• 20/06/2018

    4 dicas para dançar durante o período menstrual

    Se tem uma coisa pela qual a maior parte das mulheres passa todo mês, ela é a
    menstruação. Para muitas é um grande incômodo, para outras é tranquilo, mas
    fato é que a dança pode auxiliar esses dias que requerem um pouco mais de
    cuidados.
    Nas minhas alunas o que observo são reclamações quanto a desânimo, inchaço,
    fraqueza, e claro, as cólicas. Eu separei algumas dicas sobre como lidar melhor
    com o período menstrual e a prática de atividades físicas, tenho certeza que vai
    ajudar bastante. Vamos lá:


    Os absorventes


    Muitas alunas, em especial as mais novinhas, morrem de medo de vazamentos
    ao dançar. Eu concordo que um vazamento pode ser ruim, até constrangedor,
    mas fato é que menstruação é algo natural e deve ser encarado assim. Afinal, é
    apenas sangue! Em mercados e farmácias é possível encontrar uma infinidade
    de absorventes, como internos, externos, com abas, sem abas, sem esquecer
    dos coletores. Minha dica é: teste qual funciona melhor com você.


    A roupa ideal


    Outra boa dica para aquelas que passam mal só de pensar em ficar com a roupa
    manchada de sangue, é investir em roupas escuras. Desta forma, qualquer
    vazamento será disfarçado. Nos dias de fluxo mais intenso, invista em shorts de
    tecidos mais grossos, coloque uma meia calça e outra peça por cima, como uma
    saia ou legging , o que não vale é ficar sem dançar. Mas eu vou repetir:
    menstruação é apenas sangue, não há motivo para ficar constrangida.


    Evitando as cólicas

    Para as cólicas, a receita é fácil: endorfina! Se tem uma coisa que a dança faz, é
    liberar este hormônio que ajuda a controlar a dor. Por isso, dance muito,
    alongue-se, procure movimentar o corpo e gastar energia. A partir do momento
    que a endorfina é liberada, as cólicas tendem a melhorar.


    A alimentação


    Cuidar da alimentação, em especial nestes dias, pode ajudar muito. Alimentos
    mais leves, com frutas, verduras, iogurtes, e muito líquido ajudam a diminuir o
    inchaço. Café e bebidas à base de cafeína não são recomendadas, pois elas
    estimulam muito e podem causar irritação ou stress. A mesma regra vale para
    as bebidas alcoólicas. O meu conselho é também não se cobrar muito. Se você
    está irritada e quer comer algo que a faça sentir bem, coma. No final das contas,
    o que vale é buscar o que vai te trazer mais alegria e conforto.


    Espero que as minhas dicas sejam úteis!


    Um beijo e boa leitura.

  • 13/06/2018

    Uma aula chamada fortalecimento: tá aí um bom nome

    Uma aula chamada fortalecimento: tá aí um bom nome

    *Por Thamy Monteiro

    Quando eu comecei a pós em Psicologia Corporal eu buscava encontrar o ser humano enquanto sentimento, coisa que ficou absolutamente vaga e fria durante os cinco anos da faculdade de dança. Hoje, mais do que o ser humano sensível, eu encontrei a fragilidade de ser humano e seu grande potencial de ser forte!

    Ao longo dos estudos na psicologia eu já esperava encontrar casos graves mas nenhum se compara com os meus atuais alunos de reabilitação, no Studio de Dança Juliana Ribeiro. Traumas físicos quase irreparáveis e condições emocionais renovadas. Pessoas em carne, osso e expectativas.

    Atualmente tenho dois alunos em especial, sobre os quais relatarei brevemente aqui no texto. Uma mulher que sofreu um AVC e um homem que sofreu um acidente de trabalho gravíssimo, com perda de massa encefálica.

    Recordo com bastante clareza de quando minha aluna chegou: um semblante decidido e um andar meio descompassado. Eu estava aguardando na recepção quando a diretora veio atendê-la e após o atendimento me chamou na sua sala. O caso é de uma mulher que sofreu um AVC e busca a dança como forma de reabilitação e hoje, ao meu ver, uma boa possibilidade de bem-estar. A diretora me apresentou o caso e perguntou se eu toparia. Os objetivos eram “simples”: trabalhar força e melhorar a coordenação motora. Eu topei e toparia mais quantas vezes forem me solicitadas.

