• 11/07/2018

    Curitiba Companhia de Dança resgata o lúdico no espetáculo “Memória de Brinquedo”, no SESC da Esquina

    Mostra de dança contemporânea, dirigida pelo coreógrafo brasileiro Luiz Fernando Bongiovanni,  colabora com a reflexão sobre o mundo tecnológico e a ludicidade em um trabalho poético que incentiva o ato de brincar

        Na próxima quarta-feira (11), às 20h, a Curitiba Companhia de Teatro apresenta, no Sesc da Esquina, o espetáculo “Memória de Brinquedo”, uma mostra de dança contemporânea que celebra histórias, lembranças e sensações tecidas e criadas ao longo da infância. A mostra também ocorre no dia 14 de julho (sábado), no mesmo horário, no Teatro Sesi. 
    Criado e coreografado por Luiz Fernando Bongiovanni, com direção artística de Nicole Vanoni, o espetáculo busca incentivar a reflexão sobre o mundo tecnológico e a ludicidade. Neste trabalho, a Curitiba Companhia de Dança promove um resgate poético e um incentivo ao ato de brincar, apontado como uma atividade fundamental para o desenvolvimento físico e psicológico das crianças, de acordo com um apanhado de várias fontes, que vão desde a memória individual /coletiva da brincadeira e sua representação simbólica, até estudos recentes da neurociência. 
        “Esta é uma pequena colaboração, um incentivo, para que todos – pais ou não – ponderem a respeito do mundo que estamos construindo e, talvez, por meio dessa inspiração possam unir esforços para resguardar essa atividade vital do mundo infantil. Brincar é o pensamento da criança e é preciso inteligência e sensibilidade para promover esse espaço tão necessário”, explica Luiz Fernando Bongiovanni.
    A mostra de dança investiga as relações do brincar a partir de memórias reais e ficcionais, por meio dos movimentos, fomentando e defendendo o resgate da brincadeira como etapa fundamental do desenvolvimento do indivíduo. 
        Após a mostra “Memória de Brinquedo” ocorrerá a apresentação especial dos alunos do Espaço Artístico Botânica, que ministra aulas de Balé e Jazz em Curitiba. Os ingressos estão à disposição com preços de variam de R$50 (inteira) e R$25 (meia-entrada) e podem ser adquiridos nas bilheterias dos teatros e na sede da Curitiba Companhia de Dança (Rua Padre Agostinho , 400 – São Francisco). 

    **Estudantes, doadores de sangue, professores, portadores de necessidades especiais (PNE), portadores de câncer, pessoas acima de 60 anos e trabalhadores da indústria também são beneficiados com meia-entrada.

     

        Sobre a Curitiba Companhia de Dança - A Curitiba Companhia de Dança foi criada em 2013 por Nicole Vanoni baseada na ideia de experimentação, pesquisa e criação em dança contemporânea, além da busca pela diversidade de experiências com coreógrafos diferentes. A primeira obra coreográfica da Cia, “A Lenda das Cataratas”, com concepção de Rafael Zago, surgiu em 2014 e participou de festivais no Brasil e no exterior. A segunda coreografia, denominada “Quando se Calam os Anjos” tem coreografia de Airton Rodrigues e transporta para o palco questões cênicas e dramatúrgicas que realçam um universo pós-moderno virtual onde vários encontros são marcados pelo descaso do outro ou até mesmo pela falência do ser humano. Realizando mais de 100 apresentações pelo país, “Quando se Calam os Anjos” é o espetáculo de maior êxito da Curitiba Cia de Dança, sendo agraciado por público e crítica. Estreando em 2017, “Memória de Brinquedo”, uma vitoriosa parceria entre a Cia e o renomado coreógrafo brasileiro Luiz Fernando Bongiovanni, vem mais uma vez retratar as preocupações e provocar o espectador em relação ao mundo moderno e tecnológico.

