as paredes com imagens bíblicas, admoestações contra o desperdício de comida (não era por kilo, o buffet) e também simpáticas sugestões para que os clientes dividissem a mesa com desconhecidos. Logo em Curitiba...”Carrrculem”...Foi o primeiro restaurante vegetariano que conheci e frequentei. O primeiro PTS com arroz integral a gente nunca esquece. Nem o glúten (esse assassino silencioso e vilão nos dias de hoje). Depois desse vieram vários, afinal quem era descoladinho nos anos 80 tinha que frequentar “vegetebas” em geral. E na época ainda estava em alta a tenebrosa alimentação macrobiótica (Credo-em-Cruz-bate-na-madeira).

Verão Natural, Chlorofila, Verdejante (onde um dos garçons sofria de priapismo e NINGUÉM tinha coragem de pedir sobremesa por conta do rapaz.) Foram muitos restaurantes nessa época. Um dos legítimos representantes da raça fechou suas portas há pouco tempo, o Bouquet Garni.

" Foto: Daniel Castellano/Arquivo Gazeta do Povo"
 

Restaurante e entreposto de comida orgânica, apelidado por mim de GFPM ( gente feia paga meia): era bom comer olhando o prato e só o prato porque Meu Senhor...

O fechamento deste restaurante para mim representa o fim de uma era. Leitores e mais leitores de “sugar Blues” órfãos para sempre! Adeus PTS cheio de shoyu, olá semente de chia EM TUDO. Adeus bolinho integral de banana com açúcar mascavo e mel. Olá pudim funcional, o qual muito me entristece porque faz o pudim predecessor parecer um incompetente.

Veganos são diferentes, não adianta comparar. O mais importante para eles sempre será a questão moral ( e também de se posicionar evoluidamente acima da massa ignara).E dá-lhe fumaça líquida no feijão! Mais um impiedoso sinal dos tempos.

 Ainda sobrevivem olimpicamente com a cabeça pra fora da água respirando:Super Vegetariano, o Sorella ( adventistas Graças a Deus!), Verão Natural e Mikado. Eu sei, eu sei, não é vegetariano, mas pra mim é! Sofreram mudanças com a troca de proprietários. Hoje em dia atem até moqueca de banana. Sem contar que foram 30 anos frequentando o local sem nunca ser cumprimentada pelo dono e agora esta súbita simpatia , a gente estranha né...Chrorofila ouvi falar que vai bem, obrigada. Eles ainda tem a temida comida macrô atentendo à toda a 3ª idade da bichogrilagem curitibana.

Por fim, fica aqui o meu lamento vintage, acompanhado do reconhecimento à essa nova geração com a qual tenho discordâncias mileniais, mas que estão aí tentando fazer o mundo habitável por mais um tempinho. Ao vencedor, as batatas(orgânicas).

 

Esse texto é dedicado ao Ruy Machado Filho e à Christina Garcia: primeira casa que frequentei onde arroz, só integral, e onde nunca vi um grão de açúcar refinado.

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