    Comecei com exercícios bem simples e esmiuçados. A aluna é dedicada e já tem bastante conhecimento de dança, o que agilizou bastante o processo. Com o passar do tempo o andar se ajustou, a coordenação motora aumentou e os exercícios foram ficando fáceis demais. A cada dia eu podia lançar desafios novos e ia recebendo também novos desafios no planejamento das atividades. Juntas pudemos treinar, dançar e o mais legal: nos divertir! Sua cantora brasileira favorita é a Pabllo Vittar e a nível internacional a preferida é a Beyoncè. Imaginem o quanto foi boa a nossa festa ao som dessas divas!

    Eis que chega meu segundo desafio (aluno), ainda maior que o primeiro, como se isso fosse possível num espaço tão curto de tempo. Ele chegou por indicação da aluna anteriormente citada, veio na cadeira de rodas e com meu maior desafio em mãos: colaborar para que ele caminhe com as próprias pernas somente, buscando trabalhar força equilíbrio.

    Confesso que quando peguei o caso eu fiquei um pouquinho em pânico. Tive pouquíssimo conhecimento sobre P.D. na faculdade e o trabalho não era de diversão nem era com a parte que já se mexia com facilidade. O trabalho era complementar ao que a equipe de saúde fazia colaborando para a evolução cada vez mais positiva do quadro. Pedi uma semana para a diretora e me meti nos estudos e nas possibilidades de trabalho. Encontrei a dança de salão como minha maior parceira.

    Meu novo bailarino já havia riscado muito salão com “2 pra lá e 2 pra cá” e foi daí que eu parti, na versão de um pra lá e um pra cá, ou como diz ele, imitando meu sotaque meio caipira do interior paulistano: “Foooooooi e vooooooooouuuuuuutou”. Ele já faz a aula inteira, de uma hora, em pé! Tira a maior onda e nós dois nos divertimos.

    A cada etapa superada fomos aumentando o grau de dificuldade. Dia desses uma pessoa passa pela janela e para durante bastante tempo. Fiquei pensando no que ela observava nessa aula tão simples. Eis que saio e ela me parabeniza pelo trabalho, dizendo que meu aluno já estava fazendo os passos no ritmo da música. Dessa vez eu não aguentei e dei espaço para que as lágrimas de emoção escorressem, pois elas já transbordavam no peito. Fiquei orgulhosa e agradecida, mas dividi todo mérito com meu aluno. Afinal, não é só dar a aula, é também ter gente com garra, disponibilidade e força pra lutar.

    Eu posso às vezes ainda ficar vagando atrás do meu propósito de vida, mas agora encontrei e estou em duas missões que me surpreendem positivamente a cada dia. São eles que me mostram quanto cada detalhe vale o esforço. São eles que me fazem repensar cada “impossibilidade” que aparece na minha vida. São eles que me fazem ter gratidão por cada conquista. São eles que me fazem feliz e realizada. São eles que me mostram que se acreditarmos podemos ir bem mais longe. São eles que me fazem ver que  o caminho às vezes é longo mas, se tivermos com quem caminhar e nos fortalecermos, podemos ir onde quisermos.

    *Thamy Monteiro, professora de dança no Studio Juliana Ribeiro, especial para o Blog Dance Curitiba

  • 06/06/2018

    Minha experiência com Susan Klein, criadora da Klein Technique

    Hoje no blog eu vou compartilhar com vocês mais uma experiência transformadora que vivenciei por meio da dança. Em setembro do ano passado vocês acompanharam o workshop que participei com o lendário coreógrafo Ohad Naharin – criador do método Gaga - e agora, vou contar como foi estar ao lado de Susan Klein, desenvolvedora do método Klein Technique.   