    FICHA TÉCNICA 
    Direção Geral: Nicole Vanoni 
    Concepção e Coreografia: Luiz Fernando Bongiovanni 
    Assistente de Direção: Claudio Fontan 
    Assistente de Coreografia: Patrícia Machado 
    Ensaiadores: Patrícia Machado, Claudio Fontan e Eunice Oliveira 
    Professores: Viviane Cecconello e Leandro de Lara 
    Figurino e Cenário: Gelson Amaral 
    Costureira: Noeli Santana 
    Iluminação: Fabia Regina 
    Produção: Bia Reiner 
    Realização: Curitiba Cia de Dança 
    Elenco/Curitiba Cia de Dança: Ane Adade, Danilo Silvestre, Davi Mero, Edgar Marques, Fernando Gomes, Frederick Nicolás, Hamilton Félix, Jaruam Xavier, Leonardo Silveira, Marcela Pinho, Nayara Santos, Nicole Vanoni, Patrícia Machado, Patrich Lorenzetti, Rubens Vital, Tatiana Araújo. 
    Estagiário: Mario Gilberto

    Serviço:
    Memória de Brinquedo
    Curitiba Companhia de Dança
    *Local 1 – SESC da Esquina (Rua Visconde do Rio Branco, 969 – Centro).
    Data: 11 de julho – Quarta-feira.
    Horário: 20 horas.
    *Local 2 – SESI São José dos Pinhais – Teatro SESI – São José dos Pinhais
    (Rua Quinze de Novembro, 1800 – Centro – São José dos Pinhais – PR)
    Data: 14 de julho – Sábado.
    Horário: 20 horas.
    Classificação: Livre.
    Informações: (41) 3528-2002
    www.curitibaciadedanca.com.br
    [email protected]

  • 05/07/2018

    Como aprender a dançar em qualquer idade

    Se tem uma coisa que me cansa é ouvir que só é possível aprender a dançar quando se é criança. Gente, é possível aprender a dançar em qualquer idade! A dança é uma arte democrática, inclusiva, sem restrição de gênero, cor, peso ou idade. Dançar é uma atividade que só traz benefícios e pode ser realizada em qualquer idade, respeitando, é claro, as limitações de cada corpo. Eu fiz um pequeno guia com dicas para aprender a dançar em qualquer idade, acredito que possa ajudar quem está em dúvida. Vamos lá:

    Crianças e adolescentes

     

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    Começar a dançar ainda criança tem suas facilidades, afinal, nesta fase tudo é mais
    tranquilo, o corpo obedece e responde imediatamente. Para os bem pequenos,
    recomendo a dança como uma brincadeira, sem a obrigatoriedade de repetir
    movimentos ou aprender coreografias. Nesta fase é hora de entender o corpo, o
    espaço que ele ocupa, a ouvir a música, entre outras sensações. Aulas de circo e de
    acrobacias são boas pedidas. Conforme a criança for crescendo, é possível testar
    outras modalidades, como o balé, a salsa e até mesmo a dança contemporânea. A cada etapa do crescimento a criança – ou adolescente – aprende a entender e dominar melhor o corpo, a respeitar o espaço do outro e a saber qual modalidade gosta mais e se sente mais à vontade. Para pais e responsáveis eu recomendo muito colocar a dança na vida das crianças, é um valor que elas podem levar para a vida. Praticar uma atividade física, como a dança, traz benefícios a longo prazo e quanto antes este hábito estiver presente, melhor.

    Na fase adulta

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    É bem normal receber no meu Studio adultos em duas situações: aqueles que nunca dançaram e querem aprender ou quem dançava quando criança/ adolescente e quer retomar. Em ambos os casos, um fator ajuda: a força de vontade em iniciar uma atividade física. A gente sabe que na correria do dia a dia não é fácil mudar hábitos e fico muito feliz quando vejo casos assim. Normalmente eu recomendo uma dança mais lúdica, como a dança contemporânea ou a salsa, que são mais agitadas e em um primeiro momento quebram o gelo de quem está reiniciando. A minha dica é que cada aluno teste algumas modalidades até encontrar aquela que mais gosta. No meu Studio é possível fazer aulas-teste de balé, jazz, salsa, até de acrobacia, perfeitas para quem ainda está em dúvida do que fazer. E quem começa colhe logo os frutos da dança: ganham fôlego, perdem peso, tornam-se mais ativos, controlam a ansiedade, aliviam o stress e muitos mudam até a alimentação.

    Na terceira idade

     

    Na melhor idade a minha recomendação é consultar um médico antes de iniciar
    qualquer dança. Um médico poderá avaliar se é possível fazer atividades com maior
    impacto e indicar quais as limitações de cada aluno. Após a orientação médica, vem a melhor parte: dançar! Os benefícios para esta faixa etária são muitos, desde trabalhar a coordenação motora até a socialização. Crianças, adultos e idosos conquistam benefícios similares com a dança, como o controle da ansiedade e stress, melhora da coordenação motora e do ritmo de respiração. Essa história que idosos só podem fazer natação ou pilates já não faz mais sentido, existe uma infinidade de danças e movimentos que podem ser feitos por pessoas acima dos 60 anos.

     

    Quer saber mais sobre dança? Escreve pra mim! Respondo assim que possível. Me
    procura nas redes também

  • 03/07/2018

    Bailarina de Curitiba conquista tetracampeonato nacional de salsa e se prepara para disputar o mundial no Panamá

    No próximo domingo, dia 8 de julho, Carina Trombim realiza aulas abertas ao público no Studio de Dança Juliana Ribeiro

     

    Assista a apresentação de Carina Trobim no Brasil Latina Open

    No último dia 17 de junho a bailarina Carina Trombim conquistou o tetracampeonato nacional de salsa solo. Ela disputou o troféu com solistas de Recife, Brasília, São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro, durante o Brasil Latin Open, em São Paulo. Com o resultado, a catarinense radicada em Curitiba se classificou para o World Salsa Open, que será disputado na Cidade do Panamá entre os dias 22 a 28 de julho.

    A bailarina conta com o apoio do Studio de Dança Juliana Ribeiro, onde leciona, mas ainda sofre com a falta de patrocínio para cobrir despesas maiores, como passagens e estadia durante a competição internacional. A viagem tem custo estimado em R$ 15 mil e, para arrecadar fundos, Carina e o Studio Juliana Ribeiro promovem uma campanha totalmente revertida para a bailarina.

    No dia 8 de julho Carina realiza aulas de salsa para os públicos feminino e masculino, do nível iniciante ao avançado. “Espero que o público compareça e me ajude a arrecadar o que preciso para representar o Brasil no exterior”, conta a bailarina. Uma aula coletiva custa R$30 e duas aulas coletivas R$ 50.

    Além das aulas, Carina realiza no mesmo dia uma Mostra Coreográfica de Dança de Salão com apresentação da coreografia que conquistou o tetracampeonato. O ingresso tem o valor de R$ 10.

    As inscrições para as aulas do dia 8 podem ser feitas com antecedência no Studio de Dança Juliana Ribeiro (Rua Chile, 1.877) ou na hora. O workshop para iniciantes acontece das 15h às 16h30 e o intermediário/avançado das 16h30 às 18h. Mais informações pelo telefone (41) 99813-1634 ou pelo link bit.ly/2MFbIN9.

    Serviço

    Workshop de Salsa - Carina Trombim

    Data: 8 de julho de 2018

    Hora: 15h às 18h

    Local: Studio de Dança Juliana Ribeiro

    End.: Rua Chile, 1877 – Curitiba

    Mais informações: (41)99813-1634|bit.ly/2MFbIN9

  • 29/06/2018

    A arquitetura a favor da dança: conheça o Studio de Dança multiuso mais bonito de Curitiba

    Projeto assinado por Tiago Ribas prioriza amplitude, claridade, iluminação cênica e uma sala de apresentação com a mesma largura do palco do Guairinha

    Piso, acústica, iluminação, formato da sala. O projeto de uma escola de dança envolve um estudo minucioso das necessidades de cada modalidade ensinada. São projetos que requerem dos arquitetos também muita criatividade, já que geralmente recebem alunos de diversas faixas etárias.