    A minha experiência aconteceu entre os dias 23 e 27 e abril na Casa Hoffman, um espaço cultural de Curitiba, em um curso que, por incrível que pareça, não era focado apenas em dançarinos. Vivi dias intensos e de grande importância no meu processo como bailarina ao lado de artistas plásticos, artistas cênicos e músicos, já que a técnica ensinada por Susan Klein é direcionada para estudantes em geral que busquem um maior entendimento dos hábitos internos e de movimento do corpo.
    A Klein Technique foi desenvolvida como resultado da jornada pessoal de Susan e é hoje um método para que indivíduos trabalhem lesões individuais e a saúde. É uma técnica de esperança, de visão, de bem-estar, de poder e de individualidade.
    As aulas na Casa Hoffman tiveram foco nos tecidos ósseos, que, segundo Susan, é onde fica a essência de sua arte. Para ela, um músculo carrega nossas memórias e os ossos a essência de quem somos.
    Durante os dias em que conheci de perto a Klein Technique, conversei com Susan sobre suas crenças e ouvi coisas que me fizeram refletir. Ela repetiu algo que li em um de seus livros e vou transcrever para vocês: “Eu não acredito em construir força muscular e não acredito que exista uma dançarina no mundo que seja fraca. Se houver fraqueza, acredito que seja um problema de coordenação, não um problema de força muscular individual. Eu acredito que a fraqueza vem de um nível mais profundo, mais fundamental, o nível do osso, o nível do esqueleto. Se os ossos não estiverem bem conectados, os músculos não serão capazes de coordenar adequadamente e funcionar de maneira ideal”. Não é extraordinário?
    Como em outras terapias e técnicas de consciência corporal, gastamos muito tempo com estrutura e mecânica corporal adequada, mas o trabalho dela está sempre dentro do contexto de função e do movimento. O objetivo é o movimento, ele é a chave. Por isso dançamos muito nestes dias, já que uma dança estruturalmente correta é altamente funcional.
    Para mim, foi transformador não só para a mente, mas para o corpo. Passei por uma fratura bem complicada no quadril há dois anos e ainda sinto muito em meus treinamentos. Susan me fez pensar muito e reorganizar meu corpo para poder executar movimentos da melhor maneira possível. Todas as técnicas que aprendi nestes dias só reforçaram minha crença na dança como uma aliada nas práticas de fortalecimento e reeducação corporal.

  • 24/05/2018

    Dançar emagrece!

    Dançar emagrece!

    Um perfil frequente entre os alunos que me procuram são aqueles que querem emagrecer. Muitas vezes estes alunos só querem perder peso, mas encontram na dança mais do que uma atividade física: encontram uma paixão.

    Eu acho muito bacana quem opta pela dança como atividade física, estando ou não em busca de perder uns quilinhos. Mas não dá pra negar que dançar contribui, e muito, para o emagrecimento.

    Uma aula de balé fit pode queimar até 300 calorias, já imaginou? Fazer zumba três vezes por semana pode queimar até 900 calorias! E, na minha opinião, você emagrece se divertindo, bem diferente da rotina de academia com horas e mais horas de esteira, sem interação e estímulo.

    Um dos grandes trunfos das aulas de dança para quem busca emagrecer é a diversão. As aulas das modalidades que mais queimam calorias, como dança contemporânea, jazz, zumba, balé fit, samba, costumam ser bem animadas, com música alta, um momento de verdadeira interação. É divertido participar e os alunos não frequentam como se fosse uma obrigação.

    Se você quer emagrecer, tenho duas recomendações: procure um médico e na sequência procure uma dança que tenha a ver com o seu perfil. Vai fazer bem para o seu corpo e também para a sua mente!

  • 17/05/2018

    5 dicas que toda bailarina precisa saber

    5 dicas que toda bailarina precisa saber

    5 dicas que toda bailarina precisa saber

     

    Desde que eu me conheço por gente, estou dançando. Quando fecho os olhos e lembro da minha infância, é impossível não lembrar das aulas de balé, dos caminhos até a escola, das apresentações, das sapatilhas, dos coleguinhas, das amizades que fiz. São mais de 15 anos dedicados a dança e nestes anos aprendi que nem tudo são flores. As doces lembranças sempre veem, mas as dificuldades existiram e eu adoro poder compartilhar com os bailarinos mais novos o que a experiência me ensinou.

     

    Pensei muito nos últimos dias sobre quais seriam os conselhos realmente importantes que eu daria para quem está começando e foquei em cinco.  Sabe aqueles conselhos que eu daria para mim mesma se fosse possível? Foi difícil, mas consegui. Vejam:

     

    Estude. Leia muito, veja filmes, dedique-se ao máximo nas aulas. Conhecimento é poder, quanto mais você sabe, melhor você será;

     

    Cuide da alimentação, mas sem neuroses. Mais importante que um corpo magro, é a saúde.  Nestes anos todos vi meninos e meninas lutando para não engordar, fazendo dietas loucas e colocando a saúde em risco. Não caia neste erro, ser bailarina não é sinônimo de magreza.

     

    Busque uma formação superior. Eu acredito que para ensinar alguém a dançar, é preciso responsabilidade. E a responsabilidade passa pela educação, é preciso formação superior para poder lecionar, acredito cada vez mais nisso. Eu, por exemplo, sou formada em Educação Física e sei que isto faz toda a diferença para os meus alunos. Meu conselho é: faça um curso superior ou técnico.