    O Teatro Bolshoi, por exemplo, foi desenhado pelo arquiteto Joseph Bové para acolher uma escola de dança e um espaço para ópera. Tornou-se uma construção referência na arquitetura mundial devido às características multiuso do projeto. Porém, em Curitiba, a maioria das escolas de dança funciona em casas antigas, escuras e com leves adaptações para o atual objetivo do imóvel.

    A bailarina, coreógrafa e professora Juliana Ribeiro decidiu empreender diferente na capital paranaense em investiu cerca de R$ 130 mil para inaugurar seu studio dentro dos padrões ideais para atividade. Foi aí que surgiu a escola de dança considerada a mais bonita da cidade, com lounges, espaço kids e muita, muita claridade.

    “Sou bailarina profissional e danço desde pequena. Passei por muitas escolas e lembro sempre de salas apertadas, escuras e com sensação de falta de higiene no piso – onde os bailarinos rola, deitam, se alongam. No Studio Juliana Ribeiro fiz questão de um piso totalmente claro, para que a limpeza seja perfeita e visível”, explica a empreendedora.

    Localizado na Rua Chile (nº 1877), o projeto foi inaugurado em 2015 e é assinado pelo arquiteto Tiago Ribas, que conseguiu unir funcionalidade e beleza em um espaço amplo e apto a receber desde aulas até espetáculos de música e dança. “Mais do que uma escola de dança, nos tornamos um espaço cultural. Hoje recebemos e promovemos espetáculos abertos ao público e com diferentes possibilidades de formatos”, conta Juliana.

    Thiago conta que o imóvel era, antes, um barracão sem relação alguma com um espaço artístico. “Sabíamos das dificuldades. Era um projeto que começaria literalmente do zero. Conversamos muito sobre os pontos negativos e positivos da construção antiga até chegarmos nas soluções que implementamos e que uniram criatividade, funcionalidade e aconchego”.

    O arquiteto conta que não é comum as escolas de dança encomendarem projetos – em geral, elas entram e se adaptam a um imóvel pronto, porém não construído especialmente para aquele negócio. “Isso nos trouxe um desafio, por ser algo quase inédito. A escolha do piso foi primordial, pois optamos por algo que não agride os dançarinos e não emite som ao ser pisado, batido”, relata.

    Outro ponto de suma importância é o som. “O posicionamento dos ambientes exige muito estudo, pois a música de cada sala não pode conflitar. A música também não pode incomodar a vizinhança, o que foi uma das nossas principais preocupações – e que conseguimos solucionar com a localização das salas”, detalha ele.

    Tiago e Juliana optaram por reaproveitar a estrutura do antigo barracão, com seus vãos livres sem interrupções por pilares, o que contribuiu para que o studio tenha ambientes amplos tanto na metragem quanto na altura. O local conta com duas salas distintas: uma maior, para aulas com mais alunos, espaço para shows e possibilidade de abrigar uma plateia; e outra menor, para aulas mais enxutas.

    A sustentabilidade foi outro ponto de convergência entre o arquiteto e a diretora do studio, que optaram por uma obra rápida e com reaproveitamento de materiais já existentes na construção anterior, como as portas, o forro e os pontos de iluminação. “Basicamente trabalhamos com dry-wall, piso laminado e manta, com baixo custo e rapidez na entrega. Foi um pedido da Juliana que a obra unisse beleza e um bom preço, para que o investimento maior fosse com professores, cursos e outras necessidades direcionadas para os frequentadores do espaço”, enfatiza Tiago.

    O studio é hoje um local que recebe cerca de 200 pessoas ao mês, que aproveitam de um espaço clean, com tons claros e muita iluminação natural. “Fiquei muito feliz com o resultado e sinto que todos se sentem em casa aqui”, finaliza Juliana.

  • 20/06/2018

    4 dicas para dançar durante o período menstrual

    Se tem uma coisa pela qual a maior parte das mulheres passa todo mês, ela é a
    menstruação. Para muitas é um grande incômodo, para outras é tranquilo, mas
    fato é que a dança pode auxiliar esses dias que requerem um pouco mais de
    cuidados.
    Nas minhas alunas o que observo são reclamações quanto a desânimo, inchaço,
    fraqueza, e claro, as cólicas. Eu separei algumas dicas sobre como lidar melhor
    com o período menstrual e a prática de atividades físicas, tenho certeza que vai
    ajudar bastante. Vamos lá:


    Os absorventes


    Muitas alunas, em especial as mais novinhas, morrem de medo de vazamentos
    ao dançar. Eu concordo que um vazamento pode ser ruim, até constrangedor,
    mas fato é que menstruação é algo natural e deve ser encarado assim. Afinal, é
    apenas sangue! Em mercados e farmácias é possível encontrar uma infinidade
    de absorventes, como internos, externos, com abas, sem abas, sem esquecer
    dos coletores. Minha dica é: teste qual funciona melhor com você.


    A roupa ideal


    Outra boa dica para aquelas que passam mal só de pensar em ficar com a roupa
    manchada de sangue, é investir em roupas escuras. Desta forma, qualquer
    vazamento será disfarçado. Nos dias de fluxo mais intenso, invista em shorts de
    tecidos mais grossos, coloque uma meia calça e outra peça por cima, como uma
    saia ou legging , o que não vale é ficar sem dançar. Mas eu vou repetir:
    menstruação é apenas sangue, não há motivo para ficar constrangida.


    Evitando as cólicas

    Para as cólicas, a receita é fácil: endorfina! Se tem uma coisa que a dança faz, é
    liberar este hormônio que ajuda a controlar a dor. Por isso, dance muito,
    alongue-se, procure movimentar o corpo e gastar energia. A partir do momento
    que a endorfina é liberada, as cólicas tendem a melhorar.


    A alimentação


    Cuidar da alimentação, em especial nestes dias, pode ajudar muito. Alimentos
    mais leves, com frutas, verduras, iogurtes, e muito líquido ajudam a diminuir o
    inchaço. Café e bebidas à base de cafeína não são recomendadas, pois elas
    estimulam muito e podem causar irritação ou stress. A mesma regra vale para
    as bebidas alcoólicas. O meu conselho é também não se cobrar muito. Se você
    está irritada e quer comer algo que a faça sentir bem, coma. No final das contas,
    o que vale é buscar o que vai te trazer mais alegria e conforto.


    Espero que as minhas dicas sejam úteis!


    Um beijo e boa leitura.

  • 13/06/2018

    Uma aula chamada fortalecimento: tá aí um bom nome

    Uma aula chamada fortalecimento: tá aí um bom nome

    *Por Thamy Monteiro

    Quando eu comecei a pós em Psicologia Corporal eu buscava encontrar o ser humano enquanto sentimento, coisa que ficou absolutamente vaga e fria durante os cinco anos da faculdade de dança. Hoje, mais do que o ser humano sensível, eu encontrei a fragilidade de ser humano e seu grande potencial de ser forte!

    Ao longo dos estudos na psicologia eu já esperava encontrar casos graves mas nenhum se compara com os meus atuais alunos de reabilitação, no Studio de Dança Juliana Ribeiro. Traumas físicos quase irreparáveis e condições emocionais renovadas. Pessoas em carne, osso e expectativas.

    Atualmente tenho dois alunos em especial, sobre os quais relatarei brevemente aqui no texto. Uma mulher que sofreu um AVC e um homem que sofreu um acidente de trabalho gravíssimo, com perda de massa encefálica.

    Recordo com bastante clareza de quando minha aluna chegou: um semblante decidido e um andar meio descompassado. Eu estava aguardando na recepção quando a diretora veio atendê-la e após o atendimento me chamou na sua sala. O caso é de uma mulher que sofreu um AVC e busca a dança como forma de reabilitação e hoje, ao meu ver, uma boa possibilidade de bem-estar. A diretora me apresentou o caso e perguntou se eu toparia. Os objetivos eram “simples”: trabalhar força e melhorar a coordenação motora. Eu topei e toparia mais quantas vezes forem me solicitadas.