     

    Não permita abusos. Para aprender a dançar não é preciso violência, seja ela física ou verbal. Durante a minha trajetória vi muitos professores que gritavam, que faziam exigências absurdas, alguns até agrediam. Isso não é certo e não contribui em nada para a formação como bailarina. Se você está à mercê de um comportamento assim, busque uma outra escola ou companhia.

     

    Exercite a criatividade. Uma das coisas que mais gosto na dança é a capacidade que ela me dá de inovar, de ser criativa, de poder enxergar além do óbvio, de não ter medo. Adoro ouvir músicas diferentes, fazer workshops, ir a espetáculos, enfim, tudo que me faça pensar fora do lugar comum. O que vejo na prática é que os profissionais que correm atrás da inovação estão sempre em evidência e conquistando níveis ainda maiores de excelência em sua arte.

  • 10/05/2018

    Arte e dança no projeto fotográfico Dançarinos Urbanos

     

    Hoje eu vou contar para vocês sobre um projeto muito bacana chamado Dançarinos Urbanos, uma ideia do fotógrafo César Bond que une fotografia e dança com locações por toda a Curitiba. O projeto leva dançarinos para as ruas, deixando as pessoas em contato com os artistas que normalmente só enxergam no palco.

    Além de aproximar o público dos dançarinos, o projeto busca a inclusão cultural, já que a aproximação faz com que a arte chegue a novos lugares, novas pessoas e conquiste novos olhares.

    Para ele, transformar as praças, parques e ruas em palcos a céu aberto é uma forma de união, pois é no espaço público que todos os gêneros, cores, religiões e diferenças estão em um só lugar.

    A beleza do projeto está na união de duas artes, enquanto a dança permite a expressão dos sentimentos por meio de um corpo em movimento, a fotografia registra esse momento perpetuando toda a emoção envolvida.

    O Projeto Dançarinos Urbanos já existe há quatro anos – nasceu em 2014 com as bailarinas da Escola de Dança do Teatro Guaíra - e hoje conta com a participação das principais escolas de dança da cidade e dos melhores dançarinos de Curitiba. E o melhor: não para de crescer.

    Em uma conversa com o César, ela me contou uma história emocionante sobre a catadora de recicláveis Patrícia. Durante uma sessão de fotos do projeto, Patrícia participou de uma foto e ficou conhecida como a “terceira bailarina”, saindo do status de “pessoa invisível” para o de “bailarina”. O resultado foi um resgate da autoestima da Patrícia que a ajudou a superar a depressão. Não é incrível o poder da arte?

    Para saber mais sobre o projeto assista ao vídeo abaixo, é de encher a alma:

     

    Juliana Ribeiro é bailarina profissional, coreógrafa e diretora do Studio de Dança Juliana Ribeiro

  • 02/05/2018

    Benefícios da dança na gravidez

    Eu vou começar o post de hoje com uma frase pra lá de batida: “gravidez não é doença”. Dançar durante a gravidez pode e faz bem para a saúde da mãe e do bebê. Mas, claro, o primeiro passo antes de começar a dançar é conversar com um médico sobre a atividade mais recomendada e, para aquelas que já dançam, se existe alguma restrição que impeça a prática.

     

    A dança libera hormônios de bem-estar, ajuda a aliviar o stress, contribui para manter o peso e pode ser útil até na hora do parto.  De forma geral, o recomendado são atividades de baixo impacto, sem muitos giros, saltos ou movimentos bruscos. E sempre com muita água durante a atividade, é muito importante manter-se hidratada.

     

    Aliás, vocês já viram os vídeos das grávidas que dançam até na sala de parto? É a prova que a dança ajuda em todos os momentos, inclusive facilita a dilatação. Eu selecionei uma reportagem super bacana que mostra o poder da dança na hora do parto, vale a pena assistir: 

     

     

    Juliana Ribeiro é bailarina profissional, coreógrafa e diretora do Studio de Dança Juliana Ribeiro

     

  • 25/04/2018

    Uma noite de tango em Morretes

    No último sábado (21) tive a felicidade de conferir de perto a performance de dois dos maiores dançarinos de tango do mundo em um espetáculo intitulado Cabaret Show. Louise Malucelli e Marcos Roberts são referências globais quando se fala em tango, um ritmo envolvente, denso, passional, que requer entrega absoluta de quem atua.