    Comecei com exercícios bem simples e esmiuçados. A aluna é dedicada e já tem bastante conhecimento de dança, o que agilizou bastante o processo. Com o passar do tempo o andar se ajustou, a coordenação motora aumentou e os exercícios foram ficando fáceis demais. A cada dia eu podia lançar desafios novos e ia recebendo também novos desafios no planejamento das atividades. Juntas pudemos treinar, dançar e o mais legal: nos divertir! Sua cantora brasileira favorita é a Pabllo Vittar e a nível internacional a preferida é a Beyoncè. Imaginem o quanto foi boa a nossa festa ao som dessas divas!

    Eis que chega meu segundo desafio (aluno), ainda maior que o primeiro, como se isso fosse possível num espaço tão curto de tempo. Ele chegou por indicação da aluna anteriormente citada, veio na cadeira de rodas e com meu maior desafio em mãos: colaborar para que ele caminhe com as próprias pernas somente, buscando trabalhar força equilíbrio.

    Confesso que quando peguei o caso eu fiquei um pouquinho em pânico. Tive pouquíssimo conhecimento sobre P.D. na faculdade e o trabalho não era de diversão nem era com a parte que já se mexia com facilidade. O trabalho era complementar ao que a equipe de saúde fazia colaborando para a evolução cada vez mais positiva do quadro. Pedi uma semana para a diretora e me meti nos estudos e nas possibilidades de trabalho. Encontrei a dança de salão como minha maior parceira.

    Meu novo bailarino já havia riscado muito salão com “2 pra lá e 2 pra cá” e foi daí que eu parti, na versão de um pra lá e um pra cá, ou como diz ele, imitando meu sotaque meio caipira do interior paulistano: “Foooooooi e vooooooooouuuuuuutou”. Ele já faz a aula inteira, de uma hora, em pé! Tira a maior onda e nós dois nos divertimos.

    A cada etapa superada fomos aumentando o grau de dificuldade. Dia desses uma pessoa passa pela janela e para durante bastante tempo. Fiquei pensando no que ela observava nessa aula tão simples. Eis que saio e ela me parabeniza pelo trabalho, dizendo que meu aluno já estava fazendo os passos no ritmo da música. Dessa vez eu não aguentei e dei espaço para que as lágrimas de emoção escorressem, pois elas já transbordavam no peito. Fiquei orgulhosa e agradecida, mas dividi todo mérito com meu aluno. Afinal, não é só dar a aula, é também ter gente com garra, disponibilidade e força pra lutar.

    Eu posso às vezes ainda ficar vagando atrás do meu propósito de vida, mas agora encontrei e estou em duas missões que me surpreendem positivamente a cada dia. São eles que me mostram quanto cada detalhe vale o esforço. São eles que me fazem repensar cada “impossibilidade” que aparece na minha vida. São eles que me fazem ter gratidão por cada conquista. São eles que me fazem feliz e realizada. São eles que me mostram que se acreditarmos podemos ir bem mais longe. São eles que me fazem ver que  o caminho às vezes é longo mas, se tivermos com quem caminhar e nos fortalecermos, podemos ir onde quisermos.

    *Thamy Monteiro, professora de dança no Studio Juliana Ribeiro, especial para o Blog Dance Curitiba

  • 06/06/2018

    Minha experiência com Susan Klein, criadora da Klein Technique

    Hoje no blog eu vou compartilhar com vocês mais uma experiência transformadora que vivenciei por meio da dança. Em setembro do ano passado vocês acompanharam o workshop que participei com o lendário coreógrafo Ohad Naharin – criador do método Gaga - e agora, vou contar como foi estar ao lado de Susan Klein, desenvolvedora do método Klein Technique.   

    A minha experiência aconteceu entre os dias 23 e 27 e abril na Casa Hoffman, um espaço cultural de Curitiba, em um curso que, por incrível que pareça, não era focado apenas em dançarinos. Vivi dias intensos e de grande importância no meu processo como bailarina ao lado de artistas plásticos, artistas cênicos e músicos, já que a técnica ensinada por Susan Klein é direcionada para estudantes em geral que busquem um maior entendimento dos hábitos internos e de movimento do corpo.
    A Klein Technique foi desenvolvida como resultado da jornada pessoal de Susan e é hoje um método para que indivíduos trabalhem lesões individuais e a saúde. É uma técnica de esperança, de visão, de bem-estar, de poder e de individualidade.
    As aulas na Casa Hoffman tiveram foco nos tecidos ósseos, que, segundo Susan, é onde fica a essência de sua arte. Para ela, um músculo carrega nossas memórias e os ossos a essência de quem somos.
    Durante os dias em que conheci de perto a Klein Technique, conversei com Susan sobre suas crenças e ouvi coisas que me fizeram refletir. Ela repetiu algo que li em um de seus livros e vou transcrever para vocês: “Eu não acredito em construir força muscular e não acredito que exista uma dançarina no mundo que seja fraca. Se houver fraqueza, acredito que seja um problema de coordenação, não um problema de força muscular individual. Eu acredito que a fraqueza vem de um nível mais profundo, mais fundamental, o nível do osso, o nível do esqueleto. Se os ossos não estiverem bem conectados, os músculos não serão capazes de coordenar adequadamente e funcionar de maneira ideal”. Não é extraordinário?
    Como em outras terapias e técnicas de consciência corporal, gastamos muito tempo com estrutura e mecânica corporal adequada, mas o trabalho dela está sempre dentro do contexto de função e do movimento. O objetivo é o movimento, ele é a chave. Por isso dançamos muito nestes dias, já que uma dança estruturalmente correta é altamente funcional.
    Para mim, foi transformador não só para a mente, mas para o corpo. Passei por uma fratura bem complicada no quadril há dois anos e ainda sinto muito em meus treinamentos. Susan me fez pensar muito e reorganizar meu corpo para poder executar movimentos da melhor maneira possível. Todas as técnicas que aprendi nestes dias só reforçaram minha crença na dança como uma aliada nas práticas de fortalecimento e reeducação corporal.

  • 24/05/2018

    Dançar emagrece!

    Dançar emagrece!

    Um perfil frequente entre os alunos que me procuram são aqueles que querem emagrecer. Muitas vezes estes alunos só querem perder peso, mas encontram na dança mais do que uma atividade física: encontram uma paixão.

    Eu acho muito bacana quem opta pela dança como atividade física, estando ou não em busca de perder uns quilinhos. Mas não dá pra negar que dançar contribui, e muito, para o emagrecimento.

    Uma aula de balé fit pode queimar até 300 calorias, já imaginou? Fazer zumba três vezes por semana pode queimar até 900 calorias! E, na minha opinião, você emagrece se divertindo, bem diferente da rotina de academia com horas e mais horas de esteira, sem interação e estímulo.

    Um dos grandes trunfos das aulas de dança para quem busca emagrecer é a diversão. As aulas das modalidades que mais queimam calorias, como dança contemporânea, jazz, zumba, balé fit, samba, costumam ser bem animadas, com música alta, um momento de verdadeira interação. É divertido participar e os alunos não frequentam como se fosse uma obrigação.

    Se você quer emagrecer, tenho duas recomendações: procure um médico e na sequência procure uma dança que tenha a ver com o seu perfil. Vai fazer bem para o seu corpo e também para a sua mente!

  • 17/05/2018

    5 dicas que toda bailarina precisa saber

    5 dicas que toda bailarina precisa saber

    5 dicas que toda bailarina precisa saber

     

    Desde que eu me conheço por gente, estou dançando. Quando fecho os olhos e lembro da minha infância, é impossível não lembrar das aulas de balé, dos caminhos até a escola, das apresentações, das sapatilhas, dos coleguinhas, das amizades que fiz. São mais de 15 anos dedicados a dança e nestes anos aprendi que nem tudo são flores. As doces lembranças sempre veem, mas as dificuldades existiram e eu adoro poder compartilhar com os bailarinos mais novos o que a experiência me ensinou.