     

    Juntos, Louise e Marcos foram por mais de 10 anos diretores coreográficos e dançarinos principais da Senõr Tango e da Madero Tango, em Buenos Aires, duas das casas de shows mais famosas do planeta. A novidade é que ambos decidiram fazer uma temporada no Brasil e o lugar escolhido fica ao lado de Curitiba, em Morretes.

     

    Isso mesmo, os dois estão se apresentando em Morretes, no restaurante Casa do Rio, aquele à beira do rio Nhundiaquara, um dos lugares mais lindos do litoral paranaense. Você deve estar se perguntando “mas por que em Morretes?”. A escolha não foi por acaso. A família de Louise vive em Morretes e juntos decidiram fazer algo pela cidade, e nada melhor do que um show para movimentar o turismo e a vida noturna.

     

    O Cabaret Show tem a proposta de um jantar show, com tango, samba, salsa, ilusionismo, acrobacia, canto e um jantar assinado pelo chef italiano Davide Brusorio. Se eu fosse você, já reservava um lugar no próximo sábado, basta acessar o www.restaurantecasadorio.com.br para garantir o ingresso.

     

    Durante a minha visita a Morretes, pude conferir o show e tive a honra de entrevistar a Louise e o Marcos. Confira nosso bate-papo:

     

    Vocês acham que a dança ainda é pouco explorada como atração no Brasil?

     

    Louise: Para nós é um desafio fazer esse espetáculo. Sempre quisemos trazer esse formato para o Brasil, mas percebemos que o pessoal do meio da dança está mais focado em dar aulas, muito em virtude dos poucos lugares para dançar e se apresentar. Montar o Cabaret Show foi um trabalho minucioso, envolvendo audição e escolha dos bailarinos.

     

    A receptividade dos bailarinos foi muito importante e eles têm uma grande vontade de aprender e de se esforçar. A gente trouxe um idioma novo para eles, o tango argentino, que não é tão fácil, e apresentamos da maneira mais moderna. É o modo que se faz em Buenos Aires e fora também. Eles adoraram e se esforçaram. Para nós foi muito gratificante. No sentindo do esforço, dedicação, em apreender, ensaiar todos os dias e de escutar as nossas críticas.

     

    Você tem planos de fixar a atração no calendário de Morretes?

     

    Louise: É um objetivo que temos. Tudo vai depender do retorno do público. A casa está patrocinando esse espetáculo e seria um sonho mantê-lo aqui. Entendemos que é algo novo, o formato jantar-espetáculo é algo bem normal fora do país, mas aqui ainda é novidade. A gente acredita nisso como formação de público também. Hoje está sendo o segundo sábado de Cabaret Show e estamos na expectativa de que seja um sucesso por muitos sábados ainda.

     

    É possível que o show rode por outras cidades?

     

    Louise: Pretendemos sim, tivemos algumas propostas, mas nada muito certo ainda.

     

    Marcos: Primeiro queremos fazer aqui, fazer dar certo, depois ver as possibilidades.

     

    Louise: Queremos nos adaptar primeiro ao espaço, que é um espaço particular. A gente mudou praticamente tudo, desde o palco, entradas e saídas, a parte técnica. O pessoal ainda está se costumando com o time, tem muitas coisas para adaptar. Mas a gente já tem algumas propostas.

     

    Como foi o processo de criação e montagem do show?

     

    Marcos: A gente está acostumando a trabalhar em companhias de tango, apenas tango, e foi um desafio porque aqui estamos fazendo uma mescla, com salsa, samba e tango. Foram seis meses pensando, porque uma coisa é a ideia. Depois foi preciso organizar cada detalhe, até que o show criou corpo.

     

    Louise: Fizemos uma audição quando chegamos aqui. Selecionamos alguns bailarinos e tentamos deixa-los confortáveis no sentido da escolha do seu material individual da apresentação. Cada bailarino é especialista em um ritmo, respeitamos muito isso.

     

    O processo de criação foi intenso, ensaiamos de duas a três horas todos os dias e nos deslocando com frequência até Morretes, já que estamos em Curitiba. Foi maravilhosa a experiência!

     

    Para os interessados, o Cabaret Show acontece sempre aos sábados, no restaurante Casa do Rio, em Morretes. Os ingressos custam R$ 150 (jantar + espetáculo) ou R$ 80 o show. Todas as informações estão no site www.restaurantecasadorio.com.br que também disponibiliza serviço de transfer até Morretes com empresas parceiras.