     

    Pensei muito nos últimos dias sobre quais seriam os conselhos realmente importantes que eu daria para quem está começando e foquei em cinco.  Sabe aqueles conselhos que eu daria para mim mesma se fosse possível? Foi difícil, mas consegui. Vejam:

     

    Estude. Leia muito, veja filmes, dedique-se ao máximo nas aulas. Conhecimento é poder, quanto mais você sabe, melhor você será;

     

    Cuide da alimentação, mas sem neuroses. Mais importante que um corpo magro, é a saúde.  Nestes anos todos vi meninos e meninas lutando para não engordar, fazendo dietas loucas e colocando a saúde em risco. Não caia neste erro, ser bailarina não é sinônimo de magreza.

     

    Busque uma formação superior. Eu acredito que para ensinar alguém a dançar, é preciso responsabilidade. E a responsabilidade passa pela educação, é preciso formação superior para poder lecionar, acredito cada vez mais nisso. Eu, por exemplo, sou formada em Educação Física e sei que isto faz toda a diferença para os meus alunos. Meu conselho é: faça um curso superior ou técnico.

     

    Não permita abusos. Para aprender a dançar não é preciso violência, seja ela física ou verbal. Durante a minha trajetória vi muitos professores que gritavam, que faziam exigências absurdas, alguns até agrediam. Isso não é certo e não contribui em nada para a formação como bailarina. Se você está à mercê de um comportamento assim, busque uma outra escola ou companhia.

     

    Exercite a criatividade. Uma das coisas que mais gosto na dança é a capacidade que ela me dá de inovar, de ser criativa, de poder enxergar além do óbvio, de não ter medo. Adoro ouvir músicas diferentes, fazer workshops, ir a espetáculos, enfim, tudo que me faça pensar fora do lugar comum. O que vejo na prática é que os profissionais que correm atrás da inovação estão sempre em evidência e conquistando níveis ainda maiores de excelência em sua arte.

  • 10/05/2018

    Arte e dança no projeto fotográfico Dançarinos Urbanos

     

    Hoje eu vou contar para vocês sobre um projeto muito bacana chamado Dançarinos Urbanos, uma ideia do fotógrafo César Bond que une fotografia e dança com locações por toda a Curitiba. O projeto leva dançarinos para as ruas, deixando as pessoas em contato com os artistas que normalmente só enxergam no palco.

    Além de aproximar o público dos dançarinos, o projeto busca a inclusão cultural, já que a aproximação faz com que a arte chegue a novos lugares, novas pessoas e conquiste novos olhares.

    Para ele, transformar as praças, parques e ruas em palcos a céu aberto é uma forma de união, pois é no espaço público que todos os gêneros, cores, religiões e diferenças estão em um só lugar.

    A beleza do projeto está na união de duas artes, enquanto a dança permite a expressão dos sentimentos por meio de um corpo em movimento, a fotografia registra esse momento perpetuando toda a emoção envolvida.

    O Projeto Dançarinos Urbanos já existe há quatro anos – nasceu em 2014 com as bailarinas da Escola de Dança do Teatro Guaíra - e hoje conta com a participação das principais escolas de dança da cidade e dos melhores dançarinos de Curitiba. E o melhor: não para de crescer.

    Em uma conversa com o César, ela me contou uma história emocionante sobre a catadora de recicláveis Patrícia. Durante uma sessão de fotos do projeto, Patrícia participou de uma foto e ficou conhecida como a “terceira bailarina”, saindo do status de “pessoa invisível” para o de “bailarina”. O resultado foi um resgate da autoestima da Patrícia que a ajudou a superar a depressão. Não é incrível o poder da arte?

    Para saber mais sobre o projeto assista ao vídeo abaixo, é de encher a alma:

     

    Juliana Ribeiro é bailarina profissional, coreógrafa e diretora do Studio de Dança Juliana Ribeiro

DESTAQUES DOS EDITORES