     

     

     

  • 18/04/2018

    Bate-papo com Rodrigo Pederneiras, diretor artístico e coreógrafo do Grupo Corpo

     

    Que felicidade é estar perto de pessoas que admiramos! Tive o imenso prazer de participar de um bate-papo com o Rodrigo Pederneiras, diretor artístico e coreógrafo do Grupo Corpo. Ele integrou o projeto Interlocuções, do Festival de Teatro de Curitiba 2018, que realizou uma série de conversas e palestras.

     

    Pederneiras iniciou o bate-papo de maneira bem humilde, dizendo que não sabia por que estávamos ali, pois ele não era um palestrante e não gostava de falar em público. Engraçado, pois falou por bastante tempo sem ter problemas.

     

    A conversa caminhou por vários lugares, como a trajetória do Grupo Corpo e suas criações. Ele falou sobre a dificuldade em fazer arte no Brasil e frisou que ainda é necessário o apoio de grandes empresas. “Sem elas a companhia não estaria de pé”, afirmou.

     

    Também destacou a importância de uma boa estrutura administrativa – e que valorize os recursos humanos – para que tudo funcione e, principalmente, para que o trabalho artístico possa ser feito com tranquilidade. Comentou que os bailarinos do Grupo Corpo são registrados e muito bem remunerados. “Por isso eles gostam muito de trabalhar na companhia. Muitos estão nela há mais de dez anos”.

     

    O coreógrafo também relatou o processo de criação do espetáculo Gira e as expectativas criadas pelo público. “Nas estreias de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, os ingressos esgotaram em pouquíssimo tempo”, contou.

     

    Pederneiras se mostrou muito feliz com o resultado do trabalho e pela dimensão que tomou, por lidar com um tema tão sensível para alguns grupos. A grande fonte de inspiração da estética cênica de Gira são os ritos da umbanda – a mais cultuada das religiões nascidas no Brasil, resultado da fusão do candomblé com o catolicismo e o kardecismo.

     

    O coreógrafo comentou que continua frequentando o terreiro que inspirou a criação do espetáculo. “Assim como muitos dos bailarinos, eu me aproximei muito dessas crenças”.

     

    Para quem quiser mergulhar ainda mais fundo na temática, vou deixar abaixo o link da entrevista inteira, assim como a página oficial do espetáculo.

     

    Entrevista completa: https://festivaldecuritiba.com.br/noticias/bate-papo-com-rodrigo-pederneiras-diretor-artistico-e-coreografo-do-grupo-corpo/

     

    Sobre o espetáculo:http://www.grupocorpo.com.br/obras/gira

     

    Juliana Ribeiro é bailarina profissional, coreógrafa e diretora do Studio de Dança Juliana Ribeiro

     

  • 26/03/2018

    Aprenda a dançar em qualquer idade

    Uma pergunta que escuto com frequência é “Ju, todo mundo pode dançar?”. Eu respondo com todas as letras que sim, todo mundo pode dançar. A dança é muito mais que um exercício, ela é uma expressão artística que deve ser experimentada por todos, em todas as idades. São tantos ritmos e modalidades, tantos caminhos que, com certeza, algum vai se encaixar na sua faixa etária.

    Para as crianças, dançar é um momento de autodescobrimento, de entender o que é o corpo e quais os seus limites. Geralmente as crianças que começam a dançar entendem o ensino como uma brincadeira, uma atividade lúdica, mas é neste momento que a dança apresenta a sua magia, ensinando disciplina, a expressão não verbal, os limites do outro, e faz com que elas levem para toda a vida o que aprenderam na infância.

    Os adultos que começam a dançar têm um benefício que as crianças não possuem, que é a maior consciência corporal, o que contribui na execução dos exercícios e facilita o trabalho em grupo. Sem contar que a dança ajuda a manter ou reduzir o peso, libera endorfina, melhora a saúde mental, diminui o stress, entre outros benefícios.

    Dançar é terapêutico e recomendado. Na terceira idade a dança contribui para o fortalecimento muscular, para a interação social e em muitos casos é um poderoso antidepressivo. Já vi muitos casos de pessoas com mais idade que transformaram essa fase da vida por meio da dança, é inspirador. Neste período da vida o ideal é buscar atividades de menos impacto, com movimentos mais leves e em menor intensidade.

    O que cada um precisa é descobrir qual atividade é melhor para a sua estrutura física e com qual ritmo se identifica mais. Dá para aprender a dançar em qualquer idade e nunca é tarde para aprender uma atividade nova, basta dar o primeiro passo.

    Juliana Ribeiro é bailarina profissional, coreógrafa e diretora do Studio de Dança Juliana Ribeiro.

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